sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Entrevista: No Sky Today

Wayne Findlay é um músico experiente com passagens de destaque na Michael Schenker Group, Slavior e Vinnie Moore Band. Da sua junção com Paul Jones nasceram os No Sky Today (NST), uma colossal máquina de produção de heavy metal cheio de groove. O próprio guitarrista acedeu a falar-nos deste seu novo projeto e do seu álbum de estreia.

Como nasceu este teu novo projeto?
Esta banda começou comigo na escrita/produção de todas as músicas e Paul Jones a escrever todas as letras/melodias vocais. O Scotty Phillips e Kelly Garni acabaram, também por adicionar as suas influências. Eu acho que este é um impressionante primeiro registo.

Porquê No Sky Today? Existe alguma explicação para o nome da banda?
Foi a primeira faixa que o Paul escreveu e de passagem durante o jantar, eu perguntei: "O que vamos chamar a banda? No Sky Today?" Todos se entreolharam e disseram SIM!

Quais são as vossas principais influências?
Há imensas para enumerar, mas… algumas das minhas influências são bastante variadas: inicialmente, Bach, Beethoven, Mozart, Debussy… Kiss, Van Halen, Zepp, Scorpions, Judas Priest, Black Sabbath, MSG, Rush, Hendrix, Iron Maiden, Yngwie, Racer-X ,Vinnie Moore, Cacophony, Red Hot Chili Peppers, STP e ao mesmo tempo, uma grande influência do funk ... Earth, Wind and Fire, Sly Stone, James Brown, Commodores, The Gap Band, Parliament. E outras influências como Marley, Elton John, Boston, Messhugah, Rammstein, Chemical Brothers, música havaiana, Slack Key, Kravitz, Clutch, DreamTheater, Deep Purple, para nomear apenas alguns.

No Sky Today foi lançado, originalmente, em 2010. Porquê esta lacuna de tempo para a distribuição europeia?
O álbum foi lançado em novembro, no final de 2010, ou seja há dez meses. Mas temos feito grandes avanços com a ajuda do Marjo Verdooren e da Metal Revelation!

Sobre o álbum, como o vês e sentes? Estão totalmente satisfeitos com o produto final?
Para um primeiro álbum, eu acho que ficou muito bom. Estou muito orgulhoso dele e de toda a energia que todos colocaram nele. Mas devo confessar, eu sinto que o próximo álbum vai ser ainda melhor. Acho que vai ser mais pesado e mais profundo do que este.

Este é um lançamento Capital City Music Factory. É o vosso próprio selo, certo? Consideram que esta é a melhor maneira de se promoverem a vocês mesmo?
Sim, esta etiqueta é gerida pelo nosso manager Frank Powers. Considerando o atual momento económico, este foi o melhor caminho para os No Sky Today editarem a sua música. Se não fosse o Frank, este registo teria levado muito mais tempo a ser concluído. Ele foi e é uma parte crucial da equação.

A propósito, a CCMF está a trabalhar com mais algum projeto?
Não tenho certeza de tudo em que o Frank Powers/CCMF trabalha... Com ele há sempre alguma a acontecer...

Já foram considerados como a próxima banda a levar em linha de conta. Como reagem a essas observações?
Concordo com elas! Já começamos a pré-produção e eu acho que o próximo álbum vai ser num nível ainda mais elevado.

Recentemente redefiniram o vosso line up. Quem está nos No Sky Today atualmente?
Realmente, tivemos algumas mudanças mas a partir de agora os No Sky Today são Wayne Findlay (Michael Schenker Group/Slavior/Vinnie Moore Band) nas guitarras e teclados, Paul Jones (Robot Lords Of Tokyo) na voz e Joe Viers (RLOT) no baixo. Quanto ao baterista para o próximo álbum será anunciado em breve. Fiquem atentos.

Também recentemente fizeram uma mini tournée pelos EUA. Correu tudo bem?
Foi uma grande tournée pelo Midwest para os NST. Todos nós tivemos grandes momentos e estamos ansiosos para ver o filme que gravámos em Chicago para o nosso próximo vídeo! Estará em breve no Youtube!

Outro bom exemplo da vossa popularidade é a escolha por parte da Touchstone Digital dos vossos temas para as jukeboxes o que vai permitir que vossas músicas toquem em mais de 40 mil bares e restaurantes em toda a América. Que efeito teve esta notícia nos NST?
Bem... É uma grande honra e um privilégio para nós irmos a um clube local, bar ou restaurante distante e colocar a música dos No Sky Today com o volume no máximo. O nosso vocalista Paul Jones foi o responsável por essa fantástica ligação.Tem sido um grande impulso e uma experiência única para todos nós!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Playlist Via Nocturna 29 de setembro de 2011

N.O.W. com tema novo em compilação

Os brasileiros N.O.W. têm um novo tema disponível chamado Strong Enough numa compilação da Melodic Rock Records, onde também se incluem temas de nomes como Nelson, Mike Tramp, W.E.T.  entre outros. O vídeo clip pode ser visualizado aqui.

Videoclip dos Coronatus disponível

Os fans dos Coronatus já poderão ver o novo videoclip da banda, para o tema Fernes Land, aqui.

Dr. Zilch atrasa novo single

Os trabalhos de estúdio relativos ao novo single dos Dr. Zilch, foram adiados por algumas semanas. Esta decisão, prende-se com o facto de Nuno Fadigas, Fernando MC, Sérgio Pereira e o produtor Eduardo Krithinas, se encontrarem em tour com a novíssima mas já extremamente bem sucedida banda de tributo a AC/DC: DÁ/CÁ. Entretanto, mais um mês passou e os Dr. Zilch continuam na 1ª posição da tabela de Industrial do Portal Palco Principal.

Sidewalkers: primeiro video de Black Room Feel

A 1 de outubro, os Sidewalkers farão a apresentação oficial do primeiro videoclip retirado do álbum Black Room Feel, Realize, no Beat Club em Leiria. O vídeo, produzido por Nelson Martins, foi gravado durante o mês agosto e será exibido no próximo sábado no Beat Club antes do concerto dos Sidewalkers acompanhado por breves explicações do produtor e elementos da banda. Este vídeo já pode ser consultado aqui.

