sábado, 30 de abril de 2011

Entrevista - utopian.hope.dystopian.nihilism

Élvio Rodrigues, multi-instrumentista conhecido pelo seu trabalho nos Through Darkness criou em nome individual os utopian.hope.dystopian.nihilism que com Pact With Solitude apresenta uma verdadeiro manifesto de independência e liberdade criativa. A Via Nocturna, o músico explicou o processo de gestação desse pacto.

Para começar podes fazer a apresentação dos utopian.hope.dystopian.nihilism (uhdn)?
Uhdn é o meu projeto a solo. Neste projeto, tento ser o mais livre possível, sem nunca me prender a nenhum género em específico. Penso que o álbum Pact With Solitude já demonstra alguma dessa liberdade.

Qual o significado de este nome tão longo e estranho?
Percebo porque é que as pessoas acham o nome tão estranho, no entanto, foi mesmo o único nome que fazia sentido na minha cabeça. Ao inicio ainda questionei se o nome não seria demasiado grande. Mas, no fim de contas, a única coisa que interessa é se é um nome com o qual te sentes confortável ou não. Daí este nome, que no fundo representa equilíbrio, ou a ausência deste, caso a balança tenda mais para um lado do que para o outro. Por um lado temos utopian hope e por outro dystopian nihilism. À partida, parece existir uma ligação clara, entre uma parte do nome e a cor branca (positivismo), assim como, da outra parte do nome com a cor negra (negativismo). Ainda não decidi qual delas é a mais negra.

Este projeto já existe há algum tempo, mas tem estado um pouco inativo. Faltava-te a necessária inspiração para criar uma obra como Pact With Solitude?
Não, a inspiração esteve sempre lá. No entanto, o processo foi algo lento e progressivo. Com "progressivo" quero dizer que houve pormenores que inicialmente não estavam pensados que acabaram por ir surgindo com o tempo. Até porque na altura, nem estava nos meus planos gravar baixo... e as próprias vocalizações estavam ainda em aberto. Levei todo o tempo que tinha disponível para ir experimentando, sem pressão, até chegar a algo com o qual me sentisse completamente satisfeito. Além disso, a demora também se deve ao facto de não ter assim tanto tempo livre para me dedicar à música quanto gostaria.

Mesmo assim, pelo que pude ler, não foi fácil levares esta empreitada até ao fim. Que constrangimentos encontraste durante o processo?
Penso que o que leste, refere-se à situação que antecedeu (e que de certa forma alimentou) a criação deste projeto a solo. Essa situação deveu-se à dificuldade em encontrar alguém interessado em formar banda e que a quisesse levar para a frente. Mas, nesta fase, já aceitei o meu projeto a solo como sendo a melhor alternativa, pelo menos até prova de contrário. No entanto, durante o próprio processo de composição/gravação surgiram algumas dificuldades. Não escondo de ninguém que, por esta altura, já sinto alguma repulsa em relação a bateria programada. No entanto, isto era uma daquelas situações em que, ou gravava as músicas na altura certa, ou não gravava absolutamente nada, simplesmente porque as circunstâncias não eram as melhores. Mas, se pensarmos assim, nunca fazemos nada. Esta repulsa em relação à bateria programada, tem algum impacto nas últimas faixas que gravei do álbum. Há duas que têm partes gravadas com uma percussão improvisada, que pode escapar aos ouvintes menos atentos. De resto, foi a já referida "falta de tempo", assim como, a dificuldade em encontrar alguém para fazer a capa do álbum.

Apesar de aparentar conter apenas 4 temas, Pact With Solitude tem mais. Porque optaste por juntar algumas faixas?
Optei por juntar algumas músicas na mesma faixa, porque estas têm uma relação muito forte a nível conceptual. Foi apenas uma forma de permitir que os ouvintes tenham outra compreensão do álbum.

Em termos genéricos, como descreverias Pact With Solitude?
Pact With Solitude é um álbum que não se fixa a nenhum género e tenta ser o mais variado possível, sem receios ou preconceitos. É simplesmente um álbum honesto, que vem da alma.

Em termos de composição, este trabalho é todo criado única e exclusivamente por ti? Como se processa o teu processo criativo?
Sim, este trabalho foi criado única e exclusivamente por mim. Quanto ao processo criativo... nem sempre acontece da mesma maneira. Nem sei se existe algum padrão. Nunca pensei muito sobre isso. Mas, acho que geralmente parte sempre do "sentir alguma coisa"... isso leva-me a uma situação de escrita de uma letra ou à composição de uma determinada parte de uma música. Esta segunda porque, há coisas que não podem ser expressas por palavras.

Para a execução, foi quase todo interpretado por ti, com exceção da participação de Bruno Pereira nos vocais de Pandora’s Box. Duas questões: é uma opção ou necessidade funcionares como multi-instrumentista? E porque o convite apenas a um vocalista?
Inicialmente era apenas uma consequência natural das circunstâncias. Neste momento é bem possível que comece a ser uma necessidade. Acaba por me dar uma certa liberdade que aprecio muito. O convite a apenas um vocalista, não tem nenhuma razão especial... simplesmente aconteceu assim. Não pretendo transformar isto num projeto no qual convido vocalistas para participarem nas músicas. Alias, uma das razões da existência deste projeto é a necessidade de me expressar também vocalmente. As vocalizações continuarão a existir enquanto houver alguma coisa para dizer... mas se não houver nada para dizer, com certeza irei optar por outros "meios de comunicação". Apesar de tudo, não quer dizer que não esteja aberto a colaborações. Vocais ou outras.

E quanto à gravação? Como decorreu o processo?
O processo de gravação acaba por misturar-se com o próprio processo de composição. É por isso que o álbum acabou por ser gravado em casa. À medida que ia compondo, ia gravando também. Acho que isto torna a gravação mais especial, porque eu acabo por gravar tudo nos primeiros momentos depois da composição. Há sempre algo de especial nesses primeiros takes. Quando comecei a aperceber-me que estas faixas iriam dar origem a um álbum, tinha duas hipóteses: ou continuava as gravações, normalmente em casa, ou então regravava tudo em estúdio. A minha escolha foi esta, justamente porque acho que se perde algo nas regravações.

Em que pé está a situação dos Through Darkness?
Os Through Darkness continuam à procura de pessoal interessado em integrar a banda. Quando gravámos o EP, fizemos simplesmente o que queríamos fazer sem nos preocuparmos demasiado com o facto de não sermos uma banda convencional. Após a gravação do mesmo, surgiu em nós a expectativa de completar o line-up de modo a começarmos a tocar ao vivo, etc... Tal não ocorreu - por diversas razões, a maior parte delas exteriores a Through Darkness - o que teve algum impacto em nós. Ou pelo menos em mim. No entanto, talvez estejamos a um passo de nos fecharmos e regressarmos à velha base.

Achas que haverá hipóteses de termos os uhdn a promover este trabalho ao vivo?
Não vejo isso a acontecer, pelo menos numa fase inicial. No entanto, nunca se sabe o que pode acontecer.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Review - The Unforgiving (Within Temptation)

The Unforgiving (Within Temptation)
(2011, Roadrunner)

Nome incontornável do metal gótico/sinfónico, os holandeses Within Temptation dispensam qualquer tipo de apresentações e, com The Unforgiving, assinam mais uma obra com a sua chancela de qualidade. Mas, apesar de possuir a sua indelével marca, The Unforgiving não se limita a ser uma cópia dos álbuns anteriores. Aqui parece que o coletivo investe em novas nuances, nomeadamente tornando-se, a espaços, mais rockeiro, mais direto, mais cru e mais despido. No entanto, claro que a alma Within Temptation continua muito presente nos coros, nas fantásticas melodias, nas orquestrações, fazendo deste coletivo um nome de eleição. Eventualmente menos celestial, menos angelical, porventura ligeiramente menos sinfónico, The Unforgiving é, contudo, um trabalho muito linear e extremamente homogéneo e regular, numa bitola de bom nível. Uma coisa é certa: para este trabalho, a banda optou por ser um pouco menos óbvia e é por isso, que aparecem momentos acústicos, eletrónicos e, acima de tudo, a guitarra aparece a solar com mais eficiência e com mais a propósito, sacando alguns solos de belíssimo efeito. Ou seja, quem gosta das melodias memoráveis do passado, vai continuar a gostar deste trabalho. Quem acha que o coletivo é um vendido vai continuar a detestar. Quanto a nós, consideramos que é um dos melhores trabalhos do ano e temas como Shot In The Dark, In The Moddle Of The Night, Lost ou Demon's Fate do melhor que a banda já conseguiu criar.

Tracklist:
1. Why Not Me
2. Shot In The Dark
3. In The Middle Of The Night
4. Faster
5. Fire And Ice
6. Iron
7. Where Is The Edge
8. Sinéad
9. Lost
10. Murder
11. A Demon’s Fate
12. Stairway To The Skies

Line-up:
Sharon den Adel – vocais
Robert Westerholt – guitarra ritmo
Jeroen van Veen – baixo
Ruud Adrianus Jolie – guitarra solo
Martijn Spierenburg – teclados
Mike Coolen – bateria

Internet:

Edição: Roadrunner Records  

Playlist 28 de abril de 2011

Review - When Mountains Roar (Wall Of Sleep)

When Mountains Roar (Wall Of Sleep)
(2010, PsycheDOOMelic Records)

Já aqui falámos do desmembramento dos Mood, iconográfica banda doom húngara e dos Stereochrist, um dos novos rebentos surgidos no período pós-Mood. Pois bem, agora regressamos à Hungria para revisitar o quarto álbum de originais dos Wall Of Sleep, banda nascida em 2001 também ela das cinzas dos tais... Mood. When Mountains Roar é, pois o quatro trabalho do quinteto e sucede à pequena desilusão que foi … And Hell Followed With Him, após um silêncio de três anos. Desde logo, a maior saliência vai para a estreia de um novo vovalista, Cselényi Csaba, elemento importante na sonoridade geral do coletivo pela maior variedade introduzida. Historicamente, a banda pratica um doom metal tradicional fortemente influenciado pelos ritmos lentos e mid-tempo de nomes como Black Sabbath (era previsível para uma banda que adotou como nome um dos temas do mestres britânicos!), apesar de estar mais próximo da era Dio que, propriamente da era Ozzy. Todavia, neste When Mountains Roar, a banda arrisca entrar noutros campos e promove a inclusão de atmosferas umas vezes mais bluesy, outras vezes mais heavy rock tradicional, lembrando, a espaços, os seminais Accept. Como se facilmente se apercebe, When Mountains Roar acaba, por se assumir claramente old-school, apresentando um soberbo conjunto de oito temas, com riffs monumentais, diálogos de guitarras assombrosos e, lá está, um soberbo desempenho vocal. Tudo conjugado, para a criação dum trabalho de excelência, provavelmente o melhor álbum da carreira dos húngaros.

Tracklist:
1. Hungry Spirits
2. Receive The Pain
3. Into The Light
4. Raven Avenue
5. Hell Sells
6. Bitter Smile
7. Trapped In Sorrow
8. Army Of The Dead

Line-up:
Sandor Fuleki – guitarras
Cselényi Csaba – vocais
Barnabás Preidl – baixo
Szabolcs Szolcsányi – bateria
Balázs Kemencei - guitarras

Internet:

Entrevista - The Allstar Project

Com Into The Ivory Tower, os The Allstar Project assinam uma obra fundamental do post-rock nacional. Trata-se de uma viagem de sensações e tipologias incomuns, propicia, simultaneamente, ao arrepio e ao deslumbre. O guitarrista Nunez, acompanhou-nos nessa viagem.

Depois de Your Reward… A Bullet, já se passaram 4 anos. O que passou entretanto no seio dos TAP?
No seio da banda nada de mais se passou, continuamos a fazer o mesmo que fazíamos. O que mudou foi a vida de cada um de nós de, com novos projetos profissionais e familiares!

Naturalmente, o vosso processo de crescimento e amadurecimento, deve estar bem patente em Into The Ivory Tower. De que forma isso se reflete?
Não te consigo dar exemplos concretos acerca disso, mas acredito que sim, que este álbum é mais maduro que o anterior. Acho que o que temos agora é mais a certeza do que queremos fazer e não aceitamos com tanta facilidade fazer cedências no que quer que seja. Temos 10 anos de banda, o que não é muito comum hoje em dia e acreditamos que continuaremos a fazer isto até ao dia em que deixe de fazer sentido fazer o que fazemos.

E que expectativas têm para este vosso lançamento?
As mesmas que tínhamos para todos os outros. Sabemos que neste momento somos alvo de maior atenção que no passado, mas em nada isso nos afeta ou condiciona. Tentamos fazer sempre o melhor que sabemos para que a nossa música chegue às pessoas. Gostávamos obviamente que as pessoas adquirissem o objeto físico, que é o disco, pois isso dá as bandas mais força para continuarem a trabalhar e a fazer melhor. Por isso neste disco incluímos um código de acesso a conteúdos exclusivos no nosso website, que serão disponibilizados ao longo do tempo. Esta é também uma forma de manter o contacto com quem nos segue, além dos discos.

De que forma este novo álbum se assemelha ou se distancia da vossa estreia?
A nossa estreia foi em 2003 com um EP chamado The Berlengas Connection e desde aí muito tempo passou, a base musical continua a ser mais ou menos a mesma, mas a forma como se tudo se constrói é radicalmente diferente. A banda nessa altura vivia muito mais do imaginário cinematográfico para compor, enquanto hoje vive mais das realidades do dia a dia (ainda que estas pareçam tiradas de um filme!)

