Entrevista: KingBathmat

Com edição prevista para o dia 21 de janeiro de 2013, Truth Button é o sexto álbum dos britânicos KingBathmat, uma coleção de seis temas longos que cruzam diversos campos do rock e do metal. Irreverente como o nome que o coletivo ostenta e a música que praticam, o baixista e vocalista John Bassett concedeu a Via Nocturna uma pequena mas muito interessante entrevista.
 
Viva! Antes de mais, obrigado pelo vosso tempo dedicado a responder a Via Nocturna. O novo ano trará um novo álbum, Truth Button. Como descreves este trabalho?
Olá Pedro, muito prazer em conhecer-te e é um prazer poder responder às tuas questões. Truth Button é uma coleção de seis músicas, um expositor de estilos musicais dentro dos géneros de rock progressivo, psicadélico, stoner e metal, consolidado num disco coeso que tem um som e um estilo muito próprios. Espero que marque a diferença em relação a grande parte da música que está disponível no momento.
 
E de que forma se aproxima ou afasta dos vossos álbuns anteriores?
Sinto que à medida que o tempo passa, a nossa música tem-se tornado mais experimental, as canções estão mais longas, abraçando o rock progressivo como uma saída mais flexível. Tem havido sempre, espero, uma forte corrente melódica ao longo das músicas, normalmente representada através da melodia vocal, que está sempre muito trabalhada. Esse elemento melódico nunca vai mudar, porque acredito que é a personalidade da música, é a assinatura, a impressão digital, a identidade da música, e, sem ela, torna-se nada mais do que um clone, ou uma replicação de outras músicas que já existem.
 
Este acaba por ser um álbum conceptual. Qual é a temática abordada?
Truth Button é sobre a saturação da tecnologia que todos os dias sufoca as nossas interações e sobre como esta mesma tecnologia manipula a nossa realidade e aquilo que acreditamos ser a verdade. Truth Button lida com um tema subjacente da tecnofobia e desconexão social devido ao uso sempre crescente e trivial da moderna tecnologia. Truth Button apela para o avanço da tecnologia mas de forma a ser empregue de modo a tornar mais transparente a verdade em vez de ser explorada para confundir, criar convulsões e restringir-nos. O press-button, um interruptor mecânico que nos envolve no processo, é um símbolo da tecnologia, vivemos numa rede cada vez mais complexa de botões e gadgets. Estes dispositivos encorajam-nos a interagir com eles por motivos cada vez mais irrelevantes. O tempo absorvido por essas atividades inconsequentes produzidas por essas novas tecnologias poderia ser bem melhor aproveitado e parece que esses brinquedos são deliberadamente criados para nos distrair de eventos que desvendam o mundo de hoje. No entanto, se tivéssemos a hipótese de escolher o botão da verdade será que o pressionaríamos? Escolhemos viver numa verdade feia ou, em alternativa, continuamos a viver na ignorância numa bela ilusão?
 
Suponho que as vossas expetativas para este lançamento sejam altas…
Nunca tenho expetativas nem grandes nem pequenas. Estou extremamente feliz com o álbum, se os outros se divertirem (espero que aconteça), então isso será um bónus. Há algum dinheiro aplicado na promoção do álbum, portanto, em relação a isso, espero que o álbum alcance o sucesso. Aqueles que investiram veremos se recuperam e obtenham proveitos de forma a encorajar o financiamento de próximos trabalhos dos KingBathmat.
 
Como é o processo de criação nos KingBathmat?
Foi-me dito por um apicultor xamânico que eu tenho uma antena cósmica que foi implantada na minha cabeça em criança por visitantes da sexta dimensão. Esta antena envolve-se com ondas invisíveis que atravessam o nosso ambiente quotidiano que eu capto e posteriormente coloco nas músicas. Portanto, sou apenas um vaso telegráfico para mensagens sonoras extraterrestres. Fundamentalmente, só faço coisas com o meu cérebro. Tudo o que é necessário é um riff sólido, ou possivelmente uma melodia vocal, e depois tudo o resto vai evoluindo a partir dessa ideia rudimentar. O período de gestação destas novas músicas variou entre 2 semanas e 4 meses. Os álbuns mais antigos eram mais baseados no formato canção e foram escritos numa tradicional guitarra acústica, ao estilo cantor-compositor.
 
E o processo de gravação como decorreu?
Neste momento, a frugalidade é o foco principal no que diz respeito à gravação. No passado contratámos estúdios com grandes despesas e gravações complexas tal como aconteceu com a gravação de Truth Button que levou muito tempo num estúdio de qualidade. Assim, todos os atalhos para o produto final que poupem dinheiro são considerados desde que não sejam prejudiciais para o mesmo. O nosso novo teclista está a trabalhar na construção do seu próprio estúdio, o que nos irá permitir uma maior liberdade neste campo num futuro próximo.
 
Por que razão um nome como Kingbathmat? Existe algum significado especial?
Não, nem por isso. Este nome, KingBathmat, foi escolhido num momento de irreverência.
 
Para finalizar, queres acrescentar algo mais para os nossos leitores?
Nunca confiem em pessoas com dedos longo salientes, como os de um lobo sem pelo!

Comentários

  1. Esta banda é bastante promissora!

    Tive a felicidade de a encontrar no youtube, como sugestão.

    Muito boa música, bem composta, nada entediante (tendo em conta a duração dos temas).

    Para ouvir e dar-lhes uma certa atenção nos próximos tempos!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário