segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Entrevistas: The Widowbirds

Oriundos da Austrália, os The Widowbirds preparam-se para a sua primeira tournée europeia como suporte do seu trabalho de estreia Shenandoah, brilhante disco de rock cruzado com soul, blues e psicadelismo seventy onde o hammond e as guitarras acústicas se expõem em toda a sua magnificência. Via Nocturna quis conhecer um pouco mais deste nome emergente da cena australiana e foi falar com Simon Meli, um dos membros fundadores do projeto.
 
Obrigado por concederem esta entrevista a Via Nocturna. Para começar, podes apresentar os The Widowbirds aos fãs portugueses?
Ei, nós somos os The Widowbirds cá do fundo, da Austrália e estamos contentes de conhecer os nossos Compadres Portugueses. Espero que todos aí em Portugal possam desfrutar da nossa música honesta e proporcionar bons momentos.
 
Como tem sido a história dos The Widowbirds até agora?
A nossa história não é muito longa, pelo facto de só agora estarmos a completar 3 anos de idade. Isto começou como um projeto de composições do meu amigo Tony Kvesic e eu próprio quando vivíamos nas belas Blue Mountains de Sydney. Um ambiente tranquilo, onde começamos a escrever canções com bases acústicas que se se viriam a transformar num álbum completo com orquestra, órgãos Hammond, guitarra elétrica e um belíssimo tempo passado. Editamos um simples EP/Demo que felizmente caiu nas mãos certas e que nos viu em tournée por toda a Austrália com Paul Weller (The Jam/The Style Council) e, depois, quando completámos Shenandoah, fomos diretos para outra tournée com Tony Joe White, um montão de festivais e agora a nossa primeira tournée europeia em 2013.
 
Que nomes ou estilos mais vos influenciam?
A nossa influência mais forte será a alma americana do sul. Artistas como Sam Cooke, Otis Redding e Sam & Dave, mas num ponto de confluência com Rod Stewart, The Face, Led Zeppelin e The Black Crowes até artistas modernos como Kasabian.
 
Qual é o background musical dos elementos dos The Widowbirds?
Nós cinco vimos da classe média/baixa da sociedade e cortamos os dentes a tocar guitarra e bateria desde muito cedo na garagem. Alguns de nós continuam juntos e outros fomos conhecendo ao longo do caminho. Nós não estamos treinados por manuscrito, nós estamos treinados pelo coração e pela alma, e se nos sentirmos bem, nós tocaremos.
 
O vosso nome, Widowbirds, tem algum significado especial?
Widowbirds é uma espécie de pássaro herbívoro que muitas vezes pode desfilar e faz uma dança especial no céu para atrair o sexo oposto, muito parecido com o que os rapazes fazem em bandas de rock… Mas é um pássaro e tem o significado de voo, subida e viagem.
 
Shenandoah é a vossa estreia. Para já, parabéns pelo excelente trabalho. Era este o tipo de trabalho que vocês sempre pensaram poder e querer fazer? Estão totalmente satisfeito com o resultado final?
Estamos mais do que satisfeitos. Obrigado. É um primeiro álbum muito bom. Pensava que ia ser uma coleção de dittys acústicos, no entanto, seguindo os nossos corações fomos tocando e adicionando cada vez mais instrumentos para satisfazer a imagem da música e criar uma base sólida para a história da música e, consequentemente, esta é uma coleção de músicas bastante semelhante à de vidas vividas, perdidas e amadas...
 
O termo Shenandoah e até mesmo o artwork da capa lembram-me muito a cultura índia. Existe alguma relação? Alguns de vocês têm raízes aí?
Shenandoah, vem da parábola da escravidão negra de uma determinada região em Virginia: o rio Shenandoah, onde se diz que os escravos negros correram para o rio para se lavarem a eles mesmos da miséria e escravidão… lavar o cheiro deles. Isto define um novo começo e um começo limpo, livre de tristeza - o que é um ótimo lugar para começar. A capa é caseira, tal como a produção, a gravação, o management, etc. Na realidade é a minha cara onde minha irmã pintou o rosto para se parecer com o macho Widowbird de cauda longa.
 
Musicalmente, como descreverias Shenandoah?
A música no álbum Shenandoah é um honesto Rhythm & Blues com bases no Rock’n’Roll. Música influenciada pelo soul rock americano e britânico e tocado por cinco rapazes com bolhas nos dedos.
 
Como foi o tempo passado em estúdio?
O álbum foi gravado na minha casa ao lado de uma montanha. Gravámos lentamente com microfones em banheiras e os pássaros a cantar ao fundo atrás das janelas. Por outras palavras, um prazer absoluto. A bateria foi a última a ser gravada ao lado de um lago onde o nosso incrível baterista incrível poderia tocar a música, em vez de tocar com um metrónomo, como faz a maioria dos bateristas. Desta forma, ele também foi autorizado a tocar com a emoção da música original da voz e guitarra elétrica.
 
Como tem sido a reação ao álbum quer na Austrália quer mesmo noutros continentes?
Na Austrália, ele está a circular como um forte álbum de Blues Rock e agora estamos a começar a introduzi-lo na Europa e parece que a Europa também adorou este disco. Sorte a nossa!
 
E em breve estarão, precisamente, na Europa para uma tournée. Expetativas em alta suponho?
Estamos embalar as nossas roupas mais quentes que temos. E como na Europa se serve Whisky… vamos ter grandes momentos.
 
Mas nada está planeado para Portugal...
Tenho a certeza de que o nosso agente europeu ainda está a trabalhar em algumas datas. Portugal – nunca se sabe?
 
A terminar queres dizer mais alguma coisa aos nossos leitores?
Espalhem o amor... Vocês não podem trocar o amor, vocês não podem comprar o amor e não custa nada…

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