terça-feira, 31 de julho de 2012

Review: Charlie Shred (Charlie Shred)

Charlie Shred (Charlie Shred)
(2012, Doolittle Group)

Charlie Shred é o nome de mais um projeto sueco a envolver o hiperativo guitarrista Tommy ReinXeed (ReinXeed, Golden Resurrection, Swedish Hitz Goes Metal). Aliás, os Charlie Shred não são mais que a banda nascida entre os dois guitarristas dos ReinXeed. Ora se ainda lhe adicionarmos Tommy, ficaremos naturalmente com uns ReinXeed II, com a exclusão do baixista Johan Tramborg. Seja como for, deve ser referido que esta estreia deste novo projeto nos parece como o melhor álbum dos três lançamentos sucessivos da Doolitle Group onde se incluem estes músicos. Falamos de ReinXeed, Pelle K e estes Charlie Shred. Naturalmente trata-se de power metal melódico mas aqui não há lugar a grandes orquestrações nem sinfonias desnecessárias. Trata-se de metal rápido, quase sempre muito rápido, algo retro e com excelentes linhas de baixo. Muito próximo do que nos anos 80 se chamava de speed metal em que os reis eram os Helloween. E é este precisamente o nome que nos vem à memória principalmente em temas como Time To Die, Game Over ou em Welcome To Hell, quanto a nós o melhor momento do disco fruto da sua enorme musicalidade. De resto Chralie Shred é um disco composto por agradáveis e alegres melodias, com diferentes tipos de aceleração e solos interessantes. Mas, como vulgarmente acontece neste género, também com alguma monotonia.

Tracklist:
1. Arise 
2. Panic 
3.  Death Comes To All 
4.  The Rose 
5.  Tainted Inside 
6. Time To Die 
7.  The Ancestors Guide 
8.  Game Over 
9.  Welcome To Hell 
10.  Fall Down
  
Line-up:
Calle Sundberg – vocais e guitarras
Mattias Johansson – guitarra solo
Johan Tranborg – baixo
Tommy ReinXeed – bateria, guitarras adicionais e teclados
 
Internet:
 
Edição: Doolittle Group

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Entrevista: No Tribe

Os No Tribe apresentam o seu segundo álbum, Deserta, sucessor de Primordial onde apresentam uma sonoridade mais madura e assinala uma clara evolução no trajeto da banda. Tocam-se os extremos e os temas de Deserta deambulam entre paisagens áridas e locais paradisíacos. Eis os No Tribe em discurso direto.

Olá! Falem-nos um pouco dos No Tribe. Quando e como nasceram e que objetivos se propõem atingir?
Já muito aconteceu na banda, já por cá passaram muitas pessoas e muitas ideias, já tocamos um som bem mais duro e mais caótico. No entanto, uma coisa se tem mantido, sempre fomos uma banda aberta e predisposta para a diferença e para a mudança, não rejeitamos nada à partida e gostamos de estar disponíveis para coisas diferentes. Isso vê-se em muitas coisas como por exemplo no facto de investirmos o mesmo entusiasmo e dedicação num concerto com outras bandas de metal ou um concerto num festival de música electrónica, o que já aconteceu mesmo duas vezes.
 
Que nomes se podem apontar como as vossas principais influências?
As influências de cada um de nós são muito diferentes. Temos obviamente o metal e o rock como pontos de referência e mesmo aqui divergimos nas sonoridades que preferimos e que podem ir de Korn a Opeth, de Deftones a Type O Negative, de Pantera a Tool, de Nine Inch Nails a Meshuggah ou mesmo de Nirvana a Dream Theater.

Porque a escolha de um nome como No Tribe?
O nome No Tribe reflete a abertura para a diferença. O fato de sempre termos integrado pessoas com backgrounds e filosofias de vida, politicas ou sociais muito diferentes, faz de nós um coletivo de misturas, mestiço. Achamos que as ideologias são para ser contestadas e enriquecidas com misturas de diferença. Isso reflete-se também na nossa sonoridade, onde por um lado somos muito pesados para sermos uma banda de rock e algo leves para sermos considerados uma banda de metal. Portanto, até nesse aspecto o nome assenta que nem uma luva, por não querermos ou nos tentarmos juntar a alguma tribo. Porque não a temos.

