domingo, 27 de fevereiro de 2011

Review - The Audio Guide To Happiness (Part 1) (Jolly)

The Audio Guide To Happiness (Part 1) (Jolly)
(2011, InsideOut)

Quando em 2009 um coletivo desconhecido de nome Jolly lançava Forty-Six Minutes, Twelve Seconds Of Music pela Galileo/ProgRock Records, o mundo do progressivo foi abalroado. A originalidade do som Jolly permitiu-lhes, desde logo, fazer uma tournée europeia com os influentes polacos Riverside e, posteriormente, a assinatura com a label por excelência do prog, a InsideOut. O quarteto quer agora cruzar a arte da produção musical com dados neurológicos e sociológicos. Esta ideia aparece embalada em quatro fases, sendo que as duas primeiras se apresentam sob a forma de The Audio Guide To Happiness (Part 1). O álbum é composto por duas introduções (uma para cada fase) e um postlúdio curtos, com alguma influência científica que nos atiram logo para Ayreon. Mas nada há de mais errado que esse julgamento precipitado. O campo de atuação dos Jolly é um progressivo diferente dos holandeses. Analisando cada fase de per si, poderemos dizer que a primeira (que se situa entre as faixas 2 e 6) se apresenta mais apetecível. São soberbas as linhas de baixo e as texturas de piano, sempre acompanhadas por um extremo dinamismo ao nível da bateria e por umas guitarras, embora não muito pesadas, mas bem cheias e densas. Nota-se aqui, acima de tudo, muita emotividade. Os pontos mais altos são Joy, a rockeira Pretty Darlin’ e a claramente progressiva, The Pattern. A segunda fase começa, então, com nova introdução a que segue Still A Dream um tema mais orientado para sonoridades mais maquinais. No entanto essa tendência não é confirmada, com a banda a desviar logo em Radiae para campos mais orgânicos e emocionais. No entanto, o brilhantismo da primeira fase não volta a ser atingido, sendo que apenas Where Everything’s Perfect, com os seus ritmos abrasileirados se aproxima do nível anterior.

Tracklisting:
1. Guidance One
2. Ends Where it Starts
3. Joy
4. Pretty Darlin'
5. The Pattern
6. Storytime
7. Guidance Two
8. Still A Dream -
9. Radiae
10. Where Everyting's Perfect
11. Dorothy's Lament
12. Intermission

Lineup:
Anadale – guitarras, vocais
Joe Reilly - teclados
Anthony Rondinone - baixo
Louis Abramson – bateria

Internet:

Edição: InsideOut

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Entrevista - Long Distance Calling

Ao terceiro álbum os germânicos Long Distance Calling firmam o seu nome na cena do metal instrumental por culpa de um homónimo trabalho de muito bom nível que vem provar porque razão a banda de Munster-Dortmund-Berlim consegue agradar a fãs de sonoridades tão diferentes. David Jordan, o guitarrista desvenda um pouco desse mítico coletivo.

Long Distance Calling é o vosso terceiro álbum. O que nos podes dizer sobre este novo álbum?
É um trabalho que representa 100% dos LDC. Sentimos que nos encontramos quer em termos sonoros quer de composição.

Quais são as vossas expectativas para este álbum?
É claro que esperamos que as pessoas gostem tanto como nós porque nós colocamos tanta energia quanto poderíamos neste registo. E parece que as pessoas gostam, porque já temos uma grande quantidade de comentários muito positivos dos nossos fãs e imprensa até agora. Isso é realmente grande!

Porque um álbum autointitulado agora?
Como eu já mencionei, este álbum realmente representa o verdadeiro significado de LDC para nós. É por isso que simplesmente se chama Long Distance Calling.

Vocês continuam a movimentar-se no campo do metal instrumental. Não sentem a necessidade de ter um vocalista?
Ainda não encontramos o vocalista adequado. O nosso ideal é escrever a canção perfeita para nós (se é que isso é possível) e temos realmente uma mente aberta em relação a isso. Se algum dia alguém entrar pela porta da nossa sala de ensaios e nos ajudar a elevar as nossas músicas a um nível mais elevado, há que fazer isso!

Mas, John Bush canta num tema. Como se processou essa colaboração?
Nós começámos a falar sobre vocalistas bastante tempo antes de terminar o álbum. Finalmente, quando já tinhamos canções definidas, pensamos que ele seria a escolha adequada porque tem uma voz incrível e autêntica. E isso é realmente importante para nós. Perguntamos-lhe, ele ouviu a nossa música e disse: “vou fazê-lo”. Quase nem acreditávamos e estamos realmente muito felizes com isso!

Mas não é a primeira vez que vocês convidam alguns vocalistas para cantar em algumas músicas. Quais são as vossas motivações para fazer isso?
É muito interessante como músico e como banda instrumental o que alguns vocalistas conseguem fazer com algumas das nossas canções. É um estilo diferente de composição que queremos experimentar para ampliar nosso espectro.

Vocês acham que pelo facto de serem uma banda instrumental lhes proporciona mais oportunidades de tocar para diferentes audiências?
Com certeza! Eu acho que é uma das razões pelas quais fomos capazes de tocar em inúmeros espetáculos com bandas de apoio de muitos géneros diferentes. E isso afetou a nossa base de fãs. É muito bom ver alguns jovens indie seguinte juntos com velhos roqueiros nos nossos espetáculos.

O álbum já está disponível para pré-venda nas lojas. Já têm algum feed back?
SIM! E dizemos isso com um grande sorriso.

Pelo que pude observar no vosso myspace têm uma grande tournée planeada. As expectativas são altas…
Nós esperamos apresentar o novo álbum de uma forma tão agradável quanto nos for possível e estamos realmente animados com o feedback já obtido. Veremos o que vai acontecer. Nós estamos preparados!

A terminar, o que nos podes dizer a respeito dos Misery Speaks?
Nada, Florian e Janosch, estão definitivamente fora desse projeto

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

Entrevista - Factory Of Dreams

Hugo Flores é já um nome incontornável da cena metálica nacional. Se os excelentes álbuns com Project: Creation já tinham deixado antever isso, não restam dúvidas que foi com Factory Of Dreams que o músico conseguiu por cá fora toda a sua capacidade criativa. Melotronical é já o terceiro disco deste projeto em parceria com Jessica Lehto e representa a melhor proposta saída da mente imaginativa de Flores. A evolução é notória como o próprio músico também atesta.

Este é já o terceiro álbum para o projeto Factory Of Dreams. Pode afirmar-se que encontraste a estabilidade criativa e a tua identidade?
Tem sido extremamente aliciante e estimulante criar música no âmbito deste projeto, sem dúvida alguma, e inspiração não tem faltado! Mas nenhum álbum que eu produza é igual e eu escrevo ao sabor do momento, por isso julgo que essa ‘estabilidade’ já terá começado com Project Creation sendo cimentada agora com este potente Melotronical que para mim é o culminar de anos de trabalho sendo o meu álbum favorito. Mas de facto estou muito à vontade com Factory of Dreams e é para continuar em força, sem descurar o meu Project Creation no qual também já estou a trabalhar na sonoridade para o terceiro álbum. São projetos diferentes, com Factory pretendo prosseguir o som do Melotronical e com Creation a intenção será explorar sons mais progressistas incluindo instrumentos diversos e mais étnicos, mantendo o estilo dos dois primeiros cds. No entanto, tanto um projeto como o outro serão alvo de um som mais agressivo, e no caso de Factory, este Melotronical é a prova disso. E tenho de admitir que Factory deu um novo fôlego à minha música.

