quinta-feira, 31 de março de 2011

Playlist 31 de março de 2011

Review - Malison Rogue (Malison Rogue)

Malison Rogue (Malison Rogue)
(2011, Inner Wound)

Os Malison Rogue são um dos nomes mais excitantes da nova vaga de metal sueco. Nascidos sob a designação de Ashes, rapidamente mudaram de nome para o atual, sendo que este álbum homónimo representa a sua estreia em termos discográficos. E desde a capa, ao tamanho do disco, até à música, com este quarteto parece que o tempo parou nos idos anos 80. O quarteto pratica um heavy metal verdadeiro, puro e tradicional. Os Malison Rogue não pretendem inventar nada, antes aplicar o que já foi feito, e bem, em novas, características e agradáveis doses de metal. Com isso, agarram o ouvinte, transmitindo boa disposição e entretimento durante um bom bocado. Refrão fortes, batidas ritmadas, melodias simples mas cativantes, solos apelativos, enfim, como toda a boa canção de heavy metal devia ser. A ponte para a modernidade é feita no épico Scars com a introdução de alguns coros operáticos, denotando a banda, algum cuidado na forma como também assimila tendências mais recentes. De resto, a fase inicial do disco, até à típica mas bem conseguida balada, My Mistakes, é muito agradável dentro dos aspetos já anteriormente referidos. A partir daí a banda promove alguma variabilidade que só engrandece mais um disco que parece ter vindo diretamente do passado. Claramente indicado para os mais saudosistas.

Tracklisting:
01. Friend or Foe?
02. The Pain You Cause
03. The Griever
04. My Mistakes
05. This Lonely Road
06. Scars
07. We're All Born Sinners
08. Everything Fades

Line-up:
Zeb [Sebastian Jansson] - vocais
Bjoerkborg [Jonatan Björkborg] - guitarras
Pete Fury [Petter Furå] – baixo
Doc [Jens Vestergren] – btareia

Internet:

Review - Regiment Ragnarok (Panzerchrist)

Regiment Ragnarok (Panzerchrist)
(2011, Listenable)

Michael Enevoldsen quis, em 1994, fazer algo ainda mais extremo do que já fazia nos Illdisposed, por isso ergueu os Panzerchrist. Os dois primeiros álbuns, Six Seconds To Kill e Outpost Fort Europa acabaram por receber boas críticas no seu estilo mid-tempo de death metal. Mas, foi só em 2000 com o lançamento de, Soul Collector, que os Panzerchrist se concentraram na temática da guerra que acabaria por caracterizar o som e estilo da banda. Para este novo álbum, cinco anos após Batallion Feast e primeiro para a editora francesa Listenable, volta a assistir-se à criação de um nível de brutalidade assinalável. O resultado é um trabalho rápido e brutal com o tema bélico a dominar todos os aspetos do processo criativo. Reduzido a quinteto com o abandono do posto de teclista, Regiment Ragnarok apresenta-nos um conjunto de 12 temas que não são mais que devastadoras peças de artilharia pesada preparadas para destruir tudo à sua passagem. E onze anos depois, a banda prepara-se para tomar de assalto os palcos com todo o armamento nuclear que Regiment Ragnarok lhe propicia.

Tracklisting:
1. Prevail
2. Panzer Regiment Jylland
3. Metal Tribes
4. Impact
5. For The Iron Cross
6. We March As One
7. The Armour Of Armageddon
8. Ode To A Cluster Bomb
9. King Tiger
10. Feuersturm
11. Time For The Elite
12. Trenches

Line-up:
Michael Enevoldsen – Baixo
Rasmus Henriksen - Guitarras
Lasse Bak - Guitarras
Magnus Jørgensen - Vocais
Mads Lauridsen - Bateria

Internet:

quarta-feira, 30 de março de 2011

Entrevista - Zerozonic

Conhecido pelo seu trabalho nos BloodRedThrone e como live-guitarrist dos Satyricon, Daniel Olaisen criou os Zerozonic para exprimir a sua paixão pelo groove metal. Originalmente lançado pela própria editora da banda em finais do ano passado, God Damn, Better, Best, o segundo trabalho da banda acaba de ser relançado pela Mayhem Music. Já a preparar um terceiro disco, Daniel Osaisen, respondeu a Via Nocturna.

Viva, podes apresentar os Zerozonic aos fãs portugueses?
Saudações a todos. Zerozonic é uma banda de groove metal da Noruega formada por Daniel Olaisen (BloodRedThrone) em 2004. Já lançámos dois álbuns e vamos gravar um novo no final deste ano. Somos descritos como uma ótima banda ao vivo e somos muito enérgicos!

Os Pantera parecem ser uma das vossas influências. Que outras mais ocorrem?
De facto, o nosso primeiro álbum foi bastante inspirado pelos Pantera e cada banda que toque groove metal deve ser inspirada pela maior banda de sempre do género! De qualquer forma, o nosso segundo álbum é mais detalhado e sofisticado e há muito mais coisas a acontecer. Quanto ao nosso terceiro álbum, será muito mais pesado e agressivo do que os anteriores. Eu acho que os fãs de Lamb of God, Chimera, Pantera e afins vão gostar de Zerozonic. O que nos torna um pouco diferentes é o nosso vocalista. Ele é muito criativo e adiciona o seu próprio som muito distinto!

A respeito de God Damn, Better, Best, como o descreverias?
Primeiro que tudo, este álbum foi gravado em 2008 e com um baterista e baixista diferentes. Enfim, são nove músicas pesadas sem nunca perder o groove, mas sempre a adicionar mais, com mais riffs e solos e muita coisa a acontecer ao nível dos vocais.

E que diferenças apontas entre este e o primeiro álbum?
A estreia apresentou um groove simples e direto. Este marca um passo em frente. Talvez um pouco mais original. No entanto, ambos os álbuns têm a marca Zerozonic.

Este disco foi lançado em dezembro passado pelo vosso próprio selo. Agora chega a distribuição mundial. Esta é a mesma versão que tinham lançado antes ou tem alguns extras?
É exatamente a mesma. Nós imprimimos o álbum no ano passado e, em seguida, chegámos a um acordo. Agora também está disponível no iTunes, ou seja, desta vez é um lançamento oficial.

Curiosamente, o mesmo já tinha acontecido com a vossa estreia: primeiro a edição em nome próprio e depois um relançamento pela alemã Rockline Records…
Sim, mas é apenas uma coincidência. Pelo menos nossa editora atual é séria. Coisa que a Rockline nunca foi...

Como se processou o contacto com a Mayhem Music? Este álbum foi o referencial?
A Mayhem Music está sediada na minha cidade e desde o inicio que tenho estado atento a ela. Também testei os seus estúdios há algum tempo com outro projeto meu e considero que o gerente é uma excelente pessoa para se trabalhar!

Sendo que tu és um músico muito experiente, desde quando sentiste necessidade de formar uma banda para tocares a tua paixão pelo groove metal?
Eu tenho uma mente aberta a qualquer tipo de metal. Comecei a ouvir e a tocar metal extremo desde muito cedo, e ainda gosto desse estilo, mas gosto muito de metal com base em groove e foi por isso que eu formei os Zerozonic.