Deserta é o vosso terceiro trabalho. Como caraterizariam o processo evolutivo da banda?
Natural. Após a consolidação da presente formação, tudo aconteceu de forma bastante natural. Usámos a gravação do Primordial e os concertos que fizemos após o lançamento como forma de entrosamento entre nós. O deserta acaba por ser um trabalho que reflete uma dinâmica de banda bastante fluida e participativa de todos nós, fruto de várias horas de trabalho e até mesmo de diversão.

Assim sendo, que diferenças apontam entre Deserta e Primordial?
A grande diferença entre os dois trabalhos está no facto de o Primordial ser resultado de um momento em que a banda estava a procurar a sua sonoridade. Tinham saído alguns elementos e começamos a procurar um novo som para a banda. Ainda produzimos algumas das músicas do Primordial com a formação incompleta, mas com a integração de todos os membros, novas influências foram aparecendo pelo que acaba por ser um trabalho que reflete a procura de algo. No deserta já estávamos experimentados e o processo criativo foi muito mais direto, conseguimos inclusivamente escolher de entre uma série de temas que tínhamos construído. Deste modo, é um EP mais direto na perspetiva em que pensamos ser mais homogéneo e coeso.

Existe algum significado específico para um título como Deserta?
Durante a gravação refletimos bastante sobre o melhor nome para ilustrar o novo trabalho. Devemos ter pensado em dezenas de nomes, mas nenhum deles reunia consenso. Mesmo no último dia depois de tudo acabado, quando íamos para casa, um de nós tinha um CD da Ana Moura a tocar no carro e nesse mesmo momento ela canta a frase: "Não fui eu, não deixei a porta aberta. Não fui eu, ficou-me a casa deserta.". A palavra deserta, como que a ilustrar um sentimento de abandono e solidão, fez click, foi imediato! O nome era perfeito, demonstrava na perfeição o imaginário que as músicas na sua globalidade sugerem: o isolamento da procura constante, a solidão que a presença de muita gente pode provocar, achamos que são sentimentos comuns a muitas pessoas.    
           
O primeiro single extraído do EP foi o tema Home. Que critérios presidiram à sua escolha?
Até neste tema estávamos divididos, tínhamos ideias diferentes para o primeiro single, tivemos que discutir muito para chegar a um entendimento. Achámos que talvez fosse a música com mais potencial para a agradar a um maior número de pessoas, porque tem um refrão orelhudo e uns riffs interessantes que dão uma dinâmica curiosa ao tema. Por acharmos que demonstra bem o que somos e onde estamos, pode ser uma música que desperte o interesse de mais pessoas que não conhecem os No Tribe.  

É verdade que o caos é um elemento sempre presente nos No Tribe, quer ao nível da sonoridade como da existência da própria banda?
Sim, é verdade. As várias alterações ao longo dos anos na formação dos No Tribe e as constantes alterações na sonoridade tornam o passado muito caótico. Contudo, após 2008, com a estabilização da formação atual, o caos continua a existir, não numa lógica destrutiva mas numa dinâmica de pôr tudo em causa. Por exemplo, na composição, não refletimos ou inteletualizamos o processo. Agarramos nos instrumentos e começamos a tocar o que nos parece fazer sentido no momento e se a ideia permanecer interessante, então passa a música, senão fica para trás. Já em concerto ou quando nos juntamos para beber uns copos aí sim, a coisa pode ficar mais complicada. Tudo pode acontecer. E geralmente acontece.

Para este trabalho mantiveram a escolha dos Blacksheep Studios e do Makoto Yagyu. Como correram as coisas desta vez?
As coisas correram muito bem, tal como na primeira vez. O ambiente do BSS é muito positivo, faz-nos sentir muito confortáveis, como que em casa. Além de que a nível técnico as coisas acontecem de acordo com o estabelecido. Estávamos mais preparados para o intenso trabalho de estúdio e conseguimos obter um bom resultado com os nossos registos. Como já tínhamos trabalhado com o Makoto e de certa forma, conhecíamos o seu método de trabalho, as coisas fluíram de forma mais descontraída e natural. A novidade neste processo de gravação foi a participação de um elemento externo à banda com a inclusão da voz do João Campos (Rejects United e Gula) no tema Sleep Deprivation. Mas, até aqui, tudo correu como previsto e estamos muito satisfeitos com o resultado final.