Para a capa escolheram uma pintura de Thomas Cole. Qual a razão de tal escolha e de que forma essa pintura se ajusta à sonoridade TAP?
Antes de mais convém referir que no que a pintura diz respeito, sou um leigo. Mas como em todas as formas de arte, julgo que o que interessa é o impacto que esta tem nas pessoas e não os empirismos à volta dela. Desde o álbum anterior que eu andava impressionado com um grupo de pintores, a que deram o nome de Hudson River School. Há alguma coisa nas suas obras que de certo modo me diz alguma coisa. Esta pintura faz parte de uma série de 5 pinturas que contam uma história e foi isso, aliado à força que a imagem tem, que nos levaram a escolhe-la para capa deste álbum.

E para únicas partes não exclusivamente instrumentais, escolheram o poema Darkness de Lord Byron. A mesma questão se coloca: porque este poema em especial?
Volto a referir que, à semelhança da pintura e até ler este poema, a poesia era uma coisa que muito pouco me dizia. Gosto que de vez em quando e quando menos se espera que estas coisas aconteçam. Andamos na net a ver uma coisa e surpreendemo-nos com outra. Foi o que aconteceu! Quando li este poema senti que ele expressava de certa forma aquilo que procurávamos exprimir com a música. Aproveitámos para incluir um excerto desse poema e, à semelhança da pintura, chamar as pessoas interessadas a conhecer a totalidade da obra.

Em Into The Ivory Tower contam com dois convidados nas cordas. Como surgiu a ideia de integrar violino e violoncelo em alguns dos temas?
Essa é uma ideia que nos acompanhou desde sempre, incluir alguns arranjos de cordas nas nossas músicas. Durante a composição dos temas em questão o nosso baixista ia dizendo, “tenho umas ideias para cordas nestas músicas…” até que um dia, já quase quando estávamos para entrar em estúdio apareceu com as ideias gravadas e mostrou ao resto da banda. Tudo fez mais sentido e avançamos com a ideia de que tínhamos de arranjar quem as tocasse. Só temos de agradecer a quem o fez.

Participaram com um tema para a compilação do projeto ECO. Podes explicar que tipo de projeto é esse e como surgiu o convite?
A Eco é uma associação local que leva a cabo várias atividades culturais na zona de Leiria. Propuseram a várias bandas que escolhessem um filme e compusessem um tema para o mesmo. Não podíamos recusar… foi um projeto que nos aliciou, logo à partida.

Depois disso tiveram a oportunidade de ir ao Canal Q da Meo. Como decorreu essa apresentação?
Correu muito bem! Tivemos de adaptar o tema às condições do canal e ainda bem. Ficamos agradavelmente surpreendidos com o resultado final.

Pelo que pude ver no vosso site, o álbum foi gravado em … cinco dias e com algumas peripécias pelo meio…
Sim, a maior parte do álbum foi gravado em cinco dias nos Loudstudios em Coimbra com o Toni Lourenço, depois o resto do trabalho foi feito no TAP Headquarters, que é o nosso estúdio. Em relação às peripécias, estas são o normal de qualquer grupo de amigos que passa 5 dias juntos (nesses dias jogava-se o Mundial de Futebol, os ovos verdes eram um belo veneno, o Sawyer via UFO’s, os horários não eram cumpridos, pela calada já se fazia a folha ao Carlos Queiroz e parecia que ainda não se tinha inventado o FMI). Enfim… o mundo no seu melhor!

Agora, Into The Ivory Tower vai ser levado para palco? Onde e quando?
Para já só temos confirmado as datas de lançamento! Sendo que a última foi a 21 de abril no Teatro Miguel Franco em Leiria. Mas não se preocupem, mais se seguirão.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Review - Pact With Solitude (utopian.hope.dystopian.nihilism)

Pact With Solitude (utopian.hope.dystopian.nihilism)
(2011, Edição de Autor)

Fora do continente, tem sido o arquipélago açoriano o que mais se tem destacado em termos de produção metálica, não sendo nada frequente o surgimento de nomes provenientes da Madeira. Élvio Rodrigues, multi-instrumentista ligado aos Through Darkness, é o nome do músico que parece querer começar a inverter as coisas e, em forma individual, ergue um coletivo com um estranho nome de Utopian.hope.dystopian.nihilism. Na realidade, o projeto já existe há algum tempo sendo que, na maioria do seu período de existência tenha estado inativo. Mas agora, as coisas vão, seguramente mudar com a estreia Pact With Solitude. O seu criador, não impõe barreiras a si mesmo na criação e por isso, este acaba por ser um trabalho extremamente abrangente, variado e diversificado. E ao contrário do que o alinhamento possa deixar antever, o disco não é composto apenas por 4 temas. Élvio Rodrigues optou por colocar na mesma faixa, diversas outras faixas relacionadas conceptualmente. E o que se pode ouvir é um metal que evolui desde planos calmos e pacíficos até fases mais extremas, com momentos declamados e outros gritados/berrados. No entanto, há um denominador comum: a excelência da composição ao nível dos pormenores técnicos. Independentemente da produção caseira (pelo menos da versão digital a que tivemos acesso) de Pact With Solitude, fica bem claro que este é um trabalho de elevada riqueza rítmica, melódica e estrutural que merece ser atentamente explorado.

Tracklist:
1. Pandora’s Box/Vislumbre de Esperança
2. Eu:Ele
3. Self-Inflicted Metamorphosis/One Minute Silence In Respect For Those Who Might Have Been Killed During The Process
4. Goodbye Exi(s)ts/The End Staring At Me/Closure?/Will This End Set Us Free?

Line-up:
Élvio Rodrigues – todos os instrumentos
Bruno Pereira – vocais em Pandora’s Box

Internet:

terça-feira, 26 de abril de 2011

Review - Voyage (Legacy Of Cynthia)

Voyage (Legacy Of Cynthia)
(2011, Edição de autor)

Os Legacy Of Cynthia são um dos mais jovens coletivos nacionais tendo-se formado em 2010, em Sintra. O sexteto não perdeu tempo e rapidamente edita sob a forma do EP Voyage o seu primeiro trabalho. Trata-se de um cartão de visita importante que permite dar a conhecer a banda a todos os diversos agentes envolvidos neste campo através de um conjunto de cinco temas acima dos sete minutos (com exceção do fecho instrumental After The Rain). Os Legacy Of Cynthia reúnem no seu campo musical diferentes estilos e géneros musicais, e, assim transportam, para a música criada diferentes sentimentos e emoções que nascem em momentos e paisagens pacíficas mas que se vão desenvolvendo em intensas espirais. E é nesse processo de desenvolvimento e crescimento que a banda vai incorporando novos ingredientes que tornam Voyage um trabalho onde o progressivo, o alternativo, o peso, a melancolia, a imensidão e a melodia se cruzam de uma forma perfeita. E transforma, também, este EP numa viagem por diferentes paisagens sónicas. Maioritariamente calmo, com as guitarras tranquilas e uma bateria excelentemente adequada, Voyage reage, por vezes, em momentos mais ásperos. E é nessas alturas que o rock/metal progressivo se assume com esplendor. Este é um trabalho que urge descobrir, sendo imperioso que os ouvintes se deixem envolver por toda a beleza e carga sentimental que o rodeia, sendo esta uma das melhores estreias do panorama nacional dos últimos anos.

