sábado, 1 de outubro de 2011

Entrevista: Deep Coma

Um ano após a estreia Down The Gutter e agora sustentado numa edição através da Torn Flesh Records, o mais esquizofrénico duo do metal nacional está de regresso com uma nova proposta mais trabalhada e pensada. Pelo menos é essa a opinião do multi-instrumentista Tito Bettencourt.

Um ano depois, o segundo trabalho do teu projeto. O que fizeram os Deep Coma neste tempo, para além da composição deste conjunto de novos temas?
Além de continuarmos sempre a compor e gravar novos temas, andamos a promover o primeiro trabalho Down The Gutter e demos uns concertos locais onde obtivemos muito boas críticas.

Quanto a Despair As You Stare, continuas a apostar num trabalho a dois…
Certo… Deep Coma continua a ser apenas eu e o Maldor Evil. Além de tudo “descolar” mais rápido, neste momento eu não vejo inconvenientes nenhuns nisso. Gosto de fazer os temas sozinho, não há “choques” de ideias e fica uma coisa mais “pessoal”.

E como vês este trabalho, comparativamente com a vossa estreia?
Creio que a evolução é notória. Despair As You Stare continua com o mesmo peso esquizofrénico que o Down The Gutter, porém, acho que os temas em si foram mais trabalhados e pensados, além de mais longos são mais coesos. Creio que ambos os trabalhados foram experiências diferentes em busca do verdadeiro som dos Deep Coma, coisa que só encontraram no terceiro trabalho já em preparação (risos).

Para além de ti e do Maldor Evil, tens o Ricardo Santos, dos Morbid Death, a participar num tema e Alexandre Moniz na bateria…
Certo. Eu cresci a ouvir Morbid Death e desde que comecei a tocar e a compor que sempre quis ouvir o Ricardo Santos cantar num tema meu. Anos depois satisfiz esse meu “capricho” de criança com a sua participação especial no tema Jailbird do novo trabalho. Acho que o Ricardo tem uma excelente voz e bastante personalizada e acho que encaixou muito bem no tema. Digamos que sou fã dele. O Alexandre Moniz além de nosso baterista de sessão ao vivo ajudou em diversos temas com ideias para a bateria.

Novidade, também, é um tema em português. Algum motivo em especial?
Não houve nenhum motivo em especial. Inicialmente o tema Miragem apenas teria a primeira quadra em português, mas depois decidimos continuá-lo todo em português. Acho que resultou e foi uma boa experiência, porém não vejo Deep Coma a criar mais tema em português no futuro.

Existe alguma explicação, ou será simples coincidência que as iniciais do título do trabalho originem… DAYS?
Foi apenas uma coincidência engraçada. Não foi propositado.

Este é um trabalho que aparece com edição da Torn Flesh Records. Como se deu esse contacto?
Tudo começou porque Deep Coma participou numa compilação da editora com um tema. Depois fui contactado pela editora sobre disponibilizar o primeiro trabalho Down The Gutter no seu arquivo, visto tratar-se de uma net-label. Esta demonstrou também interesse no Despair As You Stare e como sempre o quis disponibilizar online, aceitei. É mais uma maneira de promover o álbum, visto que a Torn Flesh tem seguidores fiéis dos seus novos trabalhos.

Tratou-se de uma gravação doméstica, chamemos-lhe assim. Para os Deep Coma é mais confortável esse formato?
Digamos que sim. Além de não ter fundos para estar a gravar os temas sozinho em estúdio, em casa estou sempre a vontade para apagar e repetir, experimentar, alterar sempre que quiser, etc. É claro que o som não fica tão limpo como numa gravação de estúdio, mas isso é uma coisa que até gosto em Deep Coma… A sujidade… Ajuda a manter a ideia transmitida.

E como surgiu a cover de Refuse/Resist dos Sepultura? De que forma é que os brasileiros influenciam ou influenciaram os Deep Coma?
Refuse/Resist foi um tema que sempre adorei e decidimos fazer uma cover à nossa maneira. Acho que o tema ficou bem mais rápido e demente… Gostei do resultado final, decidimos então colocá-lo no Despair As You Stare. As críticas têm sido boas relativamente a esse tributo. Pessoalmente sou um grande fã de Max Cavalera e acho que este me influenciou no que toca à guitarra. Os seus riffs simplórios e básicos são únicos e geniais, quer seja em Sepultura antigo, Soulfly, Nailbomb ou Cavalera Conspiracy.

Desta feita, a atender pelo press release, já tens selecionados os músicos que te acompanharão ao vivo. Podes apresentá-los?
Sim, temos os irmãos Paulo Moniz na guitarra rítmica e o já falado Alexandre Moniz na bateria, e no baixo temos Eliezer Pereira. Estes foram quem me acompanharam a mim e ao Maldor nos nossos concertos até a data e todos eles mostraram interesse em continuar a acompanhar. Porém, com a mudança do Maldor Evil para o continente, infelizmente os concertos ao vivo estão encostados de lado por uns tempos. Por agora, vamos apenas continuar a gravar em “duo”.

A terminar, uma questão curiosa: sabes que existe uma outra banda Deep Coma? Esse facto terá alguma influência futura?
Por acaso não sabia, mas não estou a ver isso a ter influência nenhuma futura. O que não falta para aí são duas bandas com o mesmo nome, cada uma no seu cantinho do mundo. Obviamente que preocupei-me em pesquisar se já havia alguma banda chamada Deep Coma, e apenas encontrei um MySpace sem informação, abandonado e com umas letras e cores horríveis… Fui lá ver agora e deparei que este está igual. Creio que te referes a isso. Não… não terá influência.

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