Como está a decorrer o processo de promoção de Deserta? Em termos de estrada, por exemplo, o que tem sido feito e o que já está planeado?
A promoção do deserta está a ser feita de forma gradual. Sem uma editora ou produtora para nos apoiar, o que temos feito, tem sido pelos nossos próprios meios. Enviamos o CD para os diversos meios de comunicação social, blogs e webzines. Lançamos o tema Home como primeiro single nas redes sociais e estamos a preparar o videoclip. Fizemos uma festa de apresentação do EP em vários bares no Bairro Alto (Lisboa) e um deles é mesmo o primeiro ponto de venda ao público do CD. A receção do deserta tem sido muito positiva de forma que em breve teremos mais pontos de venda do CD um pouco por todo o país. A tour do deserta é algo que também se encontra em preparação. Tinhamos planeado fazer um concerto de lançamento em Lisboa mas achamos que as salas disponíveis na altura não iriam beneficiar quem nos viesse ver. Queremos fazer esse concerto de lançamento num local com boas condições tanto para nós como para o público. Estamos a planear tocar novamente por todo o país. Fomos sempre muito bem recebidos nas várias cidades por onde passámos, o que nos motiva imenso, e nos faz querer chegar sempre um pouco mais longe.

domingo, 29 de julho de 2012

Review: Journey Back Home (Dark Oath)

Journey Back Home (Dark Oath)
(2012, Independente)

Nascidos em 2009 em Soure e já com um EP de boa qualidade, Under A Blackened Sky editado em 2010, os Dark Oath regressam com um segundo EP intitulado Journey Back Home. Bem e o que se pode dizer é que a sua viagem musical não é de regresso a casa. Bem pelo contrário, este novo EP marca um claro passo em frente na sua ainda curta carreira. É certo que as bases se mantêm mais ou menos próximas da sua estreia, ou seja um cruzamento entre o death metal com o pagan/viking metal, com a inclusão, pelo menos ao nível instrumental de muitas zonas onde predomina o heavy metal clássico. Adicionado a esta base, existe uma fantástica capacidade de desenvolver linhas melódicas verdadeiramente estonteantes com a guitarra solo a criar arrepiantes momentos de intensas e belas melodias, sendo de destacar os dois temas finais, North Wind e Our Journey Back Home. Depois, a secção rítmica continua avassaladora, sendo de assinalar o verdadeiro poder bélico de The Mighty Valkyries. Sara Leitão estreia-se no microfone e apesar de ter um vozeirão, apresenta um registo algo monótono não imprimindo a variabilidade que a parte instrumental sugere e exige. Ainda assim, um pequeno detalhe que não belisca, em nada, a excelência desta nova proposta dos Dark Oath.

Tracklist:
1.      At Dawn
2.      At The Gates Of Hel
3.      The Mighty Valkyries
4.      North Wind
5.      Our Journey Back Home
 
Line-up:
Sara Leitão - voz
Joël Martins - guitarra
José Bértolo - guitarra
Emerson Nunes - baixo
Pedro Galvão – bateria

Internet:

sábado, 28 de julho de 2012

Entrevista: Prayer


Sete anos de silêncio estiveram os Prayer. Agora, com um line-up renovado e uma dinâmica diferente, Tapani Tikkanen regressa aos originais com Danger In The Dark, um álbum lançado via Escape Music. O simpático guitarrista e vocalista finlandês revelou-nos algumas histórias curiosas e amargas, ligadas ao futebol e à música.

Viva! Obrigado Tapani por teres destinado algum tempo a responder a Via Nocturna. Novo álbum e novo line-up. Excelente momento para os Prayer atualmente?
Sim, esperemos que sim! E depois de tudo, estamos muito felizes que o álbum esteja finalmente concluído e lançado. Muitas coisas aconteceram desde o primeiro álbum. Eu acho que a altura é sempre ideal para a boa música, música de verdade com músicos e instrumentos verdadeiros, não achas? Tenho a sensação de que este é um bom momento para nós, há muitas canções fortes no álbum, a capa é fantástica e acredito que estabelecemos o nosso próprio estilo, não soamos como as restantes bandas.

E porque razão um intervalo de sete anos?
Como eu disse, muitas coisas aconteceram. Tens dez horas disponíveis? Ok, eu vou tentar ser sucinto. Após o primeiro álbum a sensação foi boa, fizemos alguns espetáculos, tivemos algumas grandes reviews, algumas más também, mas no cômputo geral o primeiro álbum correu bem. Mas depois as coisas começaram a mudar quando começamos a ensaiar material novo. Surgiram diferenças, conflitos pessoais e ilusões erradas a respeito deste negócio e assim por diante. Foi muito frustrante e dececionante para mim. Ainda fomos para os Soundmix para gravar o segundo álbum e, de facto, chegamos a terminar o trabalho, tivemos a obra pronta e tudo, mas depois as coisas pioraram e eu decidi acabar com a banda e parar tudo. Eu não quis publicar o álbum, e sim, aí foi mesmo o final. Levei algum tempo a pensar nas coisas, sabia que iria formar uma nova banda mais cedo ou mais tarde mas não tinha pressa. Sabia que as músicas iriam esperar, que não desapareceriam em qualquer lugar! Também me concentrei na minha família e nos meus filhos, que jogam futebol de alta competição e passam muito tempo a viajar para torneios e jogos. Bem, o tempo voa, como sabes, mas depois de um par de anos entrei em contato com Jukka Ihme e fomos tentar algum material novo com os seus amigos. Ele sentiu-se bem e decidimos que quando fosse a altura ideal faríamos algo juntos. Jukka é um grande guitarrista e já o conhecia antes, porque ele nasceu na mesma cidade que eu e confiava nele completamente. Estava consciente que desta vez só iria trabalhar com pessoas humildes e que sabem de onde vêm. Chegados aqui, fomos tocar e fazer arranjos para três canções que era suposto estarem no álbum que nunca foi lançado. Levei algumas coisas novas e, finalmente, em novembro passado, tive uma reunião com Mika Pohjola e decidimos começar as gravações em dezembro. Eu conheci Mika há quase 30 anos, ele é um velho amigo e estava muito feliz com o projeto como um todo. Arranjámos um baterista fantástico, Matti Torro, que toca com os Myon como Mika. Também trouxe o meu filho mais velho Valtteri para tocar algumas partes de guitarra e alguns teclados. Ele tem apenas 14 anos, mas foi uma experiência maravilhosa para ele, gravar um álbum real num estúdio real. Finalmente chegamos. O álbum está terminado e lançado e depois de tudo, nós todos estamos muito felizes e satisfeitos. E tenho certeza que não vai demorar outros sete anos para fazer outro... dou-vos a minha palavra!

E como descreverias Danger In The Dark?
Bem, antes de tudo quero que todos entendam que eu, em primeiro lugar, sou um compositor. Eu escrevo canções. Eu escrevo todos os tipos de canções e isso depende do sentimento. Quando estou triste ou feliz ou frustrado, ou qualquer outra coisa, eu pego na minha guitarra e começo a tocar… e nunca se sabe o que sai, é isso. Estas dez canções deste álbum novo são dez músicas diferentes. Não tento seguir tendências, acho que essa é a maneira como a minha música sai e eu tento o meu melhor para que as músicas soem como deveriam. Eu sei sobre o que canto e não tento mais nada. Este álbum é um dos melhores álbuns que eu já fiz, talvez o melhor. Estou satisfeito com todo o conjunto, acho que é um álbum muito maduro, que é feito profissionalmente, onde há muitos detalhes nos arranjos e não é superproduzido. Tem que se crescer com este álbum, deixar que as músicas se abram para o ouvinte e ouvi-las cuidadosamente. Devem ler bem as letras também, porque elas significam muito para mim e em muitas canções existem belas peças de poesia. Por exemplo, Livin´ Ain´t Livin’,  It´s Not The End  (a minha favorita) e  Heart Wants You To Rock. De verdade, eles são tocantes. Eu tenho orgulho neste trabalho e a certeza de este trabalho não ser apenas mais um registo. Estas são as canções que gravei neste momento; da próxima vez pode ser diferente!

Por falar de letras, quais são os principais tópicos abordados?
Bem, poderás verificá-los e descobrir por ti próprio, mas há alguns pontos importantes que quero referir. Principalmente as letras são positivas e, mesmo quando os tempos são difíceis, devemos ser positivos e tentar ver o lado positivo. Como em Never Let Your Dreams Die acho que isso diz tudo, certo? Eu também falo sobre a autoconfiança e acreditar em si mesmo e nos seus sonhos, não se preocupar em demasia com as outra pessoas, não tentar agradar a todos, porque é uma tarefa impossível. Eu nunca irei cantar sobre política ou coisas melosas como “eu amo-te”. Mas devo dizer que nunca vais saber que tipo de ideias podem surgir quando se escreve uma nova canção, nada está escrito na pedra.

Este trabalho tem um excelente artwork. Quem foi o responsável?
Khalil Turk e a Escape Music! Eles têm os seus próprios profissionais e realmente sabem o que fazem! Fantástico!

Como decorreu o processo de gravação de Danger In The Dark?
Como eu disse antes, muitas coisas aconteceram antes mesmo de ir para estúdio. As mudanças line-up, o timing, etc. Mas quando finalmente fomos para estúdio tudo estava bem mas tivemos alguns problemas. Começamos em dezembro e terminamos em maio. Todos nós temos os nossos trabalhos e íamos para estúdio quando tínhamos tempo livre, duas ou três vezes por semana à noite. Às vezes ficávamos lá 8 horas, outras vezes apenas duas ou três horas por dia. Mika é o único de nós que se dedica à música a tempo inteiro. Ele trabalha nos Soundmix e sem a sua ajuda e empenho tudo isso teria sido muito mais difícil. Jukka e Matti são também músicos muito experientes e com quem é fácil trabalhar. Divertimo-nos e tivemos uma atmosfera muito descontraída. Ninguém tem quaisquer ilusões ou fantasias estúpidas sobre o negócio e isso é bom. Há um conjunto de pequenos erros do álbum, mas não quero tudo polido como das outras vezes. A canção não ficaria melhor depois, é o que é.

Achei curioso que tenhas gravado quatro álbuns para uma equipa de futebol, o F. C. Rainbow. Podes explicar esta história?
Eu sempre adorei futebol e quando era criança costumava jogar nas equipas da escola, mas depois que música tornou-se a parte mais importante da minha vida. Eu ainda jogo de vez em quando como hobby na quarta ou quinta divisão. Gosto e ajuda-me a manter a boa forma. Em 1990, após o Campeonato do Mundo estava a tomar café com os meus amigos e a falar de futebol... e de repente alguém disse: Ei, vamos formar uma equipa nossa e só para músicos e roqueiros de verdade! E foi assim que começou e logo tivemos cerca de 15 jogadores a jogar futebol como loucos e a divertirmo-nos! Nós jogamos por diversão uma vez por semana e participamos em alguns pequenos torneios sempre por diversão. Depois tive a ideia que devíamos ter uma música como muitos clubes têm, ter o nosso próprio hino. Assim, escrevi-o, toda a gente gostou e logo escrevi outro. Então pensei em fazer todo o álbum! Um álbum cheio de canções de futebol, sobre a nossa equipa, sobre incidentes loucos que aconteceram, um monte de autoironia... enfim, sabes o que eu quero dizer. Ao todo escrevi quatro álbuns completos para o FC Rainbow, todos em finlandês, cheios de ironia, humor e todos os tipos de sentimentos que acontecem num jogo de futebol. As lágrimas de alegria e as amargas derrotas. Tenho escrito músicas sobre as garrafas de água, os adeptos, o ataque, marcar golos, jogar contra uma equipa de meninas, sobre longas viagens, hotéis, pontapés livre, ser suplente, ganhar um jogo quando chegas a estar a perder por 3-0, enfim, sobre tudo. Posso garantir-te que tem sido muito divertido. Na Finlândia, existe um campeonato para este tipo de equipas de espetáculos e negócios, temos participado muitas e muitas vezes e até já ganhámos algumas medalhas, mas o principal nestes acontecimentos é a diversão e a reunião de amigos.

Já alguma tournée planeada para promover Danger In The Dark?
Não, não neste momento mas é muito improvável que façamos alguns shows este ano. Todos nós temos os nossos empregos e famílias e seria muito difícil agora. Talvez no futuro, nunca se sabe que tipo de oportunidades podem aparecer.

A terminar, queres acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores?
Bem, espero que todos se divirtam este verão, comprando o nosso álbum e colocando-o a tocar bem alto nos vossos apartamentos, de modo que cada vizinho o vá comprar, também! Aumentem o volume do som dos vossos carros também e gritem da janela para todos nas ruas: nunca deixem os vossos sonhos morrer. Obrigado e tudo de melhor.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Review: When Darkness Calls (Reverence)

When Darkness Calls (Reverence)
(2012, Razar Ice)

