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Entrevista: Shadowsphere

Os Shadowsphere são uma das bandas emblemáticas do death/thrash nacional. Há seis anos em silêncio, mas sem nunca pensar em desistir, na opinião de Luís Miguel Goulão, a banda teve tempo para preparar um regresso infernal e… surpreendente. Inferno foi o mote para uma conversa com o guitarrista e mentor desta instituição.

Viva! Seis anos depois, sejam bem-vindos! A que se ficou a dever este hiato?
Obrigado! Devido a problemas pessoais decidi ausentar-me da cena musical, e na mesma altura o André Silva (baterista) decidiu sair também, o que levou à paragem de Shadowsphere.

Mas alguma vez se aventou a hipótese de não regressarem mais, de porem um termo à vossa carreira enquanto Shadowsphere?
Nunca! Achei apenas que tinha chegado a altura de parar, e acabar é sinónimo de desistir, e eu muito difícilmente desisto.

Falem-me deste novo álbum: porque Inferno?
Inferno é o relato de experiências pessoais, neste caso as minhas, desde 2005 até 2007. Tal como o nome indica, falo de um inferno pessoal, de rutura, de emoções, de viagens sem retorno, com algumas personificações relativas à religião, mas de nada tem a ver com o inferno cristão.

Como foi a preparação deste Inferno? Após uma ausência tão longa sentiram algum tipo de pressão?
Sem dúvida que sim, mas foi uma pressão nossa posta em nós.  Desde logo quisemos um disco mais dinâmico, com músicas directas, mas com pontos diferentes e mais actualizados, como vozes femininas, estruturas um pouco diferentes do que estávamos habituados e um produto final mais moderno, e isso requeria muito trabalho e evolução musical. Assim conseguimos que Inferno mantivesse a essência do que é Shadowsphere, mas elevando-a uns pontos.

E de que forma marca a vossa evolução enquanto músicos?
Inferno obrigou-nos a expandir os nossos horizontes como fans de música e músicos ao mesmo tempo. Levou-nos a pontos de composição que nunca tínhamos explorado. Crescemos bastante a nível musical e esse fator nota-se no som final do disco...

Essa evolução é notória na faixa final, um épico grandioso. Como foi que se sentiram a entrar em terrenos novos em termos de composição e execução?
Já há muito tempo que eu queria fazer algo como a AATEOTW, mas sentia que o momento não era certo, precisava não só evoluir como compositor, mas de crescer como pessoa. E o ano passado senti-o e avancei sem receio.

Assim, de que forma descreveriam este novo trabalho?
Um passo gigante na direcção da felicidade, harmonia e amizade. O Futuro presente dos Shadowsphere!

Esta é uma edição da vossa própria editora, certo?
Sim. Decidimos criar uma entidade que represente o nosso trabalho e a nossa existência como entidade, e assim surgiu a Sphere Music Media.

E em termos de convidados? Tiveram dois, a Patrícia Rodrigues e Davon Von Dave. Que papel desempenharam eles na criação dos temas?
Primeiro deixa-me dizer-te que são duas pessoas queridas da banda, e que não sendo membros efectivos, foram e irão continuar a ser parte criativa na banda. A Patrícia escreveu a brilhante letra do épico AATEOTW e contribui com a sua espetacular voz não só no épico, mas também no primeiro single do álbum Sworn Enemy. O Davon criou a instrumental The HurtLocker e abrilhantou o épico também.

Desta feita escolheram os Poison Apple Studios. Porquê? E como decorreu todo o processo?
Os Poison Apple estão fora do panorama metaleiro do nosso underground, mais vocacionados para o Metalcore, Hardcore, etc... e foi esse mesmo fator que nos levou a gravar com o Tiago Canadas nos Poison Apple, o afastar de ideias preconcebidas do estilo, a possibilidade da mistura de influências. Todo o processo correu muito bem. Toda a gente deu ideias, trabalhou-se em conjunto, a sério pela primeira vez e resultou muito, muito bem.

E a masterização foi feita nos EUA. Como surgiu essa possibilidade?
Na altura pesquisei imensos produtores dentro das várias vertentes do metal e cheguei ao Jim Fogarty facilmente: é americano, trabalha nos Zing Studios do Adam D. dos Killswitch Engage e está dentro do som que nós queríamos para o Inferno e assim se passou. Foi muito fácil trabalhar com o Jim, é uma pessoa extremamente afável e percebeu de imediato o que queríamos.

Agora o que está previsto para Inferno ir para a estrada?
Devido a uma lesão minha não podemos tocar tanto como desejaríamos, mas a tour oficial de promoção a Inferno vai arrancar no início de setembro, se tudo correr bem.

A terminar, há algo mais que queiras acrescentar?
Quero agradecer-te o apoio que a Via Nocturna nos deu, quero deixar aqui um grande abraço para todos os nossos fans de norte a sul que nos têm apoiado estes anos todos e deixar o meu eterno agradecimento à Patrícia Rodrigues, ao Davon Von Dave, ao Tiago Canadas e aos restantes Shadowsphere por terem permitido que o Inferno se tornasse realidade.

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