domingo, 2 de outubro de 2011

Review: COMM (The Tangent)

COMM (The Tangent)
(2011, InsideOut)

Há quase 100 anos a descoberta do Código Morse veio alterar as formas de comunicação, principalmente se atendermos que foi este tipo de comunicação que permitiu salvar imensa gente quando o Titanic afundou. Com este mote inspirativo, Andy Tillison, mentor dos The Tangent partiu para a construção de um novo disco da sua banda, precisamente intitulado COMM. Aliás, as inovadoras formas de comunicação não são nada estranhas aos britânicos já que se pensa que eles tenham sido a primeira banda do mundo a colocar um ficheiro mp3 na internet, isto em 1996. Verdade ou não, o que é certo é que o primeiro álbum da banda, em 2003, foi concebido de forma que via net os músicos britânicos do projeto trabalhassem com os suecos, sem se conhecerem. Alguns anos se passaram, as comunicações evoluíram substancialmente e os The Tangent aí estão com o seu sexto trabalho do mais fino recorte técnico de rock progressivo todo ele voltado para os 70’s. Dois anos foi o tempo necessário para escrever e gravar uma obra de apenas cinco temas mas em que a abertura e o final são memoráveis épicos de 20 e 16 minutos respetivamente. E é nesses longos temas que se encontram alguns dos momentos mais excitantes de todo o álbum. Ambos se encontram divididos em seis partes, cada uma delas com uma envolvência e uma dinâmica diferente, mas com a curiosidade de, pontualmente, a banda retornar a um ponto em comum. À majestosa abertura em Prologue seguem-se estruturas altamente complexas em The Wiki Man, uma exposição de técnica superior num dos momentos mais jazzisticos do disco em Competition Watershed, uma abordagem contemplativa, quase à Roger Waters, em Edit Me Out, riffs pesados em Car Boot Sale para, a finalizar voltar a The Wiki Man. Nesta longa faixa, todos os instrumentos tem o seu tempo de antena e todos os músicos brilham a grande altura, com elaborados e intricados pormenores de execução e composição. E é isto que dá muita da vida a COMM. A diversidade, a complexidade, os momentos de prog-jazz que chegam a atingir os limites da genialidade. Infelizmente, no lado oposto, a banda perde algum sentido quando se impõe que as estruturas se aproximem um pouco mais do conceito de canção, ainda mais notório com o registo de alguma fragilidade ao nível vocal. Por isso, The Mind’s Eyes, parece-nos um momento completamente desprovido de interesse e que está, claramente, a mais neste disco. Felizmente, para bem de COMM, os The Tangent rapidamente recuperam a sua boa forma e em temas como o calmo Shoot Them Down e a jazzística Tech Support Guy voltam a demonstrar a sua superior capacidade. O disco fecha com o outro épico, semelhante à abertura embora menos expansivo e menos exuberante, apesar de aqui merecer ser realçado o brilhante desempenho da flauta. Num álbum em que se destaca a ausência das personalidades suecas e onde se estreia um jovem guitarrista, os The Tangent apresentam, ainda assim, uma obra agradável, onde elementos como o saxofone e as flautas ajudam a elevar alguns momentos a patamares ainda mais fantásticos.

Tracklist:
1. The Wiki Man
i. Prologue
ii. The Wiki Man
iii. Competition Watershed
iv. Edit Me Out
v. Car Boot Sale
vi. The Wiki Man Reprise
2. The Mind's Eye
3. Shoot Them Down
4. Tech Support Guy
5. Titanic Calls Carpathia
i. The Millpond
ii. Titanic Calls Carpathia
iii. Lovell Calls Houston
iv. A Lost Soul Calls Antares
v. Fire In Our Fingers
vi. Earth Calling Anyone

Line up:
Andy Tillison – teclados e vocais
Jonathan Barrett – baixo e vocais
Luke Machin – guitarra e vocais
Theo Travis – saxophone e flautas
Nick Rickwood - bateria

Internet:

Edição: InsideOut

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