Tracklist:
1. The Abyss Of Tragedy
2. Memories
3. Birds
4. Juliet
5. After The Rain

Line-up:
Oz – guitarras
Peter – vocais
Charlie – vocais
M. Catalão – guitarras
Bucho – bateria
Caesar - baixo

Internet:

sábado, 23 de abril de 2011

Review - Heads Will Roll (Katana)

Heads Will Roll (Katana)
(2011, Listenable)

Não deixa de ser estranho ver uma banda como os Katana a serem editados por uma editora como a Listenable, um nome mais associado ao metal de tendências mais extremas ou, pelo menos, mais dark, como no caso dos nossos Heavenwood. Heads Will Roll é a estreia do coletivo sueco Katana, um projeto que consegue, em pouco menos de quarenta minutos, criar um álbum verdadeiramente incendiário no que às raízes do heavy metal diz respeito. Cruzando influências da NWOBHM, como as tão típicas cavalgadas ironmaideanas, com a escola sueca do power metal de cariz melódico, associado, ainda, a um look glam, tipicamente eighties, os Katana assinam, desta forma, uma estreia competentíssima e, diríamos mais, a roçar o brilhantismo. Os coros oh-oh, as estruturas superiormente trabalhadas, as melodias com peso, conta e medida e os solos de arrasar fazem de Heads Will Roll uma verdadeira bomba de puro heavy metal old school. Um daqueles álbuns capazes de por uma multidão a cantar os refrães em uníssono ou de por muito boa gente a fazer headbanging e a tocar air-guitar como, seguramente, já não o faziam há muito tempo. Heads Will Roll é, pois, uma forma sensacional de começar uma carreira e um nome que os fãs deverão decorar e acompanhar.

Tracklist:
1. Livin’ Without Fear
2. Blade Of Katana
3. Phoenix On Fire
4. Neverending World
5. Heart In Tokyo
6. Asia In Sight
7. Across The Stars
8. Rebel Ride
9. Quest For Hades

Line-up:
Anders Persson – bateria
Johan Bernspang – vocais
Patrick Essen – guitarras
Susanna Salminen – baixo
Tobias Karlsson - guitarras

Internet:

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Review - III (Stereochrist)

III (Stereochrist)
(2010, paycheDOOMelic Records)

Os Stereochrist nasceram em 2002 sob a designação de Super Natural, depois do desmembramento de uma das mais míticas bandas húngaras de doom metal: os Mood. Em termos discográficos estrearam-se em 2004, já sob a atual designação, Stereochrist, com Dead River Blues ao que se sucedeu Live Like A Man (Die As A God), de 2006. Quatro anos se passaram e o coletivo regressa às edições discográficas com um adequadamente álbum intitulado III. E a principal novidade é mesmo o regresso do vocalista Péter Felföldi que volta a imprimir no som do coletivo o seu timbre peculiar. Juntamente com Kolos Hegyi, guitarrista que já pertencera aos Mood e que acumula funções nos aqui recentemente comentados Magma Rise e principal responsável pelos colossais riffs doom, III acaba por ser um passo em frente na capacidade criativa da banda. Claro que o seu doom continua por momentos muito grave e depressivo, na linha de uns Crowbar, mas por vezes os Stereochrist evoluem noutra direção completamente oposta, aumentando a velocidade e pincelando a sua sonoridade de riffs thrash ou até rock sulista. Por isso, se disse que este novo disco dos húngaros é um passo em frente. Principalmente porque consegue ser o mais diversificado até à data, sem deixar de ser suficientemente sujo. Uma característica a que se junta a importância de elementos de doom tradicional e um extraordinário desempenho vocal.

Tracklist:
1. Double Dealer
2. The Long Hard Mile
3. Deal With or Do Without
4. When You Climb up the Ladder
5. 941028
6. A Shipload of Tricks to Forfeit
7. Unified Theory
8. Queen of the Octopi
9. Shallowman
10. Soul Squeezer

Lineup:
Kolos Hegyi – guitarras
Balázs Megyesi - baixo
Csaba Kludovácz – bateria
Peter Felföldi - vocais

Internet:

Playlist 21 de abril de 2011

Review - Watching Over You (Shadowman)

Watching Over You (Shadowman)
(2011, Escape)

Já lá vão uns anitos desde que os Shadowman editaram o seu primeiro e bem sucedido trabalho, Land Of The Living (Escape Music, 2004). Os apreciadores do bom hard rock britânico ficaram deliciados e o caso não era para menos, até porque os nomes envolvidos tinham um manancial de experiência acumulada em nomes como Heartland ou FM que, desde logo, lhes garantia um assinalável nível de qualidade. Dois anos mais tarde, surgia Different Angels, um álbum importante na carreira do grupo e que já incluia Harry James e Chris Childs dos Thunder. E é, ainda hoje, com o quarto trabalho, Watching Over You, que os inconfundíveis trabalhos de guitarra de Steve Morris e vocal de Steve Overland brilham com grande intensidade. No caso particular de Overland, o seu desempenho é notório em diversos campos desde o mais hardrockeiro ao mais bluesy. No geral, Watching Over You é um disco de boa música rock, cheia de charme e, acima de tudo, assinado por um coletivo experiente, maduro, que sabe o que faz e que consegue colocar cada peça do puzzle no local apropriado. Por isso, temas como Renegades, Waiting For A Miracle ou Are You Ready são verdadeiros hinos, que prometem fazer muito sucesso, principalmente quando a banda se apresentar em palco.

Tracklist:
1-Across The Universe
2-Renegades
3-Cry
4-Watching Over You
5-Are You Ready
6-Suzanne
7-Waiting For A Miracle
8- Stop Breaking This Heart Of Mine
9- Heaven Waits
10- Whatever It Takes
11-Justify
12-Party Is Over

Lineup:
Steve Overland - vocais
Steve Morris - guitarras e teclados
Chris Childs - baixo
Harry James – bateria

Internet:

Edição: Escape Music

Entrevista - Web

Veteranos do metal nacional, os Web representam a própria história do género. Vinte e cinco anos de carreira são bem demonstrativos da força de vontade e da coragem dum nome que, seguramente, já faz parte dos compêndios. Deviance é apenas (dizemos nós!) o segundo álbum da carreira. Mas a espera valeu bem a pena: uma mistura única de thrash e doom para criar uma obra obrigatória. Para nos falar deste presente, mas também de um longo e glorioso passado e dum previsível brilhante futuro, a banda nortenha juntou-se e respondeu às nossas questões.