Echidna: festa de lançamento de Dawn Of The Sociopath

Os Echidna farão o concerto de lançamento do seu novo álbum, Dawn Of The Sociopath no próximo dia 1 de outubro no Metalpoint (Porto). Neste espetáculo que já contará com a presença do novo vocalista Bruno Capela, estarão ainda presentes os Gates Of Hell e os espanhóis Dark Eternity. Também já se encontra disponível para venda o novo merchandise alusivo ao novo álbum. Entretanto, confiram as datas, já disponíveis, da tournée de promoção a Dawn Of The Sociopath:
1 de outubro - Metalpoint (Porto);
7 de outubro - Vimaranes Metallvm Fest V (Trovadores do Cano, Guimarães);
15 de outubro - Art 7 Menor (S. João da Madeira);
22 de outubro - Metal XXL (Hard Club, Porto);
29 de outubro - Festival Gaia em Peso (Grijó, Vila Nova de Gaia);
5 de novembro - Beat Club (Leiria);
10 de dezembro - TBA (Vigo)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Review: Anubis Gate (Anubis Gate)

Anubis Gate (Anubis Gate)
(2011, Nightmare)

Após uma carreira feita na Locomotive, com a edição de 4 trabalhos entre 2004 e 2009, com os dois últimos a obterem nomeações para os Danish Metal Awards, os Anubis Gate chegam à Nightmare Records para a edição do seu mais recente trabalho, simplesmente intitulado Anubis Gate. Estilisticamente, os dinamarqueses cruzam o heavy metal clássico dos anos 80 com ambientes épicos dos anos 90 e com momentos progressivos e obscuros mais atuais. Belas paisagens, riffs agradáveis e vocais limpos e poderosos são algumas das características que o coletivo sempre apresentou e que se continuam a manifestar de forma acentuada neste último trabalho. Por isso, Anubis Gate acaba por se revelar o mais belo disco da carreira da banda. O seu ponto forte, a composição, aparece mais forte que nunca, as twinguitar estão muito presentes e os vocais são altamente emocionais, talvez pelo facto de, pela primeira vez, Henrik Fevre cantar as linhas melódicas que ele próprio cria. Aqui não se aborda o progressivo como uma demonstração de superior qualidade e masturbação técnica; antes se aposta na criação de canções no verdadeiro sentido da palavra. Desde a abertura tipicamente Anubis Gate com Hold Back Tomorrow, até à melancólica The Re-Formation Show, passando pela agressiva Desiderio Omnibus ou pela épica World In A Dome, ou mesmo pela surpresa que representa Oh My Precious Life e a atmosférica River, Anubis Gate coloca os seus criadores num patamar único de qualidade, adicionando à sua lista de bons trabalhos mais um título de referência.

Tracklist:
1. Hold Back Tomorrow
2. The Re-Formation Show
3. Facing Dawn
4. World In A Dome
5. Desiderio Omnibus
6. Oh My Precious Life
7. Golden days
8. Telltale Eyes
9. River
10. Circumstanced

Line up:
Kim Olesen – guitarras, teclados
Morten Sorensen – bateria
Jesper Jensen – guitarras, baixo, teclados
Henrik Fevre – baixo, vocais

Internet:

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Entrevista: Leather Nun America

Numa edição da PsycheDOOMelic Records, os Leather Nun America estão de regresso com mais um álbum de originais, três anos após Absence Of Light e depois do split com os britânicos Iron Hearse. Para ficarmos a conhecer melhor esta banda com fortes raízes no doom, principalmente a respeito do seu mais recente trabalho, Kult Occult, fomos falar com John Sarnie guitarrista e vocalista do trio.

Olá John, podes apresentar-nos os Leather Nun America?
Olá Pedro, obrigado pela review e entrevista. Para nós é importante obter essa informação do underground. Permite-me, então, apresentar a banda! Somos os Leather Nun America, dos Estados Unidos. Somos do sul da Califórnia e tocamos uma mistura de metal, estilo Maryland, com doom metal. Estamos orgulhosos de estarmos aqui a falar contigo e esperamos lançar alguma interesse a respeito de Kult Occult, o nosso novo álbum editado pela PsycheDOOMelic.

Qual o significado do vosso nome?
Bem, o significado de Leather Nun surgiu em 2003, quando li algo sobre a primeira banda de Wino, Leather Nunz, mas depois descobrimos que esta era uma denominação incorreta. Antes dos Obssessed nascerem eles chamavam-se Warhorse. De qualquer forma, precisávamos de um nome porque estavam uma série de espetáculos agendados. Então, o nosso baixista pesquisou e encontrou uma denominação clara de usar. Descobrimos que uma banda punk de 1979 se chamava de Leather Nun mas que já não estava ativa. Houve também um livro de banda desenhada dos anos sessenta que tinha esse nome mas que já estava fora de impressão. Por isso, mais tarde em 2006, começámos a usá-lo, tendo-lhe adicionado a palavra América, ficando claro que seríamos os únicos no doom metal. E ainda hoje andamos por cá a fazer gravações.

Kult Occult é o vosso novo trabalho. De que forma se diferencia dos vossos trabalhos anteriores?
Sim! De facto, este é o nosso novo disco, como um novo capítulo! É ousado, é pesado, abre novas vibrações através do tempo e do espaço, documentado e empacotado, produzido e refinado para todos os ouvidos poderem apreciar. O undergroud precisa de uma forte dose de puro coração, de sons emocionais, para contemplar o esforço de três pessoas normais com uma humilde atitude do it yourself. Oh meu deus! Como é que é diferente? Bem, é único. É um passo em frente em relação ao nosso anterior trabalho, Absence Of Light. Penso que as músicas são mais criativas. Temos sido considerados como um clone dos Spirit Caravan no passado mas penso que com este disco, quebramos algumas barreiras e soa mais como LNA. Eu até sou um grande fã de Wino, por isso essas comparações acabam por ser um grande elogio.

O vosso último álbum foi lançado há três anos, mas nesse espaço de tempo editaram um split. Podem falar-nos dele?
Sim, o último álbum foi há três anos. E o split que fizemos foi com uma banda britânica de doom metal chamada Iron Hearse. Num vinil de 7 polegadas, cada banda tinha um tema. Foram feitos apenas 500 exemplares, de forma que se tiveres um gira-discos… A nossa música era Anointed que também aparece no Kult Occult com o nome completo Anointed With The Blood Of The Snake. É a faixa mais rápida e cheia de poder. A canção dos Iron Hearse chama-se Rocket Builder e é uma faixa muito boa com excelentes vocais e a guitarra bem pesada. Nós fizemos este split juntos para dividir os esforços da tour que fizemos na Europa no ano passado. Foram 9 espetáculos na Europa continental e terminou no Reino Unido para tocar em Londres com os Iron Void. Foram, seguramente, grandes momentos para todos nós.

