Entrevista: Dirty York

Originários de Melbourne, os Dirty York são um daqueles grupos a quem o revivalismo encaixa com tal naturalidade que quase pensamos estar a ouvir uma banda dos anos 70. A sua mistura única de southern rock e blues apresentada em Say Goodbye To Diamonds é, de facto, brilhante. Mas, segundo Shaun Brown, o novo álbum irá percorrer outros caminhos. Este foi, aliás um dos temas de uma conversa com o vocalista onde também visitámos os Hard Lucks, o seu álbum a solo, a indústria musical e o p´roximo trabalho dos Dirty York. 

Boas, podes começar por apresentar os Dirty York aos fãs portugueses?
Sim, os Dirty York são uma banda de rock australiana fundada em Melbourne em 2005.

Quais são as vossas principais influências?
Rolling Stones, The Beatles, Led Zeppelin, Bob Dylan, Neil Young, etc ... São demasiadas para nomeá-las todas!

Por que um título como Say Goodbye To Diamonds quando o vosso disco é, em si, um diamante puro?
Muito obrigado. O título reflete a nossa posição no cenário musical, é um jogo de palavras, porque estamos lisos e sempre estivemos. Portanto, como se pode dizer adeus a algo que nunca se teve? É uma declaração sobre a atitude que tínhamos na altura... E a atitude era: que se lixe, vamos fazer um grande álbum de rock’n’roll, mesmo que nos matemos!

As reações têm sido muito boas. Estavam à espera?
Sinceramente, eu não sabia o que esperar porque nós não nos guiamos por tendências.

Say Goodbye To Diamonds foi originalmente lançado no ano passado, certo? Pode dizer-se que ainda é um fiel representante da musicalidade atual dos Dirty York?
Sim, é, embora desde a gravação desse álbum que escrevemos material novo que me faz pensar para onde estamos a caminhar. Ainda é Dirty York mas é diferente, talvez seja um pouco menos southern rock. Mas tenho a certeza que Say Goodbye To Diamonds será sempre uma representação correta de quem somos e do que fazemos.

Sendo que este é um álbum com dois capítulos, de alguma forma significa que é um álbum conceptual?
Não sei, acho que os temas são bastante amplos. Algumas músicas são totalmente despreocupadas em termos emotivos, outras são muito tensas. Eu acho que é bom como reflexão da nossa própria personalidade na arte. Todos os membros de Dirty York são pessoas extremamente maníacas, por isso é que os nossos temas/sentimentos mudam de canção para canção (pelo menos desta vez). Os dois capítulos foram realmente apenas uma ideia do designer gráfico. Pessoalmente, eu não tinha muito a ver com essas coisas.

Vocês introduzem harmónica e uma seção de metais na vossa música. Têm alguns convidados para tocar esses instrumentos?
Eu toco a harmónica e sim, nós contratamos alguns grandes músicos locais, bem como cantores gospel para este disco.

Após este lançamento de forma independente, já há notícias sobre possíveis interesses de algumas editoras?
Não, a indústria (se podes chamar a isto de indústria) não está interessada no que fazemos. Somente os fãs e os puristas estão interessados em Dirty York. Eu não ligo nenhuma à indústria até que comecem a mostrar um pouco de respeito por nós. E sobre este assunto, já é suficiente.

Estiveram, recentemente aqui na nossa vizinha Espanha para tocar no Azkena Rock Festival. Que impressões do povo ibérico?
As pessoas que se reuniram na Azkena e enquanto estivemos em Bilbao foram maravilhosas, entusiasmadas e apaixonadas. Definitivamente, eu poderia ter ficado mais tempo! As pessoas fazem os lugares e estou ansioso para voltar.

Tu também lançaste dois álbuns com os Hard Lucks. Existe alguma novidade sobre a banda?
Sim, eu comecei Hard Lucks originalmente como uma banda de blues acústico, gravámos dois álbuns, que na realidade foram duas demos ao vivo, foi divertido e nós fomos grandes companheiros. Com o meu envolvimento nos Dirty York, basicamente, os Hard Lucks estão num hiato. Talvez um dia nós escrevamos algumas músicas novas, mas às vezes as coisas ficam pelo caminho. Tenho boas recordações dos Hard Lucks e muita gente de Melbourne também.

Mas estás a trabalhar num álbum a solo, certo? Podes falar um pouco desse lançamento?
Bem, eu comprei um piano velho e decidiu ver o que eu poderia fazer em 6 meses. E posso dizer que aproveitei cada destes momentos. Chamei-o Slipstream (após uma linha numa das músicas) e sinto que é um título muito bom porque foi como se tivesse sido verdadeiramente apanhado num slipstream. Esta é uma coleção de canções muito orgânica. Aprendi muito e acho que foi bem interessante. Mais uma vez é apenas uma coleção de demos caseiras. Na altura estava a ouvir coisas como os primórdios de Tom Waits e outros artistas como Devendra Banhart e Nick Drake. Talvez isso tivesse algo a ver com esse disco. Às vezes, a abordagem subtil minimalista realmente funciona e acho que vou ter sempre um álbum de living room sessions. Atualmente, é fácil controlar uma sessão ao vivo cada vez que tens um novo conceito/ideia. Nem tudo o que eu crio segue a linha dos Dirty York. Eu apercebo-me quando isso acontece e quando não, mas também percebo que não devo descurar outras coisas. E sstou muito feliz com este trabalho também. Mesmo os backing vocals femininos que fiz eu próprio!

Finalmente, já há algumas notícias sobre um novo álbum dos Dirty York? O que podemos esperar?
Pode-se esperar algo diferente de tudo o que já fizemos. Temos montes de canções novas e elas são o melhor conjunto de canções em que eu já estive envolvido. Vai ser muito menos southern rock … e acho que é tudo que eu devo dizer sobre isso por enquanto.

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