domingo, 19 de agosto de 2012

Entrevista: Helldorados

A descida da indústria musical do El Dorado ao inferno serviu para inspirar o seu nome. Inversamente, na sua carreira viveram o inferno no início e agora atingiram o El Dorado fruto da sua excelente estreia homónima para a Massacre Records. Falamos dos Helldorados, banda germânica que fomos conhecer numa conversa com o vocalista Pierre e o baterista Chris.

Olá, obrigado por aceitarem responder a Via Nocturna. Podem apresentar os Helldorados? Quando decidiram criar a banda?
Pierre (P): Ei, muito obrigado por mostrar interesse. A banda é composta por Chris (bateria), Steve (guitarra), Gunnar (baixo) e eu, Pierre (vocal).
Chris (C): Nós somos uns sangrentos bastardos de Sleaze Metal e Rock'n'Roll com nuances de Punkrock, Hardrock e outros estilos mais difíceis de Metal. Todos os géneros que fizeram a essência do Heavy Metal. Acho, que nos faz de alguma forma especiais.

Algum de vocês tocou noutras bandas antes dos Helldorados?
P: Na verdade não. Eu toquei trompete numa orquestra na escola e, claro, em algumas bandas escolares. Eu sei, isso soa a metal realmente pesado. Depois da escola eu viajei com um grupo musical internacional por todo o mundo durante um ano. Essa foi a minha primeira tournée mundial. Depois a música não foi o centro da minha vida durante alguns anos. Mas depois encontrei o Steve, Chris e Gunnar e tudo mudou. Algo mágico aconteceu e nós sabíamos disso desde o início, e ainda hoje é possível começar uma grande banda.
C: Sim, para mim eu tenho alguns outros projetos para libertar a minha criatividade toda. Mas acho que é apenas para diversão. Os Helldorados são o mais importante agora.

O que significa o vosso nome? Uma combinação entre El Dorado e Inferno?
C: Sim, é exatamente o que queríamos dizer. Após o El Dorado da indústria da música houve uma quebra e para a maioria dos músicos profissionais esse El Dorado tornou-se seu inferno pessoal. Os Helldorados estão a lutar diretamente das ruínas de Stuttgart, na Alemanha.

Que nomes ou correntes musicais mais vos influenciaram?
P: A grande coisa sobre os Helldorados é que cada um de nós tem um background diferente. Steve é um grande guitarrista de verdade que ama todos os grandes guitarristas como Steve Vai, Michael Schenker ou George Lynch. Gunnar é realmente viciado em rock setentista como Led Zepplin, Deep Purple ou The Who. Para mim, basicamente, eu gosto de toda a boa música. Claro que coisas antigas como os Sabbath ou Alice Cooper ou até Guns N 'Roses ou Scorpions. Mas também podes encontrar alguns dos maiores ganchos na música dos ABBA ou a-ha.
C: Para mim é principalmente Thrash Metal, Hardcore, Punk e uma mistura desses estilos. Sacred Reich é banda favorita de sempre. Mas também gosto de coisas como DRI, Dead Kennedys, Terrorizer, Cryptic Slaughter, Black Flag e esse tipo de ruído. Mas, como podes ouvir na nossa música eu costumava ouvir bandas como Motörhead ou Rose Tattoo. Por isso, é realmente uma grande mistura de tudo o que cria o som Helldorados. Se quiseres, chama-o o Inferno Metal.

A vossa estreia está fora agora! Como se sentem?
P: Honestamente é ótimo finalmente ter lançado o álbum. E como toda a gente diz: o primeiro álbum é o mais fácil porque tens todo o tempo do mundo para escrever as músicas.
C: Eu estou feliz com todas as ótimas críticas, o interesse e todo o apoio que temos tido. Isso significa muito para nós, porque era um trabalho duro poder realizar o álbum. No próximo será ainda mais difícil cumprir todas as expectativas.