Antes de mais, parabéns pelo vosso excelente trabalho. Agora gostava de saber como analisam e como descreveriam Deviance, o vosso segundo trabalho em 25 anos de carreira.
Deviance é algo do qual nós nos orgulhamos imenso, foi algo em que todos trabalhamos com o maior empenho e dedicação. Em comparação com o World Wild Web, no qual contem “o dedo” de todos os elementos que passaram pelos Web, em termos de composição, este 2º álbum foi inteiramente composto pelas pessoas que o gravaram e mostra realmente aquilo que nós queríamos que ele mostrasse, a nossa força e a nossa paixão pela música. Deviance é o espelho do que queremos e do que fazemos musicalmente. É um álbum com temas bastante rápidos com uma mistura de Doom que é característico da nossa composição.

O vosso primeiro álbum World Wild Web foi lançado há 6 anos. O que mudou desde essa altura?
Principalmente o nosso line up estabilizou o que nos deu tranquilidade para começarmos a compor este segundo álbum. As constantes mudanças não ajudaram em nada a progressão da banda, como é compreensível, por isso penso que foi o mais importante nestes últimos 5 anos.

Há razões justificativas para que uma carreira tão longa (e proeminente, também) tenha um tão curto pecúlio em termos editoriais?
Penso que respondo em 50% desta pergunta na questão anterior. Os outros 50% devem-se ao facto de que na altura em que os Web começaram o seu percurso musical, as coisas não eram tão fáceis no que diz respeito à edição de álbuns e pelo facto de o “serviço militar obrigatório”, pelo qual todos os elementos dos Web passaram, ser na altura de 18 a 24 meses o que impossibilitou que banda pudesse trabalhar a 100%. Nós queremos sempre dar o melhor de nós e não gostamos de nos apresentar se estivermos conscientes de que não vamos dar 100% das nossas capacidades, e isso tanto é válido para os álbuns como para os concertos.

No entanto, a banda tem estado sempre ativa, certo?
Sempre. Apesar das contrapartidas referidas, nunca tivemos descanso. Com mais ou menos concertos temos sempre conseguido ficar no ativo durante este 25 anos.

A festa de apresentação foi no Metalpoint. Como decorreu e como foi a reação do público a estes novos temas?
Tenho aqui de agradecer a todos o que compareceram num dia tão especial para nós. Foi excelente, o público do Metalpoint é sempre do melhor, sempre a apoiar e a puxar pelas bandas que lá vão tocar, e no nosso caso não foi exceção. Casa cheia, o pessoal a aderir aos temas novos e aos não tão novos mas que integram o álbum Deviance, o qual foi tocado na íntegra. O feedback do pessoal foi muito positivo em relação ao concerto e o mesmo está a ser em relação ao álbum.

O tema Awake já está há algum tempo disponível para audição no vosso myspace, sendo que já tocou perto de 1000 vezes. Isso cria em vós muitas expectativas para este trabalho?
Sim, claro que sim. Como disse, as críticas do álbum têm sido bastante positivas e isso só cria em nós tanto um sentimento de orgulho pelo nosso trabalho como um sentido de responsabilidade para com o público que tem de ver os Web no seu melhor, sempre.

Como decorreu o processo de composição e de gravação de Deviance?
A composição dos temas deste álbum, Deviance, passou por todos os elementos da banda. Cada um de nós compõe, traz ideias, propõe arranjos e está aberto às ideias e propostas dos restantes elementos, o que é um processo extremamente positivo e motivador para todos. Muitas vezes surgem ideias durante umas pequenas jams que realizamos no início dos ensaios para aquecer, que depois são utilizadas mais tarde nos nossos temas. Cada música é trabalhada de forma exaustiva. Enquanto não estiver gravado, estará sempre sujeita a pequenos refinamentos. Por isso é um processo muito dinâmico e muito participativo.
Em relação ao processo de gravação/misturas foi muito relaxado, muito divertido e muito produtivo! O Paulo Lopes da SoundVision Studios, que foi quem coproduziu o álbum juntamente com a banda. Foi a escolha acertada, pois é uma pessoa muito profissional, que adora o que faz e muito divertida ao mesmo tempo, desde logo nos sentimos em casa.

E agora, vamos ter os Web na estrada a promover Deviance?
É verdade. A Deviant Tour começou no passado 19 de março com o lançamento do Deviance, e já tivemos a oportunidade de fazer a promoção do álbum no Moita Metal Fest, e seguem-se uns quantos concertos passando pelo SWR Metal Fest, GDL Metal Fest, Gaia em Peso e uns quantos mais ainda este ano. Para o ano vamos continuar a nossa senda de concertos a promover o álbum por todo o país para que consigamos chegar ao maior número de pessoas possível.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Review - Even Keel (Hard)

Even Keel (Hard)
(2011, BLP Music)

Os húngaros Hard tem pouco tempo de vida mas já fizeram muita coisa. Uma excelente estreia produzida pelo influente Beau Hiil ao que se sucedeu um espetacular e muito bem recebido Time Is Waiting For No One e tournées com os gigantes Kiss, fazem deste quarteto um dos nomes mais sonantes da atual cena húngara da atualidade. Apenas um anos após Time Is Waiting For No One, a banda que definitivamente fixou o sueco Björn Lodin como senhor do microfone, apresenta Even Keel, mais um conjunto de 10 temas de puro hard rock, com algumas aproximações aos AC/DC, que nos convida para uma alucinante viagem cheia de poderosos riffs, solos impressionantes, muita energia, batidas frenéticas, coros simples e diretos e vocais rasgados e bem puxados. Aliás, a química entre Lodin e o resto da banda é notória, com o sueco a assinar uma magnífica prestação num conjunto de temas que demonstram, de forma clara, o processo de evolução da banda quer em termos de execução quer de composição, revelando um interessante leque de diferentes influências musicais. Os amantes do hard rock têm aqui 43 minutos de uma excelente amostra dentro do género, um álbum de verdadeiro e puro rock que lhes permitirá reviver os grandes momentos do género.

Tracklist:
1. Truth or dare
2. Bitten by you
3. Pretty little liar
4. Promises
5. I wanna rock you
6. Speeding into slow
7. Somewhere
8. Keep out
9. Scream out to be heard
10. In your arms

Lineup:
Björn Lodin - Vocais
Gábor Mirkovics - Baixo
Zsolt Vámos - Guitarras
Zsolt Borbély – Bateria

Internet:

Edição: BLP Music

terça-feira, 19 de abril de 2011

Review - Lazy Stream Of Steel (Magma Rise)

Lazy Stream Of Steel (Magma Rise)
(2010, PsycheDOOMelic Records)

Formados a partir de dois nomes importantes do doom metal húngaro, Gabor (ex-Wall Of Sleep) e Kolos (Stereochrist), os Magma Rise são uma nova entidade magiar e Lazy Stream Of Steel é a sua estreia para a influente PsycheDOOMelic Records, casa austríaca especializada em doom metal. E esta refira-se, é uma estreia bem auspiciosa. O que aqui se apresenta é um doom com excelentes duplas harmonias de guitarra, vocais limpos e melodias muito apelativas, em que a dupla Black Sabbath/Trouble é a citação mais referenciada pelos Magma Rise. Todo o álbum é feito a um nível muito elevado de qualidade, com excelentes solos e uma prestação vocal de relevo, sendo composto por um conjunto de sete temas originais e uma versão dos Mood, Glow Burn Scream. Temas como Time’s Been Given, For Those ou Risen têm um enorme potencial para se transformarem em hinos imortais do seu género, enquanto Lazy Stream Of Steel, enquanto conjunto, se recomenda vivamente.

