Entrevista: Outcast

Começaram em 1998 como Overlander, mas é a partir de 2002 que, verdadeiramente, nascem os Outcast, mais um nome a adicionar à importante lista de nomes gauleses extremos e de elevada qualidade. Awaken The Reason, o próximo trabalho da banda, primeiro para a influente Listenable, foi o motivo para uma conversa com o baixista Clément Mauro.
 
Viva! O vosso novo álbum está quase cá fora. Que expectativas?
Olá! Na verdade, estamos muito animados. Trabalhámos muito neste álbum e isso é muito importante para nós para podermos compartilhar a nossa música e saber o que as pessoas pensam sobre Awaken The Reason. O nosso objetivo agora é difundir o nome Outcast em todo o mundo e atuar tanto quanto pudermos.

Este é o vosso primeiro trabalho para a Listenable. Mudou alguma coisa?
Na verdade quase tudo. Agora estamos a trabalhar com uma estrutura profissional e sabemos que a Listenable realmente confia nas suas bandas. A comunicação é a mais fácil do que antes e o trabalho aparece feito. É definitivamente um passo importante para a banda, agora podemos planear projetos com equanimidade.

Ambos os vossos registos anteriores tiveram excelentes críticas. De algum modo sentiram qualquer tipo de pressão na altura de começar a escrever este novo disco?
Absolutamente nada, porque não tínhamos limites quando compusemos este disco. Sabíamos que íamos evoluir para algo novo, porque nós tínhamos algumas ideias ainda por explorar. Nicolas é agora o principal compositor, mas Jean-François chegou à banda no início do processo de composição e tomou parte desta renovação com algumas ideias novas. Penso que este álbum é o melhor que escrevemos até agora.

Awaken The Reason é um álbum difícil de caracterizar. Como o descreverias?
Há diferentes influências em Awaken The Reason. Como estamos habituados a ouvir death e thrash metal, alguns desses elementos estão presentes na nossa música, mas modernizámos o nosso estilo com muito ideias progressivas, alguns poliritmos e riffs djent. E também não nos esquecemos de incluir um pouco de melodia e alguns apontamentos de jazz… A diversidade é, definitivamente, a força deste álbum.

O álbum foi composto entre 2006 e 2009. Porque tanto tempo?
Como talvez te tenhas apercebido, o álbum inclui uma abundância de detalhes com estruturas complexas. Levámos o nosso tempo e trabalhamos sem pressão. Nós apenas queríamos ter a certeza que cada música ficasse perfeita para produzir uma assinatura pessoal. Penso que todo o álbum é muito homogéneo e estamos muito satisfeitos com o resultado.

Entretanto, o processo de gravação decorreu em 2010. Por que esse hiato de tempo para o lançamento do álbum?
O processo de gravação levou quase todo o ano de 2010, porque nós temos feito tudo por nós mesmos, exceto a mistura e a masterização. Todos na banda temos um emprego, portanto tivemos que lidar com isso e gravar no nosso tempo livre. Jean-François era o encarregado de gravar tudo no seu estúdio (The Artist The Office Studio) e quando queremos ter grandes resultados, temos que pensar em tudo o que leva muito tempo. Jochem Jacobs dos Textures misturou o álbum no final de 2010, seguido pela masterização de Alan Douches e tudo estava pronto no início de 2011. Depois andámos à procura de uma editora e este foi um processo muito longo. Finalmente assinámos um acordo com a Listenable Records em novembro de 2011 para o lançamento em fevereiro de 2012.

Depois de tanto tempo, ainda consideras Awaken The Reason como um fiel representante dos atuais Outcast?
Sim, porque ainda não começamos a compor outra coisa desde as 11 músicas do disco. Nós ensaiamos muito para ter a certeza que estamos prontos para quando formos para palco. Portanto, Awaken The Reason ainda é muito novo.

E depois do lançamento do álbum, que estão a planear?
Estamos atualmente trabalhando em tourdates, sendo que o principal objetivo é tocar em todos os lugares que pudermos para promover Awaken The Reason. Novo merchandising também está quase pronto. E vamos começar a compor novamente, mas desta vez com 7 cordas.

Numa rápida pesquisa pela net encontramos várias bandas com o nome Outcast, Não te incomoda? Não receias a confusão que pode gerar?
Sim, nunca é fácil ter o mesmo nome que outra banda, especialmente quando uma conhecida banda de rap também se chama Outkast. Mas para ser honesto, quando escolhemos este nome há mais de dez anos atrás, a Internet não estava tão cheia como agora e esta informação foi mais difícil de encontrar naquela altura. Construímos toda a nossa carreira com esse nome, por isso é delicado para nós mudarmos agora. Mas se alguém gosta da nossa música, acho que o nosso nome não é um problema e isso é o mais importante.

Ultimamente, a França tem apresentado ao mundo um conjunto de bandas excelentes. Podes explicar-nos o que se passa aí?
Há um conjunto de grandes bandas aqui na França, com um estado de espírito muito profissional. Os Gojira abriram as portas e acho que essas bandas estão a tentar seguir o exemplo. Eu sugiro que ouças bandas como Hacride, Klone, Gorod, Uneven Structure, Ite Missa Est, Benighted, etc. Vais surpreender-te! Atualmente, a França pode competir sem problemas com bandas internacionais.

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