domingo, 16 de setembro de 2012

Entrevista: To/Die/For

Depois de seis anos em silêncio os mestres do gothic metal finlandês, To/Die/For (TDF) estão de regresso com novo line-up, nova editora e novo álbum. Samsara marca não só um passo em frente na produção do quinteto como apresenta um coletivo motivado e feliz com esta nova vida procurando esquecer as revoltas e angústias do passado. Pelo menos é o que transparece das palavras do vocalista Jappe Von Crow.
 
Viva! Primeiro de tudo, parabéns pelo vosso retorno. Podemos regressar ao passado? O que aconteceu com os To/Die/For para colocarem um ponto final na carreira depois de cinco álbuns de estúdio?
Na primavera de 2008 as nossas cabeças explodiram. Fizemos diversos espetáculos aqui e ali, após o álbum Wounds Wide Open entre 2006 e 2008 e tentámos elevar o nosso caminho a um nível pouco superior. Mas tivemos azar. De alguma forma, muitos promotores de merda apareceram no nosso caminho e destruíram tudo pelo qual lutámos! Apenas dois exemplos: na Itália e nos EUA. Esse tipo promotores não ama nem respeita a música nem os músicos. Eles odeiam tudo com exceção da porra do dinheiro! Então, na altura recebi um mail a informar que a nossa tournée sul-americana também seria cancelada e adivinha por quê? Por causa de alguns promotores de merda que não fizeram o seu trabalho! Esta foi a última gota de sangue que foi sugado para fora das nossas veias… esses promotores mataram a nossa motivação, pouco a pouco durante estes anos. Que se lixem e esperamos ter mais sorte no futuro! Também o line-up não funcionou muito bem. Tivemos bons músicos, mas na altura não tinham esse espírito TDF… faltava algo. Pessoalmente, nem consegui chorar naqueles dias… estava disposto a por um fim total em tudo isto. Por isso decidi parar com tudo o que viesse da música. Esses dois anos sem uma banda foi como viver numa casa vazia, mas, no final, foi bom. Esses dois anos curaram as nossas feridas, fizeram uma chama maior nos nossos corações e, de momento, sentimo-nos como uma nova banda, na verdade.
 
E, então, 2010 marca o vosso regresso. Como surgiu este renascimento dos TDF?
Era verão na Finlândia, acho que em agosto de 2010 e um dia Juska veio ter comigo e disse: "Eu estive a pensar que tu não podes parar com os TDF. Tem sido a tua vida, e não podes desperdiçar a tua vida assim!" Eu já estava a pensar nisso e a minha opinião era de que, se conseguisse um bom line-up, onde todos tivessem o mesmo espírito, as mesmas motivações, sem lutas, eu continuaria. Então Juppe Sutela disse que estaria pronto para os TDF novamente, o que nos fez feliz. Depois de ouvir que também Antza Talala iria voltar, eu não consegui mais parar e houve uma espécie de sorriso angélico no meu coração a partir desse dia. Depois demos um espetáculo aqui na nossa cidade, tudo funcionou e em novembro começamos a gravar Samsara.
 
E agora com uma nova vida e uma nova editora, como é o feeling na banda?
Sentimo-nos exatamente como qualquer um se pode sentir depois de um bom momento de sexo… tu percebes: temos tudo o que queríamos. Sentimo-nos como irmãos, estamos muito motivados e assim por diante. Sentimo-nos simplesmente bem!
 
E a respeito deste novo álbum, Samsara, parece marcar uma evolução na vossa carreira. Na minha opinião, sente-se que estão num momento muito criativo. De facto, a pausa foi boa conselheira…
Como já disse, a pausa foi boa para nós. Quando começamos a escrever músicas para o álbum Samsara, destruímos muros musicais que havia em torno de nós. Não pensamos que tipo de música deveríamos fazer, apenas fizemos o que nos fazia sentir bem. Sem importar a que género pertenceria etc. Apenas para apreciar a música em si como todas as bandas deveriam fazer.
 
Por isso em Samsara temos alguns temas na linha tradicional dos TDF mas também algum material mais inovador…
Independentemente do que façamos, estou certo de que alguns elementos TDF estarão sempre lá, não importa o que, mas não queremos ficar "prisioneiros" do chamado gothic metal ou da cena rock. Queremos que as nossas mentes voem escrevendo apenas o que vem à nossa mente. Posso irritar alguém dizendo isto, mas a cena Gothic Rock tornou-se muito chata! As bandas não são suficientemente corajosas para criar algo novo. Há muitas bandas semelhantes. Têm regras sobre como cantar, como tocar e assim por diante... Isso é doentio! Nós somos pioneiros na cena gótica finlandesa, Rock, ou que género seja e certamente iremos ser pioneiros na nova abordagem que fazemos dele! É como na gastronomia, porque usar sempre as mesmas especiarias? Comes sempre a mesma comida? Porque não tentar algo mais? A música é o alimento para as nossas almas! Simplesmente nós amamos a música e adoramos escrever música e criar algo novo juntos. Na próxima (sétimo álbum) alguns elementos vão voar muito mais alto novamente. Nós somos como um jovem casal em amor profundo. Neste momento os amantes estão prontos para fazer o que for necessário por esse amor. Nós gostamos de fazer música! Nós gostamos de estar em tournée. Gostamos de passar algum tempo juntos e encontrar novas coisas.
 
Neste novo line-up têm dois novos membros, certo? Os outros membros não quiseram voltar a fazer parte dos TDF?
Sendo curto e grosso: os outros membros antigos não são bem-vindos. Com esses elementos, Antza, Juska, Eza, Juppé e Matti, encontramos esta chama juntos. Essa coisa que se chama alma e espirito em nós. Algo que nunca tivemos nos TDF. Nunca. Nem mesmo em todo o álbum Eternity. Ainda somos amigos de alguns membros antigos dos TDF, mas como não tínhamos nada de mais "profundo" juntos, naquela altura, ainda não temos nada mais profundo entre nós... percebes o que eu quero dizer agora… Alguns estavam na nossa banda, por motivos errados. Apenas para obter algumas experiências novas para si ou para projetar o seu nome ou apenas para viajar ao redor do mundo, e ainda não gostava da música dos TDF. E eu sofri muito por causa dessas mudanças de line-up e eu não quero sentir essa merda nunca mais. Eu preciso desta banda como uma família!
 
E como foi a sensação dentro da banda com a introdução de dois novos elementos?
Eza Viren e Matti Huopainen são da nossa cidade natal e já os conhecíamos antes. As coisas aconteceram de forma fácil e esses elementos são músicos profissionais. Não conseguiríamos encontrar melhores elementos para se juntarem a nós.
 
Começaram a gravar Samsara sem qualquer editora, certo? Foi uma situação difícil para vocês?
Não, foi melhor. Eu não vejo nenhuma boa razão para assinar contratos de merda, que muitas editoras estão a oferecer às bandas hoje em dia. Se a editora não dá uma enorme promoção então não é bom assinar os papéis. Sentimo-nos mais livres de prazos. Tivemos possibilidade de gravar as novas canções onde e exatamente como quisemos! É claro que precisámos de um pouco de dinheiro para pagar todos os custos, mas e daí? Se precisas de um carro novo vais precisar de dinheiro certo? Mas já temos o dinheiro de volta e as coisas estão a correr bem. Mas estamos felizes que editoras como a Massacre Records e a Hydrant Music no Japão tenham licenciado o álbum Samsara e realmente ajudaram-nos muito! Eles são bons e temos esperança de poder continuar com eles no futuro.
 
Mas no teu próprio país Samsara não será editado por qualquer editora. Como aconteceu isso?
Como eu te disse, não quis assinar quaisquer documentos que só roubam as bandas! Mas, na verdade, também já está disponível na Finlândia. A Massacre Records tratou disso!
 
Podemos, pois, dizer que os TDF são agora uma banda feliz…
Sim, pessoas felizes sim.
 
Está alguma tournée planeada para os próximos tempos?
Estamos agora a fazer alguns shows na Finlândia, depois será a Rússia, China e México e estamos a tentar uma tournée europeia no início do 2013. Espero que consigamos.
 
A terminar há mais alguma coisa que queiras dizer aos nossos leitores e aos fãs portugueses?
Mantenham o amor nos vossos corações e liberdade nas vossas almas! Esperemos encontrar-nos dia em Portugal!

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