terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Review: Sons Of The Western Skies (Hogjaw)


Sons Of The Western Skies (Hogjaw)
(2012, Edição de Autor)

Já nos vamos habituando aos trabalhos de qualidade que a Teenage Head Music tem apresentado à Europa, oriundos de coletivos, maioritariamente norte-americanos, embora também, por vezes, de outros continentes. Serve esta introdução a propósito de mais um nome apresentado pela citada agência: Hogjaw. E o que se ouve em Sons Of The Western Skies não engana. Isto é rock sulista da melhor casta, mantendo a boa tradição dos anos 70, na linha de nomes como Molly Hatchet ou 38 Special. Longos solos, ritmos eletrizantes, muito rock’n’roll, cheiro a deserto (ou não fossem os Hogjaw oriundos do deserto do Nevada) e alma country são, então, alguns dos ingredientes que se encontram neste trabalho. Um trabalho extramente homogéneo com alguns pontos a destacar. A secção de metais em Everyone Goin’ Fishin’ a levar o tema para campos do jazz ou até das big bands é um desses pontos. E também Mainstream Trucker (18 Wheeler Edit) onde se cruza o imaginário dos camiões a percorrerem estradas empoeiradas com a introdução de harmónicas a fortalecer o citado sentimento country que falávamos. Mas é nos temas mais longos (Look To The Sky e The Sum All Things) que os Hogjaw se soltam e desenvolvem toda a mágica sulista. O primeiro, simplesmente brilhante, com o início lento, a atirar para uma balada, seguido de uma alteração rítmica que estranha e deliciosamente se aproxima dos Dire Straits, o longo solo e o final declamado. O segundo, delicioso tema cheio de emotividade, a fechar de forma sensual, um disco áspero e rude como as paisagens do deserto.


Tracklist:
1.      Spoonfed
2.      Hells ½ Home Of Mine
3.      Road Of Fools
4.      Six Shots
5.      Everyone Goin’ Fishin’
6.      Look To The Sky
7.      Mainstream Trucker (18 Wheeler Edit)
8.      Midnight Run To Cleator
9.      Dirty Woman
10.  The Sum Of All Things


Line up:
Jonboat Jones – vocais e guitarras
Kreg Self – guitarra solo
Elvis DD – baixo
J. “Kwall” Kowalski – bateria


Internet:
www.hogjawmusic.com
www.myspace.com/hogjawband
www.reverbnation.com/hogjaw
http://www.facebook.com/pages/Hogjaw/61132109601

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Entrevista: Deus Otiosus


Para os amantes do death metal de inspiração clássica, eis aqui mais um nome a reter: Deus Otiosus. Murderer, o seu trabalho de estreia já foi gravado em 2009, mas só foi lançado em 2010 (na América Latina) e em 2011 (na Europa). Numa altura em que a banda já prepara um segundo trabalho, fomos falar com o mentor da banda, Henrik Engkjaer.


Viva Henrik! Podes caracterizar-nos os Deus Otiosus?
Claro e simples: incendiário.


Qual é o significado do vosso nome? Sabes que em Português Deus é…
Sim, sei o que significa Deus e Deus Otiosus significa que Deus abandonou o mundo. O significado do nome é para abranger um mundo onde a humanidade é órfã e não orientada. Um mundo de crueldade e escuridão.

Vocês tocam death metal old school. Que bandas mais vos influenciaram?
Eu ouvi metal tantos anos que acho que sou inspirado por tudo que ouvia: bom ou mau. Alguns dos clássicos seriam bandas como Morbid Angel, Deicide, Pestilence, Obituary e Unleashed. Mas há também outras grandes músicas a inspirar-nos: Black Sabbath, Judas Priest, Slayer, King Diamond, Dissection para te dar apenas alguns exemplos.

Falando, agora do vosso disco, Murderer, ele já foi gravado em 2009. Porque tanto tempo para o lançamento?
Sim, foi gravado em dezembro de 2009 e lançado pela American Line, em agosto de 2010 e Rekotz FDA em março 2011. Muitas coisas influenciaram este atraso. Primeiro nós fizemos acordos com labels que desapareceram ou não eram confiáveis. Finalmente, quando encontramos a editora certa, houve que esperar devido ao seu calendário de lançamentos, impressões, etc.


