Depois de seis anos em
silêncio os mestres do gothic metal
finlandês, To/Die/For (TDF) estão de regresso com novo line-up, nova editora e novo álbum. Samsara marca não só um passo em frente na produção do quinteto
como apresenta um coletivo motivado e feliz com esta nova vida procurando
esquecer as revoltas e angústias do passado. Pelo menos é o que transparece das
palavras do vocalista Jappe Von Crow.
Viva! Primeiro de tudo,
parabéns pelo vosso retorno. Podemos regressar ao passado? O que aconteceu com os
To/Die/For para colocarem um ponto final na carreira depois de cinco álbuns de
estúdio?
Na
primavera de 2008 as nossas cabeças explodiram. Fizemos diversos espetáculos
aqui e ali, após o álbum Wounds Wide Open
entre 2006 e 2008 e tentámos elevar o nosso caminho a um nível pouco superior. Mas
tivemos azar. De alguma forma, muitos promotores de merda apareceram no nosso
caminho e destruíram tudo pelo qual lutámos! Apenas dois exemplos: na Itália e
nos EUA. Esse tipo promotores não ama nem respeita a música nem os músicos.
Eles odeiam tudo com exceção da porra do dinheiro! Então, na altura recebi um mail a informar que a nossa tournée sul-americana também seria
cancelada e adivinha por quê? Por causa de alguns promotores de merda que não fizeram
o seu trabalho! Esta foi a última gota de sangue que foi sugado para fora das
nossas veias… esses promotores mataram a nossa motivação, pouco a pouco durante
estes anos. Que se lixem e esperamos ter mais sorte no futuro! Também o line-up não funcionou muito bem. Tivemos
bons músicos, mas na altura não tinham esse espírito TDF… faltava algo. Pessoalmente,
nem consegui chorar naqueles dias… estava disposto a por um fim total em tudo
isto. Por isso decidi parar com tudo o que viesse da música. Esses dois anos
sem uma banda foi como viver numa casa vazia, mas, no final, foi bom. Esses
dois anos curaram as nossas feridas, fizeram uma chama maior nos nossos
corações e, de momento, sentimo-nos como uma nova banda, na verdade.
E, então, 2010 marca o vosso
regresso. Como surgiu este renascimento dos TDF?
Era
verão na Finlândia, acho que em agosto de 2010 e um dia Juska veio ter comigo e
disse: "Eu estive a pensar que tu não podes parar com os TDF. Tem sido a tua
vida, e não podes desperdiçar a tua vida assim!" Eu já estava a pensar
nisso e a minha opinião era de que, se conseguisse um bom line-up, onde todos tivessem o mesmo espírito, as mesmas
motivações, sem lutas, eu continuaria. Então Juppe Sutela disse que estaria
pronto para os TDF novamente, o que nos fez feliz. Depois de ouvir que também
Antza Talala iria voltar, eu não consegui mais parar e houve uma espécie de
sorriso angélico no meu coração a partir desse dia. Depois demos um espetáculo
aqui na nossa cidade, tudo funcionou e em novembro começamos a gravar Samsara.
E agora com uma nova vida e uma
nova editora, como é o feeling na
banda?
Sentimo-nos
exatamente como qualquer um se pode sentir depois de um bom momento de sexo… tu
percebes: temos tudo o que queríamos. Sentimo-nos como irmãos, estamos muito
motivados e assim por diante. Sentimo-nos simplesmente bem!
E a respeito deste novo
álbum, Samsara, parece marcar uma
evolução na vossa carreira. Na minha opinião, sente-se que estão num momento
muito criativo. De facto, a pausa foi boa conselheira…
Como
já disse, a pausa foi boa para nós. Quando começamos a escrever músicas para o
álbum Samsara, destruímos muros
musicais que havia em torno de nós. Não pensamos que tipo de música deveríamos
fazer, apenas fizemos o que nos fazia sentir bem. Sem importar a que género pertenceria
etc. Apenas para apreciar a música em si como todas as bandas deveriam fazer.
Por isso em Samsara temos alguns temas na linha
tradicional dos TDF mas também algum material mais inovador…
Independentemente
do que façamos, estou certo de que alguns elementos TDF estarão sempre lá, não
importa o que, mas não queremos ficar "prisioneiros" do chamado gothic metal ou da cena rock. Queremos que as nossas mentes voem
escrevendo apenas o que vem à nossa mente. Posso irritar alguém dizendo isto,
mas a cena Gothic Rock tornou-se
muito chata! As bandas não são suficientemente corajosas para criar algo novo.
