Entrevista: Blood Of The Sun

Os norte-americanos Blood Of The Sun (BOTS) atingem o seu quarto álbum, o espetacular Burning On The Wings Of Desire, um trabalho com edição Listenable que lhe proporciona a projeção internacional que o coletivo merece. Hard rock da melhor casta vinda diretamente dos anos 70 fazem deste disco um must para os fãs do género e um dos sérios candidatos a melhor disco do ano. O baterista Henry Vazquez, também membro dos Saint Vitus, falou a Via Nocturna sobre esta sua nova proposta.
 
Viva Henry! Obrigado por aceitares responder a Via Nocturna! Novo álbum, nova editora, expetativas em alta, suponho…
Sim, temos uma nova editora e pela primeira vez estamos a ter uma boa promoção, especialmente na Europa. A Listenable tem uma grande reputação e estamos animados com isso! O novo álbum é muito forte e estamos confiantes que os hardrockers irão gostar.
 
Como se proporcionou esta ligação à Listenable?
Laurent, o proprietário, já nos tinha contactado várias vezes para editar os nossos discos antigos e, eventualmente, um novo. Até agora fazíamos nós próprios as nossas edições, com a ajuda da Brainticket Records. Demoramos algum tempo apenas à espera do momento certo para fazer alguma coisa. A tournée dos Saint Vitus tem-nos tomado muito tempo ultimamente e as coisas demoraram um pouco a ir lugar. O Laurent queria um álbum novo e depois de cerca de um ano conseguimos ter um novo álbum escrito e gravado e finalmente decidimos que seria melhor trabalhar com a Listenable. Eles foram bastante persistentes na tentativa de nos contratar e nós pensávamos que eles eram uma editora mais virada para o hardcore e o metal super pesado, mas recentemente têm vindo a alargar o seu espectro de ação para incluir diferentes tipos de música como o nosso. Por isso decidimos que era um bom relacionamento para começar.
 

Há algumas diferenças de Burning On The Wings Of Desire para os vossos lançamentos anteriores?
Sim, desta vez estivemos mais orientados para a escrita de canções e menos para jams. Este disco não é tão movimentado como os outros e estamos mais focados nas músicas, nas mudanças, detalhes e melodias. E também tentamos escrever músicas que se encaixassem no estilo dos vocalistas do álbum que foram John O’Daniel e Wino.
 
Ao longo da vossa história têm sofrido diversas mudanças de line-up. Para este álbum aconteceu o mesmo?
Sim, tivemos novamente algumas mudanças de line-up. Durante o processo de gravação, os nossos baixista e guitarrista estavam com outros projetos portanto, chamámos o nosso amigo Tony Reed dos Mos Generator/Stone Axe para algum trabalho de guitarra e baixo. Também tivemos Rusty Burns dos Point Blank que fez alguns solos. Também mudamos a nossa situação em termos de vocalista e agora temos o John O’Daniel dos Point Blank. Dave Gryder ainda está no órgão/piano elétrico e eu na bateria.
 
Podes falar um pouco de como decorreu o processo de gravação de Burning On The Wings Of Desire?
Tínhamos a maioria das músicas prontas e Tony veio com algumas músicas também. Gravamos no estúdio caseiro do Dave (Du France estúdios), onde fizemos a captura de alguma bateria, baixo e guitarra ritmo. Depois fizemos os vocais e a guitarra solo com Sterling Winfield (Pantera) no seu estúdio. Depois fizemos a mistura do álbum também com Sterling e com Tony Reed a dar uma ajuda.
 

E como é que nascem esses grandes solos em duelo de teclado/guitarra? Há uma grande percentagem de improvisação?
Sempre amei o hard rock clássico dos anos 70, onde havia muitos solos de guitarra e teclas/órgão e interação entre eles. É algo que achamos que falta nas bandas modernas de hard rock. Acredites ou não, temos uma enorme influência de algumas das bandas de metal que ouvimos como Slayer e Megadeth onde são tocados diferentes solos e tu podes em qualquer altura dizer quem estava a tocar o que. Nós apenas pensamos que seria interessante dar essa abordagem, mas usando órgão/teclado contra uma guitarra. Mas, novamente, nós neste álbum focamo-nos mais sobre músicas, mas é claro que ainda existem muitas jams incendiárias! Rusty e Tony fizeram um excelente trabalho neste álbum também.
 
Alguns de vocês estão envolvidos em outros projetos?
Eu toco bateria nos Saint Vitus já há alguns anos, mas fora isso não tenho tempo para mais nada. Dave também tem alguns outros projetos em que tem trabalhado incluindo um álbum de funk no qual está a trabalhar agora (com Sterling, mais uma vez na produção).
 
Já vimos que o hard rock clássico dos anos 70 tem uma grande influência na vossa música. Que outras influências se podem afirmar como tendo efeito nos BOTS?
Definitivamente adoro o hard rock clássico dos anos 70, mas também gostamos do final dos anos 70 e início dos anos 80, do hard rock/metal como Riot, Saxon, Fastway, enfim, tu sabes bandas que estão mais inclinadas para o espectro hard rock mas ainda são às vezes classificadas como metal. Nós vamos por um monte de diferentes tipos de música, principalmente tudo o que tenha coração e rock heavy e hard!
 
Já há alguma tournée planeada para um futuro próximo?
Estamos a planear uma assim que possível, mas que provavelmente significará festivais de verão. Os Saint Vitus têm uma tournée europeia prevista para março, por isso quando voltar iremos começar a tocar alguns shows ao vivo. Neste ponto, parece que vamos ter o John Perez (Solitude Aeturnus/Brainticket Records) a tocar guitarra connosco ao vivo!
 
A terminar, queres acrescentar algo mais aos nossos leitores?
Obrigado pela entrevista! Estamos ansiosos por espalhar a nossa própria marca de hard rock com algo um pouco diferente do que o que é normalmente feito. O novo álbum é o nosso mais forte até à data e com uma produção muito melhorado e um excelente line-up. Vemo-nos na estrada!

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