Então foi essa a razão para demorarem tanto tempo para lançarem um novo trabalho?
Sim, essa é parte da razão para ocorrer um intervalo de 3 anos entre os álbuns: a gravação do split e a tournée. Foi muito bom para nós, porque gostámos de tocar para os verdadeiros fãs europeus de doom. Quanto aos processos de gravação, estes podem tornar-se difíceis e levar muito tempo sem razões aparentes. Por vezes é fácil, outras vezes não. Fizemos um esforço extra para fazer o som e a qualidade das canções da melhor maneira possível. E também, surgiram, no nosso último lançamento, algumas críticas de que algumas músicas eram muito longas. Por isso, este álbum desenvolve-se de forma mais rápida e cortamos, propositadamente, a gordura desnecessária.

De que forma esperam atingir os vossos objetivos com este lançamento?
Eu espero que algumas metas sejam alcançadas. Desenvolvemos um grande esforço para colocar cá fora Kult Occult. Talvez alguns comentários sejam favoráveis e as pessoas irão comprá-lo para que possamos fazer mais uma tournee. Esse seria o o maior objetivo. Mas os tempos estão difíceis e as pessoas não tem muito dinheiro de reposição para gastar. Mas temos uma pequena quantidade de verdadeiros fãs, que certamente irão considerar este o melhor lançamento. Olhando para trás, pensei que All Your Kin iria agitar a cena underground, mas cinco anos depois quase não tem importância. Por isso, vamos ver, mas sim, penso que atingiremos os nossos objetivos com este álbum.

Considerando o título do álbum, parece que o cultismo estará muito presente. É verdade? E existe algum conceito abordado?
Sim o título sugere ocultismo e adoração ao diabo, mas não estamos muito virados para isso. Eu gosto de estudar o ocultismo e acho que é fascinante, e penso que é um tema que soa bem e é cativante. Todos nós gostamos de filmes de terror e de metal, mas eu acho que os temas das letras resultam, basicamente, de um ponto de vista agnóstico. Alguns de nós até compartilham um ponto de vista mais budista. Nós não somos cristãos, nem adoradores do diabo. Mas isto é arte e imagens de mentalidade aberta e forte e temas líricos fazem parte do doom e do metal. E ao que julgo saber, nunca magoamos ninguém diretamente. Isto são coisas dos sub-géneros mais underground que quando se tornam mais populares já ninguém gosta. Olha o trajeto dos Monster Magnet. Enquanto era underground tinham letras altamente. Agora os vídeos deles são parecidos com o Vegas Strip, quase como um vídeo de rap. Claro que queremos ser mais bem-sucedido, mas estaremos sempre no underground e com um orçamento relativamente baixo.

E suponho que devam estar prontos para ir para palco. Há já alguma coisa definida a esse respeito?
Sim, sim, estamos prontos para ir para palco! Aliás, estamos sempre prontos para isso. Essa é a parte mais divertida, vivemos a tocar heavy metal com o coração. Nem blastbeats nem guturais, mas pesados como o inferno ao vivo. E chega a parecer incrível como apenas três elementos podem soar como um assalto poderoso, maciço e lowtuned. Por cá, nem sempre somos bem compreendidos, mas há sempre algumas pessoas que realmente amam o doom e conseguem obter exatamente o que estamos a falar. Agora na Europa é diferente, as pessoas enlouquecem!. Estamos ansiosos para tocar aí novamente. Mas sim, temos temos alguns espetáculos planeados aqui nas redondezas, principalmente San Diego, área de Los Angeles .... Obrigado a ti, Pedro, e ao Via Nocturna por esta grande entrevista! Esperamos que todos escutem Kult Occult e apoiem o metal underground.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Review: Despair As You Stare (Deep Coma)

Despair As You Stare (Deep Coma)
(2011, Torn Flesh)

Um ano após a estreia deste enigmático e extremo projeto açoriano, na forma de Down The Gutter, Tito Bettencourt acompanhado por Maldor Evil está de regresso com a sua segunda proposta, Despair As You Stare. Como de costume, o primeiro assume todos os instrumentos e os vocais de apoio e o segundo cede os seus dotes vocais. E, à semelhança do primeiro trabalho temos entre mãos mais uma obra estranha, esquisita, esquizofrénica, demente. O inicio acústico de The Living Monster até pode deixar a impressão que os Deep Coma estão mais comedidos, mas é puro engano. Logo a seguir somos fustigados por intensos blastbeats e furiosos vocais para o tema terminar num cenário de filme de terror. Dementia segue o mesmo caminho e ao poderoso registo instrumental junta-se um agonizante registo vocal em cenários de pura esquizofrenia teatral, com sistemáticas mudanças de ritmo, de texturas e de melodias. Os dados ficam, então, lançados e o duo continua daí para a frente a destilar veneno, a espalhar loucura, a criar momentos completamente bizarros, a brincar com as sonoridades mais extremas, a representar peças de sentimentos atrozes, a explorar novas formas de tortura da mente pelo som, a desenvolver cenários de suspense e terror. E tudo isso é conseguido quer pela forma como os temas estão estruturados, quer pela forma da abordagem vocal, num campo e noutro, altamente diversificado e variado. E, registe-se, também pela crueza e frieza da produção. Ora mais rápido, ora mais compassado; ora mais extremo, ora mais psicadélico; ora com blastbeats demolidores, ora mais ponderado, Despair As You Stare volta a demonstrar a abordagem pouco ortodoxa que os Deep Coma fazem ao metal mais extremo. Uma abordagem com as características e predicados anteriormente descritos e que permite que a banda se afaste de alguns lugares comuns dentro do género. Despair As You Stare conta com a participação de Ricardo Santos (Morbid Death) nas segundas vozes em Jailbird, de Alexandre Moniz em adicionais apontamentos de bateria e com um tema vocalizado em português, Miragem, terminando com uma cover dos Sepultura, Refuse/Resist.

Tracklist:
01 - The Living Monster
02 - Dementia
03 - Miragem
04 - Chilling Out With Meth
05 - Jailbird
06 - Fire In The Sky
07 - Under The Ground
08 - Filthy Little Cunt
09 - The Fall
10 - Easy Target
11 - That Thing Moving In The Background
12 - Death In The Air
13 - Storm Ahead
14 - Refuse Resist (Sepultura Cover)

Line up:
Maldor Evil - vocais
Tito Bettencourt – todos os instrumentos, segundas vozes
Com a participação de:
Ricardo Santos (Morbid Death) – segundas vozes em Jailbird
Alexandre Moniz – baterias adicionais

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domingo, 25 de setembro de 2011

Review: Say Goodbye To Diamonds (Dirty York)

Say Goodbye To Diamonds (Dirty York)
(2010, Edição de Autor)

