quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Entrevista: Echidna

Três anos depois do aclamado Insidious Awakening aí estão de regresso os Echidna. Com um novo vocalista, Dawn Of The Sociopath retrata a mente de um psicopata. Quisemos saber o que andou a banda portuense a fazer nos últimos três anos e conhecer um pouco mais todo o trabalho por trás desta nova proposta, por isso fomos falar com Miguel Pinto (baixo) e David Doutel (guitarra).

Com as excelentes reações que tiveram a Insidious Awakening, de que forma se prepararam para o seu sucessor? Em algum momento temeram poder não conseguir superar as expectativas?
Antes de começarmos a compor Dawn Of The Sociopath conversamos muito sobre como seria o próximo álbum, que tema central estaria no centro das letras e como seria o tipo de instrumental/sonoridade. Tínhamos em mente explorar outros caminhos que não tivemos oportunidade de seguir no Insidious Awakening para além da certeza que queríamos também que o álbum fosse mais coeso, que as músicas fossem coerentes entre si. Demorámos a começar verdadeiramente a compor porque queríamos fazer algo diferente e de certa forma superior ao que tínhamos feito anteriormente. Foi um desafio a nós próprios acima de tudo, mas também o impor da enorme vontade de dar continuidade ao que temos vindo a fazer.

Foram três anos intensos para os Echidna. Como foram vividos no seio da banda?
Foram 3 anos de satisfação e de aprendizagem. Tivemos a oportunidade de melhorar a nossa performance ao vivo e, em termos de composição e execução, também. Conhecemos e trabalhámos com pessoas extremamente profissionais dentro do meio e fizemos grandes amizades. Mas reconhecemos que nem sempre foi/é fácil conciliar as nossas vidas pessoais com tudo o que uma banda exige. Todos nós temos outras obrigações e por vezes é necessário um grande planeamento prévio para tudo funcionar e não falharmos em nenhuma situação. Acima de tudo, é preciso haver dedicação, algo que não vai falhando pela enorme vontade que temos em dar continuidade a este projeto.

Foram, portanto, importantes momentos de aprendizagem, sobretudo ao compartilharem palcos com nomes importantes do panorama mundial. Que ilações extraíram dessas experiências que puderam por em prática na construção de Dawn Of The Sociopath?
Sem dúvida alguma! A única diferença em tocar com grandes nomes do panorama mundial e tocar com bandas portuguesas é simplesmente o público que esses grandes nomes arrastam. Temos bandas portuguesas com grande talento, facto que se nota cada vez mais no nosso país, mas que infelizmente (não por falta de qualidade) não arrastam tanta gente. Quando tocamos com bandas internacionais acabamos por ter uma oportunidade enorme de mostrar o nosso trabalho a um público alargado, o que nos obriga a aprender. Não muda a dedicação nem a vontade, porque essa vai do concerto mais pequeno e no local mais remoto ao concerto maior com um enorme número de pessoas. É também de salientar a excelente oportunidade de podermos trocar impressões com as bandas estrangeiras, às vezes só de ver como elas trabalham aprendemos o que nos demoraria anos a aprender sem essa oportunidade. Toda a experiência de tocar ao vivo acaba sempre por influenciar o processo de composição, porque permite-nos ter a perceção do que melhor resulta em concerto e de que forma isso sucede. Temos a noção que certos temas resultam melhor ao vivo que outros e, em certos momentos durante a composição de Dawn Of The Sociopath, tivemos esse cuidado para podermos obter um resultado satisfatório ao vivo, não como uma guia para o que estávamos a compor, mais como um complemento.

E como descreveriam este vosso novo álbum, comparativamente com Insidious Awakening?
Acreditamos que Dawn Of The Sociopath é um álbum mais maduro que o anterior. Queríamos fazer um álbum diferente, explorar caminhos musicais diferentes do que tínhamos vindo a fazer, sem comprometer obviamente aquilo que achamos ser a sonoridade da banda. Acima de tudo achamos que este álbum é muito mais um todo do que o Insidious Awakening, não só pela estrutura narrativa que abordámos na vertente lírica, mas também no que respeita à composição, às estruturas e às harmonias. Procurámos sempre no processo de composição “olhar” para o álbum como um todo e não como um conjunto de músicas soltas que acabaram agrupadas entre si da melhor forma. Dawn Of The Sociopath demorou 3 anos a ser composto e acreditamos que pelo tempo que passou, o álbum reflete a ponderação com que o acabámos por compor.

Uma das novidades aqui é, seguramente, o novo vocalista, Bruno Capela. Como foi a sua adaptação e de que forma ele já participou na construção dos temas?
Sim, essa acaba por ser a grande novidade. Por incrível que pareça a sua adaptação foi muito melhor do que esperávamos. O Capela trabalhou connosco na gravação e composição do álbum a partir do primeiro dia que decidiu fazer parte do projeto. Acabou por trazer muito ao que o álbum é hoje, tanto pelo que acreditamos ser o seu talento como vocalista, como pelas ideias que trouxe no que respeita à métrica e introdução da parte lírica no instrumental.

Dawn Of The Sociopath é um disco conceptual. Qual é o principal tema tratado?
É fácil fazer um resumo do que fala Dawn Of The Socipath: a mente de um socipata. O que procurámos encontrar foi um caminho, uma visão sobre o desenvolvimento desta mente e aquilo porque ela passa até chegar a um completo caos e ausência de parâmetros éticos. Vamos encontrando nas letras das músicas um crescendo de violência, que começa por ser algo vago e imaterial até chegar ao facto consumado, ao concretizável e por isso extremamente violento.

Para a gravação voltaram a trabalhar com o Daniel Carvalho nos Estúdios Fábrica do Som. Aquela máxima que em equipa que ganha não se mexe…
Sempre acreditamos nas capacidades do Daniel Carvalho e naquilo que ele pode dar ao resultado final da composição de um álbum. Já gravámos 3 vezes com ele: a demo Tearing The Cloth, o álbum Insidious Awakening e agora Dawn Of The Sociopath; e os resultados foram sempre crescentes. O fator principal é que com o Daniel estamos 100% à vontade para trabalhar e dizer seja o que for, assim como ele connosco, o que permite que apareça um ambiente extremamente produtivo que potencia a criatividade e o desenvolvimento das ideias. Isto vai ao encontro daquilo que dizes...em equipa que ganha não se mexe...

Porém, para a masterização recorreram ao conceituadíssimo Jens Bogren. Como se processou o contacto com o mago? E qual a percentagem do seu dedo no resultado final do disco?
Para este álbum decidimos trabalhar com alguém que tivesse uma experiência diferente, fora do nosso contexto. Não o fizemos apenas pelo facto de ser um produtor estrangeiro, porque em Portugal há gente bem capaz de fazer o mesmo tipo de trabalho. Estabelecemos um primeiro contacto via e-mail, apresentámos o nosso trabalho (que foi bem recebido), dissemos o que pretendíamos e depois as coisas seguiram o seu rumo normal. Jens, ao ouvir ao que lhe enviámos, felicitou e realçou de imediato o trabalho desenvolvido por nós e pelo Daniel aqui em Portugal e disse prontamente que com a mistura enviada iria conseguir fazer um ótimo trabalho de masterização. Dito e feito! Teve a vida facilitada, porque de facto, o Daniel Carvalho é um excelente produtor e o Jens só teve que fazer quilo que faz de melhor. Consideramos ter sido uma boa aposta da nossa parte.

Um aspeto que chama a atenção é a força das imagens no booklet. Verdadeiramente adequado à força da música e das palavras. A questão que se impõe é: quem foi o responsável?
O responsável foi mais uma vez o João Diogo, da Coma Visions. Como sucedeu com o álbum anterior, já tínhamos trabalhado com ele e sabíamos do que ele era capaz. Ele gostou logo do conceito do álbum e das ideias que lhe apresentámos, o que obviamente foi ótimo para desenvolver o trabalho. Após várias conversas sobre o que pretendíamos para o booklet em relação à narrativa visual, às cores, texturas e após algumas experiências chegámos onde queríamos e a partir daí o João fez parecer fácil o desenvolvimento de todo o artwork do álbum. Foi mais uma vez uma excelente experiência trabalhar com ele.

A terminar, vamos poder ver os Echidna por esse país (e não só) fora? Quando?
Certamente! Não tanto quanto desejaríamos para já, mas brevemente. De qualquer forma, dia 5 de novembro vamos estar em Leiria e dia 10 de dezembro vamos estar em Vigo. Já estamos a preparar a tour nacional para o ano de 2012 (que anunciaremos brevemente) e a ver as possibilidades para dar um salto à Europa. Sabemos que para dar a conhecer o nosso trabalho temos que tocar ao vivo o máximo possível. Isso aconteceu bastante com o Insidious Awakening e também vai acontecer com este álbum. Além do mais, para nós os concertos são sempre motivo de diversão, aprendizagem e reencontro com velhos amigos.

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