Este disco não foi gravado pelo atual line-up, certo? Podes explicar melhor?
God Damn, Better, Best foi gravado em 2008. O baixista original gravou os dois primeiros álbuns dos Zerozonic antes de sair. Ele agora está nos Tristania. O baterista também tocou em ambos os álbuns antes de sair da banda, embora houvesse um baterista antes dele que começou a banda comigo. Enfim, sinto-me bastante confiante com a formação atual e temos uma química perfeita. Mal posso esperar para gravar o nosso primeiro álbum juntos!

A terminar, que expectativas tens para os próximos tempos?
Só ainda fizemos um espetáculo de lançamento e alguns outros para promover God Damn, Better, Best. Agora, estamos ansiosos para gravar o nosso terceiro álbum, Aftersane, com o novo line-up e mostrar um lado ainda mais pesado e agressivo dos Zerozonic. Estamos, também estamos a planear a nossa primeira tournee europeia em 2012! Felicidades e confiram o nosso vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=yB1eiyBl75Y

Review - Bent Beak (Godofe Keios)

Bent Beak (Godofe Keios)
(2010, Edição de Autor)

Oriundos de Évora, chegou-nos às mãos o mais recente trabalho de Godofe Keios uma banda que diz fazer folk metal nonsense baseado numa mitologia criada por eles próprios. Segundo eles próprios, os Godofe Keios são Vikings maltrapilhos com tribais fatelas e armaduras enferrujadas de madeira. São oriundos de Raiktapartah, falam o Tapartikoh, uma espécie de Luso-Inglês mal escrito e sem grandes regras, e homenageiam o grande Deus Halibute. Bent Beak é o segundo trabalho da segunda era da existência da banda, e a primeira sensação que fica é pensar se este conjunto de vikings deve ou não ser levado a sério. Uma forma de descrever este bizarro coletivo será referir que se trata de um cruzamento entre os Haggard e qualquer tuna académica. Existe ironia, existe folia, existe gozo, existe farra, existe sarcasmo, existe palhaçada. Mas por outro lado, existem um conjunto de canções de excelente cariz técnico e muito bem construídas, denotando um enorme sentido de criatividade e de criação. Há alguma influência clássica e folk (como no citado coletivo germânico) com misturas vocais que vão desde o mais limpo aos guturais e com os coros a assumirem um papel de extrema relevância e a denotarem trabalho apurado a esse nível (ouça-se, por exemplo a introdução ou Halibut o Deus de Tudo que é Bom). Depois, a parte lírica atira-nos para o tal sentimento menos sério, com diversos momentos a serem verdadeiramente hilariantes, como The Everlasting Storie Of Johnie. Mas em termos de hilariante temos que referir a apoteose que é a desconstrução de Let It Be em Mijah’s Song ou a costela Bee Gees em Ofe Egill Pikallagrissom. O álbum está disponível para download no site do grupo e o conselho que vos damos é que o baixem e descubram este trabalho por vocês próprios, porque tudo que seja aqui escrito, seguramente, nunca conseguirá descrever todas as sensações que a audição de um trabalho desta natureza transmite.

Tracklisting:
1. Intro - Bent Beak (Olhai Por nÓs Uide Da Leizi Ai)
2. The Everlasting Storie of Johnnie
3. Behold The Marauanders
4. Olaf's Dreams
5. Fire of the Oak Upon The Rune of the Winter Solstice
6. Hammer of the Gods
7. Mija's song
8. From Raik to Tapartah
9. Halibut o Deus de tudo o que é Bom (Acústico)
10. Ofe Egill Pikallagrissom
11. Ridiculum Requiem Reencarnatum
12. Perdão do Viking
13. (Bonus Track) - Ofe Egill Pikallagrissom (Versão Power Metal)

Line-up:
Lord Viking Nakouna (vocais)
Junnas Anti Tonnieekos (guitarras/vocais)
Sven Moller-Fah (bateria)
Kollskegg Partt’ukuh (baixo)
Olaf Azmun-Bikoh (guitarras)
Ulfar Khaggar (teclados)

Internet:

terça-feira, 29 de março de 2011

Entrevista - (aura)

Autor de alguns dos mais originais projetos nacionais, André Fernandes, volta a superar-se a si próprio e a demonstrar a sua imensurável capacidade inovativa ao partir para um projeto de musicar fotografias de José Ramos. O resultado, Invisible Landscape, assinado sob a designação de (aura) é tudo menos óbvio e previsível. Convidamos o músico a explanar o seu ponto de vista sobre este trabalho originalmente editado em 2008 por via digital e que chegou ao formato físico em 2010.

Este é um projeto verdadeiramente inovador. Pode descrevê-lo?
Bom, uma grande parte da minha vida foi dedicada à música, a ouvir e a criá-la, e embora já tenha estado envolvido, desde a infância, em várias bandas, projetos pessoais e processos de composição sempre senti que nunca tinha desenvolvido um trabalho onde pudesse deixar fluir livremente todas as minhas influências e emoções – assumidas e recalcadas – num espectro puro de liberdade e transe criativo total. Tendo assumido essa matriz neste projeto, expeli qualquer tipo de receio ou sentimento de estranheza no processo de escrita e lancei-me numa mescla desenfreada onde o fantasma da incoerência estilística teve tanto relevo quanto a sombra da castração numa paleta naturalmente mestiça. Não sei se será propriamente inovador, mas considero que se trata de um trabalho com um decalque muito próprio, fruto de um investimento criativo com algum significado.

De que forma é que te surgiu a ideia de musicar imagens?
Uma noite, ao me deparar com o trabalho fotográfico do José Ramos fiquei absolutamente absorvido pelo poder das suas imagens e pelo convite compulsivo que aqueles cenários me lançavam. Contactei-o e lancei-lhe o desafio de escolhermos dez fotos, em ordem cronológica, que servissem de proscénio para um enredo imaginário, caldeado por uma Banda Sonora, que seria composta por mim. Esses dez atos são os capítulos de Invisible Landscape, uma tela já salpicada mas onde todos podem tecer o seu próprio enredo.

E como é feito esse processo de transposição da fotografia para a música?
Honestamente não foi algo de obsessivo ou muito rigoroso, limitei-me apenas a ter as fotos presentes na minha mente enquanto compunha os temas. Depois, sim, quando o esqueleto estava montado procurava os pequenos detalhes nas imagens para criar camadas sonoras – leves brisas e muros intransponíveis – onde esses elementos surgissem como pronúncios e deja vús ou mesmo para reforçar objetos e ideias concretas. Nesse sentido o álbum é bastante rico e, até, labiríntico e toda a sua profundidade e significado vai engrossando à medida que nele se insiste e se toma mais atenção às músicas. Por fim, numa fase derradeira, quando estava a masterizar o disco, as texturas e cores de toda a realidade visual foram coordenadas vitais no desenho da sonoridade final.

Este álbum foi editado digitalmente em 2008 e só dois anos depois o foi fisicamente. Porquê esse espaço de tempo?
Basicamente, porque depois de ter terminado o disco enviei-o para várias editoras mas nenhuma avançou para a sua edição. Na altura tinha em mãos uma obra muito difícil de catalogar e isso tornou árduo o processo de perceber que tipo de etiqueta poderia estar interessada em pegar nele. Na altura houve algumas editoras, cuja discografia aprecio, que mostraram interesse, mas o início da crise económica global e o declínio da indústria fonográfica foram árduos entraves a que avançassem com propostas concretas. Ao deparar-me com essa situação e ao ver que vários amigos talentosos estavam a debater-se com o mesmo tipo de dificuldades decidi criar a Abutre Netlabel de modo a lançarmos e promovermos os nossos trabalhos numa plataforma digital e livre, onde todos estaríamos a trabalhar num espectro mais amplo de entreajuda e a dar a conhecer a nossa música.

Nesse intervalo de tempo, surgiu a Valse Sinistre. Como se processou o contacto?
Em 2008 o fenómeno das netlabels era algo de emergente e que ganhava bastante popularidade em todo o mundo. Havia uma rede vasta de websites e fóruns onde entusiastas e editores davam a conhecer uma panóplia vasta de novas propostas musicais, à margem da indústria convencional. A Abutre foi ganhando espaço, até na imprensa online Nacional, e os nossos discos começaram a ter alguma relevância. Em relação ao Invisible Landscape, o ponto de viragem foi quando o website Norte-Americano Sputnik Music lançou um artigo, em fevereiro de 2009, sobre as netlabels e os discos mais interessantes que surgiram no cenário planetário, e para grande espanto e felicidade minha o meu disco fazia parte da lista. A partir daí houve um disparo no interesse, que senti especialmente no Myspace e na Last FM, e voltei à carga com as editoras tendo, no entanto, não conseguido chegar a qualquer acordo, novamente. Quando já tinha quase esquecido essa possibilidade recebi, em 2010, um e-mail do Robert – da Valse Sinistre – a dizer que tinha adorado o disco e que o queria editar em CD. Curiosamente eu nem conhecia a editora mas quando fui ao website descobri que servia de albergue a várias bandas e artistas que conhecia e ouvia (como Hypomanie, Deep-pression, Isa, Soufferance, Owl Cave, etc.) e quando li o conceito da Valse Sinistre – que editava discos onde a configuração estilística era secundária e que procurava bandas com uma sonoridade fortemente emocional e distinta – percebi que tinha, finalmente, encontrado a etiqueta certa para (aura). Poucos meses depois o disco estava cá fora e a editora fez (e continua a desenvolver) um trabalho fantástico na promoção deste, aparecendo constantemente críticas e reportagens um pouco por todo o mundo. Neste momento o álbum tem distribuição na Europa, Japão, Estados Unidos, América Central/ Sul através de várias distribuidoras, incluindo a conceituada etiqueta Inglesa Cold Spring, portanto não poderia estar mais satisfeito com o trabalho desenvolvido pela Valse Sinistre. Claro que quando se tem alguma exposição mediática, todo o processo acaba por nos transcender e muitas vezes surgem histórias surpreendentes que nos emocionam e que fazem com que todo o esforço valha a pena como um e-mail que recebi recentemente de um fã do leste da Turquia que me contou que devido a ter encomendado o disco a carta foi confiscada e teve de responder a um interrogatório mas que o importante, para ele, foi ter adorado o álbum. Este tipo de feedback faz-nos ver além da nossa própria realidade e dos limites cognitivos que temos sobre as nossas próprias ações e criações.

A água é um elemento muito presente neste disco. Era um fator essencial no conjunto de fotografias que musicaste?
Sendo um disco conceptual tivemos uma intenção clara em fazer com que houvesse uma mudança de Elemento à medida que a história avançava. Portanto o disco nasce, claramente, de um cenário à beira mar e avança por dunas e areais áridos até ao coração da floresta e às planícies mais despidas. E como dizes, a água é um fator preponderante porque metade do disco tem vista para as ondas e é seduzido pela brisa oceânica.

De que forma surgiram os convidados neste teu álbum?
Quando fazemos um disco a solo é inevitável não sentirmos algum tipo de limitação ou desejo de rapinar algo que nós não conseguimos dar. Os dois convidados que tenho no disco são amigos de infância com os quais passei muitas tardes e férias da escola fechado em sótãos, garagens e palcos a tocar mas também músicos cujo talento e unicidade bastante admiro. O Bruno Santos é um baixista fantástico que tem uma sensibilidade melódica e harmónica absolutamente mágica e não resisti em confiscar-lhe uma linha de baixo para uma música, neste caso a Warm Winter. No caso do Joni Vieira, à medida que ia concluindo o disco sentia que lhe faltava uma presença humana que lhe imprimisse uma dose orgânica da qual ressacava, durante as primeiras misturas. Depois de refletir bastante senti que o seu timbre grave e narrativo poderia dar algo de especial ao desfecho do álbum, e envie-lhe a parte instrumental da última música – Cloud Colossus – e a fotografia. Em poucos dias ele construiu toda a estrutura vocal e escreveu a letra e numa noite entrámos em estúdio e poucas horas, e uma garrafa de whisky, depois estávamos a comer um kebab numa roulotte com vista para o Douro, com o tema gravado.

Musicalmente, não pões limites estilísticos a ti mesmo…
Estou neste momento a pensar em como será o segundo disco de (aura) e quero continuar nesta toada de não haver entraves ou pré-conceitos de qualquer ordem. Creio que os limites que encontro são as linguagens que desconheço e os artifícios que não manuseio e como tal tenho uma vontade voraz de ouvir artistas que me surpreendam e desassosseguem, de ter contacto com novos instrumentos e de trocar ideias com outros músicos e artistas.

A terminar, podes falar-nos dos teus outros projetos?
Tenho muitas ideias na cabeça e muitas operações em marcha neste momento. Para além do próximo disco de (aura) para a Valse Sinistre – que ainda não comecei a escrever – estou ativo em duas bandas, neste momento. Dou alguns concertos, como guitarrista, com o coletivo Irmãos Brothers, que é um ensemble de músicos aventureiros e experimentais, onde nos lançamos ao sabor puro do improviso e do psicadelismo, mais no campo do post/ stoner rock e free jazz. Estou, também, a gravar a bateria no ep de estreia do power duo Lesbian Raimbows onde partilho a aventura com o Rui Martelo, que assume o baixo e a voz. Estamos neste momento a fazer um mini documentário que acompanha, não só, as gravações dos temas mas também as nossas emoções e expectativas no que significa ser músico, nos dias de hoje, e o que nos move. O primeiro episódio já está disponível no Youtube. Para além disso tenho um projeto em mente chamado Fundo, mais no espectro shoegaze/ pós Black Metal, para o qual já tenho alguns temas compostos e parte do artwork desenhado, pelo fabuloso ilustrador Belga Christophe Szpajdel. Numa perspetiva mais profissional – depois de ter composto dez temas originais, em 2010, para a Banda Sonora do filme Um Filme à Chuva – já me estou a debruçar sobre aquela que será a próxima longa-metragem do Telmo Martins (Ground Zero) e estou também a desenvolver alguns temas para o filme Fenix, do realizador Portuense Gustavo Sá. Para além de tudo isto pretendo ainda revitalizar a Abutre e apostar em novos lançamentos e artistas, uma vez que as coisas estão um bocado paradas, neste momento.

