quinta-feira, 30 de junho de 2011

Playlist 30 de junho de 2011

Review: Let The Bliss Remain (Chaos In Paradise)

Let The Bliss Remain (Chaos In Paradise)
(2011, Edição de Autor)

Quando a 15 de julho de 2010, aquando da nossa review à demo de estreia dos Chaos In Paradise, dissemos que os Chaos In Paradise têm um enorme potencial a explorar e desenvolver, dificilmente imaginaríamos o salto qualitativo que a banda conseguiria dar para este seu EP. Desde logo, e à partida, as referências verificadas na sua estreia homónima ficam completamente esmagadas por um aumento de peso e agressividade, nomeadamente ao nível vocal. Isto implica que o epicentro deste terramoto se deslocou no sentido sueco das influências. No entanto, registe-se que já na demo a banda possuía bases rítmicas muito fortes. Só que agora o poder espalhou-se aos vocais, ao mesmo tempo, que as estruturas se tornaram mais dinâmicas e criativas. Por isso, aconselha-se aos mais incautos ouvintes que se protejam de alguma radioatividade que a banda portuense vai libertando. Este é um EP poderoso, muito coeso, cheio de garra e feeling, que volta a apostar (como já tinha acontecido em Chaos In Paradise) num turbilhão sonoro cheio de pormenores estruturais e rítmicos interessantes. Para esse salto qualitativo anteriormente referido muito terá contribuído a estabilidade da formação e a melhoria ao nível do processo produtivo. Isto sem esquecer, o natural incremento de uma identidade própria.

Tracklist:
1. Inertia
2. Sign Of Deliverance
3. Awareness
4. The Hunter
5. Beyond The Horizon
6. Sanzu River

Line-Up:
Sara – vocais
Alexandre – guitarras
Pedro - guitarras)
19 – baixo
Quik - bateria e vocais

Internet:

Review: Cerberus (Darkside Of Innocence)

Cerberus (Darkside Of Innocence) (single)
(2011, Grailight Productions)

Depois do fantástico longa-duração de estreia de 2009, Infernum Liberus EST, os Darkside Of Innocence (DoI) preparam-se para de novo surpreender o mundo metálico, estando já previsto para este ano a edição do seu sucessor: Xenogenesis. Enquanto isso não acontece, a banda disponibilizou o single de avanço Cerberus, constituído por um único tema, o longo épico de mais de 12 minutos. Acreditamos que este single seja precursor do trabalho que ai virá e se assim for, estaremos, certamente, na presença de mais uma obra de valor inegável. Cerberus desenvolve todas as atmosferas que fizeram dos DoI e de Infernum Liberus EST uma referência. O tema começa forte, mas vai evoluindo por diversos estados de espírito ora mais sinfónicos, ora mais progressivos, ora mais agressivos sempre com a vertente melódica muito apurada, solos de excelente nível técnico e com a dualidade vocal a marcar forte presença. Agora com o apoio de uma editora e a estrear um novo guitarrista a banda lisboeta deixa um bom prenúncio para que Xenogenesis seja, de facto, um disco que não conhece limitações de qualquer espécie. Pelo menos em Cerberus isso acontece.

Tracklist:
1. Cerberus

Line-Up:
Sara Henriques – vocais
André Reis – guitarras
Pedro Bandeira – bateria
David Silva – guitarras
Pedro Remiz– vocais e teclados
João Arcanjo - baixo

Internet:

Edição: Grailight

terça-feira, 28 de junho de 2011

Review: Raised By Wolves (Serpentcult)

Raised By Wolves (Serpentcult)
(2011, Listenable)

Depois de uma estreia em registo de longa duração para a Rise Above em 2008 sob a forma de Weight Of Light em formato quarteto, os belgas Serpentcult perderam o seu vocalista, regressaram ao seu formato inicial de carreira, um trio, e assinaram pela Listenable a mesma que agora põe cá fora, Raised By Wolves, uma pérola negra de quatro longos temas de proporções épicas, de riffs colossais, melodias arrepiantes, explorando as características do metal até aos seus limites. Os quatro temas têm todos acima de 8 minutos e revelam a forma como a depressão negra e atroz pode ser descrita sob a forma de música. Asfixiante ou angustiante poderão ser outros adjetivos que se encaixam bem na produção dos Serpentcult. Com afinações extremamente graves e doses maciças de guitarra, Raised By Wolves é uma obra monolítica, algo enigmática e que fará, seguramente, as delícias de fãs de Celtic Frost ou Cathedral.

Tracklist:
1. Raised By Wolves
2. Crippled And Frozen
3. Longing For Hyperborea
4. Growth Of The Soil

Line-Up:
Frédéric Caure - guitarras
Steven Van Cauwenbergh - baixo
Frederik 'Cozy' Cosemans - bateria

Internet:

Edição: Listenable

domingo, 26 de junho de 2011

Review: Victory (Rob Moratti)

Victory (Rob Moratti)
(2011, Escape Music)
Notável vocalista dos Final Frontier e com uma fugaz mas marcante participação nos mestres do prog rock Saga, Rob Moratti apresenta-se com a sua estreia sob a forma individual, se não considerarmos os dois lançamentos dos anos 90 com o projeto batizado com o seu apelido. Em Victory, o vocalista canadiano recorre a um conjunto de músicos com experiência comprovada e capacidade técnica reconhecida e cria um brilhante disco de hard rock que tanto se aproxima do mais sofisticado AOR de uns Toto, como do mais criativo prog rock dos Saga, como ainda dos seminais Triumph, na sua vertente mais hard rock. Este é um disco de qualidade elevada, com um conjunto de temas de uma elegância e beleza ímpar a roçar a perfeição. O timbre único e inconfundível de Moratti guia com mestria um conjunto de instrumentos com um desempenho superior, destacando-se a prestação da guitarra solo com uma performance verdadeiramente assombrosa. E num álbum todo ele feito em grande classe, ainda há espaço para momentos de pura excelência na forma de  Power Of Love, On And On, Take It All Black, Standing On The Top Of The World ou Now More Than Ever. Emotivo, soberbo nas melodias e deslumbrante na composição e interpretação, Victory tem todas as condições para se tornar um clássico intemporal. Para já é um dos melhores registos do ano. Indiscutivelmente.

Tracklist:
1.      Life On The Line 
2.      Everything But Good Bye 
3.      Lifetime 
4.      Power Of Love 
5.      Hold That Light 
6.      On And On 
7.      Take It All Back 
8.      I Promise You 
9.      Standing On The Top Of The World
10.  Jennie 
11.  Now More Than Ever

Line-Up:
Rob Moratti - vocais
Reb Beach - guitarras
Christian Wolff – guitarras, teclados
Tony Franklin - baixo
Fredrik Bergh – teclados
Brian Doerner – bacteria

Internet:
www.robmoratti.net

Edição: EscapeMusic

sábado, 25 de junho de 2011

Review: In A Perfect World (Karmakanic)

In A Perfect World (Karmakanic)
(2011, InsideOut)

Numa altura em que cada vez há mais gente a produzir progressivo, seja rock ou metal, numa desenfreada competição para ver quem consegue ser mais evoluído tecnicamente, Jonas Reingold, surpreende ao apresentar uma verdadeira obra-prima de rock progressivo orgânico, quente e, definitivamente humano. E por isso, In A Perfect World, quarto álbum do projeto, tanto tem de Ayreon ou Dream Theater como de Beatles, Yes ou Pink Floyd sendo que se baseia maioritariamente no rock dos anos 70. Num conjunto de sete temas, os Karmakanic assumem todas as suas influências sem qualquer pudor, misturam-nas e criam uma obra de diversas tonalidades. Os temas apresentam-se vestidos de muitas ambiências diversificadas, com diversas alterações rítmicas e estilísticas e muito dinamismo, ficando provado que a banda não tem qualquer problema em arriscar entrar em campos de diferentes sonoridades. O melhor exemplo surge em Can’t Take It With You onde se misturam mo mesmo caldeirão música contemporânea, ritmos sul americanos (aquele piano não anda muito longe de Solta-se o Beijo de Ala dos Namorados/Sara Tavares!), pinceladas de mornas cabo-verdianas, linhas vocais de graves  à lá Van Canto, tudo bem condimentado por riffs claramente hard rock. Este é o mais brilhante e genial tema de um disco composto por diversos pormenores de excelência que se cruzam de forma perfeita com grandes canções, desde o longo épico inicial, 1969 até ao fecho em jeito de blues com When Fear Came To Town, a mostrar Reingold num dos seus mais inspirados momentos criativos. E que não restem dúvidas: com álbuns como este, o mundo é, de facto, perfeito!
Tracklist:
1. 1969
2. Turn it up
3. The world is caving in
4. Can’t take it with you
5. There’s nothing wrong with the world
6. Bite the grit
7. When fear came to town
Lineup:
Jonas Reingold: baixo
Marcus Liliequist: bateria
Göran Edman: vocais
Lalle Larsson: teclados
Nils Erikson: vocais/teclados
Krister Jonsson: guitarras
Internet:
Edição: InsideOut

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Phornax: Banda lança promoção nas redes sociais

Para comemorar o lançamento do seu primeiro EP, intitulado Silent War, que no momento se encontra em processo de gravação e que será lançado em breve, a banda brasileira Phornax acaba de divulgar sua primeira promoção.Vejam como participar no Twitter e na comunidade Orkut.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Review: Eyes Of The Stranger (Human Zoo)

Eyes Of The Stranger (Human Zoo)
(2011, Bob Media/Fastball Music)

Ser considerado pela revista germânica Rock It! como a revelação do ano em 2006 fruto do disco de estreia Precious Time garantiu algum estatuto aos Human Zoo, banda praticante de um hard rock melódico que assina com Eyes Of The Stranger o seu terceiro disco de originais. Scorpions, Gotthard, Axxis, Krokus, Y & T, Pink Cream 69 ou UDO são apenas alguns dos nomes com quem os germânicos já compartilharam palco, fazendo do coletivo um dos jovens nomes com maior manancial de experiência acumulado. Mas o que têm de diferente estes Human Zoo? Pois bem, basta uma olhadela para o line up para se perceber: um saxofonista. E, de facto, é isso que faz dos Human Zoo uma banda invulgar no espectro hard rock/heavy metal, com o saxofone a introduzir alguns elementos peculiares e, diga-se, quase sempre bem enquadrados. Mas, infelizmente depois de efetuadas algumas audições a única coisa que fica na nossa memória são mesmo e só as prestações do saxofone. E isso é, claramente, muito pouco. O hard rock dos Human Zoo apresenta-se gasto, sem chama e pouco apelativo. À exceção de algumas faixas, de que destacaríamos, The Answer, Eyes Of The Stranger ou Welcome To Paradise, todo o disco é muito previsível, muito repetitivo e não acrescenta nada de novo a um género que parece estar a recuperar forças. A aposta nas linhas melódicas e nos coros típicos do género acaba por não ter o resultado pretendido, acima de tudo, porque Eyes Of The Stranger não tem temas memoráveis, daqueles que nos prendem, nos emocionam ou puxam por nós. Afinal a base de qualquer bom disco de hard rock. Claro que restam os momentos de saxofone, esses sim, verdadeiramente mágicos a puxar, só ele, para que o álbum suba mais uns degraus.

Tracklist:
1. Amy & Allison Memories
2. The Answer
3. Gimme Your Time
4. To The Top
5. Everything Changes
6. Eyes Of The Stranger
7. Fall In Love
8. World Behind You
9. Hold & Care
10. Want It – Love It – Like It
11. Welcome To Paradise
12. 10.000 Years Ago

Lineup:
Thomas Seeburger – vocais
Ingolf Engler – guitarras
Zarko Mestrovic – teclados
Markus Ratheiser – baixo
Kevin Klimesch - bateria
Boris Matakovic - saxofone

Internet:

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Entrevista: Lost In Thought

O País de Gales não tem grande tradição no metal, por isso, de alguma forma, a estreia dos Lost In Thought se revelou uma surpresa. O coletivo, praticante de um metal progressivo na linha de Dream Theater, assinam com Opus Arise um dos melhores trabalhos do ano no seu segmento. Depois da torunee com Delain e Serenity, David Grey, guitarrista do coletivo, teve algum tempo para responder a Via Nocturna.

Antes de mais, parabéns pelo vosso excelente álbum. Acredito que devam ter grandes expetativas para este lançamento, considerando sua alta qualidade ...
Muito obrigado pelas tuas palavras amáveis. Como este foi o nosso primeiro álbum e Opus Arise é a primeira coisa para que as pessoas nos possam realmente julgar. Nós não sabíamos o que esperar, mas sempre mantivemos a crença em nós mesmos e na nossa música. O álbum realmente superou as nossas expetativas e parece que está a ser muito bem recebido. Estamos todos muito animados e sensibilizados pela reação do público e dos nossos fãs até ao momento.

E era este o resultado final que vocês esperavam obter a partir do processo de escrita?
Bem, a maior parte do resultado final era expetável. Mas, durante o processo de gravação, acabámos por alterar alguns elementos aqui e ali e até mudámos a estrutura em uma ou duas canções. No entanto, de uma forma geral, as músicas aparecem da forma que foram escritas.

Neste campo, como decorreu o processo de composição?
Geralmente trabalhamos juntos e as ideias aparecem através de jam sessions ou então alguém leva uma ideia e se ela for boa, vamos trabalhar sobre ela, cada um vai adicionar o seu próprio toque e talvez até mesmo levá-la para uma nova direção completamente diferente.

Como descreveriam Opus Arise?
Eu descreveria Opus Arise como uma nova onda de metal progressivo direto. Nós não procuramos espantar a mente das pessoas com a música louca e obscura. É progressivo e com melodia que agradará a todos.

Quais consideras que sejam as vossas principais influências?
Temos muitas influências e muitas influências individuais diferentes, mas eu diria que as nossas principais influências como banda são os Dream Theater, Circus Maximus, Anubis Gate, Soilwork.

Como reagem quando a banda é apresentada como o dealbar de uma nova geração de metal progressivo?
Ficamos extremamente honrados por receber esse epíteto e, seguramente, vamos fazer o nosso melhor para manter a chama e fazer o melhor trabalho que pudermos e mantermos a melhor impressão enquanto estivermos em cena.

Vocês estiveram em tournée com os Delain e Serenity. O que nos podes dizer sobre essa experiência?
Foi uma experiência incrível! Foi uma pena que a tournée tivesse um final um pouco mais cedo do que o esperado e devido às circunstâncias que foram, mas ainda assim foi uma experiência muito positiva para nós. Aprendemos muito em vários aspetos diferentes e fizemos um monte de novos amigos ao longo do caminho. Tenho a certeza que esta experiência irá orientar a banda de uma maneira nova e proporcionar a nossa melhoria. Também foi bom estar com novos fãs que nunca poderíamos conhecer se não estivéssemos na estrada.

Como se deu a vossa ligação à Inner Wound? Estão satisfeitos com o tratamento e promoção da banda feitos pela editora?
A ligação à Inner Wound foi feita através da Intromental, o nosso management. Na verdade, tivemos uma outra oferta outra editora, mas a oferta da Inner Wound foi melhor. Estamos extremamente satisfeitos com o que a Inner Wound tem feito por nós e pelo álbum e até ao momento a promoção está a ir muito bem. Todos os dias mais gente descobre os Lost In Thought e o nosso álbum e ambos têm recebido excelentes respostas.

O álbum foi masterizado na Dinamarca pelo monstro Jacob Hansen. De que forma é que o seu toque se nota no vosso álbum?
Jacob certamente é um monstro quando se trata de engenharia. Eu não ouvi nenhum dos seus trabalhos que tenha sido rotulado de ok ou bom. São sempre inacreditáveis. Eu acho que se pode ouvir o seu toque no poder e clareza do álbum, adicionado dos pormenores da bateria. Ele sabe como ninguém como fazer soar a bateria.

Depois de uma estreia tão brilhante quais são os vossos objetivos para o futuro mais próximo?
Os nossos objetivos próximos passam por promover o álbum de uma forma eficiente o máximo que pudermos, a fim de tirar o melhor proveito de Opus Arise. Depois, quando sentirmos que estamos felizes com o que fizemos com o álbum então começaremos a escrever o seu sucessor. Estamos realmente animados para entrar no processo de escrita mais uma vez. Estamos mais maduros quer como como pessoas quer como músicos comparativamente ao período em que escrevemos o material para Opus Arise. Por isso, considero que será, de facto, um processo interessante.

domingo, 19 de junho de 2011

Review: Changes (Alyson Avenue)

Changes (Alyson Avenue)
(2011, Avenue Of Allies)

O nome Alyson Avenue pode não ser conhecido de muitos de vós. Todavia se vos disser que foi desta banda sueca que saiu Anette Olzon para os Nightwish em 2007, provavelmente já olharão com outra curiosidade para este nome. Este registo, terceiro da banda, marca então, a estreia de uma nova vocalista, na pessoa da Sra. Arabella Vitanc e conta com a prestimosa prestação da ex-vocalista nos coros de diversas músicas. A banda baseia o seu desempenho num rock/metal melódico que tanto descai para o westcoast AOR como para o hard FM, num campo, portanto, onde tudo já foi inventado. Aliás, nem parece ser esse o desígnio principal do coletivo. O que aqui é apresentado é bom hard rock melódico, a lembra muito as Heart, provavelmente devido ao registo vocal de Arabella Vitanc. Esse hard rock melódico segue bem as regras definidas pelos estrategas do passado (onde naturalmente se devem incluir as Heart) e a sua mais-valia está na criação de um conjunto de melodias muito apelativas e acessíveis, estruturas simples e diretas. Neste particular destaque para as entradas (Liar – curiosamente, este num formato muito próximo de Nightwish da era Dark Passion Play -, Will I Make Love - em dueto com o ex-Jaded Heart Michael Bormann – e Changes num registo mais cru) e para as saídas (Somewhere e Always Keep On Loving You). Pelo meio, Don’t Know If Love Is Alive apresenta uma das melhores melodias do disco bem enquadrada por um conjunto de temas muito easy listening e que proporciona bons momentos.

Tracklist:
1. Liar
2. Will I Make Love
3. Changes
4. Amazing Days
5. Don´t Know If Love Is Alive
6. Fallen
7. Into The Fire
8. I Will Be Waiting
9. I´ll Cry For You
10. Somewhere
11. Always Keep On Loving You

Lineup:
Arabella Vitanc : vocais
Thomas Löyskä : baixo, guitarras
Fredrik Eriksson : bateria
Tony Rohtla : guitarras
Niclas Olsson : teclados

Internet:

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Playlist 16 de junho de 2011

Review: Demon Attack (Alastor)

Demon Attack (Alastor)
(2011, War Productions)

Um dos nomes míticos do metal nacional, os Alastor, estão de regresso após alguns anos de silêncio com um novo trabalho composto por onze temas que, atendendo ao titulo dos mesmos serão todos vocalizados em português, com exceção de Red Hot, um notável trabalho de destruição de um original dos Mötley Crüe. Esta é uma edição da War Productions e traz como bónus a reedição do primeiro trabalho da banda, Gates Of Darkness de 1996. E o que se pode esperar deste regresso é uma descarga brutal e primitiva de black/thrash metal blasfemo, caracterizada por uma sonoridade suja, agreste e cortante. Os solos são claramente thrash metal na linha de Slayer, incisivos, com técnica e, por momentos capazes de introduzir alguma melodia. De uma forma criteriosa, a banda consegue manter um equilíbrio entre violentas descargas sónicas e momentos mais compassados. Neste último campo, merece destaque a sensacional peça fúnebre que é Hino Fúnebre, um curto instrumental de negro recorte que ajuda a acentuar a componente obscura e depressiva do álbum. No outro campo, as nossas preferências vão para Pura Devastação e Necromante. Curiosamente, e voltando a Red Hot, esta acaba por ser uma versão bem escolhida pela forma como o seu balanceamento e groove se encaixam bem nas típicas estruturas Alastor. Para o fecho fica guardada outras das boas surpresas: Depois do Ataque é uma curta peça atmosférica com registo acústico que, naturalmente, regista o descanso dos guerreiros envolvidos nas batalhas anteriores.

Tracklist:
01 - Antes do Ataque
02 - Pura Devastação
03 - Evocação a Lilith
04 - Necromante
05 - As Portas do Inferno
06 - Hino Funebre
07 - Fogo e Sangue
08 - Orgia Noturna
09 - A Mão esquerda de Deus
10 - Red Hot
11 - Depois do Ataque

Lineup:
JA - guitarras
NS - guitarras
GC - vocais e baixo
FS - bateria

Internet:

Edição: War Productions

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Review: Lionville (Lionville)

Lionville (Lionville)
(2011, Avenue Of Allies)

A Avenue Of Allies é a mais recente editora parceira de Via Nocturna e o seu campo de atuação é o hard rock na sua vertente mais suave, nomeadamente o AOR e o hard FM. Os dois primeiros registos a caírem na nossa mesa de trabalho foram o terceiro disco dos suecos Alyson Avenue (análise nos próximos dias) e a estreia do projeto italiano liderado pelo genovês Stefano Lionetti, Lionville, que agora nos ocupa. Para trabalhar neste projeto Lionetti recorreu a um conjunto de músicos com créditos firmados no panorama AOR/Westcoast/prog internacional, destacando-se o vocalista Lars Safsund dos Work Of Art e o guitarrista Bruce Gaitsch nome que já trabalhou com Richard Marx, Chicago ou Peter Cetera. Quanto ao produto apresentado, naturalmente trata-se de uma obra de AOR/Hard FM com associações evidentes a nomes como Foreigner, Toto, Survivor ou mesmo aos brasileiros NOW (um dos melhores álbuns de 2010, para Via Nocturna, se bem estão recordados). Melodicamente superior e tecnicamente irrepreensível, Lionville é um trabalho pleno de sobriedade e elegância quer na escrita das composições quer na sua interpretação. Here By My Side, Power Of My Dreams, Dreamhunter ou The Chosen Ones são peças mais rockeiras, mais vibrantes; pelo lado oposto, Centre Of My Universe e Over And Over Again situam-se mais no campo do westcoast AOR. O fecho faz-se de uma forma algo surpreendente com a balada acústica pincelada de subtis apontamentos sinfónicos, Say Goodbye. Não sendo um álbum fora-de-série, os Lionville acabam por apresentar um trabalho muito agradável à audição, em que temas como With You, Thunder In Your Heart ou Power Of My Dreams, se destacam num conjunto homogéneo que seguramente fará as delícias dos fãs do género.
Tracklist:
1.  Here By My Side
2. With You
3. Centre Of My Universe
4. Thunder In Your Heart
5. The World Without Your Love
6.  Power Of My Dreams
7. No End In Sight
8. The Chosen Ones
9. Over And Over Again
10. Dreamhunter
11. Say Goodbye
Lineup:
Stefano Lionetti – vocais e guitarras
Lars Safsund – vocais
Alessandro Del Vecchio – teclados
Pierpaolo Monti – bateria
Mario Percudani – guitarras
Andrea  Maddalone – guitarras
Anna Portalupi – baixo
Amos Monti – baixo
Internet:

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Entrevista - Tornado

Os amantes do thrash metal old school têm mais um motivo para se sentirem felizes. Os Tornado, banda holandesa com gente finlandesa conseguiram com Amsterdamn Hellsinki capturar a essência de nomes como Suicidal Tendencies, Slayer, Exodus, Nuclear Assault ou Overkill. E o vocalista de origem americana, Superstar Joey Severance, até nos confidenciou que já músicas para um segundo disco.

