Entrevista: Starroy

Com o epicentro entre as míticas Memphis, Nova Orleães e Nashville, surge um dos colectivos mais interessantes do novo cenário rock norteamericano. Falamos dos Starroy que actualmente promovem a edição de Ocho For Willow com uma prensagem e divulgação profissional. A banda que se prepara para espalhar o seu rock pela Europa (sem passagem por Portugal) respondeu às questões de Via Nocturna através do guitarrista Barry Fowler.
 
Viva! Quem são os Starroy? Podes apresentar um pouco da vossa história até à data?
Olá Via Nocturna. Primeiro o meu nome Barry Fowler e toco guitarra nos Starroy. O que são os Starroy? Starroy é uma banda de rock original, com as raízes no blues, funk, jazz, soul e jam sem nenhuma ordem em particular. Em resumo o nosso estilo é melhor descrito como rock’n’roll/country-psicadélico. A banda teve diferentes formações nos últimos 10 anos. Regressamos à estrada no ano passado, depois de alguns ensaios e algumas pequenas atribulações. Definitivamente não temos uma história curta. A última encarnação da banda é com o vocalista Adam Barnard, o baterista Heath Finch (Reznauld), eu como guitarrista - Barry Fowler (Bazza) e o mais novo membro da banda Justin Boswell (Boz).
 
Vocês afirmaram que são um produto do vosso ambiente. Podes explicar melhor o significado desta frase?
Ao dizer que Starroy é um produto de seu meio ambiente, Adam, Heath, Boz, eu próprio - a formação atual e mesmo os lineups anteriores... todos nós crescemos numa região ricamente enraizada em estilo musical, caráter e charme que são notoriamente reconhecidos em todo o mundo. Estamos literalmente a uma hora de Memphis - casa do blues & Elvis. É impossível não virares uma esquina e não ouvires um artista de blues ou melhor ainda uma Diva de Memphis a tocar com o coração na baixa de Memphis. Eles irão prender a tua atenção durante horas. Nova Orleans é algumas horas a sul de nós, terra de bandas de swing e jazz. Melhor ainda, bandas zydeco que irão fazer explodir a tua mente. Nashville é à direita da estrada - é o coração da música country... onde é nadar ou afundar e onde músicos incríveis são à dúzia. Nós crescemos não só rodeados de tudo isto, mas também já passámos algum do nosso tempo com toda esta música. É inevitavelmente uma parte de nós, portanto o que se ouve no rádio hoje e que a rádio diz para se ouvir não pode sempre realizar um níquel para tudo o que faz esta grande região em que vivemos e onde tocamos. Muitas vezes, depois de longas viagens paramos um segundo para sentir que é ótimo estar de volta a casa.
 
O nosso contato com os Starroy só aconteceu agora através de Ocho For Willow. Têm outros lançamentos anteriores?
Ah, não ... Há duas demos que circulam por aí dos "velhos" (anteriores lineups de Starroy). O último disco – The Blue Hemp Super Turf Lunchbox Experience - tinha algumas músicas que nós ainda tocamos ao vivo, mas esse disco foi feito antes de a banda realmente começar a viajar muito. Terás que procurar muito para obter uma dessas demos. Quanto ao The Blue Hemp Super Turf Lunchbox Experience ainda está por aí em algum lugar mas eu não estou muito certo de que o Adam realmente queira que esta informação circule (risos). Ele é o único membro remanescente desses dias. Isso foi mesmo no inicio. Ocho For Willow é o último lançamento da banda. Temos um DVD a sair depois do ano novo e já estamos a escrever novamente para um lançamento em CD em 2013. Já temos algumas faixas e, nesta altura, estamos a decidir sobre o comprimento do disco.
 
Como descreverias o álbum Ocho For Willow para quem não conhece os Starroy?
Ocho For Willow é um grande disco para simplesmente colocar no leitor e deixar tocar. Tentamos com que ficasse muito parecido com um espetáculo… a banda vem para fora dos portões e dá um pouco de rock para chamar sua atenção. Depois, tentamos introduzir alguma jam session numa viagem musical. Finalmente temos um convite para cantar e depois embrulhámos tudo e levamos para casa. Esse foi um disco que nos trouxe um divertimento real a fazer. Foi feito durante alguns meses em Nashville ao mesmo tempo que tentávamos estruturar uma tournée por isso tivemos muita coisa a acontecer ao mesmo tempo.
 
Ocho For Willow só recentemente chegou à Europa, mas já tinha sido lançado nos Estados Unidos, certo?
Ocho For Willow já havia sido lançado, sim, mas sem qualquer impressão como esta. Basicamente nós vendíamos o disco na nossa carrinha nos espetáculos e no site, por isso este ano decidimos voltar a lançá-lo com a ajuda dos nossos agentes e faze-lo chegar à imprensa. De momento, estamos de volta ao trabalho agora para escrever um novo disco e com uma tournée para acompanhar. Na realidade fizemos algumas datas bem fixes no último ano, nomeadamente uma com Lynyrd Skynyrd e Jonathan Tyler & The Northern Lights.
 