E pode afirmar-se que entre ti e a Jessica a química continua bem patente…
Sim, funcionamos bem e ela é 5 estrelas. Muito criativa e prestável e a forma como se adapta às músicas, e como eu também por vezes escrevo músicas à medida dela, é de facto prova do que dizes. Este Melotronical é mesmo…como hei de dizer, na tua review escreveste radioativo e é mesmo isso, radioativo, incandescente e potente nas vibrações que transmite. É um álbum difícil de superar muito sinceramente, pois tem tudo, melodia, ritmo, alterações de ritmo, agressividade contrabalançada com suavidade, e a Jessica ao rubro a atingir patamares complexos de atingir com esse belo instrumento que é a sua voz.

Nesse ponto, ainda pensas em reativar alguns dos outros teus projetos, nomeadamente, Project: Creation? Até porque em 2008 dizias-me que tanto FoD como Project: Creation tinham a mesma prioridade.
No final, tenho sempre de optar por um deles, mas a verdade é que Melotronical assumiu um som que me prendeu completamente, e tive mesmo de deixar Creation para trás por um tempinho, mas de vez em quando lá ia compondo coisas. Também tinha de recarregar baterias para me lançar no 3º Creation e que fará a conclusão da trilogia e tem de terminar em beleza. Mas agora estou a compor já este terceiro Creation e ao mesmo tempo mais músicas para Factory. Para já estou focado numa única faixa de Creation e a determinar qual o melhor som, quais as guitarras e amps a usar, enfim, quero ir devagar para fazer bem!

Ouvindo este teu novo trabalho, mantemos a sensação que os três álbuns de FoD são todos distintos. Como consegues manter esses níveis?
Eu não sigo fórmulas, faço mesmo o que na altura me apetece e quando a criatividade não tem limites, tudo é possível. Mas estou de tal forma contente com Melotronical, que desta vez, e por uma única vez, estou convicto em seguir a sonoridade do Melotronical para um 4º álbum. É que muitas faixas ficaram por gravar, enfim 13 faixas eram mais do que suficientes para a história que queria contar neste cd. Assim, terei futuramente outras 13 faixas a gravar para um 4º cd. Os temas abordados também são diferentes entre os álbuns. Para este Melotronical, impunha-se algo trónico, uma espécie de Cybermetal, e assim foi. Protões, eletrões, som Cybermetal, potente e por vezes duro com ritmos fortíssimos com double kickdrum muito presente e ritmos mecânicos e frenéticos, por vezes a atingir patamares de tal forma loucos que desafiam qualquer ritmo.

Realmente, este é, na minha opinião, o mais poderoso e forte de todos. Tens vindo numa espiral crescente de agressividade. Até onde pensas chegar?
Pois, também já pensei nisso (risos)! Mas acho que dificilmente farei algo mais pesado do que Melotronical, senão terei mesmo de criar um 3º projeto para não sair demasiado do género. Gosto desta onda, e, como te disse, um 4ª álbum terá um som semelhante ao de Melotronical. Será mais agressivo? Mais suave? Não sei... as ideias que tenho em papel dão-me ideia que será muito idêntico em termos de agressividade ao Melotronical, mas o caminho até lá ainda é longo, e como disse, faço o que no momento me dá na real gana, portanto vamos ver.

Mas a diferença mais notória será a inclusão de vozes masculinas. São todas tuas ou tens algum convidado? E qual foi o objetivo da sua inclusão?
Sim, as performances de vocais masculinos são todas minhas. Algumas partes são como que uma diálogo, cujas letras foram desenhadas para serem interpretadas por um homem e uma mulher. Daí esta necessidade e a necessidade de contar uma história. Repara na Whispering Eyes onde existe exatamente esse diálogo, ou na Protonic Stream. Outras vezes eu ou a Jessica assumimos o 'papel principal' sendo que o outro faz de narrador, depende das faixas. Acresce o facto de algumas partes serem de tal forma brutais que a minha voz assentava muito bem, tendo por objetivo realçar esse nível de agressividade. Eu próprio fiz questão de cantar tudo de uma forma expressiva e por vezes inquieta ou meio em transe, julgo que ficou bem patente. Só fiquei descansado quando tinha tudo a meu gosto e com a força necessária.

E em termos de conceito. O que é abordado desta vez?
Evolução de uma molécula eletrónica até se tornar num ser vivo capaz de criar e de destruir a sua própria dimensão, mas que só se apercebe dos seus poderes no final do álbum, ou quase… Percorrem-se vários estágios da vida deste ser, que experiencia a beleza da vida, mas cedo se apercebe que vive numa prisão da qual tem de escapar. Uma espiral infinita. No fundo peguei num tema cibernético e atómico de ficção científica, como bem gosto, para descrever o que se passa na nossa Terra e nos problemas que todos sentimos dia a dia. A necessidade de escapar, de fugir, de controlar as nossas vidas, de melhorar ou moldar o mundo à nossa imagem...já podes ver onde quero chegar.

As reviews têm sido extremamente positivas e chegaste a número 1 na Global Gothic Chart. Como estás a viver este momento?
Estou contente, percebo que este álbum excede qualquer expectativa e isso é muito gratificante. A cena da Global Gothic for uma surpresa, não fazia ideia que poderíamos ficar em primeiro lugar, tendo bandas como Within Tempation e Sirenia a 'competir'. Back To Sleep é a faixa que ficou em número um...boa escolha e ainda vamos ver mais desta faixa proximamente.

O álbum inclui uma remake de um tema antigo Something Calling Me. Algum motivo em especial?
Sim, adoro a melodia desta faixa, e na original era eu que cantava. Atualmente a voz da Jessica adapta-se bem a esta faixa além de que a letra e o tema encaixa na história que estou a contar com Melotronical. O tema é a morte, é o deixar este Mundo, partir para outro sítio. No fundo no caso da história há uma necessidade interior desse Ser em fugir, e ele próprio cria o seu novo mundo e vai-se embora... É uma música mais suave, cujo refrão eu pessoalmente adoro, e tinha mesmo de ouvir a Jessica a interpretá-la. Sabia que ficaria excelente neste álbum!

Como foi o trabalho de composição desta vez? Voltou a estar tudo concentrado em ti?
Sim, a 100% mesmo, porque desta vez não havia qualquer espaço para convidados. Algumas pessoas com que trabalho habitualmente ainda me perguntaram se havia um spot para entrarem, mas por mais gosto que tivesse nisso, seria só 'encher' o álbum e isso não queria mesmo. A música já estava muito produzida e muito densa. No entanto para os vocais, e como já referi, a Jessica é responsável por quase todas as harmonias vocais femininas, e mesmo algumas masculinas, pois eu tive de a acompanhar em algumas secções, especialmente nos duetos com ela. Esta parte foi sobretudo centrada na Jessica.

E para as gravações, tu a Jessica voltaram a trabalhar em separado, ou desta vez foi diferente?
As gravações propriamente ditas foram feitas em estúdios separados, mas íamos falando regularmente como habitualmente, para eu ouvir as gravações dela ou os ensaios, dar opiniões etc… Trabalhamos muito bem assim. Muito obrigado pela entrevista, um prazer como sempre. Para mais info ver os nossos sites oficiais:

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Review - Abyss Masterpiece (Heavenwood)

Abyss Masterpiece (Heavenwood)
(2011, Listenable)

Os portuenses Heavenwood estão de regresso para aquele que é o seu quarto álbum de originais, segundo após o seu renascimento. E se Redemption era uma versão revista e atualizada dos velhos Heavenwood, abrindo a porta, embora não descaradamente a uns laivos de agressividade mais latente, Abyss Masterpiece representa o definitivo passo em direção a uma identidade própria. No entanto, o cordão umbilical que liga o coletivo a álbuns ícones do seu género, como Diva e Swallow, ainda não foi totalmente cortado. Temas como Once A Burden, Leonor (onde Miriam Renvag, dos Ram Zet executa um belíssimo dueto com Ricardo Dias, num tema com letra de Marquesa de Alorna, aliás como Goddess Presiding Over Solitude), Poem For Matilde e Like Yesterday são disso bons exemplos. Mas Abyss Masterpiece é muito mais que isso. É um disco que confirma o aumento de peso que a banda já tinha registado em Redemption, mas desta feita mais rico em termos estruturais e com arranjos sumptuosos e épicos, onde a vertente sinfónica está mais apurada que nunca, fator ao qual não será alheia a participação do compositor russo Dominic Joutsen. E é da junção desta vertente épica com poderosos riffs que transformam Abyss Masterpiece numa obra poderosa mas atraente; intensa mas bela. E fundamental para qualquer amante de dark metal.

Tracklisting:
1. The Arcadia Order
2. Morning Glory Clouds (In Manus Tuas Domine)
3. Goddess Presiding Over Solitude
4. Once A Burden
5. Winter Slave
6. Leonor
7. Poem For Matilde
8. Fading Sun
9. September Blood
10. Sudden Scars
11. Like Yesterday
12. Her lament

Lineup:
Ernesto Guerra (Vocais)
Ricardo Dias (Vocais/ Guitarra-Solo)
Bruno Silva (Guitarra-Ritmo)

Internet:



Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

Review - Música Para os Mortos (La Chanson Noir)

Música Para os Mortos (La Chanson Noire)
(2010, Raging Planet et al.)

Oh mar salgado, quanto do teu sal são garrafas de rosé de Portugal. Este verso retirado de Oceano Cor de Rosa ajuda a explicar um pouco o sentimento decadente, sarcástico e mordaz com que os La Chanson Noire nos presenteiam no seu primeiro longa duração. Charles Sangnoir é o principal mentor deste sinistro, artístico, decadente, extravagante e libertino projeto e é um músico experiente que desde 1992 estuda e compõe música, tendo integrado a orquestra de percussão Tocá Rufar e a Escola Profissional de Música de Almada. Foi, também, fundador da netlabel Necrosymphonic Entertainment e participou como compositor e músico integrante de vários projetos desde a música ética ao metal. Em termos de gravações, lançou Canções de Faca e Alguidar (em formato K7, 2007), Gay Music For Straight People (split-CD, em 2008) e O Bordel de Lúcifer (vinil) apresentando agora, sob a denominação de Música Para os Mortos, o seu CD de estreia. Aqui conta com a participação de Phil Mendrix (Ena Pá 2000), Mário Santos (Fausto), The Beyonder (Namek) ou Aires Ferreira, no spoken word. Estilisticamente Música Para os Mortos não obedece a nenhuma regra nem se consegue situar em nenhum campo específico. E é isso que o torna tão excitante. Mas para o georeferenciar, sempre poderemos ir adiantando que se situa num ponto de confluência entre a acidez das palavras de uns Mão Morta, os registos vocais de uns Muse, a abrangência artística e o dramatismo de uns Neonirico e o progressivo suave de uns Phideaux. Em resumo, ainda podemos afirmar que se trata de uma ligação tão estranha como bem sucedida entre a música tradicional e a atitude punk. Musicalmente, Música Para os Mortos vive muito das soberbas linhas de piano muito imaginativas e que tanto nos acariciam como nos agridem, que tanto se influencia no blues como na música contemporânea. O álbum é cantado em três línguas diferentes, mas os cenários de decadência estão omnipresentes. Caixão à Cova, a faixa de abertura serve para agarrar desde logo o ouvinte, viciando-o na sonoridade LCN para logo a seguir, em Uma Canção Decente, se atingir um dos pontos mais altos do disco com uma fusão perfeita entre o spoken word de Aires Ferreira, o soberbo solo de piano e a percussão tradicional portuguesa. À terceira faixa, o coletivo visita o Brasil e introduz o samba e a bossa nova, para em Esquizofrénico criar outros dos mais brilhantes momentos do álbum, numa aproximação da genialidade Muse. The King Of Whores é o primeiro tema cantado em inglês, assumindo-se como a faixa mais rápida, mas, ainda assim, com uma sensibilidade britpop assinalável, referência a nomes como The Smiths e afins. Loneliness Is A Common Word é, quanto a nós o mais genial tema de Música Para os Mortos. Aqui a melancolia surpreende num tema com um piano e um solo de guitarra (cortesia de Phil Mendrix dos Ena Pá 2000) verdadeiramente indescritíveis. E quando se pensa que não há mais nada que nos possa surpreender, Sangnoir arranca uma faixa como Raio de Aventura onde os pa-pa-ra-pa-pa do refrão são de uma infantilidade e ingenuidade atroz e completamente desarmante. Depois de tanta emoção vivida sob a forma de canções, o disco fecha de forma curta, suave e elegante com Azabel. Para quem aprecia sonoridades alternativas e nem sempre pesadas, La Chanson Noire acaba de apresentar o álbum perfeito. Um álbum cheio de emotividade, fantasia, decadência e excentricidade. Acima de tudo canções que devem ser para todos e não apenas para os… mortos!

