segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Entrevista: Cornerstone

Rock, pop, indie e uma grande dose de AOR, assim se podem definir os Cornerstone, banda austríaca que tem obtido um assinalável reconhecimento na sua ainda curta carreira. Patricia Hillinger e um bem disposto Michael Wachelhofer, respetivamente, vocalista e baixista/teclista contam a Via Nocturna o trajeto que os trouxe até Somewhere In America, sem esquecer um concurso vencido e um filme que conta com dois temas do coletivo.

Somewhere In America é já o vosso segundo lançamento. Como é que ele regista a vossa evolução, enquanto banda, desde a estreia?
Patricia Hillinger (PH): Com Somewhere in America, sinto que demos um enorme passo em relação à nossa estreia, Head Over Heels. O Michael e Steve, que escreveram as músicas juntos, foram inspirados por suas tournées americanas de 2009, o que se reflete na escolha do título. Depois de concluídas as melodias e letras, ficámos, muitas vezes, a ensaiar até à meia-noite para fazer as músicas únicas. E aí estão elas!
Michael Wachelhofer (MW): Para além do facto de Somewhere In America ser, na minha opinião, mais maduro, e ser - deixa-me dizê-lo desta forma - uma espécie de meio caminho entre diversos estilos musicais. Na época que fizemos Head Over Heels, éramos profundamente influenciados por nomes como REM, The Smiths e Faith No More, que, como é óbvio, ainda se podem ouvir neste álbum. De um lado tínhamos músicas mais orientadas para o Punk/Grunge como Changed, Something In The Way ou Leave; por outro lado, havia músicas como Regret ou Crises, que poderiam muito bem ser incluídas em Greatest Love Ballads Vol.5 ou algo assim. Mas, exceto Ready To Go e Fade Away, não existia nada no meio. Ironicamente foram estas inbetween songs que se tornaram os hits e as músicas mais memoráveis no álbum. Então, tentámos criar mais músicas como estas e tentei encontrar uma espécie de "meio caminho". Como conclusão, acho que Head Over Heels é alternativo com um pouco AOR, enquanto Somewhere In America é AOR com pouco de alternativo (risos).

O vosso primeiro álbum, permitiu-vos fazer uma tournée pelos EUA. Podemos considerar este Somewhere In America como um diário das vossas próprias experiências?
MW: Hm, eu não diria que é um diário ... mas para fazermos o Somewhere In America tivemos muita inspiração, em especial a partir dessa tournée. Musicalmente ela foi muito, muito boa, sem dúvida, e estamos ansiosos para fazer outra, quer em 2012 ou em 2013, porque as pessoas simplesmente adoraram o que fizemos. Mas, nos bastidores ... bem, esse foi um pouco de um backstage-drama, mas eu não vou mais longe neste ponto. Mas definitivamente essa tournée deu-me material e histórias para novas músicas - canções, que agora se podem encontrar no nosso novo álbum Somewhere In America. Mas músicas como Being Unaware ou High And Low são retrabalhadas a partir de canções mais antigas que nós escrevemos em 2004 ou assim, numa altura em que já ficávamos felizes de encontrar a América no mapa (risos).

Os Cornerstone são ainda uma banda jovem, mas apresentam já um curriculum invejável. Vejamos: para começar, algumas músicas do álbum Head Over Heels foram incluídas na banda sonora do filme Little Alien. Como se concretizou essa situação?
MW: Eu não me lembro exatamente, mas penso que esse projeto veio do nosso advogado. Um dia chamou-me e disse-me: "Mike, preciso de duas canções para a banda sonora de um filme". Grande surpresa! Enquanto isso, o filme ganhou vários prémios, foi mostrado em Nova York, Los Angeles etc ... que posso pedir mais? (risos)

Também ganharam o Concurso Next Big Thing. Que impacto teve esse prémio na vossa carreira?
MW: Foi muito bom! Enviamos a nossa contribuição mais como divertimento, e de repente ganhámos esse concurso! Isso deu-nos um grande impulso, especialmente nos Estados Unidos.

Depois, algumas pessoas importantes (a saber: Beau Hill, Dennis Stratton ou Steve Price) têm prestado declarações importantes sobre os Cornerstone. É uma enorme responsabilidade, não? Como reagem a tais comentários?
PH: É uma enorme honra para nós, estamos gratos e somos afortunados quando alguém, que já anda na música há tanto tempo, tenha olhado para nós. Ter obtido esse feedback produtivo é muito importante, pois ajuda-nos a crescer musicalmente. Portanto, todos são bem-vindos para dar a sua opinião.
MW: Sim, especialmente Steve Price é uma lenda no Reino Unido, por isso é ótimo ler tais linhas de um homem como ele! Já fizemos dois espetáculos em Londres com o Dennis. É uma pessoa fantástica e muito terra a terra. Quero dizer, ele está no mundo musical há 35 anos, ele teria todo o direito do a dizer "Esta banda é uma merda". Mas ele gostou muito e tivemos muita diversão no palco com ele em julho!

Portanto, uma pergunta se impõem: qual é o vosso segredo?
MW: Deixa-me dizer-te, que eu próprio tenho o CD Barry Manilow Greatest Hits! E sim, eu gosto! Alguém, nesta banda, tem que escrever músicas como Right Or Wrong (risos).

De regresso a Somewhere In America, como decorreu o processo de escrita e as sessões de gravação?
PH: Foi muito cansativo. Passámos o dia inteiro de gravação no estúdio, apenas com pequenos intervalos para o almoço, etc. Para mim, foi a primeira experiência em estúdio. Ainda demorei algum tempo para me adaptar, mas foi definitivamente uma experiência para recordar e para além do trabalho duro tivemos muita diversão.
MW: Muito cansativo, para ser honesto. E difícil. Há três anos que a banda estava em tournée, as músicas não estavam prontas a 100%, e queríamos ir em aproximadamente oito direções diferentes. Acho que isto, foi uma experiência muito difícil para a banda e também para o produtor do álbum, Kristian Ignatov. Claro, no final fizemos este grande álbum homogéneo, mas percebemos isso de uma maneira muito difícil. Para este álbum também fizemos algumas pré-produções, com a lenda do AOR Dennis Ward. Não posso falar mal do Dennis, mas na minha opinião ele não poderia lidar com o nosso material, nem com a própria banda própria. Ele simplesmente não funcionou.

E agora é hora de ir numa nova tournée, certo? Já há algo planeado?
PH: Estou ansiosa para mais uma tournée na Inglaterra no ano que vem, mas nós temos alguns espetáculos planeados para a Áustria e Alemanha também.
MW: Nós definitivamente iremos voltar ao Reino Unido no próximo ano, e até poderíamos repetir toda a tournée 2011 – Tour 1:1 porque cada local onde tocámos nos queria novamente. Mas vamos fazer alguns espetáculos na Áustria em 2011 e, em seguida, vamos parar cerca de dois meses para nos dedicarmos um pouco às nossas vidas pessoais. Em março e abril vamos fazer mais alguns concertos. Vamos ver. Convites para concertos e festivais são sempre bem-vindos, desde que se encaixam no nosso calendário! A terminar, deixo saudações de todos os membros da Cornerstone e tudo de melhor para ti e para os leitores da Via Noturna! E não se esqueçam de conferir o nosso novo álbum Somewhere In America, que está disponível no Amazon, iTunes, etc! Adeus.

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