Muito obrigado pela entrevista e pelo interesse demonstrado. Quero dizer que podem seguir todas as notícias de (aura), e até dos outros projetos mencionados, no facebook, em:
Mais links relacionados:

segunda-feira, 28 de março de 2011

Entrevista - Clandestine

Ser apelidado de Best Female Fronted Band deixa antever qualquer coisa. Essa qualquer coisa não fica por mãos alheias e os Clandestine provam, com The Invalid, que são mais que mais uma banda com uma senhora a cantar. Esta nova proposta vinda do lado de lá do Atlântico acaba por se confirmar como uma lufada de ar fresco na linha progressiva do metal. June Park e Dan Durakovitch contam-nos como tudo se processa no seio dos Clandestine.


Viva, para começar o que podes dizer a respeito dos Clandestine?
June Park (JP): Clandestine significa segredo e o tema geral da banda é a complexidade de nossa mente, dinâmica e pensamentos ocultos que mantemos no nosso íntimo. O rock/metal progressivo é naturalmente um excelente meio para expressar este tema. Fizemos a experiência sem pensar "Será que isso vai ser um sucesso?" ou "Será que isso vai ser suficiente metal?” Desde 2006 que temos vindo, com a nossa paixão e desejo, a criar algo significativo para nós. Nada mais.

Sendo The Invalid, a vossa estreia, como vêm o álbum?
Dan Durakovitch (DD): Estamos todos orgulhosos naquilo que conseguimos mas, como qualquer músico, é difícil não pensar em coisas que poderia ter sido feitas de uma forma diferente. Porque nós tocamos tantas vezes esses temas, que é como se eles fossem velhos amigos. Ficamos felizes de vê-los, mas conhecemos muito bem a sua rotina. E é fácil esquecer que existem muitas pessoas que estão a ouvir estas músicas pela primeira vez. Adoramos tocar em frente de muita gente porque nos ajudam a alimentar a nossa energia e a reacender a nossa paixão por compartilhar a nossa música com o mundo. Da Vinci disse que "A arte nunca está terminada, apenas abandonada."

Como se processou o vosso ingresso na Nightmare Records?
DD: Uma comunidade online de fãs de música estava a dar ao nosso álbum algum burburinho e a Nightmare tomou conhecimento disso. Por outro lado, estávamos a ter algum airplay numa estação de rock progressivo chamada Progulus. Lance King ouviu-nos lá e contactou-nos. Era fácil de ver que eles compartilhavam os mesmos objetivos que nós no que diz respeito à divulgação da nossa música com o público, o que é muito importante para nós. Por isso, tem sido ótimo desde então!

Em The Invalid, vocês cruzam diversos estilos. Quais são as vossas principais influências?
DD: Durante o processo de gravação deste álbum ouvimos um monte de metal/rock progressivo. Mas como este álbum foi escrito ao longo de alguns anos, vários outros estilos se esgueiraram para as músicas, tal como o pop, eletrónico e metal moderno.
JP: Não temos a certeza de onde vem, exatamente, a nossa inspiração. Ouvimos muitas coisas diferentes, mas pensamos que tudo vem naturalmente quando realmente apreciamos as coisas e nos lembramos das sensação que provocam. Costumamos ouvir Michael Jackson, por exemplo, e apesar de não soarmos como ele, tenho certeza que existe alguma inspiração que não nos damos conta quando criamos. Nós também gostamos artistas experimentais como Bjork. Eu não escuto pop coreano, mas eu tenho certeza que existe alguma influência oculta que eu não penso quando escrevo melodias. A nossa base é rock e metal, mas não temos medo de explorar outros territórios musicais e captar o que eles têm para oferecer aos ouvintes. Eu sinto que agora é quase inútil falar das nossas influência de metal, porque Clandestine é apenas como uma tela para as cores serem adicionados. Não importa que tipo de música escutas, as sensações acumulam-se ao longo do tempo e criam o seu som com o seu toque pessoal. Eu acredito que este é o som de The Invalid.

E como decorreu o trabalho de composição?
DD: Este álbum foi escrito principalmente por June e por mim. Nós trabalhamos juntos na composição e June lida com todas as partes relacionadas com as letras e vocais. Normalmente, a música é escrita em primeiro lugar e, em seguida, as partes vocais. Finalmente trabalhamos em todos os extras que complementam a música. Nós usamos diversos programas de sintetizador para adicionar texturas na estrutura básica das canções.
JP: Quando escrevo as letras e escolho o título, eu tento sentir a música, ouvindo mais e mais e perceber para onde me leva a minha mente. A música é como uma criptografia. Mesmo que nós não criássemos música com um tema específico, eu poderia identificar a sua origem e projetar a mensagem com as palavras. Quanto à bateria, tentamos sempre dar as indicações tão detalhadas quanto possível ao nosso baterista. A programação de bateria pode ser um processo moroso, mas não deve ser negligenciado para o nosso tipo de música porque ele pode realmente mudar o efeito da música. Naturalmente, o nosso baterista toca muito melhor do que uma performance MIDI com a sua técnica, sensibilidade e ideias e, no final, muitas vezes há mudanças em comparação com as peças programadas. E essa é a maneira que esperamos que seja, já que se trata apenas de uma orientação que fazemos para facilitar o processo de escrita. No futuro, porém, gostaríamos de envolver toda a banda no processo de composição. O Mark tem vindo a contribuir com as suas ideias e nós estamos muito animados sobre os novos caminhos para nos podemos expandir.

As reviews tem sido muito boas. Estavam à espera de obterem tanto sucesso?
JP: Nós, naturalmente, esperávamos respostas positivas, porque gostamos do que fizemos, mas não tínhamos certezas. A única coisa que sabíamos era que não é produtivo ter medo de críticas. Seria ótimo se as pessoas se sentissem da mesma forma que nós fazemos sobre The Invalid, mas não podemos controlar os seus pensamentos e emoções. A música é uma experiência pessoal, tanto em fazer como em ouvir. Fizemos a nossa parte para fazer música com honestidade e pô-la cá fora e esperamos pacientemente sem estarmos demasiado preocupados com o que as pessoas pensam dela. Parece que há cada vez mais pessoas que apreciam o que nós expressamos em The Invalid e, claro, essa é a maior gratificação que uma banda pode ter.

Disappear In You é o vosso videoclip do álbum. Por que esse tema em particular?
JP: Achamos que Disappear In You combina elementos musicais e líricos que podem apelar a um público amplo. É uma das músicas mais simples do álbum, mas ainda assim tem um secção instrumental interressante. Eu acho que é uma canção bem equilibrada, que tem uma mensagem forte. É sobre ser inconscientemente viciado num relacionamento abusivo que, eventualmente, destrói a autoidentidade e força. O vídeo mostra a consequência de tal dilema – a saída mais extrema para escapar de ficar completamente sugado e ser manipulado a cada momento.

De que forma é que o galardão de Best Female Fronted Band vos ajudou no vosso crescimento enquanto banda?
JP: Foi um bom galardão para colocar na nossa biografia. Para uma banda de iniciantes, essas são coisas que ajudam a construir o reconhecimento por intrigar as pessoas e fazer com que elas vão verificar.

