quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Entrevista: HBC

HBC é um supergrupo que resulta da reunião de três sobredotados e altamente experientes músicos no campo do jazz/fusão, a saber Scott Henderson, Jeff Berlin e Scott Chambers. Para nos falar deste super trio e dum álbum que mistura covers de alguns dos temas mais emblemáticos da fusão com outras criações próprias, o baixista Jeff Berlin.
 
Viva Jeff, obrigado pelo teu tempo a responder Via Nocturna. Primeira questão é quando e por que vocês decidiram criar este trio?
É um prazer falar contigo. Na verdade este trio foi formado em 2009 pelo meu empresário Alejandro Orellana de Arte Medios no Chile. Alejandro tem procurado novas combinações de grupos e músicos onde eu possa tocar. Foi sua a ideia de Dennis Chambers e eu tocarmos juntos, mas com o Stanley Jordan na guitarra. Mas o Jordan nunca respondeu aos meus e-mails, convidando-o a tocar. Foi então que me lembrei que um velho amigo, Scott Henderson, seria uma grande solução. Liguei-lhe e HBC é o resultado desse telefonema.
 
Como trio, juntos, esta é a vossa primeira vez, mas tu (e os outros, naturalmente) já tens uma grande experiência noutros projetos. Podes falar-nos um pouco dessa tua carreira? Houve algum que te tenha dado especial prazer fazer?
Nos últimos dez anos, eu tenho sido um líder e não um sideman. Há muitos anos que não participo em nenhum projeto como sideman mas tenho liderado o meu próprio grupo com vários músicos. Trabalhei com os bateristas Danny Gottlieb e Paul Wertico, do grupo de Pat Metheny e Mike Clark de Herbie Hancock. Randy Brecker tocou no meu grupo juntamente com Jaco Pastorius e Othello Molineaux. O meu parceiro na música, porém, é Richard Drexler, que é um fantástico executante de piano e contrabaixo. A minha banda e os vários projetos de gravação que fiz em meu nome são os meus favoritos quer em termos de gravação quer de execução. Nós tocamos música a um nível tão alto que sou um músico cada vez melhor devido aos espetáculos e tournées que fiz com todos esses grandes músicos.
 
E já tinham tocado juntos ou esta foi a primeira vez?
Scott e eu trabalhamos juntos desde 1985. Comecei a tocar com Dennis, quando este trio, HBC, começou em 2009. Tínhamos conversado a respeito de gravar logo no início do nosso relacionamento, mas apenas entramos em estúdio por volta da Primavera de 2012.
 
Como analisas o resultado final desta experiência chamada HBC?
Esta banda é uma alegria total. Somos amigos, estamos sempre a brincar e saímos juntos. Esta amizade é patente na diversão que temos em palco. A nossa música reflete a nossa profunda admiração uns pelos outros. Esta é uma experiência de alto nível musical que estou a ter com pessoas que eu respeito a nível pessoal. Nos Cream, havia lutas constantes que pareciam alimentar a paixão de tocar ao vivo. No nosso trio, é a amizade que parece alimentar o nosso desejo de tocar ao mais alto nível que podemos.
 
Com os HBC podemos falar de um supergrupo?
Como um grupo de fusão, talvez! Somos todos considerados grandes músicos e a combinação da nossa forma de tocar resulta num grande espetáculo. Para ser honesto, há atualmente baixistas com muito mais técnica do que eu. Eu fui o pai e por isso é natural que aconteça assim. Indiscutivelmente, o Scott é um guitarrista mais lento que muitos outros guitarristas com o dobro da sua técnica. Portanto, temos de criar uma música que seja poderosa. Quando se combina vários músicos de renome, penso que se pode usar o termo supergrupo. Portanto, acho que o termo pode ser aplicado mas desde que não me atrase no aspeto de tentar tocar melhor ou praticar mais.
 
Como é o processo de composição nos HBC? Suponho que muita improvisação e muito jamming?
Sim, muita improvisação e muito jamming. O álbum é construído sobre a música que improvisámos. Mas as músicas em si foram registados da forma como foram ensaiadas. Scott é um grande fã dos Weather Report e aprendeu que Joe Zawinul improvisa em cada nota que escreveu para a banda. Scott já tinha usado o mesmo conceito quando gravou com a sua banda Tribal Tech e também usou o mesmo conceito para orquestrar a guitarra durante os improvisos que fizemos como trio. Temos uma piada nos HBC que a razão para este CD está a vender tão bem é porque nós quase não escrevemos uma nota para ele. Quase tudo o que tocamos são covers de músicas de fusão bem conhecidas, principalmente a partir da década de 70. Este álbum é um "Top 40" de músicas de fusão. Eu até sugeri que intitulássemos o álbum como Fusion Top 40! Dennis, Scott e eu adoramos o título, mas a editora não ficou lá muito feliz com a ideia.
 
Exatamente, neste álbum vocês apresentam uma miscelânea de temas próprios e algumas covers. Qual foi o critério de escolha dos temas para recriar?
Nós escolhemos a música que ouvíamos quando éramos jovens músicos e que nós adoramos ouvir e tocar. Este CD é preenchido com o material que surpreendeu e surpreendeu-nos quando éramos jovens. Recriar essas músicas foi, para nós, uma viagem pela estrada da memória, algo que foi gratificante fazer. Mas, precisávamos de um par de outras músicas para colocar no álbum. Scott escreveu um blues e pediram-me para escrever uma peça de baixo. Demorei um mês a escrever Threedom, que espero seja a última peça de solo de baixo que escrevo. Eu estou tão cansado de escrever peças a solo porque o meu verdadeiro amor é tocar com outros músicos e tocar solos se houver espaço na música para o fazer.
 
Já tocaram estas músicas ao vivo? Como têm sido as reações?
Até agora, as pessoas têm estado animadas com as nossas performances. Temos tido espetáculos esgotados em quase toda parte, o que só vem provar que três nomes fortes numa banda é melhor que apenas um ou dois. As pessoas enlouquecem ao ouvir três músicos no seu pico de capacidade a tocar juntos. Mesmo para nós, neste mundo orientado para os vocais, apenas o facto de ter uma oportunidade para tocar os nossos instrumentos é uma emoção. Sabes que neste período da indústria musical, onde dançar e cantar é uma coisa normal, Jimi Hendrix seria desconhecido e não assinaria com nenhuma editora. Sabes por quê? Porque era um guitarrista.
 
E outras aparições ao vivo num futuro próximo? O que está previsto?
Parece que outubro será o período para a próxima tournée HBC. Talvez passemos por Portugal. Eu toquei aí com a minha banda e é um lugar tão bonito que eu gostaria de voltar.
 
E desejos para o ano novo que está quase a chegar?
O único desejo para o Ano Novo é ser feliz! Se estás feliz, então tudo vai estar bem. Tentem ser felizes, porque este é o maior presente que podem ter para vocês mesmos e para as vossas famílias.
 
Finalmente queres acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores?
Eu sou uma pessoa de sorte numa indústria muito difícil. Mas demorou anos a construir uma reputação mundial e é preciso muito esforço e trabalho para a manter. Portanto, para quem gosta de tocar, tanto quanto eu, lutem que as coisas boas também podem acontecer convosco.

Sem comentários: