domingo, 31 de julho de 2011

Entrevista: Love.Might.Kill

O que levará um baterista com créditos firmados (tocou com Uli Jon Roth, Firewind, Metalium) a escrever um conjunto de canções e, posteriormente, a erguer a sua própria banda? Michael Ehré descobriu que tinha um conjunto de temas com um enorme potencial mas que não cabiam nos seus projetos principais. Assim nasceram os Love.Might.Kill, juntando outros elementos importantes da cena europeia, com destaque para o excelente vocalista italiano Jan Manenti. O próprio baterista explicou a Via Nocturna as suas expectativas para Brace For Impact, a auspiciosa estreia do projeto.

Olá Michael, que razões presidiram à criação deste novo projeto, Love.Might.Kill?
Tudo começou há alguns anos atrás quando decidi trabalhar em algumas faixas que tinha no meu computador. Essas eram faixas que não podiam ser usadas nas minhas outras bandas porque não se enquadravam no seu estilo, mas tinha a consciência que eram demasiado boas para ficarem num computador. Na altura decidi, também, aumentar os meus conhecimentos sobre produção. Portanto, gravei essas canções e fui procurar um vocalista. Com Jan Manenti as canções cresceram tanto que decidi começar uma nova banda real.

Esta nova banda acaba por ter um nome pouco usual, pela forma como as palavras são combinadas. Existe algum significado para esta denominação?
Atualmente é difícil encontrar um nome que não seja usado ou não tenha sido usado por qualquer outra banda no mundo. Eu tinha algumas ideias porreiras para o nome, mas todas elas já eram utilizadas. Então, um dia Love.Might.Kill surgiu na minha mente. Pesquisei para ver se era um nome livre. Gostei, especialmente da forma como se pode olhar para as palavra de forma separada ou como um frase. Também gostei da forma como as letras e todo o artwork caminha lado a lado com o nome da banda. É um bom conjunto!

E como fizeste para proceder à seleção dos músicos?
Eu conheci o nosso vocalista, Jan Manenti em Itália quendo andava em tournee com Kee Marcello (o ex-guitarrista dos Europe). Ele juntou-se a nós em palco no Rock The Night e imediatamente percebi que ele era a pessoa indicada para Love.Might.Kill. Os nossos guitarristas, Stefan Ellerhorst e Christian Stöver tocavam juntos numa das minhas bandas favoritas, os Crossroads, desde os anos 90 e desde essa altura, temos sido bons amigos, por isso foram a minha primeira escolha. Com Jogi Sweers no baixo, tenho outro grande amigo meu na banda. Recentemente fizemos alguns espetáculos com Sascha Onnen (ex-Mob Rules) nos teclados. Parece que encontramos um line-up perfeito!

Sendo Love.Might.Kill um coletivo germano/italiano, como é feita a gestão do processo de escrita?
Atualmente já não é um grande problema. Eu e o Jan trocamos o material via internet. É uma maneira fácil e barata de comunicar. A bateria, guitarras, baixo e teclados foram gravados no meu próprio estúdio.

Agora a respeito de Brace For Impact, a vossa estreia, está de acordo com as vossas expectativas?
Quando comecei este percurso, sinceramente, nunca pensei que o nosso disco pudesse ter tão boas críticas e tanto destaque. Estamos muito contentes com as reações e estamos muito contentes com o disco. Eu não sei se venderemos muitos discos, mas quem vende atualmente, a não ser as grandes bandas? Mas temos recebido muitos emails de todo o mundo de pessoas que realmente gostaram do álbum. E isto é uma ótima experiência que, de todo, não esperávamos.

E como o descreverias?
Na minha opinião, fizemos um disco com muitas melodias combinadas com guitarras bem heavy, ritmos groovy e uma excelente produção. Eu chamar-lhe-ia metal melódico, mas cada um terá a sua visão. Eu já li que Brace For Impact é um álbum pop e também já li que é heavy metal. No fundo, não interessa a forma como é classificado. O importante é se gostas ou não.

Sendo músicos tão experientes, que perceção têm do potencial deste disco?
Como eu já disse, nós não sabemos quantos discos venderemos. Não temos grandes expectativas. Estamos muito relaxados e sem qualquer tipo de stress a esse respeito.

E o feedback tem correspondido, pelo que percebi das tuas palavras?
Ah, sim! Temos tido muitas reviews muito boas Esta é a primeira vez em toda a minha carreira em que as críticas são tão boas. Para ser honesto, até estou um pouco assustado (risos).

A vossa editora, a Massacre fez um forte trabalho promocional com este trabalho. Sentem que poderão ser um dos nomes marcantes do metal europeu dos próximos tempos?
Bem, esta é apenas a nossa estreia e ainda são poucos os que conhecem os Love.Might.Kill. mas estamos a trabalhar para sermos mais conhecidos no futuro e tornarmo-nos num dos nomes sonantes da cena metal europeia. O futuro o dirá.

Para terminar: como fica a situação nas vossas bandas de origem?
É tudo uma questão de coordenação. Para mim é um prazer poder tocar com todos esses grandes músicos e bandas. Mantêm-me ocupado e aprendo imenso. E certamente ajudará a crescer a minha banda Love.Might.Kill.

sábado, 30 de julho de 2011

Review: Matéria Negra (Medo)

Matéria Negra (Medo)
(2011, War Productions)

Depois da aclamada estreia Fantasmasis, os black metallers Medo estão de regresso com mais um disco obscuro, frio, blasfemo, poderoso e sinistro, intitulado Matéria Negra. O duo é inspirado pela mais gélida e crua escola de black metal, influenciando-se também nas artes da bruxaria e da loucura. Por isso, Matéria Negra é um disco arrepiante, onde abundam os pormenores experimentais que ajudam, ainda mais, a tornar os Medo um coletivo de respeito e… assustador. A banda acaba por conseguir criar um disco que não perdendo a sua capacidade de terror e de blasfémia, se revela suficientemente diversificado e altamente atrativo, conseguindo incrustar arrepiantes momentos melódicos. Os vocais são muitas vezes declamados, narrando histórias, nem sempre muito agressivos, mas sempre altamente arrepiantes e assustadores. A primeira experiência extrassensorial digna de registo surge à terceira faixa, You Will Never Burn All The Witches, através dos coros iniciais e vocais épicos a terminar. Trabalho de Magia Negra (Segundo S. Cipriano) é uma autêntica experiência diabólica e Medium surpreende pelo seu groove, capacidade melódica e pela forma como é feita a abordagem em termos vocais. Analisando sobre outro prisma, O Verdugo é uma das peças mais consistentes em termos de puro black metal e Rituale Romano, em latim, apresenta-nos um tratado satânico de respeito. Alternando temas crus e duros, com passagens mais sofisticadas e trabalhadas, e tendo, ainda tempo para meter pelo meio, passagens narradas que contam histórias tenebrosas, Matéria Negra acaba por se assumir como um disco muito competente e uma das melhores propostas no seu género.

Tracklist:
01 - Por Trás da Porta de Ferro
02 - O Portador das Tormentas
03 - You Will Never Burn All The Witches
04 - Trabalho de Magia Negra (Segundo S. Cipriano)
05 - Medium
06 - Mistério da Nau da Morte
07 - Vultos de uma Batalha
08 - Almas Penadas
09 - O Verdugo
10 – Licantropo - A Maldição
11 - Rituale Romanum

Lineup:
Medo I – bateria, sintetizadores, guitarra e baixo
Medo II - vocais

Internet:

Edição: War Productions

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Review: Phenakism (Concealment)

Phenakism (Concealment)
(2011, Major Label Industries)

Quatro anos após a edição de Leak, os sintrenses Concealment estão de regresso com Phenakism, um trabalho de thrash/death metal extremamente complexo que exige atentas e várias audições. É nas estruturas altamente criativas e imaginativas, com base em guitarras dissonantes e batidas poliritmicas e num baixo de 9 cordas, que reside grande parte do interesse de Phenakism. Existe uma enorme dinâmica ao nível rítmico e estrutural que se repercute em inúmeras variações dentro do processo de composição. Esta tem como base campos jazzisticos/música contemporânea que de uma forma intensa interagem com o metal para, desta forma, nascer a tal complexidade e dinamismo referidos. Depois, existem alguns pormenores que ajudam a fazer a diferença em relação a outros nomes: referimo-nos aos solos de hammond e honky tonk piano em Stridulation e Malformations, cortesia de Nuno Rodrigues e principalmente ao descomunal e desconcertante solo de sax em Deluge protagonizado por Gonçalo Prazeres. Em termos de convidados, regista-se, ainda, a presença de Ronnie Resmini em Malformations e Pedro Pedra e Nocturnus Horrendus em Empalamento dos Sentidos. Os vocais, quase sempre agressivos, apenas atenuam em Orifice com a inclusão de vocais limpos e em Empalamento dos Sentidos com ligeiras aproximações a Mão Morta. No entanto, a sua linearidade acaba por não ser condizente com a versatilidade apresentada pelo restante produto. Ainda assim, para quem procura um disco de death metal que fuja completamente dos estereótipos do género sem perder a capacidade de dureza e agressividade, Phenakism é a melhor proposta dos últimos tempos.

Tracklist:
1. Hamartia
2. Stridulation
3. Deluge
4. Yielding Radiance
5. Malformations
6. Orifice
7. Mantis Complex
8. On Behalf Of malady
9. Ingravescent
10. Cyclothymic
11. Empalamento dos Sentidos

Lineup:
Filipe Correia – guitarras, vocais
David Jerónimo – bateria
Paulo Silva – baixo

Internet:

terça-feira, 26 de julho de 2011

Review: Origami (ThanatoSchizo)

Origami (ThanatoSchizo)
(2011, Major Label Industries)

Os ThanatoSchizo são, seguramente, a banda nacional mais corajosa e audaz. Corajosa e audaz no sentido de não temer arriscar, derrubando barreiras, ultrapassando limites. Com uma carreira de 13 anos alicerçada em 4 álbuns e um EP de elevada qualidade, onde as notas dominantes são a criatividade, a capacidade de inovação e o sentido constante de evolução, a banda transmontana chegou, em 2008 a um patamar único do panorama nacional com a edição de Zoom Code, um trabalho de excelência. A questão que se colocava era: como iriam os TSO superar, mais uma vez, tão grandiosa obra? Pois bem, Origami é a resposta, de forma concludente, de como a banda superou Zoom Code e até, eventualmente, se superou a si própria. Ano e meio de trabalho árduo, levando aos limites o conceito já abordado noutros trabalhos de world/ethnic music cruzado com metal, resultou em Origami um disco que, afinal de contas nem é metal nem é de originais. No entanto, a forma como a banda recupera temas de trabalhos anteriores e lhes dá uma nova roupagem, em formato acústico e com a inclusão de instrumentos tradicionais (portugueses e não só) e filarmónicos, faz com que todos esses temas ganhem uma nova vida. Um vasto conjunto de convidados, de todas as áreas musicais, ajudam a elevar Origami a um nível único, nunca antes atingido por qualquer banda nacional. De uma simplicidade desarmante mas, simultaneamente, de uma complexidade vibrante, Origami é um álbum de rara beleza. Uma beleza que começa no artwork e se estende por um conjunto de 12 temas que, na maioria dos casos, chegam a ser brilhantes. A bossa nova em Sweet Suicidal Serenade, o folclore transmontano em inExistence, as atmosferas encantadoras em Nightmares Within ou Pale Blue Perishes, as sublimes linhas de piano em The Journey’s Shiver ou a brilhante mistura híbrida de dois temas (RAW e Void) num só são apenas alguns exemplos da grandiosidade de um álbum que é imperioso descobrir e adquirir. Fundamental em qualquer discografia, Origami é uma marca indelével na história da música portuguesa.