Falem-nos um pouco do processo de gravação. Como decorreu?
DD: Foi tudo gravado em três estúdios diferentes aqui em Los Angeles. Optou-se por gravar um instrumento de cada vez. Isso permitiu-nos realmente dar um passo atrás, escutar o que tínhamos feito e ir alterando algumas coisas ao longo do caminho.
JP: Foi o nosso primeiro álbum completo, por isso não eram coisas que poderíamos ter planeado melhor. Demorámos cerca de 3 semanas para terminar as gravações. Verificámos todos os instrumentos em primeiro lugar nos Ameraycan Studio, em Los Angeles. A parte mais difícil foi a bateria uma vez que o Sammy tinha apenas duas semanas para aprender as músicas antes da gravação. Ainda estávamos numa fase de tentar descobrir os detalhes das peças e torturávamo-lo com diferentes ideias e sugestões. Não nos esquecemos da chamada telefónica que o Sammy fez, um dia antes da sessão. Ele estava muito preocupado, porque pensava que não tinha tempo suficiente e disse-nos que talvez devêssemos ligar ao Virgil Donati para gravar em vez dele. Mas ele saiu-se muito bem porque ele é fenomenal.
DD: Depois, a June ficou doente antes do início das gravações e, infelizmente, não recuperou a tempo. Então decidimos que iríamos gravar a sua parte noutra altura e noutro lugar. O nosso engenheiro tem um pequeno estúdio e passadas poucas semanas June gravou as vozes.
JP: O Dan pensou que poderia acrescentar mais algumas faixas de guitarra para engrossar a variedade de seu tom. Depois disso, ainda não estava satisfeito com o resultado e então trouxe o seu equipamento para um estúdio no seu local de trabalho e gravou mais pistas. Era fim de semana, mas ainda havia algumas pessoas lá. Ele não se importou - ligou o amplificador tão alto que todo o edifício tremeu. Após estas peripécias, fomos para Weed, Califórnia, para misturar com a infame Sylvia Massey. Ela e Rich Veltrop realmente deram vida às faixas. Nós gostámos muito de ter estado em Weed. O velho e assombrado teatro de Sylvia, com paredes roxas foi o lugar perfeito para mim.

E o que está a ser preparado para levar The Invalid em tournée?
Nós temos alguns projetos. Existem algumas tournées alinhadas, mas é demasiado cedo para dizer as datas exatas. Posso dizer que haverá uma tournée pela costa oeste, em meados de junho e algum tempo depois, nas duas costas dos EUA. Fiquem atentos ao nosso site para saber quando se concretizarão. Entretanto, estamos a ensaiar e a terminar uma nova linha de merchandising. E estamos ansiosos para conhecer os nossos novos fãs!

domingo, 27 de março de 2011

Review - Deviance (Web)

Deviance (Web)
(2011, Raw Tsal Prod.)

Poucos são aqueles que em Portugal se podem gabar de estar presentes durante um quarto de século. Os Web orgulham-se disso e com um relevante passado às costas continuam a olhar para o futuro. E continuam, como se apenas agora estivessem a começar, com uma pujança e uma vitalidade dignas de registo. Isso mesmo o confirma Deliverance, o mais recente trabalho da banda, um portento de thrash metal. Pegando em diversas pontas soltas de diversos sub-géneros dentro do thrash, que vão desde os Destruction aos Slayer, passando pelos Kreator e até Megadeth, o quarteto nortenho consegue fundir todas essas influências para criar um disco adulto, maduro e com uma identidade muito forte. Por vezes mais agreste e letal; por vezes mais suave e balanceado, os Web conseguem manter a bitola num patamar elevado de excelência fruto de um conjunto de temas diversificados e bem estruturados. As harmonias são de classe superior, os solos apresentam uma sensacional técnica, a secção rítmica é de um dinamismo assombroso, com as dinâmicas de bateria a assumirem um papel fundamental. A inclusão de elementos acústicos acaba por ser determinante na forma como a banda pretende e consegue criar diferentes cenários musicais. E dentro destes cenários ainda cabe um completamente inesperado: o doom. A primeira abordagem é feita no final de As We Crawl, mas é no fecho longo e épico com The Journey, um tema constituído por cinco partes, que essas alusões são mais notórias. Por isso, grande parte deste tema é um colosso de doom metal que acabara, naturalmente, por evoluir para algo mais thrash, apresentando ainda um soberbo solo neo-clássico. The Journey e, pois, o melhor momento do disco, mas seguido bem de perto por outros momentos que prometem ficar na historia do metal nacional, dos quais destacamos a compassada Mortal Soul, a rápida e técnica Resilient Casket, a hiper-diversificada e com um final bluesy House Of Salvation ou a mais brutal e agonizante Beautiful Obsession. Depois disto só pedimos aos Web que fiquem pelo menos mais 25 anos. A bem do nosso metal.

Tracklisting:
1. Life Aggression
2. Mortal Soul
3. Resilient Casket
4. Awake
5. As We Crawl
6. House Of Salvation
7. (In)Sanity
8. Beautiful Obsession
9. The Journey

Lineup:
Fernando Martins – baixo/vocais
Victor Matos – guitarras
Pedro Soares – bateria
Filipe Ferreira – guitarras

Internet:

Edição: Raw Tsal Prod.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Review - A Madness Within (Sacred Dawn)

A Madness Within (Sacred Dawn)
(2011, Qumram)

Acreditem ou não, a cena prog de Chicago nunca mais foi a mesma desde que os Sacred Dawn surgiram em 2005. Com uma invulgar capacidade de misturar heavy metal progressivo com hard rock e com um desempenho vocal absolutamente fantástico e realmente diferenciador das restante das bandas, rapidamente os Sacred Dawn se impuseram. Agora, depois de algum tempo em estúdio A Madness Within marca o regresso do quinteto com mais um trabalho de requintado bom gosto, de apurada técnica e de elevada capacidade melódica. Apesar da base se poder considerar de metal progressivo, os Sacred Dawn não se confinam nesse espaço e arranjam tempo para introduzirem diversos outros elementos enriquecedores do seu som, elementos esses que vão desde o clássico ao doom. Vocalmente, Lothar Keller revela-se fenomenal na sua forma grave, quente e calma de abordar os temas, o que não implica que quando necessário, não seja capaz de imprimir alguma agressividade, como acontece, por exemplo, em Demon Lover, um tema que, por isso mesmo, acaba por surpreender. Abrindo e fechando com duas magnificas pérolas de melodia e capacidade técnica (The Untold Story e Dawn Of The Day), A Madness Within passa por diversos estados de espírito ao longo do seu tempo de duração. Uns são mais calmos e relaxantes (It Shall Be), outros mais fortes em termos ritmicos (A Madness Within), outros ainda claramente prog na linha de mestres como Dream Theater ou, principalmente, Symphony X (The Decision ou Wrongfully Accused). Mas todos, excelentes momentos de heavy metal bem construído e superiormente executado.

