quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Entrevista: Persona Non Grata

Os Persona Non Grata nasceram em 2003 sob a mão de John Ioannidis com o objetivo de cruzarem o metal progressivo com o hard rock. Com apenas um álbum editado chegam à gigante Massacre Records que a fechar o ano de 2011 apresenta o segundo trabalho da banda, Quantum Leap, sinónimo de um acentuado salto qualitativo. O membro fundador e teclista, John Ioannidis, enquanto nos falava deste novo trabalho e da reformulação que ocorreu na banda, deu-nos uma aula de física quântica e agradeceu aos fãs portugueses.
 
 
 
Quantum Leap é já o vosso segundo álbum. Quais as principais diferenças para a vossa estreia?
Antes de mais, gostaria de agradecer por nos dares a oportunidade de estarmos em Via Noturna. Comparar os dois álbuns é um pouco complicado para muitas razões, mas vou tentar apontar algumas diferenças. É muito difícil para nós escolher entre os dois álbuns, porque tudo parece melhor no começo. A minha opinião pessoal é que o Quantum Leap é mais maduro, melhor tocado e muito melhor produzido. Devemos também ter em mente que houve várias mudanças na nossa formação. Os vocais são agora tratados pelo Aris, que é um vocalista de rock com elementos de metal lírico na sua voz. O baixista também mudou e agora temos Apostolis um dos maiores baixistas na Grécia. Como podes imaginar ambos colocaram as suas influências pessoais no álbum. O Aris que está connosco desde o início do processo de composição fez um ótimo trabalho com os vocais e letras e Apostolis que veio recentemente adicionou elementos orientais, que até agora estavam ausentes.

E quais são os vossos maiores objetivos para este trabalho?
Queremos ter sucesso, não necessariamente em termos de venda pois estamos cientes da crise que existe no mercado de CD’s, mas queremos ser ouvidos e aprovados por tantas pessoas quanto possível. Isso ajudará a tornaro nosso sonho de mais apresentações ao vivo uma realidade. É claro que também temos a nossa editora Massacre com quem trabalhamose que espera que seja um grande sucesso.

Neste vosso álbum é possível ouvirem-se duas partes distintas: inicialmente com maior complexidade e peso e a parte final com mais tranquilidade e emotividade. Em que campo você se sentem melhor?
Estou muito feliz que tenhas percebido isso. És um dos poucos que perceberam esse fato. Sim, o álbum é dividido em 2 partes. A primeira é mais pesada com riffs duros e alguns solos complexos num típico som progressivo. A segunda é mais emocional e com mais sensibilidade. Bem, isso foi feito de propósito porquanto tentámos, na primeira parte, dar um forte impulso ao nosso som e na segunda acalmar o ritmo e para finalizarmos o álbum com Journey’sEnd, uma faixa muito forte. Em geral, tentamos ter os dois elementos (dureza e suavidade) incorporada nas nossas músicas. Esta é a essência da nossa música. Quando sentimos que uma música começa a ser demasiado dura a ponto de perturbar nós tentamos mudar o ritmo com uma passagem mais macia.

Isto significa também que Quantum Leap tem muita variedade. Ele representa uma mistura de vossos gostos individuais, suponho? Como acontece o processo de escrita nos Persona Non Grata?
Sim, a nossa música é uma mistura das nossas influências pessoais. Chris (guitarra) é um verdadeiro metaleiroe cresceu com este estilo de música. Os riffs pesados ​​são mais frequentemente escritos por ele. Para mim é principalmente rock rock,hard e música clássica, claro. Aris (vocal) é um cantor de rock, mas com uma abordagem de metalpela maneira como ele canta. Akis (bateria) é o elemento mais progressista de todos. Eu diria que o seu estilo é o principal fator progressivo que temos na banda. Apostolis (baixo) acrescenta ao nosso som algo grego–um timbre oriental. Eu acho que o processo de escrita começa com uma ideia de música ou um tema base, como costumamos dizer, que se desenvolve para a canção final, após muitas horas de interferência no nosso estúdio. Em seguida, vem o processo de gravação, onde também as coisas podem mudar e por último mas não menos importante, a mistura, a masterização e a produção.

Já agora, existe algum conceito subjacente a Quantum Leap?
Sim, há um conceito. Deixa-me dizer algumas palavras sobre como o título surgiu. Há um erro comum, já que muitas pessoas pensam que um salto quântico é um salto particularmente grande. Isso é incorreto, ou melhor, não é completamente correto! Na física quântica (de onde a expressão veio) um salto quântico é, na verdade, geralmente um salto muito pequeno, muitas vezes menor que o diâmetro do núcleo de um átomo. Mas a principal característica que dá um salto "quantum" é que esse salto de um ponto A para um ponto B é feito sem passar por qualquer dos pontos entre A e B. O lançamento do nosso primeiro álbum foi um grande passo para a banda já que nos permitiu assinar pela Sensory, mesmo vindo do nada. Foi nessa altura que começamos a agir como uma verdadeira banda. Foram feitas alterações na voz e no baixo e finalmente formamos uma banda pronta para tocar ao vivo. Com a Massacre estabelecemos a nossa ascensão com o lançamento deste nosso segundo álbum. Este foi um passo ainda maior para nós e foi preciso um grande esforço. No entanto, o resto do mundo deve ver isso como um "salto quântico", uma transição do ponto A ao ponto B. A nossa viagem de A para B é representado neste álbum.

Também o facto de estarem numa editora como a Massacre vos permite expandir a vossa música para outros mercados. Sentem isso?
Sim. A promoção que a Massacre está a fazer é brutal. Nós consideramo-nos com muita sorte em ter esta grande editoraa ajudar-nos. Temos tido opiniões de todo o mundo, da Austrália, Japão e até mesmo Cuba! Tomando a nossa conversa como um exemplo. No primeiro álbum, tivemos uma review muito boa de Via Noturna, mas não uma entrevista. Agora estamos aqui e falar!




O que está a ser preparado para promover este novo álbum? Poderemos esperar uma tour em breve?
Eu ainda acredito que a melhor promoção para uma banda é tocar ao vivo. Somos formados como uma banda ao vivo e estamos prontos para provar que podemos apoiar o nosso trabalho de estúdio ao vivo. Fazer uma tournée é a nossa prioridade número um agora. Temos a Redlion da Alemanha como um agente que está a fazer o seu melhor nesse sentido.





Como vês a cena prog atual no teu país e na Europa?

Essa é difícil. Não posso dizer que na Grécia haja uma verdadeira cena prog. Duas ou três bandas de metal progressivo não fazer uma cena... Na Europa há muitas bandas de bom prog. Eu não vou citar ninguém, é claro, mas posso dizer que há 4-5 bandas cujo trabalho admiro. Um comentário geral é que, além de grandes nomes do passado, eu dificilmente encontro algo novo e fresco lá fora. Eu sinto que as pessoas se voltaram para outro tipo de metal talvez mais comercial, não sei. Progressivo é uma parte difícil da música e tem um público muito exigente. Se uma banda não é excecional não tem hipóteses.

Há alguma coisa que gostasses de dizer aos fãs Português?
Gostaria de agradecer pelo apoio que nos deram no primeiro álbum e espero que tambémabracem o nosso novo álbum! Também um pedido, se gostam de nós e querem-nos ver ao vivo em Portugal têm de o exigir. Keep Rocking!

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