Tracklist:
1. Inexistence
2. (Un)bearable Certainty
3. Nightmares Within
4. Pervasive Healing
5. RAWoid
6. Sublime Loss
7. Dance Of The Tender Leaves
8. Sweet Suicidal Serenade
9. The Journey’s Shiver
10. Hereafter Path
11. Last Of The Few
12. Pale Blue Perishes

Lineup:
Patrícia Rodrigues – vocais
Guilhermino Martins – guitarras, vocais
Miguel Ângelo – baixo
Filipe Miguel – teclados
Paulo Adelino – bateria

Internet:

sábado, 23 de julho de 2011

Review: Brace For Impact (Love.Might.Kill)

Brace For Impact (Love.Might.Kill)
(2011, Massacre)

Os Love.Might.Kill são uma nova entidade germano-italiana que conta com os préstimos do baterista Michael Ehré (Firewind, Uli Jon Roth, Metalium) e do brilhante vocalista Jan Manenti. A sua estreia, Brace For Impact, acaba por ser uma (muito) agradável surpresa. Mistura toda a frescura que só é possível encontrar numa estreia, com a experiência de muitos anos de composição. Por isso, Brace For Impact, um disco de metal melódico na sua melhor definição, é um disco muito bem conseguido, convincente e com um conjunto de excelentes temas, dos quais destacaríamos, Tomorrow Never Comes, Calm Before The Storm, Pretty Little Mess, We Are The Weak ou Reach Out, que seguramente agradará aos fãs do metal tradicional da linha Dio, Judas Priest ou Iron Maiden. Em geral, o desempenho técnico dos elementos do coletivo é notável, com evidência numa secção rítmica forte e dinâmica e, muito principalmente, no desempenho dos dois guitarristas (Christian Stöver e Stefan Ellerhorst), na forma espetacular como recuperam a metodologia do guitar-twin-duo dos anos 90. De uma forma surpreendente, o coletivo acaba por arrasar a concorrência nesta área do metal, nomeadamente Kamelot ou Serenity, fruto de um trabalho bem escrito, bem produzido, bem executado e com um enorme potencial para inscrever este nome na galeria dos melhores lançamentos do ano. Absolutamente recomendável!

Tracklist:
01. Tomorrow Never Comes
02. Calm Before The Storm
03. Pretty Little Mess
04. Caught In A Dream
05. Through The Dawn
06. Brace For Impact
07. We Are The Weak
08. Down To Nowhere
09. Pray To Your God
10. Reach Out
11. The Answer
12. Will Love Remain

Lineup:
Jan Manenti - vocais
Christian Stöver - guitarras
Stefan Ellerhorst - guitarras
Jogi Sweers - baixo
Michael Ehré – bateria

Internet:

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Review: Call Upon The Wicked (Seven Witches)

Call Upon The Wicked (Seven Witches)
(2011, Massacre)

Oitavo álbum para a banda de New Jersey, Seven Witches, criada em redor da mente do ex-Metalium e Savatage, Jack Frost e que conta com as prestações de James Rivera (Helstar, Distant Thunder) no regresso aos vocais e Mike LePond (Symphony X) no baixo. O quarteto completa-se com o baterista Taz Marazz, num alinhamento no qual apenas Frost se mantém da formação original e que se apresenta como o mais forte da carreira do colectivo. Call Upon The Wicked, sucessor de Deadly Sins, surge 4 anos após aquele, mantendo as características do puro heavy metal guerreiro e provocante, da linha europeia, seguindo as pisadas de ícones como Judas Priest. O que é certo é que, este novo trabalho da banda acaba por se revelar como a mais variada e madura proposta do colectivo até à data. Poderoso, com cavalgadas épicas, ora compassado, ora speedado, vocais cheios de agudos nas partes terminais dos versos e por momentos bem agressivos, solos de bom nível técnico, este é um disco que, certamente, fará as delícias dos fãs mais tradicionais do género.

Tracklist:
1. Fields Of Fire
2. Lilith
3. Call Upon The Wicked
4. Ragnarock
5. End Of Days
6. Mind Games
7. Harlot Of Troy
8. Eyes Of Flame
9. White Room
10. Metal Tyrant (Digipak bonus)
11. Metal Asylum (Digipak bonus)
12. Jacob (Digipak bonus)

Lineup:
James Rivera – Vocais
Jack Frost – Guitarras
Mike LePond – Baixo
Taz Marazz – Bateria

Internet:

Edição: Massacre Records

domingo, 17 de julho de 2011

Review: Hail! Hail! (Supagroup)

Hail! Hail! (Supagroup)
(2011, Foodchain)

Os Supagroup são uma banda originalmente nascida no Alaska pelas mãos dos irmãos Lee (Chris e Benji) e atualmente, sediada em Nova Orleães, e este Hail! Hail! é já o seu sexto álbum trabalho de originais, depois de um hiato de 4 anos, após a edição de Fire For Hire. Este conjunto de treze temas situa-se num ponto de confluência entre o hard rock, o rock’n’roll e o rock sulista, sendo por vezes salpicado de apontamentos blues, country ou mesmo punk. Hail! Hail! é um disco recheado de puro e genuíno hard rock dos anos 70, numa linha Lynyrd Skynyrd, se bem que por vezes se aproxima de uns Motorhead (em That’s Enough Boys), de Deep Purple (na soberba Never Bring A Knife To A Gunfight) ou até de Black Sabbath, principalmente ao nível vocal (em The Bold Are Doomed To Die). Com o seu som sujo e alguma atitude glam, conseguem desenvolver um universo de mistério, magia, fantasias sexuais, decadência e destruição. No entanto, por momentos, a banda consegue ser subtil, como acontece com o instrumental Along The Yangtze, ou com o final em registo acústico, And The Sun Will Still Shine e criar momentos mais introspetivos e melódicos. Mas o mais importante é mesmo a sua atitude descomprometida que leva os Supagroup a criarem um disco de verdadeiro hard rock, sem artificialismos, cheio de atitude, por vezes desenfreado e frenético. Afinal, como todos os discos de rock’n’roll deveriam ser…

