sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Entrevista: The Steve Hillage Band


Nascido em Londres, Steve Hillage foi membro dos carismáticos Gong. Numa das reuniões dos membros da mítica banda, a denominada Gong Unconvention, aproveitou para gravar um set com a sua banda que foi lançado uma primeira vez em 2009 e agora republicado em 2012. Via Nocturna foi conhecer um pouco deste enigmático guitarrista que vagueia do rock à dance music e à eletrónica do modo mais descomprometido possível.

Olá Steve! Obrigado por despenderes algum do teu tempo para responderes a Via Nocturna. Este teu novo álbum foi gravado ao vivo em 2006, mas só agora vê a luz do dia…
Na verdade ele já foi lançado em 2009 pela Voiceprint. Mas foi numa escala relativamente pequena e agora que a Voiceprint já não está operacional, decidimos voltar a lançá-lo este ano numa escala maior.

Podes falar um pouco no que consiste o festival Gong Unconvention?
A série de Unconventions foi inicialmente organizada pelos fãs dos Gong como um encontro anual de confraternização. Estivemos na edição de 2005 na Glastonbury Assembly Rooms e tocamos um set com os Mirror System e com os System 7. Daevid não esteve lá, mas a maioria dos outros membros originais dos Gong estiveram e na última noite decidimos fazer uma jam - que soou e me fez sentir fantástico! Depois todos nós decidimos fazê-lo no ano seguinte, numa escala maior com toda a gente lá. E foi assim que o Unconvention 2006 no Melkweg nasceu.

Nesse festival e no álbum tocaste as tuas próprias canções originais dos anos setenta, certo? Que lembranças guardas desses tempos?
Os anos 70 foram um passeio de montanha-russa selvagem e intenso para mim, Khan, Kevin Ayers, para os Gong e, finalmente, para a The Steve Hillage Band. Nessa altura escrevi e gravei vários álbuns e toquei em centenas de espetáculos. Tenho grandes memórias. No início dos anos 80 fiquei um pouco entediado e tentei fazer outras coisas.

Depois completaste o álbum com alguns temas teus de arquivo. Como te sentes, passados tantos anos, a tocar de novo as tuas canções dessa altura?
Elas são grandes canções – adoro-as. E têm resistido ao teste do tempo.

Para além da tua banda está também nos System 7. Quando começou o teu interesse pela música eletrónica/dance music?
O meu interesse na música eletrónica/dance music começou já nos anos 70. Seguimos o desenvolvimento dos Kraftwerk desde o seu início como uma banda acústica até ser totalmente eletrónica. Tenho fortes recordações de estar numa discoteca em 1978, quando o DJ começou a tocar Kraftwerk e todas as pessoas dançaram. Nesse momento tive um flash – vi o futuro! Também na década de 70 desenvolvemos uma forte ligação ao funk e eramos grandes fãs de Tonto’s Expanding Headband, o que levou ao nosso trabalho com Malcolm Cecil no álbum Motivation Radio. Muitas vezes penso no Ether Shipss do álbum Verde como a primeira faixa dos System 7.

De qualquer forma sempre foste um experimentalista na música. Como vês o atual cenário musical experimental?
Vejo-o bastante variado - algumas partes emocionantes e algumas partes algo chatas. Às vezes eu apenas quero dizer "que se lixe a arte - vamos dançar!".

Nos anos de 2009/2010 assistimos a algumas datas dos Gong. Como está o projeto atualmente?
Fizemos 70 espetáculos com os Gong em 2009 e outros 20 em 2010. Em cerca de 20 deles tivemos a The Steve Hillage Banda como em Uncon, mas com algumas músicas diferentes como Hurdy Gurdy Man e Searching For The Spark. Isso tudo foi um follow-through do evento de Uncon e foi gerada uma grande energia. Agora em 2012 os Gong estarão num novo ciclo e Daevid Allen tomou uma direção que não posso seguir. Haverá uma tour dos Gong no próximo Outono, mas desta vez não vou tocar.

Os espetáculos dos Gong são muito teatrais, certo? Como fazem a gestão da música e do todo o espetáculo envolvente?
Nas tournées de 2009 e 2010 o Daevid tinha elaboradas trocas de roupa, mas o mais importante foram as projeções vídeo, muitas delas baseadas em desenhos do próprio Daevid. Nós ensaiamos os sets, a fim de maximizar o efeito teatral. Este ano acho que vai ser muito mais simples.

Segundo percebi está programando um álbum mais orientado para o rock da Steve Hillage Band para o próximo ano…
Eu não diria que está totalmente programado porque temos um monte de outros projetos em carteira, mas eu escrevi um par de bons e novos temas ao estilo Steve Hillage Band e pretendo levar a minha guitarra comigo para a Ásia para uma pausa criativa que farei em novembro-dezembro. Vamos ver o que sai disso. Estamos também a fazer um interessante álbum híbrido de rock e eletrónica com a banda japonesa Rovo chamado Phoenix Rising, que será gravado no Japão, em setembro.

A terminar, queres acrescentar algo mais aos nossos leitores e fãs portugueses?
Eu adoraria ir e fazer uma tournée em Portugal e conhecer todos vocês! Talvez isso aconteça se fizermos este novo álbum da Steve Hillage Band. Estou tão envolvido com a música contemporânea que não tenho nenhum desejo de fazer uma tournée de heranças a tocar apenas material antigo. Também preciso de algumas músicas novas.

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