Tracklisting:
1. The Untold Story
2. What you did to me
3. Demon Lover
4. A Madness Within
5. Summer of Treason
6. It Shall be
7. Delirium
8. The Decision
9. Wrongfully Accused
10. Dawn of the day

Lineup:
Brian Kim – teclados
Eddie Foltz – bateria
Joey Vega – baixo
Lothar Keller – vocais e guitarras
MyKull – guitarras

Internet:

Edição: Qumram

quarta-feira, 23 de março de 2011

Review - God Damn Better Best (Zerozonic)

God Damn Better Best (Zerozonic)
(2011, Mayhem Music)

Conhecido essencialmente pelo seu trabalho como guitarrista ao vivo dos Satyricon entre 1996 e 1999 e pela sua participação nos Blood Red Throne, Daniel Olaisen finalmente decidiu dar corpo a um projeto onde pudesse expor os seus gostos mais pessoais. Por isso, em 2004, formou os Zerozonic e em 2008 editou Dead On Arrival. God Damn, Better, Best é, pois, o segundo álbum e foi originalmente lançado pela própria editora da banda Ozo Records em dezembro de 2010 e chega agora a distribuição mundial pela Mayhem Music. Trata-se de uma proposta de metal potente, algures entre o thrash metal e o groove metal, numa clara demonstração que o legado Pantera continua bem vivo. Os Zerozonic são, então, a maior evidência da influência que a banda americana teve, com a curiosidade de conseguir captar e encaixar na sua sonoridade não só elementos da sua fase mais conhecida e pesada, como também do período inicial numa linha mais soft. No entanto, o quarteto incorpora outra ambiências, sendo que é possível encontra apontamentos referenciais a Rage Against The Machine, nomeadamente ao nível rítmico. Apesar de tudo, o destaque vai para Leo Moracchioli, um vocalista completamente atípico. Em termos de cantar, o seu registo varia entre um limpo e calmo até ao mais angustiante e diabólico que se consiga imaginar. Mas o seu desempenho vai muito para além disso. Frequentemente a sua voz funciona como mais um instrumento a produzir ruídos insanos que tornam a música dos Zerozonic ainda mais negra, agressiva e esquizofrénica. Musicalmente God Damn Better Best é um álbum muito enérgico, com muito groove (como não podia deixar de ser), com paredes sonoras muito densas, muito forte ritmicamente, com alguns apontamentos de um psicadelismo sinistro e obscuro e com alguns momentos interessantes ao nível das harmonias e melodias, nomeadamente sob a forma de Positivenegative, Humane, a semi-balada No Tomorrow e a instrumental Instrumentalcase.

Tracklisting:
1. Positivenegative
2. Symptons
3. Humane
4. Enter Night And Day
5. Live Today
6. No Tomorrow
7. Fake
8. Intrumentalcase
9. Alcoholic Mayhem

Lineup:
Leo Moracchioli – vocais
Daniel Olaisen – guitarras
Martin Berger – baixo
Jon Eirik Bokn – bateria

Internet:

Edição: Mayhem Music

Entrevista - Myland

Oriundos de Milão, os Myland são uma banda de AOR que acaba de assinar Light Of A New Day, o seu terceiro registo de originais. No entanto, como nos explica Orazio Martin este é o primeiro disco criado como uma verdadeira banda. Este foi um dos muitos motivos da conversa com o simpático guitarrista italiano.

A começar, podes apresentar-nos os Myland?
Olá Pedro, obrigado pela entrevista. É um prazer para mim responder às tuas perguntas! Também muito obrigado em nome dos meus colegas da banda para a oportunidade que vocês, em Via Nocturna, nos estão a dar. É muito gratificante! Quanto à tua primeira pergunta... concerteza, vai ser um prazer apresentar a banda! Na bateria temos o poderoso Paolo Morbini, líder dos Myland desde o primeiro dia, companheiro há muito tempo, músico muito experiente e um talento inacreditável para arranjos de guitarra e teclado. Ele é o homem! No baixo temos o Fabian Andrechen! Grande sentido de oportunidade e sempre a atcar o seu instrumento com um groove fabuloso! É um músico que está sempre à procura de caminhos alternativos, o que é sempre bom para compor! É uma pessoa maravilhosa... mas nunca tentes enganá-lo... e isso não é um conselho! Franco Campanella é o nosso vocalista. Muito talentoso, com grande estilo e versatilidade de tal forma que pode cantar até blues! Davide Faccio é o nosso teclista. Um músico incrível, um dos mais completos que eu já tive o prazer de trabalhar: ele pode tocar de forma clássica, pode tocar jazz e tudo mais! E se achas que ele é um bom teclista ... bem ... devias ouvi-lo tocar baixo! Incrível! Finalmente, existo eu na guitarra.

Como é que vocês se definiriam como banda?
Bem... a primeira definição que passa pela minha cabeça é que nós somos realmente uma banda, enfim! Pode parecer uma estranha espécie de resposta, mas esta é a verdade. Myland não é um projeto de estúdio como costumava ser até ao álbum No Man’s Land, onde Paolo e Guido controlavam o processo de escrita e contratavam um conjunto de músicos de sessão para levar essas músicas para a vida real, e isso faz toda a diferença! Gastámos muito do nosso tempo para transformar os Myland numa banda de verdade, porque todos nós sabíamos que esta era a principal coisa que faltava para completar o quadro: uma banda que grava e toca em palco regularmente. O sentimento entre os cinco de nós é bom. Nós somos pessoas normais, com enorme paixão pela música e nós só queremos divertir-nos com o que fazemos. Temos famílias regulares, empregos regulares ... nada de rockstars da treta aqui. Dito isto, se eu tivesse que definir o nosso estilo... bem, pode ser loucura, mas eu acho que funciona assim: tenta juntar Van Halen (da era Sammy Hagar), com Toto (da era Isolation e Seventh One) e ficas com uma ideia bastante clara do som Myland.

O que nos podes dizer sobre Light Of A New Day?
Eu descreveria Light Of A New Day como um album what-you-see-is-what-you-get. Sem truques. O que ouves no CD soa exatamente como a banda soa no palco. Trabalhámos muito para que isso aconteça, porque nós quisemos fornecer aos fãs um trabalho o mais honesto possível. É o que somos agora! Espero que vocês gostem!

Sendo este o vosso terceiro álbum, que diferenças apontas entre este e os antecessores?
A direção musical não mudou muito em comparação com os álbuns anteriores. Para Light Of A New Day queríamos um som poderoso, dinâmico, hard rock, assim como muito melódico, com arranjos sofisticados. Por isso, diria que soa muito parecido com os anteriores, mas com algo mais. Um toque que vem das novas personalidades envolvidas. A primeira diferença que vem imediatamente à vista é o novo vocalista, é claro. A voz de Franco soa muito diferente da do Guido Priori. Não estou a dizer que o Franco é melhor, é apenas diferente, e considero que o seu estilo quente, apaixonado e poderoso, com algumas notáveis influências do blues, realmente combina muito bem com o nosso estilo musical. Mas, se comparares com atenção vais descobrir que o novo álbum tem muito mais variedade em termos de estilos musicais explorados e soa um pouco mais agressivo também. Além disso, agora temos duas baladas. O anterior tem apenas um soft rock mid tempo. Sim, o novo definitivamente mostra um pouco mais de variedade e ousa um pouco mais em termos de composições e arranjos. Acho que também se fez um pequeno passo em frente para o rock moderno, aqui e ali, mas é ainda muito eighties. Queríamos que as nossas músicas fossem mais atraentes das que tínhamos em No Man's Land. Temos tido e-mails de fãs pedindo explicação para esta ou aquela canção que ficou fora de No Man's Land, porque sentem que havia uma espécie de elo que faltava para a mensagem chegar. Portanto, nós queríamos que os novos temas fossem mais focados e tivessem um significado mais claro: e de facto, este disco é definitivamente mais fácil de entender. Finalmente, como eu disse antes, a principal diferença é que agora somos uma verdadeira banda de tocar e a compor.