Tracklist:
1. Hail! Hail! (Rock And Roll)
2. Sexy Summertime
3. Back In The Game
4. That’s Enough Boys
5. Where’d You Put The Whiskey?
6. Down He Goes
7. Along The Yangtze
8. Dear Hong Kong
9. The Bold Are Doomed To Die
10. Lie In The Age Of The Cage
11. Crazy Too
12. Never Bring A Knife To A Gunfight
13. And The Sun Will Still Shine

Lineup:
Chris Lee – vocais, guitarras
Benji Lee – guitarras, vocais e teclados
Leif R. Swift – baixo
Michael Brueggen – bateria

Internet:

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Entrevista: Bridger

Apaixonado pela guitarra desde os 13 anos quando ouviu Edward Van Halen, galardoado no baseball escolar, fervoroso adepto do desporto, Glen Bridger é, antes de mais, um brilhante guitarrista. Para além do seu desempenho nos Head East, o músico de Kansas City juntou alguns amigos, entre eles Terry Ilous (XYZ, Great White) e gravou em nome próprio um trabalho homónimo. E foi este o mote para uma conversa com Via Nocturna.

Viva Glen! Este é um novo projeto teu. Porque sentiste a necessidade de criar uma nova banda?
Eu queria escrever material que, na realidade, não se coadunava com o estilo da minha outra banda Head East. Então, como compositor eu precisava dum novo projeto para fazer isso.

Acabaste por trabalhar com vários músicos experientes. Foi fácil convencê-los a participar no teu próprio projeto? E que critérios utilizaste para escolher estes músicos?
Na verdade, eu só convidei o Terry Ilous. Todos os outros já eram meus conhecidos. Terry é muito amigo de JK Northrup e, uma vez que decidimos ter o JK na gravação e masterização, tudo se encaixou. Sem dúvidas, há muitos grandes músicos neste disco.

A respeito da música em Bridger, como descreverias este álbum? A mim parece-me que consegues tocar vários estilos. Sempre foi esse o objetivo?
Decidimos, durante a fase de escrita, que queríamos alguma variedade neste disco. Existiu um conjunto de canções que não se encaixaram e ficaram de fora. Eu descreveria este trabalho como um disco de rock de vanguarda.

Bridger é um lançamento da Escape Music. Como chegaram ao contacto?
Eu já conhecia o Khalil há alguns anos. Eu até tinha algumas músicas que eles estavam interessados em reeditar. As gravações estiveram marcadas mas o cantor estava muito ocupado no momento e nada realmente aconteceu. Quando este disco ficou concluído, enviei algumas amostras para o Khalil e aqui estamos.

Podes falar um pouco sobre o processo de composição e gravação de Bridger?
Bem, este começou quando enviei três músicas para Terry Ilous. Eram elas On The Ledge, Live For A Moment e Without A Sound. Fizemos tudo isso através da internet no início, já que ele vive em Los Angeles e eu vivo Kansas City Missouri. Como gostamos do resultado final, fui para Los Angeles por alguns dias e escrevemos o resto do álbum. Pedi ao Pat Fontaine para ajudar com letras e beber umas cervejas, já que o Terry muito raramente bebe. Decidimos usar o estúdio do JK Northrup e o Danzoid para tocar bateria. Alguns meses mais tarde, fomos para Sacramento, com Terry e gravamos quase tudo em 5 dias. O Terry terminou de gravar a sua voz no estúdio de sua casa e eu terminei, substituído algumas faixas de guitarra no meu estúdio em casa. Ao mesmo tempo, Sam, Greg, Larry, e Marcos faziam as suas partes. Demorou um pouco, porque o Terry tem estado ocupado com os XYZ e Great White e eu com os Head East, mas foi uma grande experiência.

Qual é a tua opinião sobre esta nova era de renascimento do hard rock clássico?
Eu acho que é ótimo ver Journey, Whitesnake, Night Ranger etc lançar material novo. As pessoas querem ouvir boa música. Só porque nós envelhecemos um pouco não significa que não podemos Rockar!

Em termos pessoais, quais são os teus guitarristas favoritos?
Comecei a tocar guitarra depois de ouvir o Running With The Devil de Van Halen. Ele é a minha maior influência. Não se chega a essa conclusão por este álbum, porque propositadamente deixei de fora o tapping e whammy bar. Já ouvi muito guitarristas, mas o Edward foi a maior influência. Os meus outros guitarristas de topo são George Lynch, Paul Gilbert e Brad Gillis.

E a respeito dos Head East, qual é a situação atual?
Estamos em estúdio a terminar um novo disco agora. Esperamos publicá-lo no outono. Em outubro do ano passado filmámos alguns vídeos para coincidir com o lançamento do disco. Temos também um álbum ao vivo chamado One Night. Podem descobrir onde obtê-lo em http://www.head-east.com/.

O álbum termina com uma homenagem emotiva a Ronnie James Dio. Primeiro de tudo, porque escolheste esta canção em particular? Segundo, que influência teve Dio na tua carreira?
Um dia, Terry e eu estávamos a conversar sobre fazer uma homenagem a Ronnie ainda antes dele falecer. O Terry conhecia o Ronnie e queria fazer uma homenagem ao seu amigo. Como Ronnie estava muito doente decidimos fazer uma versão de Heaven And Hell, porque tem toda a dinâmica de uma grande música rock. Mesmo que eu nunca tenha conhecido o Ronnie, ele tinha uma forte influência no meu estilo de escrita. E também sei que ele era tão grande de uma fã de desportos como eu sou. Perdemos uma grande voz, isso é que é certo!

Playlist 14 de julho de 2011

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Review: Werk 1: Nachtfall (Marienbad)

Werk 1: Nachtfall (Marienbad)
(2011, Massacre)

Nos anos 60, uma pequena povoação, Marienbad, situada onde fica agora a atual República Checa, foi submersa quando o vale onde se localizava foi inundado para ser criado uma barragem. Toda a população foi recolocada. Toda… menos 12 habitantes que preferiram morrer com a sua aldeia. Este é o conceito trabalhado por M. Roth e Yantit, elementos conhecidos pelo seu trabalho com os Eisregen, aqui acompanhados pelo baterista dos The Vision Bleak, Allen B. Konstanz e pelo baixista dos Panzerkreutz e Hämatom, West. E como uma simples brisa, o quarteto faz renascer a bela localidade e conta lendas quase esquecidas num disco que, desde logo, prima pela originalidade de apresentar duas versões: uma cantada em inglês e outra em alemão. E como resultado de um trabalho de 18 meses, o coletivo apresenta um trabalho muito rico em termos emocionais, dando a conhecer histórias arrepiantes. Por aqui ficamos a saber o que aconteceu a Roslin ou às sete crianças que brincavam à beira do lago quando se deu um eclipse solar, podemos entrar na mansão amarela do suicídio ou ficarmos petrificados quando um comboio de prisioneiros chega à aldeia. Como um filme, Werk 1 – Nachtfall, chega ao fim e conseguimos sentir as águas gélidas do lago e a dor e sofrimento de 12 habitantes que se recusam a abandonar o que lhes pertence. Mesmo com o sacrifico da própria vida! Musicalmente, este é um trabalho que mistura belas melodias com arranjos dramáticos perfeitamente enquadrados por líricas sinistras e mórbidas. Como já acontecia nos Eisregen, Roth e Yantit não se limitam ao óbvio e expandem a sua capacidade de composição a estilos que vão desde o doom ao gótico, passando pelo death ou epic metal, assinando um disco com um conceito único e mostrando uma superior capacidade criativa.

Tracklist:
1. Komm nach Marienbad
2. Roslins Fluch
3. Sieben im Teich
4. Flammnacht
5. Die gelbe Villa der Selbstmörder
6. Endbahnhof
7. Wasserwall
8. Unter Dammkrone

Lineup:
M. Roth – vocais
Yantit – guitarras, teclados
West – baixo
Allen B. Konstanz – bateria

Edição: Massacre Records

terça-feira, 12 de julho de 2011

Raven Lord assinam pela Rock'n'Growl

Os Raven Lord, banda formada por Csaba Zvekan (Killing Machine, Sardonyx, Emergency) assinou recentemente com a Rock N Growl. Esta banda europeia está agora a procurar os restantes membros que lhe permita finalizar a pré-produção do seu álbum. Os Raven Lord são comparados a bandas como Black Sabbath, DioYngwie Malmsteen e Judas Priest. Até à data, o line up dos Raven Lord consiste em: Csaba Zvekan nos vocais; Stefan Lindholm (Vindictiv) na guitarra solo; Alessandro Del Vecchio (Eden's Curse, Edge Of Forever) nos teclados e Tobias Flensburg na bateria. A banda procura, ainda, um baixista e um segundo guitarrista, nomes que deverão ser anunciados em breve.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Review: Suicidal (E.D.G.E.)

Suicidal (E.D.G.E)
(2011, Edição de Autor)

É indiscutível: a cena metal nacional está cada vez mais pulverizada e simultaneamente mais descentralizada. Por um lado são cada vez mais os jovens coletivos de qualidade a surgirem e a apresentarem bons registos. Por outro lado, assistimos cada vez mais à emergência de grupos de qualidade exteriores ao habitual círculo formado pelos perímetros urbanos das grandes cidades, Porto e Lisboa. Neste particular, o Alentejo tem-se revelado, nos últimos tempos, como um importante alfobre de nomes com capacidade criativa. Os E.D.G.E. são uma das mais recentes criações da planície e Suicidal é o seu primeiro EP constituído por 5 temas de thrash/death metal. A produção está longe de ser perfeita, mas isso não é impeditivo de se perceber que estes rapazes estão a construir algo de interessante. A capacidade técnica demonstrada nos solos (brilhante em Whaterver It Takes) e as mutações criativas que conseguem introduzir nas estruturas dos temas são as provas cabais disso. Aparentemente, a principal pecha parece ser o capítulo vocal, nomeadamente nos limpos, e mais notória num tema como, por exemplo, One Love Song. Isto, independentemente de mesmo nesse campo o coletivo mostrar possuir boas ideias. Os jogos vocais em Suicidal até são interessantes e poderiam resultar muito melhor, com mais trabalho nesse capítulo. Resta agora ao quarteto aplicar-se, dedicar-se, corrigir o que está menos bem, aperfeiçoar o que está muito bem e não parar. Contamos convosco para o futuro…

Tracklist:
1. Breakdown
2. MHGP
3. One Love Song
4. Suicidal
5. Whatever It Takes

Line-up:
Rui Figo - Voz, guitarra
Sandro "Cica" - Voz, guitarra
Jorge Trindade - Baixo
Nuno Barriga - Bateria

Internet:

domingo, 10 de julho de 2011

Review: Bridger (Bridger)

Bridger (Bridger)
(2011, Escape Music)

Este é o novo projeto de Glen Bridger (Head East) que, reunindo um conjunto de nomes mais ou menos sonantes, entre os quais Terry Ilous (XYZ, Great White) nos vocais e Sam McCaslin (Michael Schenker, Carmine Appice) nos teclados, apresenta a sua estreia numa forma promissora. Este é um disco que recorre a nomes como Great White ou Mr. Big e que, claramente, pode ser dividido em duas partes. Com um começo forte, a primeira metade é a melhor conseguida, com temas bem escritos e suficientemente diversificada para manter a atenção do ouvinte. Desde a abertura rockeira com Tuesday Afternoon, até à balada acústica Without A Sound, passando pela bluesy On The Ledge, pela dinâmica e possante Don’t Push Me e, fundamentalmente, por How Long, a melhor faixa do disco, este é um inicio fulgurante de bom hard rock clássico. No entanto, a partir daí a banda deixa morrer um pouco a sua expressividade, apresentando um conjunto de temas mais banais, onde, apesar de tudo se destaca o hammond de Good To Be Home. Mas é neste último setor que encontramos a faixa mais crua e pesada, na forma de Gonna Get Better e a faixa mais calma na curta Once In A Lifetime conduzida por piano e guitarra acústica. De uma forma emotiva e sentida, Bridger fecha com uma excelente versão (a inclusão de ligeiros apontamentos eletrónicos revela-se fantástica!) de Heaven And Hell, numa mais que justa homenagem à voz do Metal, Ronnie James Dio.

Tracklist:
01. Tuesday Afternoon
02. How Long
03. On The Ledge
04. Don’t Push Me
05. Without A Sound
06. Free
07. Live For The Moment
08. Good To Be Home
09. Gonna Get Better
10. Once In A Lifetime
11. Heaven And Hell

Line-up:
Terry Ilous: vocais
Glen Bridger: guitarras
Greg Manahan: baixo
Danzoid: bateria
Sam McCaslin: teclados

Internet:

Edição: Escape Music

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Estreia dos Necris Dust

Os Necris Dust terminaram recentemente as gravações do seu primeiro álbum, que se irá chamar Blasphemy. A data de lançamento do mesmo ainda não está prevista, mas já podem ser ouvidos dois dos temas do álbum (The Cult of Vanity e Cursed Desire) no novo endereço myspace da banda.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Entrevista: Karmakanic

Desde 2002 a produzir excelente música progressiva, Jonas Reingold tem assinado com os Karmakanic (bem como com outras entidades, é certo) álbuns de fino recorte. In A Perfect World é mais uma pérola que o próprio músico sueco dissecou para Via Nocturna.

Viva Jonas! Parabéns pelo teu novo álbum! In A Perfect World mostra que está num fantástico momento de inspiração. Onde se encontra essa inspiração?
Eu não acredito que a inspiração seja algo que simplesmente acontece. Tem que ser conquistada através de trabalho duro. Um atleta famoso aqui na Suécia, disse uma vez: "Quanto mais pratico mais sorte eu tenho". Eu acho que isso é a tradução de inspiração. Se te sentares uma hora provavelmente terás 10 minutos de trabalho inspirado; mas se te sentares 10 horas vais ter 100 minutos de trabalho inspirado.

Como descreverias In A Perfect World?
Este é o álbum mais rápido gravado por nós até agora. Fizemos isso em apenas dois meses, incluindo a mistura. Mas, pelo contrário eu utilizei quase um ano no processo de escrita. Eu perco muito tempo com as letras que são coescritas com uma americana chamada Julia Olsson. Desafia-me a ser mais subtil em termos de nuances, idiomas, etc. Ela desafiou-me a ir um pouco mais fundo em termos linguísticos. E depois, já se sabe, sou um estudante viciado. Tento sempre aprender coisas novas tanto musicalmente como liricamente. Também uma grande mudança foi que tínhamos Nils Erikson a cantar algumas passagens e nos teclados. Ele foi uma grande parte no processo de mistura. É uma pessoa muito talentosa com muita experiência como produtor. Esteve envolvido nas produções mais vendidas aqui na Suécia e foi indicado para dois prémios Grammy aqui. Também foi uma explosão ter o meu velho amigo Marcus Liliequist na bateria. Ele tem um espírito edificante e é um grande músico.

Eu considero este um álbum muito orgânico. Foi o seu objetivo, desde o início criar algo assim?
Eu nunca penso em termos de orgânica ou não. Eu apenas tento criar alguma música boa e sólida. Se uma música ao vivo exige uma sensação orgânica vou tentar produzi-la assim, mas às vezes a música exige um pouco mais de rigor. Eu sou mais exigente com as coisas agora. Tento focar-me nas coisas importantes, como a composição ou a expressão e não na perfeição da produção. Mas claro, vou tentar sempre fazer uma gravação com um som o melhor possível adicionada de quanta emoção for possível. Mas os meus objetivos principais serão sempre as músicas e o conteúdo lírico.

A tua música denota grandes influências dos anos 70. Foram uma época determinante para ti?
Sim, o final da década de 60 e e a de 70 foram grandes momento para a música e arte. As pessoas podiam fazer mais ou menos o que queriam, as grandes corporações ficaram fora do processo criativo e depositaram a sua confiança nos músicos. Sem essa confiança músicas como The Revealing Science Of God ou Close To The Edge ou álbuns como Selling England By The Pound ou Red nunca aconteceriam. Eu sempre ouvi música dessa altura, quando, ainda miúdo, comecei a ouvir bandas como Kiss, Deep Purple, Rainbow, etc. Mais tarde eu descobri Weather Report e Chick Corea e algumas coisas prog como Yes e Rush. Assim, os 70ies têm um enorme impacto em mim como um músico e como produtor.

Tu tens uma agenda muito preenchida com a participação noutros projetos, nomeadamente os The Flower Kings. Como consegues tempo para criar música com tal qualidade?
(risos) Já me fizeram essa pergunta muitas vezes. E minha resposta é que eu faço isso a tempo inteiro, provavelmente no dobro do tempo. Há um monte de horas num ano e eu tento ocupá-las com música. Eu não considero isto um trabalho, acredito que ninguém pode considerar a música como um trabalho. É só acordar e viver o dia.

A respeito dos elementos que gravaram In A Perfect World, como foi feita a seleção?
Goran está na banda desde o início, por isso era óbvio que se mantivesse. Toquei com Krister e Lalle algum tempo e estou muito orgulhoso desses músicos. A grande mudança foi, como já referi, que tivemos Nils Erikson a cantar algumas passagens e a tocar algumas teclas. Ele foi também importante no processo de mistura. Ele é elemento muito talentoso com muita experiência como produtor, como já disse.