Vocês têm dois convidados em Ocho For Willow. Quem são e qual foi o seu papel no álbum?
Hmm, bem, o piano foi tocado por Mr. Grant Garland. Penso que tivemos um dos melhores músicos que já tocaram teclas e órgãos connosco. O seu nome é Grant Garland e ele é um músico fenomenal. Lembrem-se deste nome: Grant Garland, irão vê-lo novamente. Atualmente está em Las Vegas a tocar a tempo inteiro num casino. Ele é uma daquelas pessoas que pega em qualquer instrumento e toca-o atrás das costas, com os dentes, de pé sobre um fio... qualquer coisa. E na percussão, tivemos um colega de longa data dos Heath que atendia pelo nome de DDP ou formalmente Derek Prichette. Ambos nunca foram incluídos no grupo como membros efetivos mas frequentemente sentavam-se connosco e ajudavam a preencher e a completar o som.
 
Ocho For Willow tem recebido excelentes críticas. Estavam à espera disso?
Bem, podemos sempre esperar. Quando se coloca um pedaço de nós mesmos lá fora para que as pessoas tomem contacto, há sempre a hipóteses para as verdades/críticas aparecerem e nem sempre podem ser bonitas. Nós temos muita sorte de realmente fazermos o que amamos, que é tocar música e acho que é ao vivo que os Starroy realmente existem. Podes ver o divertimento em primeira mão. Basta estar na sala com a banda durante um segundo para se perceber que amamos o que fazemos. Felizmente todos que ouviram Ocho For Willow – espero - sentem a emoção e o nosso amor por isto que fazemos. E isso é uma coisa difícil de fazer.
 
Como é o processo de escrita nos Starroy? Pelo que pude perceber a improvisação tem um papel importante...
No passado, o processo de escrita tem sido um riff ou um padrão ou uma melodia que possa surgir a partir da qualquer um de nós em qualquer lugar - quartos de hotel, ensaios ou até mesmo em sofás. Até que alguém diz, “ei ... o que foi isso? Toca  de novo”. Então, Adam escava em torno da componente lírica para encontrar a peça do puzzle que se encaixe nos tons. A maioria das músicas realmente acabam muito longe do que eram no início. É incrível ver as músicas evoluir e moldar-se em algo depois de espancadas, chutadas e reorganizadas. Por exemplo Ocho For Willow há uns anos atrás era originalmente uma única música. Ela nunca foi digna de ser gravada como ela era, portanto, picamos as coisas para cima e para fora e das cinzas vieram duas faixas: Ocho e Willow. As coisas novas que tenho escrito nos últimos tempos têm um sentimento mais rock, não tão loosey goosey, algo mais progressivo, o que provavelmente está ligado a um estado de maturidade não intencional. Talvez a gente possa agitar um pouco esse rótulo de Jamband com esse álbum.
 
Em breve vocês estarão em tournée na Europa! É a vossa primeira vez aqui? Quais são as expetativas?
Nós mal conseguimos aguentar a espera. Esta banda ama a estrada, tocar e conhecer novas pessoas. E a Europa significa novas estradas e novas pessoas. Muitas vezes, a brincar dizemos que na nossa profissão somos profissionais socializadores de áudio/ coletores de amigos... Este é o melhor trabalho do mundo... Expetativas: que a Europa tenha um pouco de espaço para esta banda e para aquilo que chamamos de Rock & Roll. Esperamos virar algumas cabeças e receber um convite para voltar em 2013.
 
Segundo me pude aperceber, terão várias datas em Espanha, mas nenhuma em Portugal...
Hmm, bem, nós vamos ter que conversar com a nossa equipa da Teenage Headmusic sobre isso... Sendo esta a primeira viagem, temos muito trabalho pela frente para espalhar a palavra da banda. Eles fizeram um grande trabalho de montar esta tournée e estamos motivados com essa planificação. Nós adoraríamos voltar e tocar o nosso Rock’n’Roll em Portugal se esta visita agora for muito curta. Vamos cruzar os dedos pois gostaríamos de compartilhar uma noite com todos vocês.
 
A terminar, queres acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores?
Obrigado por nos dares uma oportunidade para conversar e por apoiarem o Rock 'n' Roll. Por favor, procurem uma cópia de Ocho For Willow, e levem-nos convosco! Eu, pessoalmente, espero ver todos vocês ao longo desta tournée! Para qualquer coisa: starroy.com.

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