terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Entrevista: Rob Mancini

Após quase dez anos afastado das gravações, o músico italo-germânico, agora radicado na Irlanda, regressou com Rock ‘n’ Roll Circus, um disco que mais que uma bomba de hard rock é a personificação do próprio Rob Mancini. Longe das modas e das tendências, praticamente sozinho, Mancini fez o disco que sentia que deveria ter sido feito. Como ele próprio explicou a Via Noturna.

Após quase uma década de abstinência em termos de gravações, estás de volta com um novo álbum. Por que tanto tempo sem gravares?
Antes de mais, obrigado pela atenção. Eu tive sorte de pertencer a uma boa banda ainda muito jovem. Naquela altura, apenas como guitarrista, servimos de apoio para bandas de grande cartaz e conseguíamos equipamento e transporte em qualidade para almejar alcançar um patamar mais alto. Em 1994 entrei para os Hotwire e gravei o meu primeiro disco em 1995 com a ajuda de Lessmann/Ziller dos Bonfire. Depois, separamos ainda antes do álbum seguinte e, nessa altura, não entrei em nada de realmente bom para além de uma curta participação em Crush, com o ex-vocalista dos Hotwire e o atual baterista dos Ravenryde. Estávamos no final da década de 90 e, nessa altura, tocar em bandas estava a tornar-se um tédio. Fiquei doente e cansado de ser mais um guitarrista noutra banda com discussões intermináveis ​​sobre como as coisas deveriam soar ou qual a direção musical que o projeto deveria tomar após toda a porcaria grunge ter inundado o cenário do rock. Considero que o final da década de 90 não era, realmente, o melhor momento para colocar cá fora um álbum com as características que eu queria. Por isso pensei que estava na altura de fazer uma pausa uma vez que eu não queria tocar noutra banda como guitarrista e ter que me ajustar às modas. Bem, na realidade foi uma pausa enorme! Talvez eu devesse, agora, fazer dois álbuns por anos para compensar o tempo que eu perdi!

E o que fizeste neste intervalo de tempo?
Mudei-me para a Irlanda e comecei a trabalhar como músico de estúdio e para outras bandas e montei o meu próprio estúdio.

Neste álbum assumes todos os instrumentos e vocais. Podemos considerar Rock’n’Roll Circus um álbum muito pessoal?
Sim, realmente é um álbum muito pessoal. Tive sorte suficiente para ser capaz de fazer o álbum todo por conta própria e apesar de ter sido criticado por isso, estou muito feliz com o resultado. Fui o único compositor do álbum e não fazia sentido contratar músicos bem conhecidos, apenas para ter um grande nome no álbum – não faz o meu feitio. Eu não faço música para ser integrada em qualquer espécie de moda. Acho que não se mostra criatividade quando se tenta encontrar algum tipo de som novo só porque alguém decide, nessa altura, o que é "IN".

Quem mais deu a sua contribuição para este álbum?
Eu toquei todo o álbum e a minha esposa fez todos os coros femininos. Depois de ter terminado a gravação e mistura, Harry Hess dos Harem Scarem masterizou o álbum no seu próprio estúdio no Canadá.

Por que um título como Rock’n’Roll Circus?
Rock'n'Roll Circus foi uma das últimas músicas escritas para o álbum, refletindo a energia crua de uma banda a subir ao palco. Foi a melhor forma de intitular o álbum.

E como descreves este álbum?
Eu queria fazer um álbum que refletisse a minha pessoa, o meu estilo, o meu gosto, a minha história, o meu futuro. Uma parte emocional da música...

Este teu trabalho inclui uma cover do tema Running Up That Hill de Kate Bush. O que significa esta música para ti?
Na verdade, queria fazer uma versão metal de uma música pop dos anos 80 porque adoro esse período bem como a música que foi criada nessa época. Apesar de ter sido realmente a versão dos Placebo (os fãs da Kate Bush agora vão-me odiar...) que me inspirou a fazer a versão dessa música, eu gosto da vibração escura da música e acho que Kate Bush era uma compositora incrível. Foi um desafio...

Estás pronto para levar Rock'n'Roll Circus para palco? Neste caso, quem serão os músicos que te acompanharão?
Tivemos um teste aqui na Irlanda e os espetáculos caíram que nem uma bomba. Tenho um line up para a próxima tournée europeia em 2012, com Chris McCarrick na guitarra, Shaun Deehan na bateria, John Doherty no baixo e Jason Patton nos teclados.

E que outros atos promocionais têm sido levados a efeito?
Assinámos um contrato de promoção/management com Axel Wiesenauer da Rock'n'Growl Management & Promotion, que está a fazer um ótimo trabalho até agora. Depois, há uma série de coisas a ser planeadas a cada minuto, portanto, fiquem atentos....

Para terminar, queres dizer algo aos fãs portugueses?
Olá Portugal! Vocês estão em nossa lista para fazer a tournée! Muito obrigado a todos os leitores, amigos e ouvintes. São vocês que fazem quem somos. Estou mais do que grato por estar em posição onde sou capaz de criar uma obra de arte que ganhou tanto feedback positivo. Fiquem atentos, há muito mais para vir - vocês não se vão dececionar. Vemo-nos na tournée!

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