Tracklisting:
1. Caixão à Cova
2. Uma Canção Decente
3. Carnaval no Cadafalso
4. Esquizofrénico
5. O Meu Amor Tem a Força de Uma G3
6. The King Of Whores
7. Loneliness Is A Common Word
8. Menage a Trois
9. Oceano Cor de Rosa
10. Quand Toutes Les Putes Sont Mortes
11. Raio de Aventura
12. Sedução Contemporânea
13. Azabel

Lineup:
Charles Sangnoir – voz, piano, guitarras, farfise, harmónica e samples
Aires Ferreira – spoken Word em Uma Canção Decente
José Espírito Santo - Guitarra solo em Caixão à Cova
Pat Vanity – voz em Menage a Trois e Raio de Aventura
Mário santos – bateria e percussão popular portuguesa
Pedro Santos – bateria e percussão popular portuguesa
Phil Mendrix – guitarra solo em Loneliness is A Common Word
Tânia Simões – violin
The Beyonder - harmónica

Internet:

Edição: Raging Planet, Helloutro Enterprises, Chaosphere Recordings, Raising Legends, Necrosymphonic Entertainment

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

Playlist 24 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Entrevista - Blitzkid

Com treze anos de carreira alicerçada em inúmeras presenças em festivais na Europa e Estados Unidos, os norte-americanos Blitzkid atingem o seu sétimo álbum de originais intitulado Apparitional. Numa aposta da People Like You, a banda de West Virginia congrega num só disco todas as suas vivências e criações anteriores, como o simpático Gooslbyn (vocalista e baixista) nos esclarece.

Para começar podes falarnos um pouco sobre os Blitzkid?
Os Blitzkid formaram-se no inverno de 1997 em Bluefield, WV. Começámos a viajar e a ter aparições ao vivo imediatamente. Desde essa altura que temos vindo a gravar e lançar discos de forma independente. Em 2004 assinámos com a alemã Fiend Force Records e fizemos uma tournee, desta vez com a Europa na rota. Estivemos na Fiend Force até o ano passado, quando nos juntámos à People Like You Records. O nosso novo álbum Apparitional será lançado em março de 2011. Somos uma banda com temas rápidos e melódicos com pendor para ganchos melodiosos e refrães orelhudos. Introduzimos uma dose de amor nas coisas mais escuras da vida e por isso temos sido apelidados por alguns de banda de horror-rock. Isso é porreiro porque nos identificamos com nomes como Misfits, Screamin Jay Hawkins, Bauhaus. No entanto, temos muitas influências exteriores a esse tipo de bandas que ajudam a criar a personalidade Blitzkid.

Sendo Apparitional o vosso sétimo álbum, como o descreveriam?
Originalmente, no início, éramos apenas uma banda punk arrogante que introduziu, no segundo álbum, mais horror nas temáticas das músicas. Essas canções foram caracterizadas pelo estilo whoa oh mais familiar de bandas como os Misfits. Essa influência tornou-se o centro da nossa música até ao álbum Five Cellars Below na altura em que decidimos incorporar outro tipo de influências. Bandas como The Clash, The Damned, Nick Cave, Corrupted Ideals e Bad Religion sempre foram muito influentes para nós. Isso mudou um pouco as coisas, com sucesso, na minha opinião. Foi, definitivamente, muito diferente de tudo o que tínhamos feito antes. Eu acho que nós realmente encontrámos o nosso som nesse álbum. Em Apparitional retomamos a lição que aprendemos com Five Cellars Below, que podemos ter um som mais forte, mas trouxemos de volta às canções as batidas e estruturas punk. Trata-se de uma mistura muito agradável dos velhos Blitzkid que muita gente gosta e do estilo Five Cellers Below que muita gente gosta também.

Que expectativas têm para este álbum?
Estamos ansiosos que os fãs ouçam as novas músicas! Temos vindo a tocar alguns temas deste álbum há mais ou menos um ano e até agora as reações têm sido muito boas. Mal posso esperar para que todos o ouçam. Acho que as pessoas vão gostar muito deste álbum. Eu gosto, e como perfecionista que sou isso quer dizer muito!

Ao longo destes 13 anos de carreira vocês atuaram muito e são presença regular em festivais. Como é que todas essas experiências se refletem na altura de escrever novos termas?
É muito motivador para nós sermos convidados a fazer parte de grandes festivais, tais como Mera Luna, Summer Breeze, Endless Summer, Rock My Ass e WGT. É um sentimento muito bom saber que posso viajar até ao outro lado do mundo, tocar as canções que vêm do meu coração e as pessoas recebê-las nos seus. É muito gratificante e a satisfação traz-me um monte de inspiração e criatividade. Ajuda-me imenso quando estou a compor.

Tens alguma experiência em escrever temas para filmes de terror. Como te sentes nesse papel?
Não me importo. Eu não me esforço para sermos associados com temas de terror e filmes, mas acho que temos sido bem sucedidos nisso e por um bom motivo. Sempre fui intrigado com filmes de terror, literatura e cultura. E sempre vi paralelos sociais nos filmes de terror antigos, na situação de o homem vs. o monstro em que é levantada a questão "qual é realmente o monstro?". Quando cheguei ao punk rock descobri muitas semelhanças com esses temas. Tinha um monte de emoções reprimidas em mim como todos os adolescentes fazem e o punk rock era a minha saída. Eu sempre fui um sonhador e os filmes de terror e a literatura foram o meu retiro na juventude. Eu penso que há um elemento no que fazemos, que é um pouco de ironia e, às vezes, intencionalmente exagerada, mas o cerne de todas as nossas músicas é uma metáfora para a impossibilidade do ser humano. Eu acho que nossos fãs entendem isso. As nossas canções, a este nível, são honestas e reais, e isso ajudou a estabelecermo-nos.
Desta vez introduziram um novo membro nos Blitzkid. Qual foi o seu input no processo criativo de Apparitional?
Nathan Bane teve muito que fazer para contribuir para esta banda. A maioria dos temas de Apparitional foi escrito quando ele se juntou à banda, mas ele e eu temos escrito muitas músicas ultimamente. Ele é um génio e mal posso esperar para que as pessoas vejam isso e confirmem quão forte será o nosso material futuro. Eu vi isso recentemente quando nos sentamos para escrever canções. Somos como o Mick Jones e Joe Strummer do horror rock [risos].

Vocês têm alguns convidados no álbum? Quem são eles e que papel desempenham?
Sim, temos alguns convidados no álbum. Doyle dos lendários Misfits toca guitarra numa canção chamada Mr. Sardonicus, Chacal e Vlad dos Crimson Ghosts de Colónia compartilham os vocais em Blutsauger, e os membros dos Cryptkeeper Five de Trenton, Nova Jersey emprestam seus talentos vocais e instrumentais, aqui e ali ao longo do álbum. E eu toco guitarra em algumas músicas também.

A respeito de presenças ao vivo para promover Apparitional, o que nos podes dizer? E o que pode a Europa esperar?
Nós iremos voltar ao Velho Continente na primavera de 2011 para apresentar Apparitional. Depois regressaremos fazer alguns festivais por volta do mês de agosto. Fiquem atentos ao nosso site www.blitzkid.com para mais informações sobre os festivais onde iremos tocar. Penso que estaremos de volta na altura do Halloween, também. Pelo menos assim espero. Já vivemos tantos Halloweens a tocar na Europa que ele nem se sente bem sem lá estarmos!