E se de repente inventassem uma máquina do tempo que nos levasse até aos anos 70? Pois bem, fiquem descansados os mais saudosistas porque os Dirty York fazem precisamente o inverso. Isto é, trazem para os dias de hoje as sonoridades dessa época dourada. O que se ouve em Say Goodbye To Diamonds é hard rock da mais pura linhagem, descendente de nomes como Led Zeppelin, cruzado com rock sulista de uns Lynyrd Skynyrd e onde nem sequer falta um ligeiro e delicioso travo blues/country com a inclusão subtil mas brilhante de harmónicas e secção de metais. Este é já o segundo trabalho da banda, editado ainda no ano de 2010, mas que só agora chega à europa. Mas não chega tarde o suficiente para que os europeus se deliciem com um dos discos mais fantásticos dentro deste género que se têm publicado nos últimos anos. Say Goodbye To Diamonds é ele próprio um diamante puro. Puramente retro, sem artificialismos, com uma capacidade inata de se tornar agradável de uma forma natural, este é um disco que faz falta na discografia de qualquer fã de hard rock. O uso da slide guitar é genial e o inconfundível som da Gibson Les Paul é aqui tratado de uma forma simplesmente soberba. Temas como Born With A Broken Heart, Tied Up, Black Friday, Stop The Rumors ou Foolish Side, fazem a mais que perfeita homenagem aos nomes anteriormente citados. Mas mais, buscam no baú das memórias as raízes de muito do rock que hoje em dia é feito e projetam-nas num futuro que se prevê promissor para este quinteto de Melbourne. Indiscutivelmente, Say Goodbye To Diamonds, é um disco de classe única a descobrir.

Tracklist:
1. Born With A Broken Heart
2. Deep Water
3. Tied Up
4. Spin The Miracle Dice
5. Black Friday
6. Can’t Scare The Devil In Me
7. World Is Blinding
8. Miss You
9. Stop The Rumours
10. Foolish Side
11. Get It On (Original Hideaway)
12. All Been Done Before
13. Move On Walk Away

Line up:
Shaun Brown - vocais
Luke Teys - guitarras
Benny James - guitarras
Luka Szpakolski - bateria
Patch Brown - baixo

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sábado, 24 de setembro de 2011

Review: Shy (Shy)

Shy (Shy)
(2011, Escape)

Desde os anos 80 que os Shy têm criado algum do melhor hard rock/heavy metal que há memória. São deles álbuns emblemáticos como Once Bitten… Twice Shy (descrito na altura pela Kerrang! como talvez o melhor álbum de rock britânico de sempre) ou Excess All Areas, trabalhos que os menos novos, seguramente se lembrarão. Depois de se terem eclipsado (se não em termos de produção, pelo menos em termos de grande qualidade), este trabalho homónimo representa um regresso (seis anos depois do último trabalho de estúdio) pela porta grande. O seu metal apresenta-se forte, perfeitamente atualizado fruto de uma cuidadosa e poderosa produção que capta na perfeição todo o vigor e pujança da secção rítmica e da guitarra. Claramente melódico, os teclados, capazes de imprimir uma certa dose sinfónica, assumem um especial destaque neste campo, criando a maioria das linhas melódicas. Todavia, a banda consegue criar diversas camadas sónicas que acabam por potenciar essas linhas melódicas originando, frequentemente, uma agradável complexidade a esse nível. Por outro lado, os solos representam um dos pontos mais altos deste disco: a sua enorme musicalidade conjugada com uma forte técnica e sensibilidade criam momentos de real beleza. O expoente máximo do que foi descrito é atingido na forma de Live For Me, se bem que Pray ou Save Me também se aproximem da perfeição. Por outro lado, em momentos os Shy arriscam entrar por campos mais AOR como acontece em Only For The Night ou Over You e também aí se mostram perfeitamente à vontade, o que não será nada de estranhar, atendendo às origens da banda.. Longe vão os tempos em que os Shy cresciam à sombra de nomes como Def Leppard, Bon Jovi ou mesmo Europe no seu estilo hair metal. Este regresso mostra-nos uma banda que, fruto da enorme experiência acumulada, denota capacidade para caminhar sozinha, evoluir e, acima de tudo, continua a apresentar um enorme potencial para escrever discos de fino recorte técnico e extremo bom gosto.

Tracklist:
1- Land Of A Thousand Lies
2- So Many Tears
3- Ran Out Of Time
4- Breathe
5- Blood On The Line
6- Pray
7- Only For The Night
8- Live For Me
9- Over You
10- Sanctuary
11- Save Me
12- Union Of Souls


Line up:
Lee Small – Vocais
Steve Harris – Guitarras
Roy Davis – Baixo
Joe Basketts – Teclados
Bob Richards – Bateria

Internet:


Edição: Escape Music

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Entrevista: Holy Force

Juntar Marc Boals, Mike Lepond e Rhino num só projeto parecia ser impossível. No entanto o guitarrista de Taiwan, Ango Chen, conseguiu compor um conjunto tão apetecível de temas que esses monstros sagrados acederam a fazer a sua interpretação. O projeto, sob a denominação de Holy Force editou o seu trabalho de estreia, homónimo e as reações têm sido extremamente positivas, superando até as expectativas iniciais, na opinião do próprio guitar-hero Ango Chen.

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Viva, quanto tiveste a ideia de formar os Holy Force e porquê?
Olá, Via Noturna, muito obrigado pelas tuas perguntas. Eu comecei a banda em 2008 e este era o meu sonho desde quando era jovem. Tive a ideia de começar essa banda no inverno de 2007, mas demorei alguns anos para terminar a terminar.

Como decorreu o processo de escrita?
As músicas foram todas escritas por mim, num período muito  mau da minha vida, durante alguns momentos muito difíceis. A primeira música que escrevi foi Flying. É uma canção dedicada a um amigo, onde eu tentei dizer para não desistir de nada. Mesmo quando os tempos estão difíceis como o inferno, nós passaremos essas questões e iremos encontrar o nosso céu.


E como vês os Holy Force na artual cena metal?
Eu vejo-nos numa área de metal que agrada a fãs de metal melódico poderoso e emocional.


Todos os mebros de Holy Force estão noutras bandas. De algum modo isso afetou o processo de composição e de gravação?
Sim, todos os membros de Holy Force todos têm suas próprias bandas, mas isso não me para, apenas tenho que ser paciente. Todos eles são excelentes pessoas e acho que não preciso dizer-te como eles são grandes porque, seguramente, sabes isso.


E a respeito de Holy Force, como descreverias o álbum?
Para mim é como o poder do coração e o forte espírito da mente. Estou apenas a tentar compartilhar a atitude da minha vida com a nossa música.

   
Uma pesquisa rápida na net mostra-nos um conjunto de excelentes reviews. Naturalmente estão muito satisfeitos. Esperavam tanto sucesso?
Realmente aprecio todos os reviewers e sites que falam sobre Holy Force, e estou tão honrado com os bons comentários que nos fizeram, mas, durante a criação do álbum, não esperava o que tem acontecido. É claro, espero que esta banda possa ter um bom futuro. Mas são as pessoas que vão decidir o futuro desta banda.

Consideras os Holy Force como uma banda a sério ou apenas como um projeto? Poderemos esperar mais discos e tournées?
Se as pessoas comprarem o nosso álbum e nos apoiarem, teremos tournées, concertos ao vivo, ou mesmo próximo álbum. Se as pessoas não compram o nosso CD ou MP3 e se realmente gostam da nossa música, mas vão busca-la grátis a alguns sites ilegais, então estou preocupado com a nossa sobrevivência.

Falando de tournées, há já alguma coisa preparada?
Estamos sempre prontos para tournées a qualquer momento E se o fizermos e se puderem vir, damos-lhe todo o nosso poder ao vivo. Muito obrigado pela tua entrevista. O melhor para  o Via Noturna e para todos.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Playlist Via Nocturna 22 de setembro de 2011

Infektion Magazine - edição 6

A sexta edição da Infektion Magazine (dedicada ao Metal Feminino) já se encontra online e disponível para download gratuito. Contém entrevistas com: Ava Inferi, The Ocean, Decapitated, Tombs, Thee Orakle, GodVlad, Chaos In Paradise, Solid Spectrum, Svartsot, VII Batallón de la Muerte, Thirdsphere, Deviant Syndrome, Hunted, Silverdollar e Sofia Magalhães. Podem, também, fazer o download da  compilação dedicada ao Metal Feminino!

Ex-vocalista dos Metal Chuch lança Lords Of The Edge

O power metal clássico está bem vivo, como prova o novo lançamento de Ronny Munroe (vocalista dos Metal Church), Lords Of The Edge. Com Stu Marshall (Empires Of Eden), Chris Caffery (TSO/Savatage) e Michael Wilton (Queensryche), o disco, com 12 temas, terá a edição da Rat Pak Records. Podem visualizar o video trailed de Lords Of The Edge aqui.

Estreia dos Skypho

A estreia discográfica dos Skypho, acontecerá já no próximo dia 15 de outubro com uma festa de lançamento na cidade natal do coletivo, Albergaria-a-Velha. O trabalho intitula-se Same Old Sin, foi gravado nos IM Estúdios e gravado, editado e misturado por Ivo Magalhães (Lulla Bye, Homem Mau, Be Dom, Frame Pictures, etc...) e masterizado na Suécia nos Fascination Street Studios pelo Jens Bogren (Opeth, Katatonia, Soilwork, Paradise Lost, Amon Amarth, etc...). É composto por 13 temas e tem a participação especial de alguns amigos da banda em algumas músicas (Diana Costa, Osga, Escola de Samba Unidos da Vila). O single Your love, my cage, my prison, my rage já se encontra disponível para audição no myspace e facebook da banda. Entretanto, confiram o tracklist do álbum:
01 - S.D.S.
02 - Sleeping in the monster's bed
03 - A última caminhada
04 - My insomnia
05 - Your love, my cage, my prison, my rage
06 - Spirit
07 - Nowhere neverland
08 - Demons' party
09 - Darkness of the soul
10 - My last words
11 - Re_nasce
12 - Jungle syndrome
13 - White bird

Kambrium na Massacre Records

Os Kambrium, quinteto formado por Jan Hein (teclados), Julian Schenke (guitarras), Karsten Simon (guitarras), Martin Simon (vocais) e Fabien Chmiel (bateria), e praticantes de uma sonoridade classificada como epic-progressive-death metal são a mais recente contratação da editor germânica Massacre Records.

Artwork e tracklist do álbum retrospetivo de Damian Wilson revelados

Damian Wilson (Threshold, Landmarq, Ayreon, etc) revelou o artwork e a tracklist do album I Thought The World Was Listening: 1997-2011, uma compilação que irá ser editada a 28 de outubro e que consistirá em 31 faixas distribuídas por dois discos. Este trabalho reunirá temas dos trabalhos a solo de Wilson, regravações de algumas canções importantes e outros temas nunca antes publicados.

Mystic Prophecy no ProgPower Festival 2012

Os Mystic Prophecy foram confirmados para um dos maiores festivais de metal dos Estados Unidos, o ProgPower Festival 2012, juntando-se assim aos Symphony X, Pretty Maids, Epica entre outros. O novo álbum dos germânicos, Raven Lord, será lançado a 25 de novembro e incluirá uma edição digipack e uma outra em vinil, assinada à mão numa edição limitada a 500 cópias. A banda entrará em tournée pela europa em fevereiro e março de 2012. Para já, podem ouvir o tema título em aqui.

Web: 25 anos no Metalpoint

Após largos anos a lutar no underground, os Web decidiram comemorar os seus 25 anos de carreira com um festa no Metalpoint, no Porto.  O evento está marcado para o próximo dia 10 de dezembro. Com os Web, nessa noite, estarão os Crushing Sun.

Scelerata: Início das misturas do novo disco na Alemanha

Os Scelerata finalizaram as gravações do seu novo álbum. As sessões de gravação de bateria foram realizadas na Alemanha em maio deste ano no Twilight Hall Studio, pertencente aos Blind Guardian. O material gravado no Brasil será enviado para a Alemanha no dia 15 de setembro e deverá ser finalizado nos primeiros dias de outubro. O renomado produtor Charlie Bauerfeind (Helloween, Blind Guardian, Motorhead, Hammerfall, etc.) estará encarregue de misturar e masterizar, o que já havia acontecido no trabalho anterior da banda, Skeletons Domination, de 2008.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Review: Kult Occult (Leather Nun America)

Kult Occult (Leather Nun America)
(2011, PsycheDOOMelic)

Os Leather Nun America estão de regresso com mais um colosso de doom metal. Em Kult Occult, o coletivo presenteia-nos com 9 temas de puro e clássico doom metal cruzado com uma atitude agreste de rock’n’roll. Riffs maciços de sentimento old-school inspirados por Black Sabbath ou Possessed e, até pontualmente, Jimi Hendrix, fazem de Kult Occult uma pérola negra de sonoridades graves e arrastadas que farão as delícias dos fãs do género. Mas desenganem-se os mais putitanos: Kult Occult é muito mais que um simples disco de doom tradicional. A banda consegue, em cada tema imprimir uma identidade própria que vai desde um psicadelismo pinkfloydiano (ou deveríamos dizer blacksabbathiano, coletivo também expert em criar momentos psicadélicos) em Lasting Dose até um stoner rock de Anointed With Blood Of The Snake, ou até uma balada acústica em Damiana. Whize Zombie também surge por aqui em White Horse, mas, naturalmente, que no computo geral é um disco de doom sabbathiano. Riffs, estruturas e longos solos remetem-nos sempre para Ozzy, Iommi e companhia daquela que pode ser considerada a sua melhor fase: nos anos 70. O disco não é muito longo, apenas 36 minutos, mas serve perfeitamente para se poder classificar como um dos melhores trabalhos do seu género deste ano. Caso para dizer, curto mas bom, sem momentos desnecessários, nem temas para encher chouriço. Tudo o que está em Kult Occult é porque lá merece estar e deve estar.

Tracklist:
1. Murderkkult
2. Indra
3. Lasting Dose
4. White Horse
5. Anointed With Blood Of The Snake
6. Sacrosanct
7. Born Clod
8. Damiana
9. Leadcatcher

Line up:
Noel Holloway – baixo e vocais
John Pasqaule – batewria
John Sarnie – guitarras, vocais

Internet:

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Inkilina Sazabra - novo single e novos concertos

Os Inkilina Sazabra já disponibilizaram o seu novo single O Bêbado, segundo retirado do disco de estreia A Divina Maldade. Para breve está a edição do cd-single físico e do videoclip do tema. Quanto a concertos, e depois do sucesso das primeiras datas, os Inkilina Sazabra estão a preparar novos concertos estando já agendadas as seguintes datas:

23. Set de 2011 – Galeria do Desassossego, Beja
04. Nov de 2011- In Live Caffe, Moita
16. Dez de 2011- Side B Bar, Benavente

Burning Memories de regresso

A banda nacional Burning Memories está de regresso ao ativo depois de algum tempo de interregno. Para a formação ficar completa, falta, no entanto, um vocalista. Por isso a banda está a fazer audições. Os interessados podem contactar para o email: metalsalliance@gmail.com

Sweet Dreams Magazine - edição n.º 3

Já está disponível a edição n.º 3 da Sweet Dreams Magazine onde poderão ler uma entrevista exclusiva com Miguel Fonseca (Bizarra Locomotiva/Plastica). Para além desta entrevista, poderão ler artigos sobre Pina Bausch, Bandas Nacionais, Kpop, Motocross e a mostra em exclusivo da nova colecção de Eye Lii, Brain Collection.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Review: No Sky Today (No Sky Today)

No Sky Today (No Sky Today)
(2010, Capital City Music Factory)

Embora editado em 2010, No Sky Today, só agora chega ao mercado europeu, fruto da parceria entre a banda e a Metal Revelation. Quanto ao coletivo, este nasceu das mentes de Wayne Findlay, conhecido pelo seu trabalho com Michel Schenker Group e nos Slavior e Paul Jones (Robot Lords Of Tokyo). No Sky Today, é o trabalho homónimo, de estreia e acaba por surpreender pela direção musical seguida por Wayne Findlay. O que aqui se apresenta é um heavy metal de afinação muito grave e muito groove, como se tratasse de um cruzamento entre os Black Label Society, White Zombie e Pantera (embora, neste caso, claramente menos agressivos). A forte tendência do groove, no entanto, em nada compromete as linhas melódicas, também elas muito fortes e particularmente presentes nas duas sensacionais semibaladas (Escape e Into The Sun) ou no curto belíssimo instrumental com guitarra acústica e piano, Intermezzo. Do lado oposto, temos riffs muito fortes, variadas mudanças rítmicas, momentos obscuros e, voltamos a referir, muito groove, bem presentes em temas de grande nível como No Sky Today, She’s On Fire, Final Hour, Break Up ou em Heavy Is The Debt, eventualmente a mais forte faixa do disco. A banda recentemente redefiniu o seu line up e efetuou uma pequena tournée americana. Paralelamente, já se encontra a trabalhar no seu segundo disco. Por isso, fica o conselho para continuarem a seguir de perto esta banda. Os No Sky Today, prometem atingir o céu... amanhã.

Tracklist:
1. No Sky Today
2. She’s On Fire
3. Final Hour
4. Heavy Is The Debt
5. Another Goodbye
6. Escape
7. Break Up
8. Intermezzo
9. Real Life
10. Into The Sun
11. Pieces
12. Gear Grinder

Line up:
Paul Jones – vocais
Wayne Findlay – guitarras e teclados
Kelly Garni - baixo
Scott Philips - bateria

Internet:

domingo, 18 de setembro de 2011

Entrevista: Saracen

Se o conceptual Vox In Excelso, de 2006, já tinha recebido excelentes reações, Marylin, mais um álbum conceptual, desta feita, em torno da vida de Marylin Monroe, coloca de uma forma inquestionável os veteranos Saracen no trono do hard rock europeu. O guitarrista Rob Bendelow, um dos membros fundadores e mentor da banda, fala-nos do ressurgimento dos Saracen e desta pérola que assinam para a Escape Music – Marylin.

Antes de mais, parabéns pelo vosso excelente álbum, na minha opinião um dos melhores de 2011. Como definiriam este Marylin?
Em primeiro lugar, obrigado pelas tuas palavras amáveis – apreciamos muito. O nosso álbum Marilyn tenta contar a história real da vida do ícone de Hollywood, através de música e letras. Alguns aspetos são "gravada na pedra", como sua infância como órfã e/ou seu sucesso "instantâneo" como modelo. Em comparação, outros elementos são menos preto-e-branco, caso em que optámos pela versão mais provável da verdade, que é a história que contamos. A vida de Marilyn foi certamente um passeio de montanha russa e nós tentamos refletir isso nas nossas músicas.

Marilyn é, pois, um álbum conceptual sobre a vida de Marilyn Monroe. A partir de que ponto de vista vocês pensaram nesta história?
Tentamos contar a história de várias perspetivas. Algumas canções são narrativas, por exemplo, com a contribuição do ponto de vista da comunicação social ou do público em geral - seus fãs. Grace McKeen, que foi responsável legal da jovem Norma Jean, classificou a canção Hold On como uma faixa de caráter. Love Like A Razorblade é em torno de Joe DiMaggio, seu segundo marido. Cinco das músicas contam a sua parte da história através da própria Marilyn! Essas músicas são todas cantadas pela americana Robin Beck.

Neste álbum, vocês têm vários convidados que desempenham um papel importante, na minha opinião. Como se processou o contacto com cada um deles e de que forma contribuíram para o resultado final?
Correto. Enquanto compunha algumas das músicas apercebi-me que precisávamos de uma mulher (por assim dizer!)... porque algumas das canções simplesmente tinham que contar a sua parte da história nas próprias palavras de Marilyn. A inspiração era muita. Então aproximei-me do meu amigo, o lendário, Bruce Mee para sugestões. Bruce demorou cerca de três nano-segundos para gritar Robin Beck. Ele também intermediou o encontro de forma a que eu e Robin começássemos a trabalhar juntos de imediato. Robin enquadrou-se perfeitamente – ele é fantástica! E surpreendia em cada música. Começámos com Make This Body Work e de seguida a faixa-título. Karensa e Richard gravaram as linhas vocais e Robin trabalhou sobre elas. Depois veio a balada acústica Not For Sure - o tema favorito das reviews até agora - onde eu acho que se abriram novos caminhos. Achei a atitude de Robin sozinha inspiradora, foi muito especial. Nós já tínhamos gravado o dueto Who Am I com o filho de Richard (e com Robin) e Hold On com Karensa. A Escape, no entanto, viu a oportunidade para convidar Steve Overland e Issa (respetivamente) para assumir essas músicas, trazendo seus indiscutíveis talentos. Mas, para mim, o mais importante foi que tanto o Richard como Karensa estavam confortáveis com o switch. Karensa nunca previu fazer qualquer dos vocais em Marilyn, enquanto Rich ainda se mantinha noutros dois temas. Mas não devemos esquecer que as harmonias sobrepostas do álbum todo vêm da cortesia deles. Estou muito satisfeito com resultado final. As diferentes vozes contribuem imensamente para a narração de histórias em que eu acredito.

Ou seja, diversos convidados em vários temas. Eles não irão para palco convosco. Como será?
Pois, infelizmente não. Marylin será executar ao vivo como o nosso tradicional quinteto. Duas faixas do álbum deverão ser adicionadas ao nosso espetáculo em breve.

Reparei que vocês têm atuado com alguma regularidade no vosso país. E sair para o continente?
A XIV edição do Festival Keep It True, realizada em Tauberfrankenhalle (Alemanha), foi uma experiência nova para Saracen, pois nunca tínhamos tocado fora do Reino Unido antes ... e que experiência! A banda foi totalmente esmagada pela grande afluência de fãs para ver o nosso espetáculo Heroes, Saints & Fools. As palavras não podem expressar o privilégio que foi fazer parte desse festival. Foi incrível como a multidão conhecia as letras das músicas, especialmente a de Heroes, Saints & Fools. Penso que essa foi a música que eles mais estavam à espera de ouvir. Um fã disse-nos que tinha esperado 30 anos para ouvir a banda tocar Heroes, Saints & Fools. É certamente um país e um festival que nós gostaríamos de visitar novamente. Foi brilhante! Em breve, esperamos fazer mais festivais em outros países.

Estando ativos desde a década de 70 como vêm o crescente interesse na cena hard rock?
Bem… é certamente bom de ver. Havia aqueles que achavam que o rock estava morto quando o flagelo do punk se espalhou como uma doença no final dos anos 70. A música é diferente agora, é claro, como deverá ser. Há menos ênfase nos instrumentos e ainda mais nos vocais. Muito do rock de hoje provavelmente poderíamos classificar como pop-rock, mas é bom de ver/ouvir. Também é bom ver que as bandas de rock original ainda estão aí, trazendo a tradição da década de 70 para públicos novos e antigos. O meu herói pessoal - Tony Iommi - ainda está forte, depois de quatro décadas no topo!

Podemos considerar que os Saracen começaram uma nova vida com a assinatura com a Escape Music?
Com certeza. Foi Bruce (de novo) que nos apresentou à Escape Music. Eles são uma equipa muito profissional e comprometida. Em poucos meses já tinham lançado o CD duplo de Red Sky e Heroes, Saints & Fools. Depois, no verão de 2006, lançaram Vox In Excelso, um álbum conceptual. Ambos ainda estão disponíveis. Portanto, sim ... 2005 foi o início de uma nova era para os Saracen.

Alguns dos membros dos Saracen estão envolvidos noutros projetos?
Não. Saracen é único para nós. Mais uma vez, obrigado. Se os fãs realmente quiserem um aperitivo do álbum Marilyn, experimentem isto: http://www.youtube.com/watch?v=hebYe_kgLEE e o nosso site, http://www.templarmusic.co.uk/.

sábado, 17 de setembro de 2011

Review: Beyond The Shrouded Horizon (Steve Hackett)

Beyond The Shrouded Horizon (Steve Hackett)
(2011, InsideOut)
Steve Hackett é um nome que dispensa apresentações. Desde a sua presença, nos anos 70, nos Genesis que o seu nome é sinónimo de qualidade principalmente nos meandros do rock progressivo, se bem que a sua carreira a solo, iniciada em 1977, tenha passado por vários estilos desde o blues ao jazz e até à ethnic music. Beyond The  Shrouded Horizon é o sucessor do bem acolhido Out Of Tunnel’s Mouth de 2010 e apresenta-nos Hackett acompanhado da sua banda regular, a Electric Band, adicionado de um conjunto de músicos de eleição, donde destacaríamos Chris Squire no baixo e Simon Philips na bateria. Para este novo trabalho, sem surpresa, o músico britânico apresenta-nos um conjunto de rock progressivo seventy, na linha de uns Pink Floyd, Yes ou até Barclay James Harvest. Trata-se de um disco muito calmo onde o recurso a guitarras acústicas, violinos e flautas é recorrente. Todavia, o facto de ser um trabalho preenchido com alguns micro-temas (cinco faixas têm menos de três minutos), cria uma sensação de fragmentação e descontinuidade que leva a por em causa a fluência do trabalho no seu todo. Independentemente disso, é indiscutível que Hackett apresenta uma série de excelentes temas de fino recorte técnico, dos quais destacaríamos a abertura, Loch Lomond, com bons jogos vocais; A Place Called Freedom, numa linha pinkfloydiana e onde sobre linhas acústicas se desenvolvem diversas tonalidades vocais e de guitarra bem como diferentes dinâmicas de bateria; as duas faixas de sabor oriental (Waking To Life com influências de Ayreon e um dos melhores solos de guitarra, quase à Santana e a instrumental Two Faces Of Cairo); os dois momentos mais contemplativos e atmosféricos (Between The Sunset And The Coconut Palms e Looking For Fantasy) e o blues em Catwalk. O fecho é feito em termos de grande criatividade com um épico de mais de onze minutos, onde se exploram sonoridades futuristas, ambientes contemplativos, paisagens cinematográficas e guitarras hard rock. É como se este tema resumisse todo um disco que retrata uma viagem por diversas ambiências, onde as alterações rítmicas são frequentes e o rock progressivo aparece numa das suas melhores expressões.

Tracklist:
1. Loch Lomond 
2. The Phoenix Flown
3. Wanderlust 
4. Til These Eyes 
5. Prairie Angel 
6. A Place Called Freedom 
7. Between The Sunset And The Coconut Palms
8. Waking To Life 
9. Two Faces Of Cairo 
10. Looking For Fantasy 
11. Summer's Breath
12. Catwalk 
13. Turn This Island Earth
 

Line up:
Steve Hackett – guitarras, vocais, harmónica
Simon Phillips – bateria
Gary O'Toole – bateria, vocais
Chris Squire – baixo
NickBeggs – baixo
DickDriver – contrabaixo
Roger King – teclados, programações
BenFenner – teclados, programações
John Hackett – flauta, vocais
Rob Townsend – saxophone, clarinete
Amanda Lehmann – vocais, guitarras
Christine Townsend – violin, viola
Richard Stuart – violoncelo
 
Internet:

Edição: InsideOut

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Entrevista: Under The Pipe

Valério Paula tem um eclético passado na música e achou que estava na altura de criar algo mais pessoal. Assim, nasceram os Under The Pipe, projeto onde o músico assume todos os papeis desde a composição à interpretação. Past And Future, é um dos exemplos do que Valério Paula tem andado a fazer e é, essencialmente, sobre este EP que conversamos com o guitarrista.

Podes explicar-nos a génese dos Under The Pipe? Que objetivos te nortearam para ergueres este projeto?
Primeiro, obrigado pela oportunidade. O simples desejo de fazer algo sozinho e expressar o gosto pelas melodias. Afinal gosto bastante de ouvir este estilo musical e tinha grande interesse em saber se conseguia reproduzi-lo também nas minhas ideas. Acho que acabei por conseguir fazer algo que fico feliz de tocar e ouvir repetidas vezes em minha casa.

Musicalmente, de que forma descreverias Under The Pipe/Past And Future?
Música para agradável meditação, em que seja possível viajar no tempo e no espaço daquelas melodias.

Este é um trabalho muito pessoal: escreveste todos os temas, tocaste todos os instrumentos e gravaste em casa. Não te sentiste muito isolado em todo o processo?
A ideia era mesmo essa, ficar só trancado e deixar o momento falar. Under The Pipe foi gravado apenas para que eu pudesse apreciar algumas coisas que não encontrava nas bandas do mesmo género. E acabei por dedicar algum tempo a compor e gravar aquilo que gostava de ouvir.

De qualquer das formas, há três temas que foram masterizados pelo americano Nicholas Deringa. De que forma se propiciou esse contacto e como avalias essa experiência?
Nicholas é um amigo de longa no data no Myspace que possui um estúdio nos EUA. Perguntei se ele podia fazer algo num tema, ele gostou e quis fazer nos 3 temas que era suposto serem os únicos deste trabalho. Porém a Mimi Records também curtiu, perguntou-me se estava interessado em distribuir. Eu aceitei e então concordamos em adicionar mais 2 temas ao trabalho Past and Future V2. Afinal a ideia inicial era apenas gravar para eu ouvir em casa, no carro, no mp3, mas os elogios foram surgindo e não ficou só por isso... mas não estava a procura como foi com os Skewer.

À semelhança de muitos outros nomes dentro deste género, as vozes são eliminadas. Existe algum motivo para isso acontecer?
Queria apenas melodia, sentimento, livre interpretação sem legendas, sem dar uma mensagem direta aos temas... cada um terá a sua conceção, aí que fica bacana!

E neste campo, de que forma é que o título das canções se relaciona com a sua estrutura ou desenvolvimento? Ou seja, de que forma fazes a leitura da história instrumental para conseguires batizar os temas?
Momentos da minha vida. Passei por experiências ruis e boas que nunca serão esquecidas.

Entretanto, tu assumes a totalidade da interpretação. Foi uma opção ou uma necessidade?
Opção... afinal Under The Pipe é uma cena sem ideia de concertos, pelo menos até o momento... Se começarem a surgir propostas e que sejam válidas até se pode cogitar. Fora isso, é para quem quiser ouvir em casa, no carro, no mp3 como eu faço.

Esta é a segunda edição do EP, depois de inicialmente teres apresentado apenas três temas. Porque tomaste esta opção?
Foi uma questão de dar uma requintada ao trabalho para a Mimi Records e ajudar na distribuição... tanto que é gratuito!

Não ponderas a hipótese de alargar a base de instrumentistas para uma próxima gravação?
Já tenho um CD gravado que está sendo distribuído pela Believe Digital, para várias plataformas de música digital. Por ser mais fácil encontrar, não dá para por o álbum gratuito por ser a Believe Digital que trabalha com BMG, SONY, VIRGIN etc... mas se alguém tiver vontade e coragem de ouvir está em Believedigital.com/underthepipe. Também já tenho um EP pronto para sair em 2012 se alguém mais se interessar. O video já esta online e tem o mesmo nome Fix You.

A edição deste EP acaba por ser de uma editora Luso-japonesa, o que não é muito vulgar! Como aconteceu essa ligação?
Como expliquei anteriormente , o Fernando ouviu, gostou e fez o convite, achei bacana da parte dele, aceitei logo.

Sendo uma editora estrangeira acreditas que o processo de internacionalização seja mais fácil? Como está a decorrer a promoção deste EP lá fora?
Não faço ideia (risos)! Gravei isso apenas pela vontade de ouvir estes temas. A cada interesse eu fico feliz, mas não estou preocupado se corre bem ou mal, é apenas música para apreciar, quem gostar vai atrás e ouve é grátis e fico feliz por não ser o único a saborear as melodias de Under The Pipe.

Referiste que tens um álbum gravado. Pode falar dele?
O nome do longa duração é Start Over Again, tem 9 temas e cerca de 50 minutos de música e foi editado em março de 2011. É isto que estou a fazer com minha vida e rumo musical “dando aquela reciclada”... sempre a aprender e degustar coisas novas, música para alimentar a alma!

Para terminar, como vão as coisas no seio dos Skewer?
Os Skewer deram um último concerto em março de 2010. Depois disso cada um seguiu em outros projetos, sejam ele musical, particular ou profissional. Também estamos sem muita vontade de voltar ao activo. Por enquanto esta em stand by... quem sabe no futuro se a música tomar um rumo que valha apena. De resto estou feliz em gravar e tocar cenas para Under The Pipe que mesmo sem pretensão nenhuma e nem grande divulgação em massa como foi com Skewer, tem sido agradável o que ouço dos pessoas. Obrigado.