Assim sendo, podemos considerar este trabalho ainda como um bom representante do que são hoje os Deus Otiosus?
Sim, ele representa-nos muito bem. Eu acho que é um bom álbum. Mas espero ter um novo álbum gravado e lançado em 2012 e estou certo que será um grande salto também. Ele vai ver todos os elementos de Murderer, mas mais desenvolvido e refinado. Por isso, ainda será a mesma banda como em Murderer, mas um passo para cima.

Existe algum conceito em Murderer? Há uma carta antiga no livreto. Qual é o significado?
Murderer é apenas parte do conceito da banda: coisas que acontecem sob um céu sem Deus. A carta que vês no livreto foi escrita por Jack The Ripper à polícia de Londres. O tema-título de Murderer é inspirado em Jack The Ripper. O caos e o medo que essa pessoa espalhou em Londres, no século XIX, é um bom exemplo de uma terra infernal sem Deus.

Como é o processo de escrita nos Deus Otiosus?
Até agora eu tenho escrito a música e a letra e depois apresento tudo aos outros. Depois ensaiamos as músicas e organizamo-nos como uma banda. No futuro, porém, é bem possível que outros membros da banda comecem a escrever música também.


E como foi o processo de gravação do álbum?
Passámos oito dias nos estúdios locais Earplugged que é um lugar muito bom para gravar. Assumimos que vamos gravar o nosso segundo álbum lá também. Como podes perceber, o processo foi curto e eficiente. Após a gravação e mistura o Hasseriis Jeppe fez a masterização. Ambos já nos conhecíamos mutuamente e sabíamos que eles iriam fazer um grande trabalho.

Como tem sido o feedback dos fãs e da imprensa?
O feedback tem sido ótimo! Muitas boas críticas e respostas positivas dos ouvintes. No entanto, acho que ainda há muitos que ainda não nos ouviram. Esperemos que isso mude.

Quais são os principais objetivos para os Deus Otiosus para o novo ano?
O nosso principal objetivo para 2012 é, certamente, gravar e lançar o nosso segundo álbum! É para isso que estamos a trabalhar de momento e espero poder dar algumas boas notícias sobre este tema em breve.


Para terminar, queres dizer mais alguma coisa?
Obrigado pelo interesse e apoio aos Deus Otiosus. Boa sorte para a Via Noturna e fiquem atentos. Em breve haverá notícias sobre o nosso segundo álbum.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Review: Smooth Comforts False (Thee Orakle)

Smooth Comforts False (Thee Orakle)
(2012, Ethereal Sound Works)

Agora que os ThanatoSchizo se afastaram parece não haver dúvidas a quem deve ser entregue o cetro dos reis do metal transmontano. Exatamente: aos Thee Orakle. Se o primeiro álbum, Metaphortime, já havia deixado excelentes impressões, esta nova proposta, Smooth Comforts False, representa um passo em frente em qualidade e originalidade. Este é um belíssimo trabalho, de grande complexidade que exige diversas audições para se ir descobrindo. Por outro lado um trabalho cheio de diferentes estados de espírito criados pelas diferentes posturas de todos os instrumentistas. Estreando Pedro Mendes nas guitarras (ele até já tinha ajudado no disco anterior), os Thee Orakle ganham uma nova dimensão ao nível do trabalho deste instrumento. Quer ao nível dos riffs, quer das bases, quer dos solos, Smooth Comforts False é dotado de invejáveis pormenores de técnica assombrosa. Noutro campo, os vocais estão bem trabalhados com ambos os vocalistas a disporem do seu espaço sem atropelos. Curiosamente, por momentos esses espaços são coincidentes criando momentos muito bem conseguidos. Mas neste particular, merece relevo a prestação de Micaela Cardoso, sempre em grande nível mas com dois momentos verdadeiramente sublimes em Mysterious Hours (um dos melhores temas do disco, na nossa opinião) e em Winter Threat em dueto com Marco Benevento dos italianos The Foreshadowing. Para além da costela metálica os vila-realenses voltam, e muito bem sublinhe-se, a apostar na vertente experimental e até jazzística. E neste campo são brilhantes os momentos protagonizados por Ricardo Formoso e Fábio Almeida em desconcertantes solos de trompete e saxofone, respetivamente em Psi-Drama e Rescue Of Mind. E claro, também não deve ser esquecido o trabalho de bouzuki, cortesia de Yossi Sassi dos Orphaned Land que, mais uma vez, volta a colaborar com a banda. Num álbum todo ele de uma riqueza ímpar, de uma imprevisibilidade latente e de uma qualidade superior, falta apenas referir a presença do declamador nato do rock português, Adolfo Luxúria Canibal na faixa de abertura, Faraway Embrace. Uma prestação como só ele sabe fazer, num tema que, só por si, representa todo o brilhantismo de Smooth Comforts False.

Tracklist:
1.      Faraway Embrace
2.      Psi-Drama
3.      Mysterious Hours
4.      Foretoken
5.      Evil Dreams
6.      Winter Threat
7.      The Bridge Of The River Flowing
8.      Hopefulness
9.      Rescue Of Mind

Line up:
Daniel Almeida – baixo
Frederico Lopes – bateria e samples
J. Ricardo Pinheiro – guitarras
Luís Teixeira – teclados
Micaela Cardoso – vocais
Pedro Mendes – guitarras e vocais
Pedro Silva – vocais

Internet:

sábado, 28 de janeiro de 2012

Review: Black Out Sunday (Chainfist)

Black Out Sunday (Chainfist)
(2010, Edição de Autor)

Com a recente assinatura com a Rock’n’ Growl, os dinamarqueses Chainfist ganharam alguma notoriedade e enquanto preparam uma promo de três temas, a sua agência disponibilizou o seu trabalho de estreia, Black Out Sunday, datado de 2010. A banda congrega ex-membros de bandas como Infernal Death, Epicenter, Panzerchrist ou Frozen Sun e, musicalmente, as suas bases estão firmemente assentes no hard rock, embora com capacidade para se estenderem a outros campos. Um som intrigante que tanto tem de cativante como de poderoso. E se a primeira audição traz logo uma sensação positiva, é com as subsequentes audições que se vai apercebendo a qualidade intrínseca a cada canção. Desde a abertura desenfreada feita com Free Me, que a banda explora de forma muito interessante riffs pesados e muito groove. Os vocais de Petersen são limpos, nítidos e expressivos e, simultaneamente, pesados e agressivos. Embora os Chainfist não introduzam grandes novidades, este é um disco que se ouve bem. E para quem procura algo de explosividade no metal, este é um trabalho aconselhado.

Tracklist:
1. Free Me
2. Edge Of The World
3. Evolution
4. Be a Man
5. Have You Ever
6. Stay
7. In Your Face
8. Show Me
9. Clown
10. Carpe Diem
11. Black Out
12. Shchwh

Line up:
Jackie Petersen – vocais
Michael Kopietz – guitarras
Thomas Hvisel – guitarra solo
Braca Pedersen – baixo
Jesper Heidelbach – bateria
 
Internet:

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Entrevista: Coronatus

As mudanças de vocalistas são dos momentos mais traumáticos para uma banda. Todavia, os Coronautus encararam esse momento como a hipótese de darem um passo em frente em termos de qualidade e, assim, assinam Terra Incognita o seu melhor registo até à data. Para nos falarem dos novos Coronatus e do seu novo trabalho, Dirk Baur (baixo), Aria Keramati Noori (guitarras) e Mareike Makosch (vocais).

Novo álbum, Terra Incognita, e a primeira e mais notória diferença é o novo par de vocalistas. De alguma forma essa mudança afetou o vosso processo de escrita?
DB: No início, não. O processo de escrita é um processo longo. No entanto, após a instrumentação, as duas meninas tiveram uma grande influência nas melodias e no processo de composição adicional, já que as suas vozes são incríveis e nós fizemos experiências com linhas vocais, notas e colocação de voz. Foi muito bom para conhecer, o que o nosso dreamteam é capaz de fazer.

Sentiram que esta era a oportunidade que tinham para dar um passo em frente?
DB: Absolutamente. Sabíamos desde o início que este seria um passo no desconhecido, já que muitas coisas mudaram nos Coronatus. O line up, os compositores, a música, o artwork... Portanto, este passo em frente é o resultado da combinação de todos esses fatores.

E como foi o processo de adaptação das novas vocalistas?
DB: Bem, numa simples palavra - fácil! Ambas são muito experientes em palco e no seu instrumento, a voz. A Ada já tinha sido membro dos Coronatus antes e Mareike cantou em várias bandas antes. Portanto, obviamente, não haveria problemas com a experiência. E assim foi, a adaptação foi muito boa.