Sei que os vossos espetáculos ao vivo são muito intensos. Podes descrevê-los um pouco?
Sim, podes chamá-los de intensos. Colocamos muita energia, quando tocamos, porque estamos muito ligados ao que fazemos. Pessoalmente, não sinto maior alegria e pureza do que quando estou no palco. Não se trata de ser visto e tratado como importante. É sobre transferir toda a energia que se sente para a audiência, vê-lo percorrer o público e voltar para nós. É uma coisa linda quando te podes ligar assim com uma sala inteira cheia de pessoas. A energia cresce e cresce. É como um exorcismo pessoal através da música. É um processo muito antigo e cerimonial e a nossa energia é o resultado da energia que recebemos.

Finalmente, que projetos ainda pensas realizar?
Já estamos a fazer uma lista de músicas para o nosso próximo disco. Até já temos um título para ele e tudo mais [risos] Mas precisamos dar um passo de cada vez! Tenhamos a certeza de que, amando-nos ou odiando-nos, nós cá estaremos.


Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Review - A Bird Called Angola (The Delta Saints)

A Bird Called Angola (The Delta Saints)
(2010, Edição de Autor)

Os The Delta Saints (TDS) são um muito original coletivo originário de Nashville, Tennessee. A sua música baseia-se numa forte, agradável e muito atraente fusão entre diversos estilos, mas com base no blues, onde a harmónica acaba por jogar um papel fundamental na sua identidade, enquanto banda. A Bird Called Angola é um EP de seis temas onde se nota bem essa primordial influência bluesy, sempre adicionada de qualquer coisa, sendo que essa qualquer coisa é tão diversificada como o country, jazz, groove ou mesmo um hard rock completamente retro na linha de Led Zeppelin, CCR e afins. Apesar de muito curto, A Bird Called Angola mostra-se um trabalho extraordinariamente diversificado, com um conjunto de temas com uma energia cativante, diríamos mesmo frenética. E por isso vale bem a pena a sua audição. Destacar algum tema não é muito fácil, porque cada um tem uma vida e uma entidade própria e em cada um os TDS conseguem imprimir ambiências díspares. Por isso, A Bird Called Angola vale pelo seu todo, devendo ser consumido, preferencialmente, de uma golada só, deixando que a sua música se entranhe nos nossos pensamentos e sentimentos. E depois, voltar a repetir!

Tracklisting:
1. Bird Called Angola
2. Good In White
3. Company Of Thieves
4. Callin’ Me Home
5. Swamp Groove
6. Voodoo Walk

Lineup:
Ben Ringel
Benjamin Azzi
David Supica
Greg Hommert
Dylan Fitch

Internet:


Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Review - Melotronical (Factory Of Dreams)

Melotronical (Factory Of Dreams)
(2011, ProgRock)

Parece que, definitivamente, Hugo Flores encontrou a sua veia e musa inspiradoras. Aquilo que começou como mais um projeto em parceria com Jessica Lehto em 2008, com Poles, sob a designação de Factory Of Dreams já vai no terceiro álbum. Melotronical volta a acentuar as principais características que já tinham feito os dois álbuns anteriores trabalhos de eleição: estruturas altamente complexas e uma grande qualidade ao nível dos vocais femininos. Mas desta vez, Hugo Flores consegue elevar o som de Factory Of Dreams a patamares nunca antes atingidos. Apesar da complexidade estrutural se manter, como vimos, parece-nos que agora os temas estão ligeiramente mais diretos e lineares, facilitando, assim, a sua perceção; por outro lado, a maturidade criativa do multi-instrumentista permite-lhe, mais uma vez, criar um trabalho diferente do que já havia sido feito; e Jessica atinge um nível, em termos técnicos, que nunca tinha atingido. Daí considerarmos que este Melotronical seja um álbum nuclear na carreira do projeto: em primeiro porque é o seu melhor; em segundo porque tem uma energia (entenda-se radioatividade!) inerente única no seu historial criativo; finalmente porque a temática se situa na química molecular e atómica. Concentremo-nos agora na evolução musical. Em Melotronical a alteração mais notória é, claramente, a inclusão bem visível de vocais masculinos. E percebe-se porque. Este é um trabalho muito agressivo, com riffs muito pesados e secções rítmicas tão potentes que por vezes se aproximam de campo do metal mais extremo. Ora, os vocais masculinos permitem desde logo duas coisas: adaptar a parte vocal ao incremento de agressividade no instrumental e criar um dinamismo vocal único na carreira do músico. Depois há, como já referido, o aumento de peso. Esta é outra das vertentes que têm vindo a evoluir desde Poles. E este Melotronical é realmente mais, denso, intenso, forte e poderoso que qualquer outra coisa feita anteriormente pelo Hugo Flores. O primeiro grande momento do álbum surge com a longa Protonic Stream, deixando uma sensação que os primeiros três temas foram uma espécie de warm-up e preparação do ouvinte para o que vinha a seguir. Mas o que vem depois desse marcante quarto tema é simplesmente grandioso para ser descrito por palavras. Alguns exemplos: Into Oblivion é dos melhores temas já escritos por Hugo Flores; Obsessical é demolidora; Back To Sleep apresenta-nos um celestial eletropop elegante; Whispering Eyes é brilhante ao nível das alterações rítmicas e dos jogos vocais; Whispering Eyes, Subatomic Tears e Dimension Crusher registam uma sensacional prestação operática de Jessica, a lembrar a espaços, Nightwish da fase Tarja. Daí até ao final, mais três temas de excelente nível completam Melotronical, com o fecho a ser feito sob a forma de Reprogramming, uma forma de dizer ao ouvinte que deve reprogramar o seu leitor para voltar a ouvir o CD. Porque é mesmo necessário!

Tracklisting:
1. Nucleon
2. Melotronical
3. A Taste of Paradise
4. Protonic Stream
5. Into Oblivion
6. Obsessical
7. Back to sleep
8. Whispering Eyes
9. Subatomic Tears
10. Dimension Crusher
11. Echoes from Earth
12. Something Calling me
13. Reprogramming

Lineup:
Hugo Flores – vocais e todos os instrumentos
Jessica Lehto – vocais

Internet:
http://melotronical.com/ - Official Site



Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Playlist 17 de fevereiro de 2011

Entrevista - A Dream Of Poe

Miguel Santos é o homem responsável pelo projeto A Dream Of Poe. Ele criou esta entidade dedicada ao doom metal e contra ventos e marés tem conseguido levar o seu nome bem longe. The Mirror Of Deliverance é o primeiro álbum longa duração do projeto e teve edição da editora ucraniana ARX Prod. O multi-instrumentista, que também assume funções nos In peccatum, responde a Via Nocturna.

Naturalmente satisfeito pela edição do teu primeiro longa duração. Que expectativas tens para The Mirror Of Deliverance?
As expectativas são sempre muitas, mas confesso que nunca me debrucei muito sobre este assunto. Estou a ser apanhado de surpresa pelas críticas muito positivas que este trabalho tem obtido. Por este facto já ultrapassou as expectativas que havia criado. No fundo eu espero que este trabalho consiga levar o nome e a música de A Dream of Poe cada vez mais longe e que abra novas portas e traga novos desafios a ADOP.

Em anterior entrevista a Via Nocturna tinhas apontado o outono como possibilidade para a edição do álbum. Veio a verificar-se um ligeiro atraso. Esteve relacionado com a procura da editora certa?
Não, não foi este o caso. O trabalho sofreu atrasos devido a compromissos pessoais e profissionais que me impediram de ter o tempo necessário em estúdio para dedicar a A Dream of Poe. Recordo que num determinado momento estive a trabalhar no meu estúdio em 3 projetos diferentes pelo que foi complicado manter a data delineada para A Dream of Poe, e como os clientes estão sempre primeiro…

Já que falamos em editora, como se deu o contacto com a ARX Prod.?
A ARX Prod. apareceu poucos dias após o lançamento do EP Lady of Shalott. Um dos objetivos deste EP era através do tema Lady of Shalott conseguir obter o interesse de editoras em lançar o álbum de A Dream of Poe. Posso concluir que Lady of Shalott cumpriu os objetivos a que se propôs. O contacto surgiu através do Myspace, meio essencial na divulgação de A Dream of Poe, sendo que foi apenas uma questão de dias até chegarmos a acordo.

Continuas a assumir todos os instrumentos, mas desta feita contaste com dois músicos para os solos. Qual foi o seu grau de participação e de criação?
100%, ou quase! Eu enquanto músico e produtor sou muito aberto às sugestões e ideias dos músicos que trabalham comigo, assim sendo, dei liberdade quase total tanto ao Paulo Bettencourt como ao Nelson Félix. Eles apresentaram as suas sugestões e ideias, a sua versão e interpretação da música através dos solos, eu fui supervisionando o processo, sugerindo algumas mudanças aqui e ali de forma a se aproximar ao que eu ia imaginando ao mesmo tempo que ouvia as versões deles. Foi um processo muito natural e feito no momento, deixando fluir todas as ideias que apareciam, talhando-as depois no que seria o produto final. Por fim acabou por ser um trabalho de grupo que funcionou na perfeição.

Para além dos solos, contaste também com dois vocalistas para os backing vocals. Na tua perspetiva de compositor, que papel relevante acabam por jogar esses apoios vocais?
Na minha opinião foi importante para dar mais diversidade à música, não nos podemos esquecer que na maior parte dos casos os temas são longos e o facto de se criar várias dinâmicas vocais mantêm-nos atentos à música além de tornar o tema mais interessante. Exemplificando temos a Liber XLIX e Chrysopoeia. Na Liber XLIX apesar de ser apenas o João a dar voz a este tema, usaram-se diferentes tipos de vozes de forma a se criar diferentes estados de espírito e fazer saltar cá para fora diversos tipos de emoções e sensações. O João é um Senhor vocalista, extremamente versátil e penso que este tema em especial é espelho disso. Na Chrysopoeia senti a necessidade de optar pelo Paulo Pacheco (atual Letrista e vocalista nos anteriores trabalhos de A Dream of Poe) para os versos, um pequeno interlúdio e para apoio nos refrões. Na minha opinião, a junção entre a voz do Pacheco e do João funcionou perfeitamente criando a dinâmica que procurava.

Para este trabalho acabas por recuperar apenas uma faixa anterior, Lady Of Shalott. Foi mesmo uma forte intenção tua dar um verdadeiro passo em frente?
A Lady of Shalott é um tema que pertence a 100% a este álbum sendo que um dos objetivos desse tema em particular foi o criar interesse e curiosidade à volta do novo álbum de A Dream of Poe. Sem duvidas que a intenção foi dar um passo em frente mostrando assim toda a evolução que A Dream of Poe sofreu, pretendendo agora chegar a cada vez mais público, atingindo novas metas e objetivos. A titulo de exemplo, temas como Laudanum ou Whisper of Osiris foram escritos no inicio de 2007, contudo, apenas viram a luz do dia em 2009. Distam quase 4 anos entre a criação deles e o lançamento de um novo trabalho de originais, neste caso o The Mirror of Deliverance. Houve portanto uma janela de 4 anos em que não houve demonstração da minha evolução como músico e produtor, que no fundo se reflete na evolução de A Dream of Poe. Talvez este interregno tenha sido benéfico pois permitiu-me lançar agora um trabalho muito mais maduro e de orientações mais definidas comparativamente aos trabalhos anteriores.

É também a primeira vez que utilizas o português numa canção, certo? Acho que resultou muitíssimo bem até porque é um poema muito bom. Será para continuar?
A ideia de utilizar o português numa canção já era antiga, contudo só agora avancei com esta ideia. Houve vários fatores que contribuíram para só agora optar por usar a língua portuguesa. Um deles foi o ter um tema que tivesse de facto o sentimento e o encadeamento melódico em que pudéssemos tirar partido de uma vocalização em português. Não gosto de forçar e escrever um tema especificamente para poder cantar em português ou sendo regido por outra especificidade qualquer, pelo que Os Vultos, bem como todos os outros temas, surgiram naturalmente durante o meu processo de criação. Acho que acabou por ser uma coincidência o Paulo Pacheco ter escrito um poema em português e eu ter escrito um tema em que uma letra em português encaixaria na perfeição. Se será para continuar ou não, é uma pergunta que não conseguirei responder, pessoalmente gostei muito do resultado e gostaria de repetir a experiência, mas como disse anteriormente, não gosto de forçar o meu processo criativo, mas se todas as condições citadas anteriormente se voltarem a repetir, não terei qualquer hesitação em optar pela língua portuguesa.

Referes no press release que este álbum teve o apoio da Direção Regional da Juventude e do Governo Regional. De que forma é que esse apoio se processou?
A DRJ através do Governo Regional dos Açores possui alguns programas de apoio financeiro e logístico que estão disponíveis para quem se candidatar a eles mediante a apresentação de projetos diretamente ligados à cultura. Estes projetos são alvos de apreciação e aprovação por parte de técnicos especializados. Neste caso especifico A Dream of Poe candidatou-se a um apoio pontual para financiar parte do lançamento do álbum, sendo o projeto considerado viável e de interesse para os Açores. O apoio permitiu-me pagar alguns custos referentes à edição, promoção e divulgação do The Mirror of Deliverance.