Tracklist:
1. Time’s Been Given
2. For Those…
3. Standby
4. Tombstone Eyes
5. Giant Ball Of Lead
6. Risen
7. Church Of Pigs
8. Glow Burn Scream

Lineup:
Sándor Bánfalvi (bateria)
Kolos Hegyi (guitarras)
Mihály Janó (guitarras)
Gábor Holdampf (vocais/baixo)
Internet:

domingo, 17 de abril de 2011

Review - Finis Terrae (Kromlek)

Finis Terrae (Kromlek)
(2011, Trollzorn)

Quatro anos após a estreia Srange Rumours… Distant Tremors, a mais eclética e diversificada banda do atual panorama pagan metal está de regresso. O sexteto liderado pelo ideólogo Mr Alphavarg apresenta-nos um conjunto de treze temas mais agressivo, mais melódico e mais pesado do que havia sido feito. E, acima de tudo, mais variado e diversificado do que qualquer um dos seus pares consegue fazer. O seu black/pagan metal está incrustado de solos soberbos, melodias assombrosas, apontamentos sinfónicos, elementos eletrónicos, influências folk, e como se isso não bastasse, tudo envolvido por uma riqueza rítmica e complexidade estrutural só ao nível do que os nomes associados ao prog conseguem fazer. Para além disso, os Kromlek desenvolvem em Finis Terrae temas vocalizados em alemão, inglês, sueco, sânscrito, latim e árabe que entre momentos bombásticos e épicos já vão fazendo alusão ao tão previsível fim do mundo. Depois da introdução com Iron Age Prelude, seguem-se três faixas de elevada craveira e de fino recorte técnico: Nekropolis’ Fall, Angrlioo e The Cocoon que são dos mais brilhantes momentos jamais criados por qualquer banda de pagan metal e prometem ficar para a história do género. A partir daí a banda opta por surpreender a cada passo os ouvintes: seja pela inclusão de coros, de vocais limpos, de folk, de eletrónica ou, principalmente, pela nada expectável Egophaneia com vocais infantis. O fecho é feito de uma forma épica com um longo tema (cerca de 13 minutos) aglutinador de tudo o que os Kromlek havia criado até então, num álbum que vos vai fazer esquecer tudo o que já ouviram dentro deste género.

Tracklist:
1. Iron Age Prelude
2. Nekropolis’ Fall
3. Angrlioo
4. The Cocoon
5. Mantikor
6. Manjushri aus mir
7. Moritvrvs Immortalis
8. Ad Rvbiconem
9. Bastion
10. Creation’s Crowning Glory
11. Metropolitan Roots
12. Egophaneia
13. Finis Terrae

Line-Up:
Mr alphavarg – vocais
NhéVanN – guitarras
Foradh – guitarras
HrísDólgr – teclados
Sgra – bateria
T’Bog – baixo

Internet:

Edição: Trollzorn

Review - Into The Ivory Tower (The Allstar Project)

Into The Ivory Tower (The Allstar Project)
(2011, Rastilho Records)

A comemorarem o seu décimo aniversário, os leirienses The Allstar Project (TAP), atingem o seu segundo trabalho de originais, sob a denominação de Into The Ivory Tower. A fantástica capa com o belíssimo desenho de Thomas Cole na sua forma de rebelião, acaba por ser fiel representativo do conteúdo de um disco de pós-rock como, certamente, haverá poucos. Os TAP conseguem criar tranquilas paisagens bucólicas que, subitamente são literalmente arrasadas por violentas erupções vulcânicas, por devastadores sismos ou por tempestades arrasadoras. Desde a abertura com riffs claramente hard rock até ao longo épico que fecha o disco, Into The Ivory Tower é uma obra-prima de manifesto bem gosto, de elevada elegância e fortemente personalizado. Com lentos crescimentos até a apoteose final, onde os jogos produzidos pelas três guitarras se desenvolvem com uma destreza ímpar, a banda evoca diversos estados de espírito onde a inclusão pontual de cordas (violino e violoncelo) acaba por jogar um papel fundamental no acentuar do sentimento delicioso que emana da sua audição. Mesmo sendo este um álbum instrumental, onde apenas em Not All A Dream se ouve a declamação de um poema de Lord Byron, Darkness, os TAP conseguem, ainda assim, transmitir uma forte mensagem de sensações diversificadas e tipologias incomuns, apresentando um álbum de categoria internacional.

Tracklist:
1. Neighbour Of The Beast
2. Off Axxis
3. Alignment
4. Shifting Poles
5. Advent
6. Pyramidal
7. Not All A Dream
8. Light For A Thousand Nights

Line-Up:
Nuñez – guitarra
Ramon – guitarra
Sawyer – guitarra
Paco – baixo
Velasquez - bateria

Internet:

Edição: Rastilho

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Review - Panzer Flambe (Corpse Shade)

Panzer Flambe (Corpse Shade)
(2010, Edição de Autor)

Por vezes surgem projetos com um tal nível de demência satânica que não é fácil escrever sobre eles. É o que se passa com estes alentejanos Corpse Shade e a sua demo de 2010, intitulada Panzer Flambe. São sete minutos divididos por dois temas, sendo que um desses temas apresenta duas versões: a normal e aquela com o vocalista que não morreu. Por aqui, desde logo se pode notar o nível de loucura que reside no seio do grupo. Em termos musicais o que o coletivo apresenta é um metal extremo, direto, sem dó nem piedade, carregado de influência bélicas, devastação e satanismo. A produção, em formato caseiro, é suja e os vocais são simplesmente demoníacos o que ajuda ainda mais ao sentimento de completa ausência de qualquer tipo de musicalidade. No entanto, três temas (ou melhor dois) são manifestamente insuficientes para definir e caracterizar uma banda. Este EP tem, certamente por isso, o único pretexto de dar a conhecer mais um nome da cena nacional, e que desde logo se assume como uma das propostas mais brutais, negras e demoníacas surgidas nos últimos tempos.

Tracklist:
1. Blooding From The Skies ov Battlestar Erotika
2. Panzer Flambe Ist Krieg
3. Panzer Flambe Ist Krieg – versão com o vocalista que não morreu

Line-Up:
Escargoth (vocais)
Deadal Annal (guitarras)
Burgundith (baixo)
Bellbedun (bateria)

Internet:

terça-feira, 12 de abril de 2011

Entrevista - Enbound

Os Enbound são uma banda sueca que se estreia de forma auspiciosa sob a designação de And She Says Gold, álbum que lhes valeu, desde logo, a indicação como a nova sensação do metal sueco. Indiferente a estes títulos, o baixista Swede fica lisongeado, mas promete que o que mais interessa à banda é continuar a produzir boa música.

