Review: Novecentos (Mulherhomem)

Novecentos (Mulherhomem)
(2012, MAR)


Ainda não pusemos o CD a rodar e já estamos agradavelmente surpreendidos pela rara capacidade artística da capa deste trabalho. Depois de algum tempo a tentar decifrar o logótipo surge outras das surpresas: o nome. Um dos mais intrigantes e descaracterizadores da música nacional. Quando finalmente se chega à música de Mulherhomem, enganámo-nos se pensámos que já não há mais nada para descobrir. Novecentos é um trabalho completamente desconcertante, onde as regras e as lógicas da composição são completamente mandadas às malvas. Desde logo o trio não tem baixista. E pelos vistos nem precisa. Pelo menos não precisa para fazer a sua amálgama desenfreada de punk, indie, alternativo, rock e metal onde as palavras, sempre em português, são uma real mais-valia. Como mais valia é o trabalho de Manuel Ferreira. Mais que um vocalista, o homem é a marca da insanidade eletrizante que abunda em Novecentos. Ele canta, grita, berra, sussurra, declama. Tudo com uma alma indescritível e com um sentimento de angústia e demência assombrosos. Musicalmente, os Mulherhomem andam ali entre os Mão Morta e os Murdering Tripping Blues. Mas não se coíbem de ir até outras paragens. Sempre sem regras, numa forma caótica, angustiante e decadente. E não deixam de surpreender, como acontece na secção central de Se o Sufoco Falasse com uma melodia calma que parece vir diretamente da pop dos anos 60 imediatamente compensada pela aproximação aos ritmos alucinantes de Motorhead no tema seguinte, fp232.


Tracklist:
1. Dormente Indecente
2. Inverno Inverso
3. Sopa de Intervenção
4. Às Vezes Nulo
5. Do Semente
6. Pele Casaco
7. Papel de Parede
8. Se o Sufoco Falasse
9. fp 232
10. Memória de Alcatrão
11. Aminoácido Flácido
12. Intromente
13. Traficante
14. Oitentaeoito
15. Procrastinador Nr. 1

Line up:
Manuel Ribeiro – guitarra
Manuel Ferreira – voz
Manuel Ramos - bateria

Internet:

Edição: MAR

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