Entrevista: Divine Ascension

Os Divine Ascension são uma daquelas bandas talhadas para agradar quer aos fãs de metal progressivo quer aos de bandas com vocalista femininas. Indubitavelmente talentoso, o coletivo australiano assinou com a americana Nightmare Records para o lançamento da sua estreia As The Truth Appears. E foi com este trabalho por base que fomos conhecer um pouco melhor este sexteto, na conversa que tivemos com o baterista Luke Wenkzel e com o guitarrista Robb Inglis.

Quatro anos se passaram desde a vossa demo de estreia. De que forma ocuparam esse tempo?
Luke Wenkzel (LW): O nosso primeiro espetáculo, como Divine Ascension foi em novembro de 2007. Em 2008, tínhamos como objetivo, levar os nossos espetáculos o mais longe possível e introduzir-nos na cena metal local. Esta estratégia revelou-se frutífera, uma vez que fomos convidados como banda suporte de alguns dos mais importantes eventos de prog/power da Austrália. Depois de termos ultrapassado o que nós chamamos de batismo de fogo da cena local, concentramo-nos no nosso álbum de estreia. No inicio de 2009, reunimo-nos com alguns produtores e engenheiros locais e tivemos a sorte de encontrar outro orgulhoso Melbournian, Ermin Hamidovic, que aceitou gravar e misturar o álbum. As gravações começaram em julho de 2009 e no inicio de 2010 ficámos sem o nosso teclista. Isto implicou que bastante trabalho da gravação ficasse incompleto. Saltando para janeiro de 2011 já tínhamos o master de As The Truth Appears em nossa posse. Tínhamos um espetáculo de lançamento agendado para abril mas um amigo nosso, DJ numa rádio local, disse-nos para ficarmos um pouco em stand-by até ele mostrar o nosso trabalho a algumas editoras, uma vez que ele achava que tínhamos um excelente produto. Em abril assinámos com a Intromental Management e eles deram-nos uma excelente apoio nos contactos com as editoras Hydrant Music (do Japão) e, claro, Nightmare Records (a nível mundial). A partir daqui trabalhámos com as editoras para estabelecer as datas de lançamento para outubro. Portanto, a nossa estreia foi um longo caminho durante estes quatro anos, mas nós queríamos apresentar o melhor trabalho que conseguíssemos. E acho que fomos até ao enésimo grau para nos assegurarmos que tudo estava bem. Além do álbum, claro que tocámos regularmente neste período e encontramo-nos com outras grandes bandas, tendo feito boas amizades com essas experiências.

E agora, que expectativas para o vosso primeiro longa duração?
LW: Enquanto banda, não temos quaisquer expectativas para este álbum, uma vez que, como tu próprio disseste, é a nossa estreia em formato longo. Temos algumas esperanças que se poderão concretizar como estarmos aptos para fazer uma tournée internacional ou, simplesmente, poder compartilhar a nossa mensagem com aqueles que nos irão ouvir. Até agora, atendendo ao feedback que temos recebido, as coisas estão a ir bem o que é encorajador e inspirador.

Os Divine Ascension têm sido descritos como um cruzamento entre o sinfónico e o progressivo. O que pensam dessa descrição? Concordam com ela?
LW: Eu penso que é uma descrição interessante. Em diversas entrevistas têm-nos sido feita a questão seguinte: “para quem nos lê/ouve e ainda não vos ouviu como poderia descrever o vosso som?”. E a nossa resposta típica para essa questão é: metal melódico com toques progressivos na exata medida. E é interessante ver as reviews a As The Truth Appears, uma vez que alguns reviewers tem notado que o nosso som não é facilmente catalogável. Não é estritamente progressivo ou power metal, nem estritamente sinfónico e melódico. Mas concordo quando se diz que temos elementos desses dois campos.

No campo lírico, existe algum conceito por trás de As The Truth Appears?
Robb Inglis (RI): Não há um conceito, embora as letras partilhem a mesma história de uma forma ténue. É como uma viagem através da vida onde se procura o sentido para algumas coisas que ocorrem na nossa existência. Como uma procura de respostas.

A respeito do vosso line up, atualmente são um sexteto, certo? Mas, durante o processo de gravação era um quarteto?
LW: Sim, está correto. Atualmente somos seis, mas logo no inicio do processo de gravação perdemos o nosso baixista e durante o mesmo ficámos sem o nosso teclista. Claro que ambas as perdas atrasaram todo o processo e fez-nos perder imenso tempo. Felizmente que o Robb estava capacitado para fazer as partes de baixo e teclas deste disco.com as entradas de David Van Pelt para os teclados e Simon Mahoney para o baixo somos, de novo, um sexteto. Quer o Dave quer o Simon integraram-se muito bem e sentimo-nos como se fossem membros dos Divine Ascension há um longo tempo. Por isso muito em breve poderão ser ouvidos num outro CD.

Como é feito o processo de escrita nos Divine Ascension?
RI: O processo de escrita consiste em efetuarmos jams até que algo nos soe bem. Para mim, a música tem que contar uma história ainda antes de a letra ser adicionada. Esta é a forma como eu vejo como as coisas funcionam nos Divine Ascension. Quando a música estiver pronta, terminamos a composição com a parte lírica que acompanhará a música. O facto de termos a Jennifer a cantar implica que a música a acompanhe na sua forma emotiva e por vezes dramática de interpretar.

Este é um lançamento pela Nightmare Records. Como se processou a ligação com eles?
LW: O nosso management, a Intromental Worldwide bateu a algumas portas de editoras com o nosso trabalho. O Lance King e a Nightmare mostraram-se muito interessados em juntar esforços connosco e assim poder disponibilizar o disco para a comunidade metálica global. Claro que ficamos satisfeitos por sermos uma das bandas do excelente conjunto de bandas que a Nightmare edita. Esta parceria irá, certamente, permitir que cheguemos mais rapidamente a uma maior audiência e assim, ganharmos a confiança da Nightmare Records.

A masterização foi feita na Suécia. Como surgiu essa oportunidade?
LW: Muitas das bandas de prog/power que nós ouvimos são europeias. Os seus álbuns são, maioritariamente, gravados, misturas e masterizados na europa. Para ser honesto, vimos na masterização de As The Truth Appears, uma oportunidade de termos um pouco daquela sensação de termos algo europeu nos nossos créditos, bem como ter alguém na masterização que está familiarizado com o nosso estilo incutindo um toque final no nosso lançamento. Aparte isso, Ermin Hamidovic, o nosso engenheiro trabalhou previamente com o Plec o que permitiu que todo o processo se tornasse mais simples.

Agora é tempo de apresentarem As The Truth Appears ao vivo. Alguma coisa prevista para a Europa?
LW: A Europa será sempre prioritária para nós no que diz respeito a tournées. Tudo que fazemos, enquanto banda, é com a esperança de um dia chegarmos à Europa para tocarmos para imensos fãs leais e ávidos de metal. Eu penso que na programação atual, a Europa ainda não está contemplada. Mas iremos até aos vossos palcos o mais rápido que pudermos.

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