Entrevista: Joah Ann Lee

O primeiro álbum dos Joah Ann Lee retrata a viagem humana através do ciclo da vida e explora temáticas como manipulação da mente, movimento de grandes massas, a busca da fé, o sentido da vida, o destino e a eminente queda do homem/sociedade. Vasco Marques acedeu a contar a Via Nocturna em que consiste esta viagem em que embarcaram os lisboetas.

Em termos musicais, este vosso trabalho sucede ao EP de estreia. Que balanço fazem da evolução de um lançamento para outro?
O salto evolutivo entre ambos é colossal. Os Joah Ann Lee são hoje uma banda mais adulta, amadurecida. Se o EP foi uma descarga de adrenalina, de testosterona acumulada, o álbum representa uma abordagem muito mais estruturada, pensada e capaz. Quase como uma tentativa de sedução mais subtil, em vez da pura demonstração masculina de virilidade e supremacia.

Agora, em The Great Migration, apresentam um trabalho conceptual. De forma sucinta podem descrever o conceito abordado neste disco?
Todo o conceito da GRande Migração assenta numa história baseada em três personagens e desenvolvida em redor da forma como se relacionam entre si, criando uma parábola em microsistema de um universo humano superior a estes... Versa sobre temas como a manipulação mental e o movimento das grandes massas, a bi«usca da fé, o sentido da vida, destino, o ciclo humano e a eminente e inevitável Queda do Homem/Sociedade.


Quando se aperceberam que deveriam (ou queriam) fazer um álbum conceptual e como trabalharam todo o conceito em termos líricos?
Os Joah Ann Lee sempre foram uma banda conceptual, criativamente falando. A criação musical assenta sempre em algo tangente, palpável… seja uma imagem, um texto, um tema concreto, um sentimento. Sempre criámos música com o objetivo de “sonorizar” um filme, um espelho artístico para uma realidade; uma peça num puzzle maior do que apenas a música em si mesma. No que respeita ao álbum em si, tratou-se de traduzir na nossa “língua mãe” uma história escrita em doze contos sobre o conceito mencionado na resposta anterior.

Como está a ser o feed-back de público e imprensa?
Bastante positivo… Ainda estamos numa fase bastante primária de divulgação… o álbum está nas lojas desde o início de outubro, o que para um primeiro disco, representa ainda pouco tempo. Mas as reações são ótimas e atingimos já um patamar mais sustentado, no que toca à exposição radiofónica. Temos passado regularmente em algumas das rádios de cobertura nacional em segmentos de especialidade e aguardamos agora pelas primeiras reviews de imprensa escrita. Terminada também a primeira fase de concertos/showcases nas FNAC’s, a receção tem superado a expectativa e a venda de discos também.

Trabalharam com o Makoto Yagyu, nome associado a álbuns projetos de sucesso neste campo mais indie. Como foi a experiência?
Não foi uma novidade, pois já tínhamos trabalhado em conjunto na gravação do EP de estreia. Desta vez, penso que captou muito bem o que pretendíamos, quer a nível de sonoridade, quer no ambiente geral do disco. “Leu” muito bem para onde pretendíamos evoluir e contribuiu criativamente em diversos arranjos e sonoridades psicadélicas que deram um toque extra ao material que lhe apresentámos.
E com a masterização feita por Chris Common! Como se processou o contacto com este nome sonante?
O Chris foi uma sugestão do Makoto. A captação em estúdio correu tão bem que ele (ainda muito antes de nós) percebeu que precisava de alguém com tarimba para dar o toque final necessário, aquele “polimento” que deixa um brilho completamente diferente. Ele vinha para Portugal passar uma temporada e o Makoto apresentou-lhe a banda e o resultado das gravações… o Chris gostou do que ouviu e como é óbvio, a decisão não foi difícil… fez um trabalho fantástico.
E concertos? O que já está a ser programado?
Estaremos no início de dezembro (dias 1, 2 e 3) a norte, Porto (Breyner 81), FNAC Braga, FNAC Guimarães e Vila Real, respetivamente. Serão as últimas datas de apresentação do LP The Great Migration durante o ano de 2011. Para 2012, temos já algumas datas e locais em fase final de negociação, mas serão anunciadas assim que confirmadas. Esperamos ainda viajar até algumas cidades/salas que não visitámos anteriormente e espalhar a palavra… afinal, esta é a nossa Grande Migração!

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