Quanto tempo demoraram a escrever e produzir este álbum? Encontraram alguma dificuldade?
C: As sessões de escrita foram a parte mais fácil, mesmo que algumas canções tenham demorado um pouco mais. Mas a principal dificuldade foi encontrar uma editora com uma boa reputação para lançar o álbum.
P: E conseguir juntar todo o dinheiro que precisávamos para concretizar as nossas ideias sobre o som e parceiros de colaboração. Os tempos estão mudados e hoje em dia é muito difícil para uma banda recém-chegado conseguir romper. Por isso nós próprios fizemos a gestão do processo de gravação e de imagem. No total demorou cerca de 2 anos e meio até chegarmos a este ponto.

Como foi o tempo passado em estúdio?
C: Estar no estúdio é sempre um grande momento. A melhor coisa sobre ser um baterista é que se, normalmente, o primeiro a ter o trabalho feito. O problema é que eu também fiz alguns vocais de apoio e que é a última coisa que tem que ser feito. As principais atividades de lazer eram fumar e jogar Ludo (risos).
P: Na realidade não tivemos tempo para festas, porque o estúdio foi pago apenas para duas semanas. Não apressámos nada, mas tivemos o relógio em mente. Enfim, foi uma grande experiência, especialmente num local lendário como o Horus Studios, em Hannover. Bandas como Scorpions, Helloween ou Kreator gravaram lá alguns dos seus álbuns mais importantes. Podíamos sentir o espírito.

Esta é uma edição Massacre. Como se verificou a vossa ligação à editora? E que expectativas têm para esta ligação?
P: Depois de termos gravado um forte EP promocional de quatro temas em 2011 o nosso plano era negociar com as dez editoras mais eficaz na área do Hard Rock/Heavy Metal. A maioria delas são, na verdade, na Alemanha, de modo que era uma pequena vantagem para nós. Mas ainda demorou muito tempo e energia para convencer as pessoas das editoras sobre a nossa música. Porque se se reparares bem, é tudo death, metalcore ou technical black. Cada nova banda com guitarras só se está a esforçar para ser a mais maléfica e pesada do mundo. Isto entedia-me.
C: Nós procurávamos alguém que entendesse o que somos e o que a nossa música tem. A nossa escolha recaiu na Massacre Records, porque eles estão realmente a trabalhar duro para nós todos os dias e eles estão mesmo ao virar da esquina. Isso torna tudo muito mais fácil.

Em resumo, como descreveriam este álbum?
C: Como eu já disse anteriormente, tem algumas influências de Hard Rock, Heavy Metal, talvez Sleaze em alguns momentos e um tom de Punkrock. O mais surpreendente é que cada música é um sucesso.
P: Eu concordo, a coisa mais importante para nós era escrever canções com ganchos. Não importava se era uma balada ou uma música de Thrash Metal. Se aderir ao teu ouvido, então fizemos a coisa certa.

Logo a seguir a 2007, a banda viveu alguns momentos difíceis. Já está tudo bem?
P: Se te referes aos primeiros anos da banda, não há mais nada a esse respeito. Os ex-companheiros da banda, Oli e Bob, decidiram mudar algo nas suas vidas. Eu respeito isso, e segui em frente. Nada mais a dizer.

Ouvi dizer que Chris e Steve têm um projeto algo estranho. O que nos podem adiantar?
P: Oooh não, de novo não! (risos)
C: Estás a falar de quê? Os Helldorados são o número um! (risos)

Já têm alguma tour planeada para os próximos tempos?
P: Estamos agora a negociar com algumas booking agencies importantes. Até agora, nada está confirmado, mas estamos a trabalhar nisso. Temos esperança de poder chegar ao sul da Europa em breve.

Para finalizar querem acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores?
P e C: Muito obrigado pelo teu interesse. Os Helldorados vieram para ficar. Recomendem-nos aos vossos amigos e adquiram o álbum. Vemo-nos na tour.

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