A terminar, vais continuar afastado dos palcos a preparar mais música, ou pensas recrutar um conjunto de músicos para levar The Mirror Of Deliverance para a estrada?
Espero sinceramente que o afastamento dos palcos não dure muito mais. O principal motivo por ter estado afastado dos palcos foi o facto de cá nos Açores o Doom Metal não ter grande aceitação, pelo que desde que dei inicio a este projeto nunca surgiram convites para me apresentar ao vivo, isto apesar de eventos não faltarem. Só através do evento que organizo juntamente com outro músico Açoriano, é que consegui finalmente subir aos palcos. Ainda assim não culpo de todo quem organiza eventos e não aposta no Doom Metal, eu próprio estou no meio da organização de eventos e sei que no contexto açoriano é muito arriscado ter no seu cartaz bandas de subgéneros como o Doom-Metal ou até mesmo o Gothic-Metal. A comunidade metaleira açoriana que se encontra ativa a apoiar as bandas e a ir aos concertos prefere outros tipos de sons mais modernos, que incitem ao mosh, fugindo quase completamente a sons mais lentos e melódicos. Os anos 90 nos Açores, em que proliferavam excelentes bandas de Doom Metal tais como Prophecy of Death, Obscenus, Gnosticism ou mesmo Gods Sin, em que a comunidade metaleira vivia, respirava e quase que idolatrava este subgénero, acabaram quase na sua totalidade, apenas restando desta altura os In Peccatum, dos quais orgulhosamente faço parte desde 2006. Ainda assim espero pelo menos fazer um concerto nos Açores uma vez que não param de surgir pedidos da pequena minoria que ouve e vive o Doom Metal. Estamos também à espera de confirmação para a participação num festival de Doom fora de Portugal, ainda não há nada confirmado a 100% mas é de facto uma possibilidade!


Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Review - Out From The Cold (Coldspell)

Out From The Cold (Coldspell)
(2011, Escape)

A editora britânica Escape Records costuma apresentar-nos bons trabalhos na área do hard rock mais tradicional mas neste inicio de 2011 surpreendeu com a publicação do álbum progressivo dos suíços Appearance Of Nothing. No entanto, a normalidade é retomada agora com o lançamento do segundo álbum dos Coldspell, banda sueca de hard rock que nasceu em 2005 sob a batuta do guitarrista Michael Larsson (ex-R.A.W.) e se havia estreado em 2009 com Infinite Stargaze. Out From The Cold é por isso um álbum na linha mais tradicional do género, feito como mandam as regras estabelecidas no século passado para o género. É um trabalho com alguma melodia, de fácil audição e bom gosto. As guitarras estão muito presentes e, a espaços chegam a surpreender pela afinação grave, pintando, nestas alturas, o seu rock com uma bem-vinda dose de groove. As teclas, embora discretas, desempenham um papel fundamental, deixando-se iluminar em certos momentos quando a sonoridade Hammond emerge. Refira-se que esses são dos mais belos momentos conseguidos pelo coletivo, quer quando Matti Eklund sola ou simplesmente quando cria os necessários cenários para o desenvolvimento dos temas. Os vocais são competentes e a secção rítmica suficientemente dinâmica. E apesar de o álbum abrir com um tema algo incipiente, Heroes, rapidamente inverte o seu caminho e evolui para caminhos mais agradáveis. Os pontos mais altos são no entanto Time, The King e Heading For Tomorrow, destacando-se num trabalho muito homogéneo, nivelado e equilibrado.

Tracklisting:
1- Heroes
2- Run for your life
3- One in a million
4- Six feet under
5- Time
6- Save our souls
7- The king
8- Fate
9- Seven wonders
10- Angel eyes
11- Heading for tomorrow
12- Out from the cold

Lineup:
Niklas Swedentorp – vocais
Michael Larsson – guitarras
Anders Lindmark – baixo
Perra Johanson – bateria
Matti Eklund – teclados

Internet:

Edição: Escape Music


Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

Review - One (TesseracT)

One (TesseracT)
(2011, Century Media)

Ora ai está One, a estreia dos britânicos TesseracT, um trabalho que marca a realização da visão ousada, criativa e experimental do guitarrista Acle Kahney (ex-Fell Silent) que vem desenvolvendo a sua ideia como um projeto a solo desde 2003 e que posteriormente deu origem a uma das bandas de metal mais excitantes do Reino Unido. Trata-se de um inicio de carreira fulgurante, com uma demo editada em 2007, a assinatura com a Century Media em 2010 à qual se seguiu o convite para fazer a tournée americana com Devin Townsend. Em termos de registos, Concealing Fate foi o EP de estreia para a sua nova editora no final do ano passado e agora surge, então One. Este até é um nome que o público português deve estar bem lembrado devido à excelente prestação no Festival Caos Emergente, onde a banda demonstrou toda a sua capacidade de executar um prog não baseado na complexidade musical que se consegue criar, nem na criação de metal pomposo e tecnológico, mas, pelo contrário, na criação de sensibilidades com canções que despertam emoções fortes e capazes de evocar poderosas imagens mentais. E é precisamente isso que este One nos demonstra, de novo, mas agora, em formato de estúdio. As seis partes de Concealing Fate, por exemplo, prometem ficar na história como o que de melhor já se fez neste cruzamento entre progressivo e metalcore. Pela melodia por vezes sofrida ao nível vocal, pelos jogos atraentes de guitarra, pela dose de agressividade pontualmente introduzida, pela versátil e dinâmica secção rítmica. Por isso, este é um álbum com um poder e emoção subtis, longe dos clichés habituais. E é, acima de tudo, não é um conjunto de canções mas um verdadeiro álbum, daqueles onde os ouvintes se podem refugiar durante todo o seu tempo de duração. Afinal, como os heróis deste britânicos e onde eles se reveem. Nomes como Pink Floyd, The Doors, Faith No More ou Meshuggah.

Tracklisting:
1. Lament
2. Nascent
3. Acceptance - Concealing Fate Part One
4. Deception - Concealing Fate Part Two
5. The Impossible - Concealing Fate Part Three
6. Perfection - Concealing Fate Part Four
7. Epiphany - Concealing Fate Part Five
8. Origin - Concealing Fate Part Six
9. Sunrise
10. April
11. Eden

Lineup:
Daniel Tompkins - vocais
Acle Kahney - guitarras
James Monteith – guitarras
Amos Williams – baixo
Jay Postones – bateria

Internet:

Edição: Century Media


Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Playlist 10 de fevereiro de 2011

Via Nocturna no Jornal de Notícias

A Rádio Riba Távora foi alvo de uma reportagem efectuada pelo Jornal de Notícias, publicada na semana passada, e onde Via Nocturna foi um dos programas com maior destaque. Confiram.


Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.


Review - The Mirror Of Deliverance (A Dream Of Poe)

The Mirror Of Deliverance (A Dream Of Poe)
(2011, ARX Prod.)

Depois de uma demo, um CD ao vivo e dois EP’s, os açorianos A Dream Of Poe chegam, finalmente, ao seu primeiro longa duração, numa edição da ucraniana ARX Prod. Trata-se de um conjunto de seis temas longos, lentos, melódicos e melancólicos. Desses seis temas, apenas Lady Of Shalott já havia sido publicado no EP do ano passado com o mesmo nome. Com Miguel Santos no comando desta entidade, The Mirror Of Deliverance demonstra toda a capacidade evolutiva que o músico tem vindo a manifestar em termos de composição. Se Lady Of Shalott já tinha deixado muitas boas indicações, este trabalho potencia todo esse manancial de qualidade e eleva a patamares nunca antes atingidos não só pelos ADOP, mas, arriscamos dizer, por nenhuma banda de doom metal nacional. Desde a abertura verdadeiramente assombrosa com Neophyte até ao final com o mais longo Chrysopoeia, somos assaltados por doses de melancolia e beleza negra dignas de registo. João Melo assume-se como um vocalista de verdadeira exceção, quer nos vocais limpos quer nos guturais. Dentro do mesmo campo são de assinalar os jogos vocais, precisamente, em Chrysopoeia. Por outro lado, merecem especial relevo os solos de elevada craveira técnica e de uma eficiência desarmante. No entanto, o maior destaque vai para Vultos, um tema vocalizado em português e que de inicio nos remete para uns Ava Inferi mas que depois evolui para diferentes paisagens de uma beleza melancólica muito significativa e onde a introdução do sabor agridoce do fado se revela brilhante. E é de todo este excelentemente bem conseguido cruzamento entre melodia sensual, revolta angustiante e desolação que os A Dream Of Poe assinam uma obra digna dos nomes maiores do seu género. E que promete ficar para a posteridade.

Tracklisting:
1. Neophyte
2. Os Vultos
3. Lady Of Shalott
4. Liber XLIX
5. The Lost King Of The Lyre
6. Chrysopoeia

Line Up:
Miguel Santos (todos os instrumentos)
João Melo (vocais)
Nelson Félix (solos)
Paulo Bettencourt (solos)
António Neves (vozes de apoio)
Paulo Pacheco (vozes de apoio)

Internet:

Edição: ARX Prod.

Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

Review - Bloodline (The Ransack)

Bloodline (The Ransack)
(2011, Raging Planet)

Os barcelenses The Ransack estão de regresso com mais um trabalho (o seu terceiro em formato longa duração) forte e demolidor. O que o coletivo produz, sem surpresas, é death metal puro e duro. Bloodline, é um trabalho com um artwork muito bom, onde o cruzamento do branco angelical cruzado com o risco biológico demonstra, na perfeição, o perigo eminente que representa elevados períodos de exposição. A secção rítmica é deveras poderosa, muito maquinal, por vezes, sendo que a criteriosa introdução de blast beats atenua alguma repetividade que eventualmente surja. Os vocais agressivos, ajudados por duas guitarras poderosas e coesas, elevam este Bloodline, já de si poderoso, a patamares, por momentos, verdadeiramente demolidores, como acontece em Enemy ou Scars. As linhas melódicas estão reduzidas ao mínimo indispensável e situam-se, essencialmente, em algumas harmonias da guitarra base (com destaque para a secção inicial de Collateral Damage), nalguns refrães (com destaque para My Bullet Your Name) ou nas secções terminais dos dois temas finais (Scars e Trace). Uma palavra final para as participações meritórias e de bom nível de Tó Pica (Ramp) com um solo em Vicodin, Pedro Mendes (actual Thee Orakle)que empresta outro solo em The Last Days e Snake (Endamage) nos vocais em Trace.

Tracklisting:
1. Missing
2. Collateral Damage
3. Vicodin
4. Zenith
5. Son Of The Seas
6. The Last Days
7. Enemy
8. My Bullet Your Name
9. Scars
10. Trace

Line Up:
Shore – vocais e guitarras
Jay - baixo
Loki - guitarras
Zeus - bateria

Internet:

Edição: Raging Planet


Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.

Review - Long Distance Calling (Long Distance Calling)

Long Distance Calling (Long Distance Calling)
(2011, Superball Music)

Formados em 2006, os Long Distance Calling lançaram, logo no final desse ano, uma demo intitulada Dmnstrtn ao que se seguiu a sua estreia oficial com Satellite Bay em 2007 via Viva Hate Records. Um split-EP com a banda suíça Leech, 090208, foi lançado em 2008, seguindo-se o acordo com a Superball Music e o lançamento de segundo álbum, Avoid The Light, em abril de 2009. Agora, o quinteto instrumental com sede em Münster-Dortmund-Berlim está de regresso com o seu terceiro registo instrumental, metendo-se, desavergonhadamente numa cena carregada de power metal, black metal e tudo o resto de permeio. Ao invés de confundir os ouvintes com uma parede de tempos e ritmos esquisitos, a fórmula proclamada por muitas bandas que afirmam ser progressivas, o novo trabalho homónimo dos Long Distance Calling, apresenta sete faixas escritas a partir de uma perspetiva tradicional da música. Isto significa que a escrita é muito orientada para música e em que a música em si é a coisa mais importante. Como resultado, a receção é imediata quer para os fãs de indie, rock, prog ou mesmo metal. Por isso, os Long Distance Calling, criam as estruturas básicas para, de seguida, as encherem com sons, melodias e atmosferas. Neste novo álbum, também se redescobre o poder do riff, originando o registo mais diversificado que a banda já escreveu. Referências a Pink Floyd, Led Zeppelin, Tool, A Perfect Circle ou Alice In Chains surgem neste disco o que, desde logo, afasta a tendência de classificar os LDC de post-rock apenas por ser uma banda instrumental. A pretensão dos LDC parece ser efetivamente cortar seu público pela metade pelo facto de não ter vocalista. O que é certo é que esse facto permite criar uma atmosfera especial, ao mesmo tempo que lhes permite tocar para audiências tão díspares como por exemplo, quando abriram para Opeth, Katatonia, Dredg, … And You Will Know Us By Trail Of Dead, Anathema, Coheed and Cambria ou Deftones. Mas surpresas também existem e elas surgem com a presença do vocalista John Bush, dos Armored Saint e ex-Anthrax em Middleville. Este é um tema que mostra que os LDC podem, de facto, jogar em vários campos e apresenta Bush com um brilhantismo inesperado. Esta inclusão de vocalistas em alguns temas não é nova, uma vez que já no primeiro álbum, Peter Dolving dos The Haunted tinha participado, bem como Jonas Renkse dos Katatonia em Avoid The Light. Refira-se, no entanto, que a presença de John Bush no álbum não é o único motivo que deve incentivar as pessoas ouvir e a explorar LDC. Em termos de produção a banda procurou algo muito orgânico de tal forma que permite que a música respire. Por isso o quinteto deslocou-se para os Hours Studios, em Hannover, onde os Celtic Frost, Donots, Paradise Lost, Eloy, Scorpions, Rolling Stones e muitos mais produziram alguns dos seus álbuns clássicos. A produção esteve a cargo de Benjamin Schäfer, elemento que já trabalhou com diversas bandas, como Celtic Frost e Subway To Sally, tendo conseguido um resultado que permite que cada instrumento revele o seu som único e flua em vez de simplesmente cortar os tímpanos. É como um som 3D que envolve o ouvinte como um casulo aconchegante.

Tracklisting:
1. Into The Black Wide Open
2. The Figrin D'an Boogie
3. Invisible Giants
4. Timebends
5. Arecibo (Long Distance Calling)
6. Middleville
7. Beyond The Void

Line Up:
David Jordan - guitarras
Florian Füntmann - guitarras
Jan Hoffmann - baixo
Janosch Rathmer – bateria
Reimut van Bonn – elétrónica e sons

Internet:

Edição: Superball Music


Texto escrito conforme o Acordo Ortográfico - convertido pelo Lince.