Agora, a respeito de Terra Incognita, vocês continuam com títulos em latim nos vossos trabalhos. É algum tipo de fetiche?
DB: (risos) Algo do género! Os Coronatus sempre tiveram letras em latim, mas desta vez fizemos diferente. Não temos faixas inteiras cantadas em latim, mas acrescentamos muitos coros em latim e eu tenho que admitir que adoro isso! Alguns dos corais são muito fortes e, provavelmente, soariam diferente se fossem cantados noutras línguas.

Para além das novas vocalistas, que outras diferenças apontas em relação aos vossos trabalhos anteriores?
DB: Em Terra Incognita há muitas coisas que são diferentes do que eram antes. Antes de mais, um novo line-up. Em segundo lugar também novas ideias, que entraram para a banda com os novos músicos. Antes, Carmen fazia a maioria das letras, agora, essa tarefa foi distribuída por toda a banda. Isso resulta numa diferença grande em termos de composição, uma vez que outras influências se juntaram. Na minha perspetiva, Terra Incognita é mais evoluído do que qualquer álbum que os Coronatus já tenham feito.

Neste álbum têm alguns convidados. Podes falar desles?
AKN: Tivemos músicos convidados realmente muito bons que foram: Ally "The Fiddle" Storch, que toca violino nos Haggard, Umbra et Imago, ASP, etc; Gaby Koss, uma ex-Haggard e que já tinha cantado como convidada com os Equilibrium e outras bandas, cantou os vocais soprano do coro; Petra Starssova nos coros; Teddy Moehrke, dos Deadalous que já tinha cantado como tenor no Fabula Magna, cantou os vocais tenor do coro; e por fim, o meu incrível ex- professor de música Albrecht Lutz, que cantou o coro baixo e tenor neste álbum e já o tinha feito em Fabula Magna, também.

Fernes Land foi o tema escolhido para primeiro vídeo. Por quê?
DB: Fernes Land é algo notável para nós, já que expõe o desejo de conquistar mundos desconhecidos, países distantes e novos mundos. Tivemos a ideia de filmar o vídeo em algum navio antigo, mas no final, não avançámos porque não poderíamos pagar o aluguer de um navio deste tipo. Assim, procuramos um local e encontrámos na Suíça em Rheinfall. Localização incrível!

E como se sentiram quando foram eleitos Band Of The Week na LabelTV?
DB: Para ser honesto, estávamos realmente orgulhosos com isso! Não é muito usual para nós sermos uma espécie de "bla bla da semana" ou "bla bla do mês" ou assim. Quando recebemos a mensagem da LabelTV, que seriamos "banda da semana", abrimos uma garrafa!

Como decorreu a tournée com os Haggard?
DB: Oh, a tournée foi incrível. Eu adorei a sensação de estar em grandes palcos, adorei o público e todo o espírito que nos transmitiram. Alguns dos espetáculos foram incríveis, outros foram loucos, alguns inspirados, mas todos eles nos ajudaram a crescer. As nossas duas meninas fizeram um trabalho incrível e pegaram o público ao fim de alguns minutos.

MM: Na nossa tournée com os Haggard na primavera adorei o espetáculo no K17 em Berlim porque o público foi simplesmente fantástico! Mas, na verdade quase todos os espetáculos dessa tournée foram ótimos. A audiência foi muito gentil, embora estivéssemos apenas como banda de suporte. A malta do metal é boa gente. E muito divertida!

Para terminar: “Tempo dos Coronatus”. Sentem-se bem?
DB: “Tempo dos Coronatus” é o nosso programa de rádio mensal, para o qual fomos convidados a participar. E sim, sentimo-nos muito bem!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Playlist 26 de janeiro de 2012

(clickar na imagem para ampliar)

Requiem Laus: novo single para audição

O novo single intitulado Impulse extraído do próximo álbum dos Requiem Laus já pode ser ouvido online. As letras deste tema foram escritas pela jovem escritora nacional Maria Rodrigues. Neste tema, a bateria foi gravada por Jörg Uken. O vídeo promocional pode ser visto aqui.

Nightqueen: novo tema em escuta

Já é possível ouvir um novo tema, Nightfall, do próximo álbum dos Nightqueen. Podem faze-lo aqui.

Hanging By A Name protestam a Proposta de Lei PL118 do PS disponibilizando gratuitamente disco


A banda conimbricense Hanging By A Name decidiu protestar a Proposta de Lei do PS conhecida como PL118 vulgo Lei da Cópia Privada que está a ser discutida no parlamento disponibilizando gratuitamente em formato digital o EP Ao Vivo Contra a PL118. Este foi gravado em direto nos Isoundstudios em Coimbra e é composto por temas que fazem parte dos dois álbuns já lançados pela banda. O intuito da disponibilização gratuita deste EP é o de chamar atenção para uma proposta de lei que pretende taxar indiscriminadamente equipamentos de armazenamento informático essenciais para o desenvolvimento de praticamente qualquer tipo de atividade empresarial ou pessoal nos dias de hoje e apelar ao protesto por parte dos consumidores que serão injustamente penalizados pela lei junto dos grupos parlamentares dos partidos políticos nacionais. Na opinião dos membros da banda a PL118 vai desnecessariamente por em risco o mercado tecnológico português e vai dificultar ainda mais as contas de uma população já sobrecarregada pela atual conjuntura de crise. O EP pode ser descarregado aqui. Entretanto, a banda encontram-se a escrever aquele que irá ser o seu terceiro álbum não havendo ainda data prevista de lançamento.


Infektion Magazine: edição 10 online


Já está online a edição nº 10 da Infektion Magazine, onde poderão ler entrevistas com Darkside Of Innocence, Orange Goblin, Caliban, Pentacrostic, Opera IX, Nefastu, Grimness, Flagellum Dei, Voices Of Destiny, My Black Light, Vulcano, Beautiful Venom, Dark Wings Syndrome, Raw Decimating Brutality e Inner Blast. Para ler online acedam aqui; para fazer o download acedam aqui.

Inkilina Sazabra: novo videoclip


No âmbito da continuação da promoção do disco A Divina Maldade, os Inkilina Sazabra apresentam o seu novo videoclip que pode ser visualizado aqui. A banda cujo último concerto (esgotado) no cineteatro Grandolense foi um êxito estrondoso lançou o seu disco de estreia em fevereiro de 2011, estando a caminhar a paços largos para esgotar a sua primeira edição brevemente.

Mulherhomem: vídeo de Se O Sufoco Falasse


Os Mulherhomem apresentaram Se O Sufoco Falasse, um tema extraído do álbum Novecentos, gravado no passado dia 13 de janeiro na estação de metro da Baixa Chiado. O vídeo pode ser visto aqui. Entretanto, o download do álbum pode ser feito aqui.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Review: Novecentos (Mulherhomem)

Novecentos (Mulherhomem)
(2012, MAR)


Ainda não pusemos o CD a rodar e já estamos agradavelmente surpreendidos pela rara capacidade artística da capa deste trabalho. Depois de algum tempo a tentar decifrar o logótipo surge outras das surpresas: o nome. Um dos mais intrigantes e descaracterizadores da música nacional. Quando finalmente se chega à música de Mulherhomem, enganámo-nos se pensámos que já não há mais nada para descobrir. Novecentos é um trabalho completamente desconcertante, onde as regras e as lógicas da composição são completamente mandadas às malvas. Desde logo o trio não tem baixista. E pelos vistos nem precisa. Pelo menos não precisa para fazer a sua amálgama desenfreada de punk, indie, alternativo, rock e metal onde as palavras, sempre em português, são uma real mais-valia. Como mais valia é o trabalho de Manuel Ferreira. Mais que um vocalista, o homem é a marca da insanidade eletrizante que abunda em Novecentos. Ele canta, grita, berra, sussurra, declama. Tudo com uma alma indescritível e com um sentimento de angústia e demência assombrosos. Musicalmente, os Mulherhomem andam ali entre os Mão Morta e os Murdering Tripping Blues. Mas não se coíbem de ir até outras paragens. Sempre sem regras, numa forma caótica, angustiante e decadente. E não deixam de surpreender, como acontece na secção central de Se o Sufoco Falasse com uma melodia calma que parece vir diretamente da pop dos anos 60 imediatamente compensada pela aproximação aos ritmos alucinantes de Motorhead no tema seguinte, fp232.


Tracklist:
1. Dormente Indecente
2. Inverno Inverso
3. Sopa de Intervenção
4. Às Vezes Nulo
5. Do Semente
6. Pele Casaco
7. Papel de Parede
8. Se o Sufoco Falasse
9. fp 232
10. Memória de Alcatrão
11. Aminoácido Flácido
12. Intromente
13. Traficante
14. Oitentaeoito
15. Procrastinador Nr. 1

Line up:
Manuel Ribeiro – guitarra
Manuel Ferreira – voz
Manuel Ramos - bateria

Internet:

Edição: MAR

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Entrevista: Defying Control

Enquanto não surge um novo álbum, Time Changes é a prenda, gratuita, que os Defying Control dão aos seus fãs. Um EP de dois temas ao que seguirão dois videoclips, vídeos de estúdio e entrevistas. Entretanto a banda continua na estrada, na Vox Trooper Tour a espalhar do melhor punk rock nacional. O guitarrista Francis falou-nos do novo EP e das conquistas da banda.

Novo EP, com dois temas apenas. Qual é o vosso objetivo com esta edição?
Antes de mais, queremos agradecer o vosso convite para esta entrevista e o contributo para a divulgação das bandas nacionais. Ainda o nosso segundo álbum não estava lançado e já existiam músicas novas. Tanto o Killer, que surge sempre com as bases melódicas das músicas e com as letras, como nós, com arranjos, estamos sempre a compor coisas novas. Como tínhamos muito material para trabalhar e como estamos a preparar o próximo álbum ao pormenor, decidimos lançar este EP para darmos algo às pessoas e termos alguma margem de manobra para garantirmos que nada falha na edição do nosso próximo longa duração. Além disto com este EP vamos poder experimentar algumas coisas novas, nomeadamente na área da promoção. O objetivo é tentarmos chegar a mais pessoas em alguns países que até agora não tínhamos chegado, como por exemplo nos Estados Unidos e manter a banda com as pessoas, que além das duas músicas vão ter dois videoclips, vídeos de estúdio e entrevistas para ver.

Esta é uma edição feita por diversos sites em diversos países. Como foi possível essa situação?
O EP vai ser lançado em 10 países (Portugal, Estados Unidos, Espanha, França, Alemanha, Bélgica, Índia, Canadá, Brasil, Argentina) por websites de divulgação de música. Alguns dos contactos já tínhamos, outros surgiram naturalmente. Gostaram do nosso trabalho e concordaram nesta parceria. Deu o trabalho natural nestas coisas, mas estamos muito contentes.

Cá em Portugal, quem pretender adquirir estes dois temas o que deverá fazer?
É muito simples. Basta ir ao site www.rocknheavy.com na quarta-feira 25 de janeiro e fazer o free download.

Pois, esta edição é totalmente gratuita, certo?
Sim, totalmente gratuita. Desde que falámos pela primeira vez sobre isto sempre foi com o objetivo de ser uma edição gratuita.

Para além dos dois temas, também lançam dois vídeos, um para cada tema, suponho. Vem tudo incluído no mesmo pacote?
Os dois temas serão lançados primeiro. Os dois videoclips e os vídeos de estúdio serão lançados separadamente ao longo das próximas semanas. As datas serão anunciadas algum tempo antes de cada lançamento.

Em termos de composição, este EP reflete alguma mudança na vossa linha orientadora?
Nós gostamos de boas melodias e muita energia nas nossas músicas. É isso que procuramos. É a nossa linha orientadora. Este EP não foge à regra, mas penso que como evoluímos muito como pessoas e como músicos desde o último álbum é natural que tenha saído algo diferente, talvez mais natural e coeso.

Entretanto continuam com a Vox Trooper Tour. Que balanço fazem deste evento?
A Vox Trooper Tour está a ser uma grande experiência. Nós e os nossos amigos Amor Terror em conjunto com a Vox Footwear planeámos uma tournée que até agora tem provado que iniciativas como estas devem acontecer mais vezes. Passas por 17 cidades/vilas portuguesas suportado por uma promoção quer geral quer local, é oferecido material da Vox, tudo isto numa grande envolvência entre promotores, meios de comunicação local, bandas, marca, pessoas, o que faz com que tudo somado seja uma grande família, onde toda a gente tem orgulho em fazer parte. Fiquem atentos – www.facebook.com/voxtroopertour - porque a tournée ainda só vai a meio, por isso há muitas oportunidades para participarem nos concertos.

Para além desta tour nacional, vocês já contam no curriculum com tours na Europa e no Brasil. Como é que uma banda completamente independente consegue isso?
Com muito trabalho. A frase cliché que o sucesso se consegue com 99% de trabalho e 1% de talento acredito que seja verdade. Até hoje tudo foi conseguido por nós. Desde dinheiro para álbuns, tournées, promoções, vídeos, tudo saiu do nosso trabalho e muitas vezes do nosso bolso. Temos uma pequena equipa de duas pessoas que valem por 10 – o nosso manager Paulo Antunes e o nosso técnico de som JT – e é só. Os contactos internacionais têm sido desenvolvidos ao longo dos anos, não são coisas de hoje e demoram muito tempo a surtir efeito. É preciso muita força de vontade, humildade e trabalho para conseguirmos chegar mais longe e nós estamos cá para continuar o trabalho.

Também já tiveram álbuns editados no Japão, Europa e Estados Unidos. Como tem sido a receção ao vosso trabalho nestes mercados?
Tem sido positiva mas para o próximo álbum queremos mais. Temos de atingir um bom nível de promoção. As pessoas se não ouvirem falar da banda não vão sonhar que a banda existe. E ter muita promoção é importante. Se fizeres uma promoção que chegue a 1000 pessoas vais ganhar 100 fãs, se fizeres para 1 milhão vais conseguir milhares. Muitas bandas que se calhar não eram assim tão boas se tiveram sucesso foram por terem grandes máquinas de promoção por trás. A promoção que todas as bandas fazem na net não é suficiente, porque o que uma banda faz por exemplo no facebook milhões de bandas fazem e como é óbvio esses meios de promoção ficam saturados e as pessoas deixam de ligar. É importante descobrir outros caminhos.

Também a maior rádio punk a nível global já vos deu destaque! Querem contar essa experiência?
Nós enviámos um CD para a Punk Radio Cast e passado alguns dias recebemos um e-mail com qualquer coisa do género: “das centenas de cds que recebemos esta semana até que enfim uma banda boa”. Nas semanas seguintes passaram algumas músicas nos programas diários. Foi de facto um grande elogio pelo qual nos sentimos muito orgulhosos. Esta semana eles também vão estrear as novas músicas do EP no programa The Grind.

O vosso press-release refere que os Defying Control segue o seu caminho por vezes sinuoso. A que se referem quando indicam um caminho sinuoso?
O caminho sinuoso refere-se por exemplo ao facto de eu e o Killer estarmos juntos desde o início da banda e só agora conseguirmos uma formação estável com o Luís e o David (ao fim de 4 bateristas e 3 guitarristas). Estas mudanças todas como é óbvio atrasaram muito o crescimento da banda. Outro exemplo desse caminho sinuoso é por exemplo na nossa primeira tournée fora de portas fazermos duas primeiras partes de uma banda internacional, o que em Portugal foram preciso muitos anos para o conseguir e ainda hoje não sabemos porquê raramente acontece, entre muitas outras coisas.

Voltando à música, para quando um novo disco?
Tal como disse no início da entrevista temos muito material composto. Queremos fazer uma boa pré-produção e a partir daí decidir sobre o caminho a tomar com o álbum e não cair nos meus erros do passado. Provavelmente será editado no próximo ano, mas ainda é cedo para datas concretas.

A terminar, votos para o novo ano que há pouco começou…
Que seja um ano cheio de música para toda a gente e que as pessoas estejam mais unidas em prol dos seus objetivos e necessidades comuns. Para os Defying Control e para quem nos ouve um ano cheio de concertos. Para o Via Noturna, o nosso muito obrigado. Nunca parem de divulgar a música portuguesa porque só todos juntos conseguiremos levá-la a bom porto. Um bom 2012 e continuem o bom trabalho. Para quem quiser saber mais sobre nós pode ir ao nosso site oficial – www.defyingcontrol.net

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Entrevista: Outcast

Começaram em 1998 como Overlander, mas é a partir de 2002 que, verdadeiramente, nascem os Outcast, mais um nome a adicionar à importante lista de nomes gauleses extremos e de elevada qualidade. Awaken The Reason, o próximo trabalho da banda, primeiro para a influente Listenable, foi o motivo para uma conversa com o baixista Clément Mauro.
 
Viva! O vosso novo álbum está quase cá fora. Que expectativas?
Olá! Na verdade, estamos muito animados. Trabalhámos muito neste álbum e isso é muito importante para nós para podermos compartilhar a nossa música e saber o que as pessoas pensam sobre Awaken The Reason. O nosso objetivo agora é difundir o nome Outcast em todo o mundo e atuar tanto quanto pudermos.

Este é o vosso primeiro trabalho para a Listenable. Mudou alguma coisa?
Na verdade quase tudo. Agora estamos a trabalhar com uma estrutura profissional e sabemos que a Listenable realmente confia nas suas bandas. A comunicação é a mais fácil do que antes e o trabalho aparece feito. É definitivamente um passo importante para a banda, agora podemos planear projetos com equanimidade.

Ambos os vossos registos anteriores tiveram excelentes críticas. De algum modo sentiram qualquer tipo de pressão na altura de começar a escrever este novo disco?
Absolutamente nada, porque não tínhamos limites quando compusemos este disco. Sabíamos que íamos evoluir para algo novo, porque nós tínhamos algumas ideias ainda por explorar. Nicolas é agora o principal compositor, mas Jean-François chegou à banda no início do processo de composição e tomou parte desta renovação com algumas ideias novas. Penso que este álbum é o melhor que escrevemos até agora.

Awaken The Reason é um álbum difícil de caracterizar. Como o descreverias?
Há diferentes influências em Awaken The Reason. Como estamos habituados a ouvir death e thrash metal, alguns desses elementos estão presentes na nossa música, mas modernizámos o nosso estilo com muito ideias progressivas, alguns poliritmos e riffs djent. E também não nos esquecemos de incluir um pouco de melodia e alguns apontamentos de jazz… A diversidade é, definitivamente, a força deste álbum.

O álbum foi composto entre 2006 e 2009. Porque tanto tempo?
Como talvez te tenhas apercebido, o álbum inclui uma abundância de detalhes com estruturas complexas. Levámos o nosso tempo e trabalhamos sem pressão. Nós apenas queríamos ter a certeza que cada música ficasse perfeita para produzir uma assinatura pessoal. Penso que todo o álbum é muito homogéneo e estamos muito satisfeitos com o resultado.

Entretanto, o processo de gravação decorreu em 2010. Por que esse hiato de tempo para o lançamento do álbum?
O processo de gravação levou quase todo o ano de 2010, porque nós temos feito tudo por nós mesmos, exceto a mistura e a masterização. Todos na banda temos um emprego, portanto tivemos que lidar com isso e gravar no nosso tempo livre. Jean-François era o encarregado de gravar tudo no seu estúdio (The Artist The Office Studio) e quando queremos ter grandes resultados, temos que pensar em tudo o que leva muito tempo. Jochem Jacobs dos Textures misturou o álbum no final de 2010, seguido pela masterização de Alan Douches e tudo estava pronto no início de 2011. Depois andámos à procura de uma editora e este foi um processo muito longo. Finalmente assinámos um acordo com a Listenable Records em novembro de 2011 para o lançamento em fevereiro de 2012.

Depois de tanto tempo, ainda consideras Awaken The Reason como um fiel representante dos atuais Outcast?
Sim, porque ainda não começamos a compor outra coisa desde as 11 músicas do disco. Nós ensaiamos muito para ter a certeza que estamos prontos para quando formos para palco. Portanto, Awaken The Reason ainda é muito novo.

E depois do lançamento do álbum, que estão a planear?
Estamos atualmente trabalhando em tourdates, sendo que o principal objetivo é tocar em todos os lugares que pudermos para promover Awaken The Reason. Novo merchandising também está quase pronto. E vamos começar a compor novamente, mas desta vez com 7 cordas.

Numa rápida pesquisa pela net encontramos várias bandas com o nome Outcast, Não te incomoda? Não receias a confusão que pode gerar?
Sim, nunca é fácil ter o mesmo nome que outra banda, especialmente quando uma conhecida banda de rap também se chama Outkast. Mas para ser honesto, quando escolhemos este nome há mais de dez anos atrás, a Internet não estava tão cheia como agora e esta informação foi mais difícil de encontrar naquela altura. Construímos toda a nossa carreira com esse nome, por isso é delicado para nós mudarmos agora. Mas se alguém gosta da nossa música, acho que o nosso nome não é um problema e isso é o mais importante.

Ultimamente, a França tem apresentado ao mundo um conjunto de bandas excelentes. Podes explicar-nos o que se passa aí?
Há um conjunto de grandes bandas aqui na França, com um estado de espírito muito profissional. Os Gojira abriram as portas e acho que essas bandas estão a tentar seguir o exemplo. Eu sugiro que ouças bandas como Hacride, Klone, Gorod, Uneven Structure, Ite Missa Est, Benighted, etc. Vais surpreender-te! Atualmente, a França pode competir sem problemas com bandas internacionais.