Viva! Para começar, quem são os Enbound e quais são suas principais influências?
Viva! Eu sou o Swede, o baixista e os meus companheiros de banda são os impressionantes Marvin na guitarra, Mike na bateria e Lee nos vocais. Como provavelmente podes afirmar, realmente gostamos de hard rock e heavy metal, mas na verdade cada um tem diferentes fontes de inspiração. O Mike é um enorme fã dos Metallica e de outras bandas de hard rock moderno, o Marvin perdeu-se totalmente no jazz, jazz e jazz. O Lee gosta de música complexa como Queen ou Toto e eu, originalmente sou baixista funk apesar de hoje estar um pouco mais embrenhado no rock progressivo e no prog metal.

A escolha dos membros para os Enbound foi um longo processo. Como se processou?
Se atenderes ao tempo de vida dos Enbound, sim, pode parecer muito tempo. Mas, quando precisámos de um novo guitarrista, instantaneamente surgiu o Marvin e não muito tempo depois de termos encontrado o Lee. Se bem me lembro, ambos os postos ficaram vagos quase ao mesmo tempo, e o Mike já conhecia o Marvin e sabia que ele seria o elemento perfeito. Mais tarde Marvin e Lee encontraram-se no MySpace, e o line-up ficou, então completo. Eu já conhecia o Mike, mas na verdade ele não sabia que eu tocava baixo, até ver a minha tatuagem, em forma um baixo. E assim acabei por me juntar ao projeto.

And She Says Gold é uma obra-prima do metal melódico. Era isto exatamente o que vocês tinham em mente produzir?
Não querendo soar arrogante até porque somos todos bastante humildes, mas acho que And She Says Gold é um álbum praticamente perfeito e representa onde queríamos ir musicalmente. Por isso, a resposta é sim.

Como chegaram à Inner Wound Recordings?
Muito fácil: CD + Carta + Envelope + Dois selos = Sucesso!

LaGaylia Frazier colabora num tema. Foi difícil convencê-la a participar no álbum?
Não foi uma questão de a convencer. Ela disse que o faria se gostasse o suficiente da música. Eu acho que ela ouviu talvez duas ou três canções que na altura já estavam prontas para serem apresentadas e Frozen To Be acabou por ser a brilhante escolha. Agora com o álbum completo penso que não poderia ser de outra forma.

Qual é a vossa reação quando são considerados a nova sensação do metal sueco? É um elevado nível de responsabilidade?
Na realidade, nós nem pensamos muito nisso. O nosso objetivo é escrever música que possua diferentes ingredientes essenciais, como groove, peso e melodia tentando atingir uma alta qualidade em tudo o que fazemos. Mas é claro que é lisonjeiro, é muito bom ouvir isso e dizer que nós não gostamos, seria uma mentira. Mas, reforço que o nosso objetivo é a criação de boas músicas. Outros resultados que daí advenham serão secundários.

Como decorreu o processo de gravação de And She Says Gold?
Muito bem! Tirando o facto de o Marvin, acidentalmente, ter ligado um sintonizador a 446hz em vez dos 440hz e nem ele nem eu descobrirmos até termos gravado algumas músicas. Quando o Mike colocou essas pistas, juntamente com as do teclado que estavam sintonizadas.... (risos) foi uma verdadeira chatice, mas tudo bem.

Já há planos para uma tournée de promoção ao disco?
Há alguns planos, mas isso precisa ser discutido antes de podermos dar uma verdadeira resposta. Mas é claro que queremos tocar!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Review - Stoned To Doom (Keef)

Stoned To Doom (Keef)
(2010, PsycheDOOMelic Records)

Stoned To Doom é o primeiro álbum para a banda de Toronto Keef, um coletivo praticante de um heavy rock doom maioritariamente mid-tempo. Riffs lentos, solos melódicos e vocais limpos são as principais características apresentadas por este coletivo, num álbum que revela toda uma assinalável influência Black Sabbath (nem podia deixar de ser…) e que apresenta uma forte ambiência retro, onde nem a componente psicadélica falta. E se em The Green Shade, um dos momentos melhor conseguidos do disco, parece retirado de Paranoid, já Never Smile atira para uns Kyuss ou Sleep, pelo menos no que toca aos efeitos da guitarra no solo. Isto prova que os Keef são uma banda que consegue incorporar no seu processo de composição pormenores que vão desde o desert rock ao stoner doom. Todavia, nem sempre o coletivo consegue ser convincente. Stoned To Doom será um disco para os indefetíveis do género, mas dificilmente convencerá alguém fora desse espectro.

Tracklist:
1. The Invader
2. Evil Dread
3. White Widow
4. State Trooper
5. The Green Shade
6. Animal Control
7. Noise Bleed
8. Cut it Open
9. Never Smile
10. Evilizer

Line-Up:
Gregory Cochrane – vocais
Richard Harris – guitarras
John Kendrick – baixo
Ilios Ateryannis – bateria

Internet:

domingo, 10 de abril de 2011

Review - Mammoth (Beardfish)

Mammoth (Beardfish)
(2011, InsideOut)

A comemorar dez anos de existência desde a criação dos Wooderson, banda grunge precursora dos Beardfish criada por Sjöblom e Zackrisson, e com cinco álbuns aclamados pela crítica, o quarteto sueco está de regresso com um disco muito adequadamente intitulado de Mammoth. Adequadamente porque este é um álbum que em termos líricos remete-nos para a idade do gelo. Adequadamente porque em termos musicais é verdadeiramente grandioso. E finalmente, adequadamente, porque se trata de um género senão extinto, pelo menos a caminhar para lá. As referências são as melhores e quase sempre seventies: King Crimson, Gentle Giant, Camel. E no conjunto de sete temas há tempo para se explorarem desde os riffs tipicamente hard rock, em The Plattform, até momentos verdadeiramente épicos, como em And The Stone Said: If I Could Sleep, onde a presença do saxofone atinge proporções mágicas. Pelo meio, tempo ainda para um pop beatleano, em Tightrope, para uma demonstração da destreza técnica de Rikard Sjöblom no piano em Outside/Inside, para o rock de Green Waves ou para o jazz de Akakabotu. O final faz-se com a brilhante Without Saying Anything, que, na sua forma, se apresenta quase como uma mistura de duas canções, tal a diversidade evolutiva apresentada. Por tudo isto, este Mammoth é um trabalho de eleição que merece ser explorado e sentido em cada um dos seus pormenores. Verdadeiramente delicioso.

Tracklist:
1. The Platform
2. And The Stone Said: If I Could Speak
3. Tightrope
4. Green Waves
5. Outside / Inside
6. Akakabotu
7. Without Saying Anything feat. Ventriloquist

Lineup:
Rikard Sjöblom: vocais, guitarras, teclados, percussões
David Zackrisson: guitarras, sintetizadores
Robert Hansen: baixo
Magnus Östgren: bateria

Internet:

Edição: InsideOut

sábado, 9 de abril de 2011

Entrevista - Malison Rogue

Uma das mais excitantes bandas a surgir na Suécia nos últimos tempos são os Malison Rogue, quarteto praticante de um heavy metal tradicional inspirado pelo grandes nomes dos anos 80. O baixista Pete Fury apresenta uma banda com enorme potencial e fala-nos da sua excelente estreia homónima

Para começar, podes apresentar-nos os Malison Rogue?
Saudações a todos os headbangers! Somos quatro rockeiros, juntos numa banda oriunda de uma pequena cidade chamada Nyköping, na Suécia. Estamos juntos desde 2006 e estamos agora aqui para mostrar o estilo da nossa visão do Heavy Metal.

Vocês nasceram como Ashes. O que se passou para mudarem de nome?
Bem, no inicio pareceu-nos bem: era um nome fácil de pronunciar e apelativo. Mas, com o tempo, descobrimos que é um nome muito comum, por isso, na altura de assinarmos o contrato com a Inner Wound queríamos um nome que fosse único, que mais ninguém tivesse. Assim, depois de um monte de sugestões de nomes, nós escolhemos Malison Rogue.

E qual é o verdadeiro significado de Malison Rogue?
Hum… realmente não sabemos (risos). Malison é outra palavra para "maldição" e Rogue é uma espécie qualquer de bandido. Mas juntos, basicamente, não significam nada. Mas soa bem e funciona como logótipo.

Este é o vosso primeiro álbum. Estão totalmente satisfeitos com o resultado final?
Claro que sim! Na realidade, mais do que satisfeitos. Nós tínhamos ideia de como queríamos que o álbum soasse mas isso é mais do que havíamos imaginado. Com tanta gente de categoria envolvida neste álbum, como o lendário vocalista Mats Leven, o engenheiro de estúdio Nicko DiMarino e Micke Lind, realmente consegumos uma ótima produção para este álbum.

Vocês são já considerados como uma das bandas mais excitantes da Suécia. Como reagem a estes elogios?
É emocionante e ao mesmo tempo, uma honra. Tudo que queríamos era editar o nosso álbum e, na verdade, não tínhamos nenhuma expectativa, para além do entretenimento. Mas claro que no fundo, no nosso intimo, queríamos ser apreciados pela nossa música. Não é verdade que todos os músicos de rock querem ser rockstars? Portanto, espero que mais e mais pessoas possam descobrir a nossa música. Conquistar novos fãs é um forte incentivo para escrever mais músicas e fazer mais espetáculos.

No vosso álbum respira-se eighties. As vossas influências são dessa época?
Claro que sim! Todos nós adoramos a década de 80. E não só heavy metal. Houve tanta música boa feita naquela década que se tornou claro que seriam uma influência para nós. Sempre ouvimos bandas como Iron Maiden, Helloween, Ratt, Roxette e outras. Ainda que fossemos jovens esse estilo permaneceu nos nossos corações.

Vocês têm alguns convidados em Malison Rogue?
Estás a referir-te às pessoas envolvidas neste álbum, para além de nós? Sim, tivemos o Mats Leven, ex-vocalista de Yngwie Malmsteen, Krux, Candlemass, etc na produção. Ele é uma pessoa fantástica para se trabalhar. Ele também fez todos os backing vocals e teclados, o que ficou ótimo. Tivemos também Sicko DiLatrino na guitarra e um violoncelo interpretado por Marcus Jidell dos Evergrey. E, claro, algumas amigas que se uniram para fazer os coros.

E agora, que expectativas e feedbacks a respeito deste álbum?
Até agora temos tido excelentes reviews. É realmente emocionante obter boas opiniões de diferentes órgãos de comunicação de social. E é realmente divertido ver que atraímos os fãs de todo o mundo. E vermos no nosso Facebook novos fãs a cada dia. Recebermos elogios transmite um enorme impulso

Finalmente, existem planos de levar Malison Rogue em tournée?
Essa é sempre uma situação que envolve alguns custos, mas com certeza que gostaríamos de fazer uma grande tournée. Por agora, temos que trabalhar arduamente para procurar locais onde tocar. Quanto mais tocarmos melhor. Nós já tivemos bastantes espetáculos durante o ano, mas acreditamos que agora será mais fácil uma vez que já temos um álbum para promover.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Review - And She Says Gold (Enbound)

And She Says Gold (Enbound)
(2011, Inner Wound)

Mike Cameron Force ergueu os Enbound no ano 2006, com a ideia de criar algo de especial dentro do espectro hard rock/heavy metal. Com a experiência acumulada como músico dos Zonata e dos Poem e como produtor dos Axenstar ou Draconian, Force demorou algum tempo a juntar as peças de um puzzle que é composto por um conjunto de músicos cheios de talento. Esse mesmo puzzle só ficou definitivamente completo em 2009, com a adição do vocalista dos Work Of Art, Lee Hunter, um nome também associado ao musical Jesus Christ Superstar (na televisão sueca). A estreia, And She Says Gold, comaçada a gravar em 2009, permitiu a ligação do grupo à editora sueca Inner Wound Recordings que agora edita este conjunto de treze temas (mais uma versão de Beat It, como bónus na edição europeia) de puro heavy metal de contornos melódicos. Ora, por aqui existem algumas peças de puro ouro, no que ao capítulo melódico diz respeito: Descending, Noiseless Bullet, Squeals Of War ou Under A Spell. Por outro lado existe uma balada sensacional, The Broken Heart, cheia de sentimento e com acompanhamento sinfónico simples mas de belo efeito. O problema dos Enbound parece ser o facto de não conseguirem manter este nível de genialidade. Para contrapor à citada balada temos a lamechice pop que é Frozen To Be, com a senhora do festival da canção LaGaylia Frazier. E depois quando tentam entrar em campos que não dominam, é outro problema. É o que acontece em Shifting Gears. Os Enboud tem, em And She Says Gold muito e bom material, mas se tivessem optado por cortar algumas arestas teriam um álbum de excelência neste segmento.

Tracklist:
01. COMBINED THE SOULS
02. DESCENDING
03. NOISELESS BULLET
04. SQUEALS OF WAR
05. FROZEN TO BE FEAT. LAGAYLIA FRAZIER
06. UNDER A SPELL
07. UNTITLED X
08. I AM LOST TO YOU
09. SHIFTING GEARS
10. LOVE HAS COME
11. THE BROKEN HEART
12. RUNNING FREE
13. ME AND DESIRE
14. BEAT IT [European CD bonus track]

Lineup:
Lee Hunter- Vocais
Marvin Flowberg - Guitarras
Sven Odén - Baixo
Mike Cameron Force - Bateria

Internet: