Entrevista: It Bites

Nascidos em 1994, os britânicos It Bites continuam a mostrar serviço relevante em 2012, mesmo depois de 16 anos de paragem. O conceptual álbum Map Of The Past foi o motivo para conversarmos com o bem disposto e mordaz  guitarrista/vocalista John Mitchell.

Antes de mais, obrigado por aceitarem responder a Via Noturna. Os It Bites têm um longo e honroso passado. Foi essa a razão por que criaram um álbum conceptual sobre o passado?
A razão por que queríamos fazer um álbum conceptual é porque nunca fizemos nenhum antes e queríamos fazer algo um pouco mais grandioso. Além disso, todos os meus álbuns preferidos são álbuns conceptuais.

Então, agora com mais detalhes, em que consiste esse conceito explanado no disco?
É a respeito de alguém que tenta voltar atrás e mudar alguns elementos do seu passado para melhorar o futuro. A única coisa que ele consegue fazer é mudar o curso da história de algumas tragédias bem documentadas. Ele não consegue melhorar a sua própria vida. A moral da história é que o que está destinado não se pode alterar.

Gostando de álbuns conceptuais e sendo este o vosso primeiro quando decidiram que deveriam fazê-lo?
Há cerca de 7 meses atrás. Começou como uma brincadeira. Bob, o nosso baterista, odeia qualquer escola pública e, obviamente, este tipo de álbuns nasce das mentes da classe média. Portanto, pensei que seria uma boa maneira de o encurralar. E comecei a levar a ideia a sério. Provavelmente para seu desgosto.

Voltando ao passado, vocês estiveram ausentes cerca de 16 anos. Como vêm o prog rock atualmente?
Bem, eu sou novo por aqui e nunca estive longe da cena rock prog. Pela minha parte, acho que está o mesmo que sempre foi. Ainda falta muito para ser levado a sério.

Já agora, qual a razão desta ausência tão prolongada?
Porque ninguém quis reatar os It Bites até 2006.

No passado diziam que não se encaixavam em qualquer categoria. Ainda sentem o mesmo?
Sim. Muito pop para prog e também para prog pop. E também não suficiente rock para qualquer um deles. É bom teres a tua própria categoria. As categorias são lugares muito lotados.

Voltando a Map Of The Past, podemos considerar este um álbum retrospetivo da vossa própria história enquanto banda?
Não. É apenas uma história maluca projetada para me entreter. Embora ache piada ao assunto. Eu gostaria de poder voltar no tempo e corrigir algumas coisas. Mas continua a ser apenas o meu desejo.

Como decorreu o processo de escrita?
O mesmo de sempre. Sento-me numa sala com John Beck e ele diz “O que tens aí?” Eu mostro-lhe um verso e um refrão e depois discutimos sobre os tempos e a bateria durante uma hora. Fazemos juntos o mapa da música, canto a base vocal, ele coloca um conjunto de elementos inteligentes e está feita a música em 48 horas.

E o processo de gravação?
Gravamos tudo no meu estúdio no andar de cima usando bateria programada para começar. Quando estamos contentes com o que temos, gravamos as baterias reais e finalmente o baixo. E depois misturamos!

O que está programado em termos de tournée para promover Map Of The Past?
Nós iremos fazer uma pequena tournée em maio, no Reino Unido. Para além disso não sei ainda nada, mas com certeza haverá alguma coisa na Europa continental.

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