Pelo que descreves, dá a sensação que a mudança de line-up dos Myland afetou o processo criativo para este novo álbum?
Definitivamente sim. Até o No Man's Land, apenas o Paolo e o Guido costumavam contar com membros de sessão para fazer as coisas acontecerem. Agora somos uma banda de cinco pessoas que ficam igualmente envolvidas na criação e organização de todo o material. Tivemos ensaios regulares para criar Light Of A New Day. 4 horas sem interrupção, uma vez por semana. Pode parecer muito, mas não foi e a sensação foi muito boa e conseguimos acabar uma canção nova na maioria das vezes como o tempo dos ensaios! Em cerca de 20 semanas tinhamos as nossas canções concluídas. Depois trabalhámos na parte vocal durante um par de meses e, finalmente, dedicamos cerca de um mês para os acertos finais e para a letra definitiva.

E como tem sido as reações a este novo álbum?
Até agora, Light Of A New Day tem recebido muita atenção da comunicação social e críticas muito boas de web-zines por todo o mundo. Tem tido alguns bons comentários e boas classificações na maioria deles. É claro que nesta fase é muito cedo para dizer qualquer coisa, mas eu acho que o primeiro objetivo que estabelecemos para nós, que sempre foi o de ser capaz de atingir o sucesso que conseguimos com o CD anterior, pelo menos, tem sido realizado em termos de entusiasmo e e de burburinho causado! Agora vamos olhar para as vendas também, que se tornou a parte mais dolorosa do jogo, devido ao mau hábito crescente dos downloads ilegais, mas com certeza que o que foi alcançado até agora é uma boa maneira para começar, e sentimo-nos muito satisfeitos.

Vocês já são considerados heróis locais. Achas que vai ser agora que os Myland terão maior exposição internacional?
Oh isso seria definitivamente muito bom! Mas nós sabemos que é um processo muito longo e que começa estando-se pronto para agarrar a grande oportunidade quando ela surgir. Desde que tenhas essas oportunidades e tomes as decisões certas, outras oportunidades, eventualmente melhores, virão. Isto até ao ponto em que se percebe que realmente a banda está a ter alguma exposição internacional. Nós estamos a trabalhar neste passo a passo, porque estamos bem conscientes de que todos dependemos de estar no lugar certo na hora certa!

Há já alguma coisa preparada para levar Light Of A New Day para a estrada?
Nós já temos vários espetáculos locais previstos aqui no Norte de Itália para manter o ritmo em alta. Além disso, o pessoal da Point Music está a fazer o seu melhor para realizarmos alguns showcases na Alemanha. Nada está confirmado ainda, mas sabemos que vamos ter um forte apoio do seu lado, com certeza! Depois, em junho, já estamos confirmados para um festival open-air em Banja Luka (Bósnia Herzegovina). E temos alguns contatos para fazer alguns espetáculos na Roménia. Vamos ver o que acontece! Confiram tudo em www.mylandmusic.com e www.myspace.com/mylandrock a qualquer momento para se manterem atualizados!
Obrigado a ti, Pedro. Eu realmente passei um bom bocado a responder a esta entrevista e estou grato a ti e a todo o pessoal de Via Nocturna!

domingo, 20 de março de 2011

Entrevista - Head:Stoned

A mudança de Headstone para Head:Stoned não se mostrou significativa em termos de sonoridade e a banda do Porto que consegue fazer reviver, como ninguém, o velho espírito do thrash metal assina com I Am All o seu primeiro longa duração, legitimo sucessor do aclamado EP, Within The Dark. Vitor Fanco (vocalista) e Augusto Peixoto (baterista) apresentam o processo de crescimento de uma banda cada vez mais em destaque no panorama nacional.

Desde o lançamento do EP que vocês se viram envolvidos num processo legal devido ao vosso nome. O que aconteceu realmente e a situação está agora definitivamente encerrada?
Vítor Franco (VF): Não chegamos a estar envolvidos em nenhum processo legal…
Augusto Peixoto (AP): Fomos contactados por uma banda sueca a reivindicar os direitos sobre o nome Headstone e, muito sinceramente, na altura não ligamos nenhuma nem nos mostramos minimamente preocupados com tal abordagem!
VF: A questão deles, no fundo, até era legítima. A atitude é que foi completamente mesquinha, entraram logo com a ameaça de meter os advogados deles ao barulho, etc. Como, na altura, nem sequer éramos conhecidos cá no Porto, quanto mais no resto da Europa, nem tínhamos qualquer registo gravado, resolvemos ignorar, pura e simplesmente.
AP: Entretanto começamos a preparar o álbum I Am All e como a Major Label Industries resolveu assinar connosco a edição do álbum, relembrei esse pormenor dos direitos do nome e achou-se por bem mudar o nome para não haver qualquer tipo de conflito! E foi precisamente o que fizemos, fizemos uma pequena alteração, a fonética é praticamente a mesma e com isso desligamo-nos desta situação.

E esse tipo de questões de alguma forma afetou a vossa concentração no processo de composição?
AP: Com certeza que não, nada mesmo! Mau seria se tal acontecesse!
VF: De todo! Aliás, quando o nome foi alterado, já o álbum estava gravado. Esperamos até que uma editora “pegasse” em nós para expor essa situação. Eles, melhor que nós, saberiam se seria realmente necessário mudar de nome ou não.

Sentindo que tinham criado um excelente EP e sabendo que as expectativas tinham subido, de que forma é que vocês partiram para a composição de I Am All?
AP: Precisamente da mesma forma que o E.P. foi composto! Aliás, o álbum, tem alguns temas bem mais antigos que os que apareceram no E.P. e a nossa forma de compor é a mesma de sempre, os 5 elementos na sala de ensaio a debitar ideias e a definir os temas! Muito sinceramente não tínhamos expectativas nem preocupações sobre como o álbum iria soar e, se iríamos defraudar fosse quem fosse!
VF: Não tínhamos expectativas… apenas temas já compostos e ideias para outros. O processo foi, basicamente, o mesmo. Não nos levamos demasiado a sério para nos preocuparmos com isso.

E agora, com o trabalho cá fora, estão totalmente satisfeitos com o resultado final? Era esse o produto que imaginavam ser capazes de produzir?
AP: Estamos plenamente satisfeitos, com os temas, com a produção, com tudo! Foi o melhor que soubemos fazer na altura e, pelo menos eu, não mudaria seja o que fosse!
VF: Há sempre alguma coisa que, dezenas de audições depois, poderia ser feita de outra forma. Mas, por essa via, ainda hoje estaríamos em estúdio.

Sobre o álbum, como decorreram os processos de composição e de gravação?
AP: O mais descontraidamente possível e sem pressão rigorosamente alguma, quer na sala de ensaio a compor, quer no estúdio a gravar!

QuaI o significado de I Am All?
AP: Quando o Vítor me disse que um dos temas se chamava I Am All disse-lhe logo que o álbum teria que ser chamado assim! O título em si, simbolicamente, é tudo aquilo que os Head:Stoned são dentro do Metal, toda a paixão, o “amor à camisola” e todas as nossas influências, praticamente, são uma mistura de todos os estilos que o Metal apresenta! Nós Head:Stoned somos tudo Metal!
VF: Quanto ao título do tema (que o era antes de ser também o nome do álbum), é algo pessoal, como o resto das letras, que reflete o vasto padrão de emoções e estados de espírito que todos temos (eu, pelo menos, tenho) conforme as diferentes situações em que nos encontramos. De resto, é um título forte e direto, que acabou por ser a melhor solução para dar nome ao álbum.

Como definiriam a música exposta em I Am All?
AP: Puro e duro! Com peso e harmonia! Metal!
VF: Algo entre o pimba virtuoso e o grindcore agrícola melódico……….
AP: Ahahah! E não te esqueças do toque pornográfico que a Maria Alice debita!

O disco acaba por ser um lançamento da MLI. Como se processou a fase de contactos?
AP: Já estavam cientes do nosso trabalho, aquando da edição do EP, e ficaram de dar uma opinião quando o álbum estivesse gravado! E não foi preciso muito para assinarem connosco! Conseguimos encantá-los de rajada! Ahah!

E perspetivas para a internacionalização deste vosso lançamento?
AP: Está nas mãos da editora! A nossa preocupação é interna e dar sempre o nosso melhor cá dentro! O que a editora conseguir fora de portas, será excelente para a banda e, consequentemente, para a editora!

Onde vamos poder ver I Am All promovido em termos de espetáculos ao vivo?
AP: No próximo dia26 março vamos tocar num dos Festivais mais importante do país, o Moita Metal Fest! De resto, nada mais está marcado! Há umas ideias que temos andado a estudar, mas ainda nada de concreto! Já agora o nosso muito obrigado pela oportunidade que nos facultam em podermos dar esta entrevista!

Review - The Enigma Of Life (Sirenia)

The Enigma Of Life (Sirenia)
(2011, Nuclear Blast)

Agora que Morten Veland tem os novos Mortemia para descarregar os seus momentos mais obscuros e agressivos, pode dedicar aos Sirenia toda a sua capacidade de criar belíssimas canções. Os detratores da banda sempre podem afirmar que o músico norueguês não se tem desviado um milímetro do caminho trilhado nos últimos anos. E isso até é verdade. Agora, quando alguém consegue criar belezas como Winter Land, A Seaside Serenade ou Coming Down só para dar alguns exemplos, para que mudar muito? O que Morten Veland faz com os Sireria é lindo e pronto. Para este The Enigma Of Life, o que surpreende é o abandono da matemática (já cá não há números) e a manutenção da vocalista, a espanhola Aylin. De resto é a continuação mais que lógica de The 13th Floor. Todavia, uma continuação mais aprimorada no que toca a melodias, coros e registos sinfónicos. Acaba por ser um passo em frente, não no género, mas na capacidade de criar belas canções de melodias memoráveis. Os guturais continuam presentes mas de uma forma reduzida, os vocais limpos de Veland também continuam presentes, os coros estão ainda mais majestosos e as orquestrações mais ricas. Curiosamente, para além dos temas já referidos, The Enigma Of Life apresenta mais um conjunto de temas que não apresentando uma melodia tão imediata acabam por ser brilhantes na forma como se desenvolvem, crescem e se alteram dentro de si mesmos. São temas em que a riqueza estrutural e composicional é mais acentuada. Referimo-nos a This Darkness, The Twilight In Your Eyes, e muito principalmente o soberbo tema-título, onde Aylin se mostra com um domínio nos crescendos como nunca tínhamos ouvido. Se é pop-metal ou não pouco interessa. O que interessa é que este é mais uma obra-prima de melodia e sentimento saído da alma e do coração de Veland.

Tracklisting:
1. The End Of It All
2. Fallen Angel
3. All My Dreams
4. This Darkness
5. The Twilight In Your Eyes
6. Winter Land
7. A Seaside Serenade
8. Darkened Days To Come
9. Coming Down
10. This Lonely Lake
11. Fading Star
12. The Enigma OF Life

Lineup:
Ailyn – vocais
Morten Veland – vocais, guitarras, baixo, bateria, teclados
Stephanie Valentin - violino

Internet:

Edição: Nuclear Blast

quinta-feira, 17 de março de 2011

Review - False Mystical Prose (Gallow God)

False Mystical Prose (Gallow God)
(2010, PsycheDOOMelic Records)

False Mystical Prose é a estreia da banda de doom metal britânica Gallow God. Uma banda que começou em 2009, na altura apenas como um projeto de dois músicos, embora o trabalho na criação já venha de mais de trás, nomeadamente de 2007. Este trabalho trata-se de uma proposta de 4 temas de doom tradicional preenchido com alguns apontamentos épicos. No entanto, pontualmente ainda podemos encontrar elementos de funeral doom metal. Riffs pesados, graves e profundos, linhas vocais melódicas a lembrar, por vezes, o velho Ozzy Osbourne/Black Sabbath fazem deste EP de pouco menos de 40 minutos um must para os fãs do género. Lento, obscuro, introspetivo, emocional são alguns dos objetivos que se podem aplicar a esta auspiciosa estreia. A acompanhar.

Tracklisting:
1.The Sin and Doom of Godless Men
2.The Emissary
3.Summon the Rune Wizard
4.Ship of Nails

Lineup:
Daniel Tibbals – vocais/guitarras
Ricardo Veronese - guitarras
Martin Singleton - baixo
Jim Panlilio - bateria

Internet:

Review - The Invalid (Clandestine)

The Invalid (Clandestine)
(2011, Nightmare)

Para quem não conhece, os Clandestine formaram-se em 2006 e chegaram a ser galardoados com um prémio da Rock City News, uma revista de Los Angeles, como Best Female Fronted Band. Será surpreendente? Talvez sim para quem não conhece este fantástica estreia. The Invalid é uma obra que se baseia, claro está, em nomes como Lacuna Coil ou Evanescence mas que, na realidade, deixa estas bandas a anos-luz de qualidade. De uma forma resumida, tem mais poder, mais atitude, mais criatividade… em suma mais classe! As composições são muito elaboradas, muito sofisticadas com o quarteto a desenvolver o seu rock/metal pleno de elementos progressivos e dinâmicas por vezes indescritíveis. Depois, os Clandestine não se coíbem de arriscar e meter a mão a tudo que pode enriquecer os temas, seja metal, hardcore, guturais ou eletrónica. O resultado? Simplesmente sensacional. June Park lidera um conjunto de músicos de elevada craveira técnica que consegue executar todas as ideias altamente criativas que saem do processo de composição. De tal forma, os temas não são nada lineares, apresentando diversas variações e muita riqueza nas estruturas e nos arranjos. Philistine é o melhor exemplo. Mas outros se seguem de muito perto, como por exemplo, Fearless, Silent Sin (num registo mais calmo), The Invalid ou Pretend. Para quem já anda cheio de senhoras a cantar, experimentam Clandestine!

Tracklisting:
1. Fearless
2. Disappear In You
3. Silent Sin
4. Philistine
5. Pretend
6. Fracture
7. Dead To The World
8. Phantom Pain
9. The Invalid
10. Comatose

Lineup:
June Park – vocais
Dan Durakovich – guitarras
Sammy J. Watson – bateria
Mark Valencia – baixo

Internet:

Edição: Nightmare