Há um tema, sobre o qual eu queria fazer uma pergunta em particular: Can´t Take It With You é uma música brilhante, com muitas influências cruzadas. Deve ter sido uma autêntica diversão criar uma canção tão peculiar…
Sim, foi divertido escrever e gravar esse. Certo dia, senti-me cansado de mim mesmo porque estava a escrever a mesma música várias vezes. Então disse para mim mesmo "Vamos fazer algo que eu nunca fiz antes" ou ainda mais "Vamos fazer algo que o mundo nunca ouviu antes". E se eu pegar num ritmo cubano, colocá-lo em 7/8 com um riff de guitarra pesado em cima, como soaria? Foi isso que eu fiz. Lalle criou alguns backing vocals hilariantes a soar a algo como The Muppet Show. Brilhante!

A propósito, como decorre o processo de escrita nos Karmakanic?
Normalmente eu escrevo todas as coisas básicas, como letra e música. Depois produzo uma demo de todas as músicas e deixo os meus companheiros ouvi-la. Depois apresentam sugestões do que gravar ou não. Depois, os restantes elementos podem adicionar o que quiserem. Penso que ao deixar que as pessoas façam o que quiserem obtemos um maior resultado e todas as pessoas envolvidas se sentem mais inspiradas. O que se vem a confirmar no fim no álbum.

Apesar de serem uma banda composta por vários músicos de diferentes bandas, achas que poderá existir uma tournee para promover este álbum?
Sim, nós, supostamente teríamos uma tournee nos EUA em junho, mas desde que a Nearfest puxou a ficha tivemos que cancelar tudo. Como provavelmente sabes, é muito dispendioso levar 6 pessoas em tournee e foi a Nearfest que financiou tudo. Mas eu tenho algumas propostas e estamos a estudar uma possível tournee em 2012.

Playlist 07 de julho de 2011

domingo, 3 de julho de 2011

Review: Black Room Feel (Sidewalkers)

Black Room Feel (Sidewalkers)
(2011, Gaz Prod.)

Ser considerado como uma Banda Novos Talentos FNAC, integrar a playlist da Antena 3 e participar numa curta-metragem apenas com um EP homónimo editado é um excelente cartão de visita para os Sidewalkers, banda de Alcobaça. 2011 marca a sua estreia em formato longo com o álbum Black Room Feel, um disco de rock inspirado pelos grandes nomes do movimento de tendência negra e influência gótica e alternativa dos anos 80, nomeadamente The Cult, Jesus & Mary Chain ou The Mission. Esse movimento é recuperado de forma espontânea, mantendo a traça original (vocais graves por vezes em agonia, guitarras com distorções ligeiras e ritmos compassados com o baixo a desempenhar um papel fulcral) mas atualizando para os nossos dias com a inclusão de outras ambiências enriquecedoras que vão desde o rockabilly ao punk, passando até pelo doom/stoner. Num trabalho enérgico, fresco, simples e directo, os destaques vão para Realize, If You Really Want To Live Like That, Touch If You Love It e Empty, nesta que é uma proposta assumidamente retro, todo ela pintada de negro mas longe de ser depressivo ou opressivo.

Tracklist:
1. Can´t Stop The Way
2. Long Combat Day
3. Realize
4. Death In Life
5. If You Really What To Live Like That
6. Touch If You Love It
7. Desert
8. Stressful Man
9. Empty
10. Soldier

Line-Up:
Emanuel Severino – bateria, vocais
Renato Caetano – guitarra, vocais
João Jerónimo – baixo, vocais

Internet:

Edição: Gaz Produções

sábado, 2 de julho de 2011

Review: From Chaos To Eternity (Rhapsody Of Fire)

From Chaos To Eternity (Rhapsody Of Fire)
(2011, Nuclear Blast)
Parece haver uma diminuição das proporções épicas a partir do momento em que os Rhapsody incluíram, por questões legais, o apelido Of Fire. Ainda assim, os principais atributos que fizeram os italianos um nome de eleição estão presentes. Podem estar um pouco diluídos mas ainda lá estão. Para este segundo trabalho após a sua ressurreição, e que marca o final da história, seria de esperar algo majestoso, verdadeiramente magnânimo, supremo. Tal não acontece, embora este From Chaos To Eternity não deslustre nem envergonhe o passado dos transalpinos. Estão menos majestosos em termos sinfónicos e menos cinematográficos (com exceção do longo épico que encerra o disco), mas simultaneamente estão mais pesados, progressivos e agressivos, onde alguns vocais sobressaiam pela dureza, num cenário inusitado e até algo despropositado. Implica isto dizer que este é um álbum por vezes forte, por vezes progressivo e, algumas vezes, uns furos abaixo do que seria expectável. Um dos exemplos acontece com a tradicional balada de cariz medieval, Anima Perduta, que acaba por ser igual a tantas outras e, ainda por cima, menos inspirada. Pelo lado oposto destacam-se From Chaos To Eternity no seu cruzamento de prog com metal neoclássico, Tempesta di Fuoco, um verdadeiro portento de power metal ou ainda, I Belong To The Stars que ostenta uma das melhores melodias. A tradição mantém-se e este é um trabalho claramente Rhapsody Of Fire, mas, honestamente, Luca Turilli e Cia. já conseguiram atingir patamares de outro nível.