Há muitas bandas semelhantes. Têm regras sobre como cantar, como tocar e assim
por diante... Isso é doentio! Nós somos pioneiros na cena gótica finlandesa, Rock, ou que género seja e certamente iremos
ser pioneiros na nova abordagem que fazemos dele! É como na gastronomia, porque
usar sempre as mesmas especiarias? Comes sempre a mesma comida? Porque não
tentar algo mais? A música é o alimento para as nossas almas! Simplesmente nós
amamos a música e adoramos escrever música e criar algo novo juntos. Na próxima
(sétimo álbum) alguns elementos vão voar muito mais alto novamente. Nós somos
como um jovem casal em amor profundo. Neste momento os amantes estão prontos
para fazer o que for necessário por esse amor. Nós gostamos de fazer música!
Nós gostamos de estar em tournée.
Gostamos de passar algum tempo juntos e encontrar novas coisas.
Neste novo line-up têm dois novos membros, certo?
Os outros membros não quiseram voltar a fazer parte dos TDF?
Sendo
curto e grosso: os outros membros antigos não são bem-vindos. Com esses elementos,
Antza, Juska, Eza, Juppé e Matti, encontramos esta chama juntos. Essa coisa que
se chama alma e espirito em nós. Algo que nunca tivemos nos TDF. Nunca. Nem
mesmo em todo o álbum Eternity. Ainda somos amigos de alguns membros antigos
dos TDF, mas como não tínhamos nada de mais "profundo" juntos, naquela
altura, ainda não temos nada mais profundo entre nós... percebes o que eu quero
dizer agora… Alguns estavam na nossa banda, por motivos errados. Apenas para
obter algumas experiências novas para si ou para projetar o seu nome ou apenas
para viajar ao redor do mundo, e ainda não gostava da música dos TDF. E eu
sofri muito por causa dessas mudanças de line-up
e eu não quero sentir essa merda nunca mais. Eu preciso desta banda como uma
família!
E como foi a sensação dentro
da banda com a introdução de dois novos elementos?
Eza
Viren e Matti Huopainen são da nossa cidade natal e já os conhecíamos antes. As
coisas aconteceram de forma fácil e esses elementos são músicos profissionais.
Não conseguiríamos encontrar melhores elementos para se juntarem a nós.
Começaram a gravar Samsara sem qualquer editora, certo? Foi
uma situação difícil para vocês?
Não,
foi melhor. Eu não vejo nenhuma boa razão para assinar contratos de merda, que muitas
editoras estão a oferecer às bandas hoje em dia. Se a editora não dá uma enorme
promoção então não é bom assinar os papéis. Sentimo-nos mais livres de prazos. Tivemos
possibilidade de gravar as novas canções onde e exatamente como quisemos! É
claro que precisámos de um pouco de dinheiro para pagar todos os custos, mas e
daí? Se precisas de um carro novo vais precisar de dinheiro certo? Mas já temos
o dinheiro de volta e as coisas estão a correr bem. Mas estamos felizes que editoras
como a Massacre Records e a Hydrant Music no Japão tenham licenciado o álbum Samsara e realmente ajudaram-nos muito!
Eles são bons e temos esperança de poder continuar com eles no futuro.
Mas no teu próprio país Samsara não será editado por qualquer editora.
Como aconteceu isso?
Como
eu te disse, não quis assinar quaisquer documentos que só roubam as bandas! Mas,
na verdade, também já está disponível na Finlândia. A Massacre Records tratou disso!
Podemos, pois, dizer que os
TDF são agora uma banda feliz…
Sim,
pessoas felizes sim.
Está alguma tournée planeada para os próximos
tempos?
Estamos
agora a fazer alguns shows na
Finlândia, depois será a Rússia, China e México e estamos a tentar uma tournée europeia no início do 2013.
Espero que consigamos.
A terminar há mais alguma
coisa que queiras dizer aos nossos leitores e aos fãs portugueses?
Mantenham
o amor nos vossos corações e liberdade nas vossas almas! Esperemos
encontrar-nos dia em Portugal!




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