Antes de mais, parabéns pelo vosso álbum. Mas, afinal quem são os Tornado?
Muito obrigado pelas gentis palavras para o nosso álbum. Estamos contentes que gostes. Os membros da nossa banda são Michiel "Big Maaaan" Rutten e Daddy B nas guitarras, Johnny Wow no baixo, Starvin Marvin na bateria e Superstar Joey Severance nos vocais.

Como alguns de vocês fazem parte de outras bandas, podemos considerar os Tornado como um projeto paralelo?
Absolutamente não! Big Maaaan e eu conhecemo-nos há muitos anos e, normalmente, não vês um de nós sem ver o outro e a nossa equipa finlandesa são como irmãos. Por isso, apesar de alguns de nós tocarem noutras bandas, coletivamente todos nós temos uma missão. Ir para o palco e destruir tudo e todos (risos).

Se fizermos uma pesquisa rápida na internet podemos encontrar milhares de bandas com o nome Tornado. Vocês já mudaram de nome uma vez, mas, face a isso, não consideram uma outra mudança?
Originalmente a banda chamava-se Nemesis Divina, mas devido à quantidade de feedback que recebíamos em que pessoas tinham a impressão de que éramos uma banda black metal (e como vocês podem ver, apenas eu, Black Dynamite sou a única coisa "negra" na nossa banda!), decidimos procurar um novo nome que fosse simples mas eficaz e que estivesse relacionado com a nossa música. Em relação ao facto de não haver muita informação sobre a nossa banda online, pessoalmente, eu prefiro assim. O rock’n’roll é uma fantasia e numa altura em que as bandas colocam tudo o que fazem cá fora, não sobra espaço para a imaginação e a linha entre a banda e os fãs está a ser desfocada. Quando era mais novo, deitado na cama com um álbum na minha mão, olhava para as letras, fotos, notas etc., e ao mesmo tempo, na minha cabeça eu imaginava como devia ter sido no estúdio ou na sessão de fotos e na minha cabeça, isso era muito bom porque estava usando minha imaginação. Actualmente, tu consegues saber tudo o que uma banda está a fazer e, para mim, isso tira um grande pedaço da magia que é a música. Eu gosto de Ozzy, Motley Crue ou Slayer, mas não quero saber todos os detalhes sobre a sua vida pessoal ou o que eles fazem em estúdio ou como fazem seus registos. Então, nesse sentido, eu tento manter esse tipo de coisas a um nível mínimo! E para responder à segunda parte da questão, não, nós não vamos mudar o nome novamente.

Amsterdamn Hellsinki é um trabalho obrigatório de thrash metal old school. Quais são as vossas principais influências?
Para enumerar todas as minhas influências seria necessário o papel de um livro inteiro porque eu abosrvo muita coisa diferente, mas o mais óbvio e imediato seria Kiss, Slayer, Nuclear Assault, Overkill, Agnostic Front, Suicidal Tendencies, Exodus, Rick James, Muhammad Ali e Superstar Billy Graham.

A propósito quem teve a ideia para o título do álbum? E tem algum tipo de explicação?
O título do álbum, a capa e o conceito são meus e que é uma combinação dos nossos locais de origem e também é um lugar fictício onde as pessoas podem ir e passar um bom bocado sendo elas mesmas sem medo de perseguições. Como a capa representa, as meninas estão à espera para te deixar entrar (risos).

Com membros holandeses e finlandeses, não será muito complicado gerir os ensaios e as apresentações ao vivo?
Como estamos em dois países diferentes, será difícil para nós tocar ao vivo localmente quer na Holanda quer na Finlândia. Por outro lado, ambos os países são tão pequenos que mesmo que estivéssemos todos juntos em qualquer lugar, duvido que iríamos tocar mais ao vivo por causa do tamanho dos nossos países. Agora, estamos à espera que alguma banda seja suficientemente corajosa para dizer “ok Tornado, vamos sair e divertirmo-nos”.

Podes falar-nos agora um pouco sobre como se processa a escrita nos Tornado?
Este álbum foi praticamente todo escrito por mim e pelo Big Maaan. Naquela altura éramos só eu e ele, na banda, mas eu sempre acreditei que um dia nós íamos conseguir ser uma banda completa

E o processo de gravação com Peter Tägtgren nos Abyss Stúdios? Foi uma enorme experiência, suponho...
A gravação foi excelente. Os nossos irmãos finlandeses, bem como o Peter estavam um pouco nervosos com o facto de não sermos capazes de terminar o disco a tempo. Até que o Peter disse-nos: “Rapazes, tenho que ser honesto: eu não tenho certeza se vou ser capaz de fazer esse álbum em 10 dias. Eu já tenho aqui uma banda aqui há 3 semanas e quase não tem o seu álbum feito”. Olhámos para ele e dissemos: "ouve, pai, nós teremos isso pronto" e em seis dias deixámos todas as gravações de base completamente acabadas. A malta chegou e arrebentou!

Com membros de bandas diferentes e países diferentes podemos esperar uma segunda gravação?
Certamente haverá um segundo álbum e, acreditem ou não, a maioria das canções já estão escritas. Como actualmente não temos nenhuma tournée, este é o momento perfeito para começar as coisas juntos para que tenhamos um grande inicio. Gostaria também de dizer obrigado ao teu blog por gastar algum tempo a ajudar a promover a nossa banda!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Playlist 09 de junho de 2011

Review - 1912 (ReinXeed)

1912 (ReinXeed)
(2011, Liljegren Records)

Apenas um ano após a edição de Majestic, Tommy Johansson está de regresso com um line up completamente renovado e mais um disco dos seus ReinXeed, o 4º desde 2008. 1912 é um trabalho bombástico como os Rhapsody Of Fire, supersónico como os Dragonforce, melódico como os Stratovarius, com impressionantes cavalgadas épicas como os Iron Maiden e representa um passo em frente em relação à sua anterior proposta. Esse passo em frente nota-se sobretudo ao nível da melhoria das melodias, ao nível vocal com menor recurso aos agudos (ainda assim com o registo de alguns irritantes falsetes, como em Reach For The Sky) e ao nível dos coros, mesmo que voltem a aparecer alguns que parecem estar na rotação errada. No entanto, continua a verificar-se a pecha já apontada em Majestic: Tommy Jonhansson tem tanto de guitarrista dotado como de compositor limitado. 1912 é um disco composto por um conjunto de temas sempre prego-a-fundo, que apresenta três portentos de power metal a abrir (1912, The Final Hour e Terror Has Begun) mas que com a audição vem revelando falta de variabilidade e inovação, regendo-se por um registo muito previsível. O problema é que, na maioria dos temas, entre a camada representada pela poderosíssima secção rítmica (por vezes avassaladora!) e a camada onde se desenvolvem as agradáveis linhas melódicas vocais, pouca musicalidade existe, o que acaba por contribuir para o cansaço e a saturação. Os bons solos, os apontamentos sinfónicos, as melodias memoráveis e a velocidade, quase no limite do humanamente possível, acabam, todavia, por fazer de 1912 o melhor trabalho da carreira dos ReinXeed mas, ainda assim, apenas aconselhado aos fãs do tradicional power metal nórdico.

Tracklist:
1.1912
2. The Final Hour
3. Terror Has Begun
4. Spirit Lives On
5. Through the Fire
6. The Fall Of Man
7. The Voyage
8. We Must Go Faster
9. Challenge The Storm
10. Reach For The Sky
11. Farewell
12. Lost At Sea

Line-Up:
Tommy ReinXeed: vocais, guitarras, teclados
Calle Sundberg: guitarras
Nic Svensson: baixo
Mattias Johansson: guitarras
Björn Edlund: bateria

Internet:

Review - Ghosts (Devin Townsend Project)

Ghosts (Devin Townsend Project)
(2011, InsideOut)

Conhecido pela sua genialidade Devin Townsend tem conseguido criar obras de grande impacto sonoro e artístico. Nunca limitado a barreiras ou imposições, o músico canadiano tem vindo a desenvolver a sua atividade artística de forma completamente livre nos mais diversos projetos onde tem entrado. Acontece que, por vezes a linha entre genialidade e o fiasco é muito ténue. E isto prova-se em Ghosts, aquele disco que seria a parte calma do conjunto de quatro álbuns cuja sequência se iniciou em 2009 com Ki e Addicted e se completa agora com Ghosts e Deconstruction. Calma era o objetivo que era suposto ser enquadrado na música, mas em vez disso Devin Townsed criou uma obra completamente chata, enfadonha, fastidiosa e sem qualquer interesse onde é necessário esperar até à quinta faixa (precisamente a faixa título) para se escutarem alguns momentos minimamente agradáveis, sendo que a partir daqui nada mais de relevante acontece. Conhecem aqueles discos de música para meditação e autoreflexão que existem nos hipermercados? Pois bem, Ghosts acaba por ser um pouco assim, revelando-se um verdadeiro fantasma da obra já criada pelo canadiano. Muito atmosférico, com muitos ambientes criados pelos teclados, com muitas guitarras acústicas e flautas, mas tudo apresentado de uma forma insossa, sem vivacidade e sem qualquer rasgo de energia, este é um trabalho perfeitamente dispensável.

Tracklist:
1 Fly
2 Heart Baby
3 Feather
4 Kawaii
5 Ghost
6 Blackberry
7 Monsoon
8 Dark Matters
9 Texada
10 Seams
11 Infinite Ocean
12 As You Were

Line-Up:
Devin Townsend – vocais, guitarras, baixo e banjo
Dave Young – teclados
Mike St. Jean –bateria
Kat Epple - flauta

Internet:

Edição: InsideOut

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Entrevista - Sarah Jezebel Deva

Participou em mais de 35 discos de nomes como Cradle Of Filth, Therion, The Kovenant, entre outros. Tem uma carreira de 14 anos como backsinger. Formou os Angtoria e lançou o sensacional God Has A Plan For Us All. Em nome próprio registou A Sign Of Sublime e, agora, The Corruption Of Mercy. Senhoras e senhores : Sarah Jezebel Deva.

Olá Sarah! Antes de mais, deixa-me dizer que é uma honra para mim estar a fazer esta entrevista com uma das melhores vocalistas da atualidade. Apesar de teres um passado brilhante, gostaria de falar contigo sobre a tua carreira em nome pessoal. No entanto, a primeira pergunta é: por quê, esperaste por tanto tempo para criares a tua própria música?
Não foi nada planeado, simplesmente não aconteceu tão rápido quanto eu queria. Medo, suponho. Comecei os Angtoria em 2006 e correu muito bem, mas eu nunca acreditei, nunca acreditámos. Depois, assinei um contrato com uma má companhia e lancei A Signe Of Sublime e fizemos alguns espetáculos, mas as coisas não correram bem. Portanto continuo a tentar.

Como referiste, há alguns anos atrás criaste os Angtoria e lançaste o fantástico God Has A Plan For Us All. O que aconteceu para esse projeto ter desaparecido em tão pouco tempo?
Bem, Chris e Tommy tiveram filhos, eles não tinham emprego e precisavam manter um teto para as suas famílias, porque eu estava nos Cradle Of Filth e não queria deixar a banda. Simplesmente, Angtoria não resultou. Tivemos uma oferta para fazer uma tour com os COF mas essa decisão não foi avante apesar de eu estar preparada. Eu não sei se vai haver um outro álbum. Espero que sim até porque ainda estou muito orgulhoso do que fizemos.

Este é o teu segundo trabalho em teu nome próprio. O primeiro, A Sing Of Sublime teve uma má promoção, suponho. Ainda assim, isso permitiu-te entrar em tour como frontwoman. Que sensações e memórias guardas desses momentos?
Acho que coisas boas podem sair de coisas muito más. O álbum não foi melhor devido à falta de promoção, sim. A editora não se preocupou com nada nem com ninguém. Muita coisa aconteceu e nós acabamos por fazer apenas uma tour no Reino Unido e foi muito bom. Neste panorama negativo surgiu a Listenable e estamos muito felizes com isso porque talvez isto signifique que nos podemos esforçar e trabalhar arduamente para realmente começar a tour. Ainda ontem dei uma entrevista por telefone a uma outra revista e também disse o que te estou a dizer agora. Quanto a ser uma frontwoman, digo-te que tenho receio. Passei 14 anos como backsinger e não fazia ideia de como seria. Mas só estive nervosa nos primeiros 5 minutos antes do nosso primeiro espetáculo e quando me vi, pela primeira vez, no meio do palco senti-me muito bem. Parecia que já fazia isso há anos! Portanto, a resposta é: sim, sinto-me ótima! Mas claro, preciso de ganhar experiência e isso só se consegue com mais tournees e espetáculos

E agora, Corruption Of Mercy é um álbum sobre quê? Como descreverias este novo trabalho?
Em primeiro lugar, devo dizer que este álbum é 100 vezes melhor que o anterior! Nada de erros, nada de arquivos perdidos, nada a respeito da edição. Sentimos que este álbum é cheio de emoção, tem partes doom, partes rápidas e partes black metal. Cada música tem um tema, como foi feito em Angtoria. Costumo escrever sobre coisas que eu já vi, que me afetaram. Quase nunca escrevo sobre contos de fadas. Existem duas faixas com a mesma base temática. Uma é Sirens e a sua base é o lado sexy de uma alma penada ... se alguma vez houve um lado sexy para a morte. Depois, há Silence Please que representa o lado escuro dessa mesma alma penada, aquilo que ouves fora da tua janela à noite e que simboliza a sua morte... Ambas estas Banshee têm a sua própria chamada, um canto e frequentemente são muito sexy. A outra é muito escura, como uma bruxa e chora, lamentando-se, para chamar a atenção de outra maneira ... A razão porque escrevi uma canção como Silence Please é porque eu li sobre este tipo de banshee quando era criança e isso assustou-me imenso. Eu costumava ouvir raposas pela de noite e estava convencida que era uma alma penada. Eu penso muito sobre aquilo que escrevo.

Pelo que já depreendi das tuas palavras este trabalho não se pode comparar a A Sign Of Sublime. E quanto a Angtoria, que relação estabeleces entre os dois trabalhos?
Eu não acho que seja semelhante, mas há quem pense que é. Em algumas reviews aparece comparado a Angtoria. Apesar de isso ser bom para nós, não concordamos. Todos terão o seu ponto de vista. Este álbum é muito mais pesado que Angtoria. E quanto a A Signe Of Sublime, este álbum é mais pesado, mais pensado e um passo para cima. Do nosso ponto de vista está muito mais bem conseguido.

Como fizeste a seleção dos músicos que te acompanham? Foi uma tarefa difícil encontrar os elementos adequados às tuas ideias?
O line up usado em A Sign Of Sublime foi um conjunto de músicos de sessão, amigos e outras pessoas a ajudar-me a alcançar o meu objetivo. Quando as coisas não correram bem, Dan Abela, que trabalhou duro nas misturas do disco, sabia que eu tinha de fazer outro álbum em breve e iria ser bom. Desde aí Dan começou a tocar comigo e escrevemos este novo álbum juntos. Ablaz tocou com a gente na tournee britânica de A Sign Of Sublime, portanto ficou connosco na banda. Jamie Abela tinha tocado bateria em Zombie, quando a gravámos o ano passado, por isso fazia sentido juntar-se e depois Jonny entrou para as guitarras. Temos um bom line-up e seguramente com o tempo iremos ficar cada vez melhores. Por isso espero que este seja o line-up dos futuros álbuns.

Curiosamente, retornas à Listenable, que já havia lançado God As A Plan For Us All. É uma casa que merece a tua confiança...
Claro que sim! Eles são uma editora incrível, pessoas incríveis e trabalham muito pelo seu amor à música e aos músicos. Tivemos sorte que me querem de volta e eu estou muito feliz por ter tido outra oportunidade. Este negócio da música agora é mais dificil que nunca, ninguém quer arriscar, porque custa muito caro. Tudo o que eu posso dizer é que a Listenable terá três álbuns antes que eles se apercebam (risos). Estamos muito honrados por voltar a trabalhar com eles.

Neste novo disco, temos uma cover de Zombie. Por que esta escolha?
Eu não sou uma grande fã deles, mas sim uma grande fã desta canção em particular que foi um enorme sucesso no Reino Unido quando saiu e que foi muito bem aceite na cena metal. Fala da luta pela independência da Irlanda e como as coisas não mudaram desde 1916. A letra foi inspirada no atentado do IRA em Warrington, Cheshire, Reino Unido, em 1993, onde duas crianças foram mortas. Eu adoro cantar sobre a vida e as coisas que são reais e sou antiguerra e antirreligião. Por isso, parecia-me a música certa para cantar.

Para terminar, o que se está a preparar para promover este teu novo disco?
Bem, para além de tudo que a editora Listenable está a fazer, gravámos o nosso primeiro video. Escolhemos o tema The World Won’t Hold Your Hand porque tem muita energia e é apelativo. Todos na banda adoramos este tema. O video foi gravado pelo David Kenny que já tinha feito o video para A Sing Of Sublime e que já trabalhou com bandas como Trigger The Bloodshed. Este video será disponibilizado brevemente e posso dizer que estamos muito contentes com o trabalho. Esperemos, também, iniciar uma tournee no fim do verão. Por isso, estejam atentos a mais novidades.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Review - She (Jerusalem)

She (Jerusalem)
(2011, Pierced Records)

Formados em 1975 os Jerusalem são um dos nomes pioneiros da cena hard rock sueca, mas há dezasseis anos que não gravavam nada. 2011 marca o regresso desta lendária banda que ficou conhecida por ser a primeira banda sueca a passar na MTV, no longínquo ano de 1981. Nos últimos anos, quer os Jerusalem em coletivo, quer os seus membros de forma individual tem estado ativos. Individualmente todos têm editado álbuns a solo, enquanto coletivamente, têm sido publicadas compilações e trabalhos de recolha de temas nunca antes publicados. E assim se chega a She, trabalho de originais que não deixa dúvidas a ninguém: isto é hard rock ainda influenciado pelos tempos idos. Que é como quem diz, hard rock retro, apresentado de uma forma ligeira, descomprometida, homogénea e pouco ambiciosa. Os temas seguem as regras previamente estabelecidas, sem grandes rasgos de originalidade mas, também sem grandes aborrecimentos. Um trabalho regular, portanto, aconselhável apenas aos indefetíveis do género.

Tracklist:
1. Calling on
2. Come on
3. I want to leave her
4. Suddenly
5. Supernatural
6. Save my life
7. She
8. Amos 5
9. Crown the king
10. The story of D
11. Heaven
12. The greatest party
13. Standing at Jericho

Line-Up:
Ulf Christiansson – guitarras e vocais
Peter Carlsohn – baixo
Michael Ulvsgärd – bateria

Internet:

Edição: Pierced Records

sábado, 4 de junho de 2011

Entrevista - Alexandre Cthulhu

Influenciado pelos grandes nomes da guitarra como Vai ou Satriani, Alexandre Cthulhu, guitarrista dos Face Oculta, decidiu aventurar-se numa experiência a solo. E quando dizemos a solo, queremos dizer isso mesmo: somente Alexandre e a sua guitarra. Depois de algumas apresentações bem sucedidas pelo país chega Psyche o primeiro EP. Em nome próprio, Alexandre Cthulhu respondeu ás questões de Via Nocturna
Este teu projeto acaba por ser algo inovador no panorama nacional. Como surgiu a ideia de o criares?
Surgiu fruto de uma vontade de me expandir musicalmente, fazendo aquilo que mais gosto : tocar guitarra. Achei que poderia ser interessante levar a cabo um projeto onde fizesse em palco, aquilo que a maior parte dos guitarristas faz em estúdio, que é tocar, improvisar, criar, etc.
Costumo dizer em tom de brincadeira, que é um projeto económico de acordo com os dias em que vivemos. Repara: não preciso de alugar sala de ensaio, não estou dependente da disponibilidade de outros músicos para agendar concertos, e posso até ir à boleia para os concertos (risos). Em suma, tem muitas vantagens e poucas preocupações.
E acabas por levar este projeto a vários palcos deste país. Como tem sido a aceitação?
Tem sido muito boa. As pessoas ficam sempre com curiosidade quando vêm um tipo sozinho num palco a tocar guitarra e acabam por achar interessante. Costumo citar o que a revista Time Out escreveu sobre a minha estreia: "É para quem gosta mais de solos do que de canções".

Quando decidiste que era altura de registar os temas num EP?
Após os concertos as pessoas vinham sempre procurar por um CD meu. E era embaraçante dizer que não tinha nada gravado (risos). Na primeira oportunidade que tive, juntei-me com o Paulo Viera no estúdio dele e gravámos alguns temas. Daí saiu o Psyche.


Podes explicar-nos como fazes a manipulação dos sons das backing tracks?
Procuro sempre trabalhar sobre backing tracks que tenham uma boa secção rítmica, sobre isso meto uma guitarra ritmo ou um teclado, ou até uma twin harmony. Os solos vêm no fim, pois é sobre este aspeto que incide o trabalho. O backing track é apenas paisagístico.

 
Em termos técnicos, quem é a tua maior inspiração?

Indiscutivelmente os 2 nomes mais sonantes da guitarra elétrica contemporânea: Joe Satriani e Steve Vai.

 
Para além deste teu trabalho, tens os Face Oculta. Como tem sido feita a gestão do tempo entre os dois projetos?

É verdade. Os Face Oculta são o meu projeto principal. Só agendo concertos para o Cthulhu quando os Face não têm espetáculos. Contudo até tem acontecido tocar em ambos os projetos num só evento. Aconteceu no Horns Up Festival, vai acontecer no Lobão Metal Fest dia 10 de Junho em Stª Mª da Feira e no VIII Gaia em Peso, em outubro.



Sei que os Face Oculta têm estado a preparar novo material. Qual o ponto da situação, se é que nos podes levantar a ponta do véu…
Só vamos entrar em estúdio em 2012. Estamos cheios de concertos este ano, inclusive com diversas idas ao estrangeiro, o que não nos resta tempo para parar e começar a compor e gravar.

A terminar, que outras novidades nos podes adiantar relativamente a Face Oculta ou ao teu projeto?
Sobre os Face Oculta as novidades para já são muitos concertos até final de 2011. Quanto a Cthulhu as novidade vão surgindo, pois o interesse tem sido enorme, pois para além das rádios Portuguesas, há também rádios Norte Americanas e Canadianas a passar os temas de Psyche.

Obrigado.
Obrigado e continuação de bom trabalho no Via Nocturna.