Tracklist:
1.                  Ad Infinitum
2.                  From Chaos To Eternity
3.                  Tempesta Di Fuoco
4.                  Ghosts Of Forgotten Worlds
5.                  Anima Perduta
6.                  Aeons Of Raging darkness
7.                  I Belong To The Stars
8.                  Tornado
9.                  Heroe’s Of The Waterfalls’ Kingdom
10.              Flash Of The Blade (bonus track)

Line-Up:
Fabio Lione – vocais
Luca Turilli – guitarras
Alex Starapoli – teclados
Alex Holzwarth – bateria
Patrice Guers – baixo
Tom Hess – guitarra ritmo

Internet:
http://www.rhapsodyoffire.com
http://www.facebook.com/rhapsodyoffire
http://www.myspace.com/rhapsodyoffire
http://twitter.com/#!/_rhapsodyoffire
http://www.lastfm.de/music/Rhapsody+of+Fire
http://www.epic-metal.com/
 
Edição: NuclearBlast

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Entrevista: Alastor

Nascidos em 1988 os Alastor são um dos nomes com mais mística no panorama metálico nacional, eventualmente até porque nunca tenham existido como banda normal, nas palavras dos seus membros e aqui comprovadas na pessoa de JA. A edição de um novo disco, Demon Attack que até trás como bónus o primeiro álbum da banda, nunca antes editado, foi o mote para a conversa com o guitarrista do coletivo.

Os Alastor têm estado em silêncio há alguns anos. Isso implica que tenham estado mesmo parados ou não?
Por partes para ser mais fácil de compreender. Os Alastor não existem como banda, aliás, nunca houve uma banda. Essa foi a razão porque encerrei esse capítulo em 1988, uns 3 meses depois de estar a ensaiar só com o baterista da altura. Depois disso, de tempos a tempos, componho uns temas e depois falo com alguns músicos para se juntarem ao projeto.

E já agora, algum motivo porque este silêncio se prolongou por tanto tempo?
Andei ocupado com DKD e com outros projetos que tenho com outros músicos. Quando encontrei pessoas interessadas em gravar um novo álbum, comecei a trabalhar para isso, mas foi um projeto que demorou o seu tempo até se concretizar a 100%. Já agora, aproveito a oportunidade para agradecer à War Productions por terem lançado o álbum.

Com muita expectativa, apresentam Demon Attack, o vosso novo álbum. Como o descreveriam?
Creio que dos 5 álbuns que já gravamos, este é capaz de ser o mais thrash e menos black. Essa parece ser a maior diferença entre este álbum e os anteriores. O som desta vez está mais “limpo” (menos graves) o que talvez ajude no tornar um álbum mais Thrash. Para quem gosta do thrash metal dos anos 80’s, este é um bom álbum. Pelo menos as críticas que tenho ouvido, assim o dizem.

Este trabalho tem edição da War Productions e chega ao mercado em 2011, apesar de a própria capa do CD referir o ano de 2010. Isso significa que a gravação esteve guardada até aparecer uma boa editora para o lançar?
Significa isso e também o facto de se ter demorado algum tempo a gravar para se tentar captar um certo “sentimento” mais relaxado. Depois de tudo estar pronto, foi o eterno procurar editora. Mas apareceu a War e o álbum está aí.

E de que forma é que sendo uma gravação mais antiga ainda representa os atuais Alastor?
Os atuais Alastor já estão a trabalhar em 4 músicas... Certas partes foram logo gravadas na altura do álbum, faltam outras. Ainda não sabemos muito bem o que se vai fazer com aquilo, talvez um split... algo assim.

Como bónus vem o vosso primeiro trabalho de 1996. Qual o objetivo que norteou a banda para esta inclusão?
Esse deveria ter sido o nosso primeiro álbum, mas nunca chegou a ser lançado. Por isso costumo dizer que o que as pessoas conhecem como primeiro álbum é na verdade o segundo. No entanto, continuo a adorar esse álbum e desta vez lembrei-me de incluir como músicas extra. Falei com a War, gostaram da ideia, por isso, agora todos podem ouvir o que os Alastor estavam a fazer em 1996.

Ao contrário dos álbuns anteriores, pelo menos a atender pelos títulos dos temas, agora utilizam primordialmente a língua portuguesa. Qual as razões dessa escolha
usei a língua inglesa nos dois primeiros álbuns. A partir do terceiro, usei sempre e só, a língua portuguesa. A razão já não me lembro, mas lembro-me de que falei com o vocalista da altura quando comecei a trabalhar no terceiro álbum e expliquei-lhe a razão e ele concordou. Desde então, não encontrei razão para voltar a usar o inglês.

Em termos de temas, acaba por ser um pouco estranho a inclusão de uma versão de um tema dos Mötley Crüe. Algum motivo em especial para a escolha de Red Hot, de uma banda que estilisticamente pouco ou nada mesmo se relaciona com os Alastor?
Pois... A escolha do tema deveu-se ao facto de ser uma das minhas musicas favoritas deles. A escolha da banda foi sugerida por mim porque o NS queria fazer uma do Alice Cooper que ambos gostamos, mas não me estava a apetecer gravar essa na altura. Como a banda (três pelo menos) gosta bastante de MC, escolha feita. Talvez aos olhos do ano 2011, uma banda como MC pouco tenha a ver com Alastor, para quem cresceu nos anos 80... tem bastante. Em particular esta música. E como fizemos covers de outras bandas speed/thrash nos albums anteriores...

Uma pequena pesquisa na net apresenta-nos imensas bandas com o nome Alastor. Isso não vos afeta?
LOL. Nada. Quando formei a banda em 1988, não conhecia nenhuns Alastor, e como não tínhamos net, andei a perguntar aos amigos e ninguém conhecia outros Alastor. Quando voltei com a banda em 1996, já conhecia outros Alastor, falou-se em mudar de nome, mas chegou-se á conclusão de que não valia a pena e, se não me engano, não havia nenhuma banda ativa com esse nome na altura. Todos adorávamos o logotipo. Essa foi outra razão.

Pelo que pude ler em alguns fóruns não vamos ter concertos de Alastor. Corresponde isso á verdade? Se sim, porque razão?
Como te disse, esta entidade, não existe como uma banda normal. Já tocamos ao vivo duas vezes, e não se põe de parte, outros concertos no futuro, no entanto, terá de haver condições para se poder dar um bom concerto. O baterista está na Suíça, logo, estas coisas têm de ser bem faladas e combinadas com antecedência.