Entrevista: Thee Orakle

Smooth Comforts False marca o regresso dos Thee Orakle para o seu segundo trabalho. Um disco que representa um passo em frente e que projecta a banda transmontana para um patamar de eleição no actual cenário nacional. Tendo como pano de fundo este novo disco, Micaela Cardoso, vocalista da banda, falou com Via Nocturna.

Depois de um excelente álbum, na forma de Metaphortime, trabalharam de forma tranquila na elaboração deste segundo trabalho?
A elaboração do Metaphortime foi bem mais tranquila do que a pré-produção do Smooth Comforts False. Digamos que ficar sem sala de ensaios praticamente a meio da fase de criação dos temas novos, não é uma situação nada tranquila, muito pelo contrário! Tivemos que nos adaptar de forma a conseguirmos prosseguir com o trabalho, não foi nada fácil e sinceramente, deu-nos muito prazer ir para estúdio e apenas limar algumas arestas! Estamos muito contentes com o resultado final. O Ricardo (guitarrista) e o Frederico (baterista) são os maiores responsáveis pelo evoluir favorável da pior fase de pré-produção e por isso aproveito para lhes agradecer pelo empenho.

Voltaram a gravar em Braga. A manutenção de ritmos, hábitos e pessoas foi importante para criarem mais uma obra deste nível?
Agradeço que se refiram a este álbum como “mais uma obra deste nível”! Voltamos a Braga precisamente porque é um estúdio familiar, onde nos sentimos em casa, apesar do rock ser duro e puro (riso), é tudo feito com o tempo preciso e com a atenção necessária! O Pedro Mendes e o Daniel Cardoso sempre foram e são impecáveis para os Thee Orakle e acreditam no nosso projeto.

Um dos aspetos mais salientes, a partir de Metaphortime, é a troca de um dos guitarristas. Não sendo, aparentemente, um processo de substituição muito difícil, até porque já conheciam o Pedro Mendes, em termos emocionais de alguma forma influenciou o processo de escrita?
Realmente não foi um processo de substituição muito difícil, mas em termos do processo de criação o Pedro deu a sua opinião, criou, tocou como ninguém e influenciou claramente o nosso processo de escrita de uma forma super positiva!

Aparte isso, de que forma vocês caracterizariam e vossa evolução enquanto banda? Ou seja, na vossa opinião, o que mudou entre Metaphortime e Smooth Comforts False?
Mudaram algumas coisas, nomeadamente, o tempo que passou desde a composição do 1º álbum, que foi o suficiente para que todos nós evoluíssemos como músicos e para que definíssemos melhor o som da banda. Não estou com isto a dizer que o som da banda fica definido com este álbum, mas pelo menos está diferente do Metaphortime. Riffs mais fortes, ambientes mais jazzísticos e um ambiente mais progressivo.

Existiu um longo processo de procura de uma editora para lançar o álbum, ou simplesmente aconteceu o contacto com a ESW?
Existiu um processo de algum tempo de procura de editora e houve até algumas respostas antes do contato com a Ethereal Sound Works. No entanto, nenhuma delas nos proporcionou as condições de edição que a ESW nos propôs. Estamos muito satisfeitos!

E como lidaram com a situação?
Lidamos com a situação de uma forma calma e consciente. Atualmente é muito difícil uma editora oferecer a uma banda o que ofereciam há uns 10 anos atrás, portanto sabemos que a luta para ter um CD editado é dura e complexa, tem que haver muita sorte e há que saber ceder em certos pontos!

Existe alguma temática central abordada em Smooth Comforts False?
Desta vez, ao contrário do Metaphortime, não existe um tema central. No entanto o título do álbum, Smooth Comforts False, foi pensado para reunir uma série de “suaves falsos confortos” que todos vivemos e vivenciamos no dia a dia!

Mais uma vez, voltam a cruzar o metal com outras sonoridades. Os desempenhos de trompete e saxofone são brilhantes, deixem-me dizer-vos. Quem os interpretou?
Muito obrigada em nome dos implicados! Que são, no trompete, o galego Ricardo Formoso, um amigo da banda e um excelente trompetista que atualmente já é professor no Conservatório de Música de Coimbra; e no saxofone, o Fábio Almeida, primo do nosso baixista, Daniel Almeida, e que para além de ser um conterrâneo nosso, é já reconhecido a nível nacional pelo seu desempenho no Jazz nacional!

E, também, mais uma vez participa o Yossi Sassi. Há cada vez mais ligação entre vocês e ele ou Orphaned Land?
Há sem dúvida alguma, uma ligação cada vez mais forte entre o Yossi Sassi e nós, banda! Aliás o próprio Yossi já se lamentou por Portugal e Israel serem tão distantes geograficamente, porque gostava de trabalhar mais diretamente connosco na produção de um álbum. No final do concerto no Santiago Alquimista, quando ele tocou a Alchemy Awake ao vivo com os Thee Orakle, ele disse-me que estava super orgulhoso de nós, que estava muito entusiasmado porque nunca tinha tocado com outra banda ao vivo que não os Orphaned Land e perguntou-me quando é que íamos gravar outra música juntos… (riso) Portanto, foi uma questão de timings até ter um tema novo para lhe enviar!

Depois em termos vocais, surge, ao seu melhor nível o Adolfo Luxuria Canibal. O facto de gravar em Braga facilitou a aproximação? A ideia dessa participação surgiu já durante as gravações ou já estaria programada?
A ideia desta participação, surgiu ainda na pré-produção, numa altura em que escutávamos o tema Faraway Embrace e depois de alguma discussão acerca da letra da música… o Frederico lembrou-se que para que a letra fosse aproveitada de uma forma positiva e de realce, quem melhor para dizer o Português que o Adolfo Luxúria Canibal!? Foi deveras inspirador trabalhar com este senhor… ele é perfecionista, concentrado, simpático e encorajador para continuarmos o trabalho desenvolvido até agora.

Finalmente, Marco Benevento em dueto contigo. Como surgiu essa oportunidade?
Foi mais uma bela ideia nossa! (risos) Alguns membros da banda, incluindo eu, apreciam muito o trabalho do Marco nos The Foreshadowing e portanto resolvemos contactá-lo através do meu Facebook (já éramos amigos), e ele respondeu rapidamente. Depois de escutar a música, o Marco confirmou a participação e até pediu a um amigo, um horário livre num estúdio profissional, para gravar! Ele adorou o produto final e parece-me que vai ser um dos temas mais requisitados pelo pessoal que tiver tendências doom.

De um modo geral, dá ideia que vocês deram total liberdade criativa aos vossos convidados para eles fazer aquilo que melhor sabem fazer, certo?
Certíssimo! (riso) Estando a trabalhar com profissionais, qual seria a nossa petulância de tentar impor fosse o que fosse a um Adolfo, ou até a um Ricardo Formoso, com tanta sabedoria a mais que nós!? Achamos suficiente dar-lhes um esboço do que pretendemos para o tema em que participaram, e deixá-los fluir! Pareceu-nos bem mais fácil e simples!

A partir de agora, suponho que as vossas expectativas sejam altas em relação a este novo trabalho?
As nossas expectativas são as normais… No entanto, como todas as bandas sonham, todos nós aspiramos a algo mais, tal como ter um nome mais consolidado no panorama musical português e se possível um pouco de reconhecimento internacional. São coisas para as quais trabalhamos diariamente, e pelas quais aguardamos serenamente.

E vamos ter os Thee Orakle na estrada, a partir de quando?
No próximo mês, dia 10 de março, no festival de bandas portuguesas, Lusitanos D’Armas, no Hard Club, Porto. Para poderem estar a par de todas as datas, curiosidades, vídeos, fotos, membros etc, visitem, como um novo aspeto, o Myspace dos Thee Orakle, www.msyapce.com/theeorakle .

A terminar, agora que os ThanatoSchizo cessaram funções, enquadra-se bem aos Thee Orakle o título dos reis do metal transmontano?
De todo…não! Antes de mais, não acredito em títulos, muito menos por regiões! (risos) Os ThanatoSchizo terminaram, com muita pena minha, porque tenho amigos na banda, nomeadamente o Paulo Adelino e o ex-vocalista Eduardo Paulo e para além disso era a banda da minha terra… eu sou de Santa Marta de Penaguião e acompanhei o evoluir da banda desde o início, se calhar como muita gente não conheceu! E portanto, é algo que me deixa desiludida, acima de tudo. Mas entendo-os perfeitamente! Agora, os Thee Orakle são uma banda da mesma zona, que quer lutar por um futuro melhor, que está a lançar o 2º álbum e que tem muito trabalho pela frente! Orgulhamo-nos de ser transmontanos! Só isso…

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