Nascido em Londres, Steve Hillage
foi membro dos carismáticos Gong. Numa das reuniões dos membros da mítica
banda, a denominada Gong Unconvention, aproveitou para gravar um set com a sua banda que foi lançado uma
primeira vez em 2009 e agora republicado em 2012. Via Nocturna foi conhecer um
pouco deste enigmático guitarrista que vagueia do rock à dance music e à
eletrónica do modo mais descomprometido possível.
Olá Steve! Obrigado por despenderes
algum do teu tempo para responderes a Via Nocturna. Este teu novo álbum foi
gravado ao vivo em 2006, mas só agora vê a luz do dia…
Na
verdade ele já foi lançado em 2009 pela Voiceprint. Mas foi numa escala
relativamente pequena e agora que a Voiceprint já não está operacional,
decidimos voltar a lançá-lo este ano numa escala maior.
Podes falar um pouco no que consiste
o festival Gong Unconvention?
A
série de Unconventions foi inicialmente organizada pelos fãs dos Gong como um encontro
anual de confraternização. Estivemos na edição de 2005 na Glastonbury Assembly Rooms e tocamos um set com
os Mirror System e com os System 7. Daevid não esteve lá, mas a maioria dos
outros membros originais dos Gong estiveram e na última noite decidimos fazer
uma jam - que soou e me fez sentir
fantástico! Depois todos nós decidimos fazê-lo no ano seguinte, numa escala
maior com toda a gente lá. E foi assim que o Unconvention 2006 no Melkweg nasceu.
Nesse festival e no álbum tocaste as
tuas próprias canções originais dos anos setenta, certo? Que lembranças guardas
desses tempos?
Os
anos 70 foram um passeio de montanha-russa selvagem e intenso para mim, Khan,
Kevin Ayers, para os Gong e, finalmente, para a The Steve Hillage Band. Nessa
altura escrevi e gravei vários álbuns e toquei em centenas de espetáculos. Tenho
grandes memórias. No início dos anos 80 fiquei um pouco entediado e tentei
fazer outras coisas.
Depois completaste o álbum com
alguns temas teus de arquivo. Como te sentes, passados tantos anos, a tocar de
novo as tuas canções dessa altura?
Elas
são grandes canções – adoro-as. E têm resistido ao teste do tempo.
Para além da tua banda está também
nos System 7. Quando começou o teu interesse pela música eletrónica/dance music?
O
meu interesse na música eletrónica/dance
music começou já nos anos 70. Seguimos o desenvolvimento dos Kraftwerk
desde o seu início como uma banda acústica até ser totalmente eletrónica. Tenho
fortes recordações de estar numa discoteca em 1978, quando o DJ começou a tocar
Kraftwerk e todas as pessoas dançaram. Nesse momento tive um flash – vi o futuro! Também na década de
70 desenvolvemos uma forte ligação ao funk
e eramos grandes fãs de Tonto’s
Expanding Headband, o que levou ao nosso trabalho com
Malcolm Cecil no álbum Motivation Radio.
Muitas vezes penso no Ether Shipss do
álbum Verde como a primeira faixa dos System 7.
De qualquer forma sempre foste um
experimentalista na música. Como vês o atual cenário musical experimental?
Vejo-o
bastante variado - algumas partes emocionantes e algumas partes algo chatas. Às
vezes eu apenas quero dizer "que se lixe a arte - vamos dançar!".
Nos anos de 2009/2010 assistimos a
algumas datas dos Gong. Como está o projeto atualmente?
Fizemos
70 espetáculos com os Gong em 2009 e outros 20 em 2010. Em cerca de 20 deles tivemos
a The Steve Hillage Banda como em Uncon, mas com algumas músicas diferentes como
Hurdy Gurdy Man e Searching For The Spark. Isso tudo foi
um follow-through do evento de Uncon e
foi gerada uma grande energia. Agora em 2012 os Gong estarão num novo ciclo e
Daevid Allen tomou uma direção que não posso seguir. Haverá uma tour dos Gong no próximo Outono, mas
desta vez não vou tocar.
Os espetáculos dos Gong são muito
teatrais, certo? Como fazem a gestão da música e do todo o espetáculo
envolvente?
Nas
tournées de 2009 e 2010 o Daevid tinha
elaboradas trocas de roupa, mas o mais importante foram as projeções vídeo, muitas
delas baseadas em desenhos do próprio Daevid. Nós ensaiamos os sets, a fim de maximizar o efeito
teatral. Este ano acho que vai ser muito mais simples.
Segundo percebi está programando um
álbum mais orientado para o rock da
Steve Hillage Band para o próximo ano…
Eu
não diria que está totalmente programado porque temos um monte de outros
projetos em carteira, mas eu escrevi um par de bons e novos temas ao estilo
Steve Hillage Band e pretendo levar a minha guitarra comigo para a Ásia para
uma pausa criativa que farei em novembro-dezembro. Vamos ver o que sai disso.
Estamos também a fazer um interessante álbum híbrido de rock e eletrónica com a banda japonesa Rovo chamado Phoenix Rising, que será gravado no
Japão, em setembro.
A terminar, queres acrescentar algo
mais aos nossos leitores e fãs portugueses?
Eu
adoraria ir e fazer uma tournée em Portugal e conhecer todos vocês! Talvez isso
aconteça se fizermos este novo álbum da Steve Hillage Band. Estou tão envolvido
com a música contemporânea que não tenho nenhum desejo de fazer uma tournée de heranças a tocar apenas material
antigo. Também preciso de algumas músicas novas.


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