É uma banda jovem. Muito jovem. Mas com elementos com imensa experiência acumulada. Os Reverence nasceram em 2010 por intermédio de Bryan Holland e Todd Michael. O primeiro ficou conhecido por ter sido guitarrista das lendas do NWOBHM Tokyo Blade, banda que abandonou em 2009. Quanto ao outro membro fundador, Todd Michael, também tem um passado de referência: foi vocalista da banda de Jack Starr, os Burning Starr. Os elementos selecionados para acompanharem este duo também são gente importante: Steve Wacholz tocou nos primeiros nove álbuns dos Savatage e em Astronomica dos gloriosos Crimson Glory e baixista Ned Melodi tocou com Jack Starr e com os Kix. Por isso, se calhar não estranha que este novo projeto e álbum, When Darkness Call soe tão… NWOBHM, com Iron Maiden como principal referência, apesar de apimentado por algum power metal da escola nórdica. Gente experiente, que conhece bem todos os pormenores e domina perfeitamente o campo de atuação só podia ter feito um disco assim. When Darkness Calls é um disco cheio de grandes cavalgadas, longos riffs, vocais altos, ritmos esmagadores e um baixo sempre presente. E também com algumas grandes malhas como o tema-título, Bleed For Me, Too Late ou After The Leaves Have Fallen. Um disco que, independentemente das suas referências, não parece datado nem ultrapassado. Aliás, isto é metal verdadeiro, genuíno, puro. E esse estará sempre perfeitamente atualizado. Por isso, os verdadeiros fans do género identificar-se-ão seguramente com este trabalho.

Tracklist:
1 - When Darkness Calls
2 - Bleed For Me
3 - Phantom Road
4 - Devil In Disguise
5 - Too Late
6 - Gatekeeper
7 - The Price You Pay
8 - Monster
9 - Revolution Rising
10 - After The Leaves Have Fallen
11 - Vengeance Is Mine

Line-up:
Todd Michael Hall - vocais
Bryan Holland - guitarras
Steve”Doc Killdrums” Wacholz - bateria
Ned Meloni - baixo
Pete Rossi – guitarras

Internet:

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Breves

Now...Submit Your Flesh To The Master's Imagination, novo álbum dos Undersave foi gravado e masterizado por Paulo Vieira (The Firstborn, Alkateya, Pussyvibes, Midnight Priest, Namek...) no Brugo Sound Studios e nos Moshpit Studios no final de 2011. O artwork esteve a cargo de André Coelho. O álbum foi lançado dia 9 de julho pela War Productions em CD e em Tape pela Herege Warfare Productions. Encontra-se também disponível em full streaming aqui. O tracklist é o seguinte:
1 - Now...Submit your Flesh to the Master's Imagination
2 - Digging and Blocking the Exit to the Unwanted Freedom
3 - Assuming a Position...a Way to Criticize one's own Hypocrisy
4 - Akedía
5 - Disfigured Routine
6 - Abnormal Virility
7 - Anthology...Landings

Os Evil Emperor anunciaram o espetáculo de lançamento de seu primeiro CD, autointitulado, amanhã, no Eclipse Studio Bar. Na ocasião, também comemorarão os seus 10 anos de carreira, onde antigos integrantes e outros convidados farão participações mais do que especiais.
Os Wizard irão lançar uma compilação digital com 14 temas. Esta compilação estará disponível nas principais plataformas digitais como o iTunes, Amazon, Musicload e outras. A Massacre disponibilizou a audição deste trabalho aqui. O tracklist é o seguinte:
1. The Witch Of The Enchanted Forest
2. Pale Rider
3. Call To The Dragon
4. Children Of The Night
5. Sword Of Vengeance
6. Utgard (False Games)
7. Midgard's Guardian
8. Resurrection
9. The Visitor
10. ...Of Wariwulfs And Bluotvarwes
11. Bluotvarwes
12. Taste Of Fear
13. Messenger Of Death
14. Sign Of The Cross


Em processo de gravação do novo EP, sucessor do álbum Games Of Joy... Games Of War, os brasileiros Rhestus presenteiam os fãs com o download gratuito do primeiro álbum, Embryo of the Endless Sands, lançado em 2003.
Um novo tema dos Illdisposed está disponível para audição aqui.


O terceiro álbum do projeto multinacional Empires Of Eden tem recebido excelentes críticas um pouco por todo o mundo. Agora podem visualizar o video aqui.


A Listenable anunciou que assinou com a banda norte-americana Blood Of The Sun para o lançamento do seu quarto álbum Burning On The Wings Of Desire previsto para o Outono/Inverno deste ano.

Os multinacionais Raven Lord recrutaram o teclista Pontus Larsson (Vindictiv, Firecracker) e do baterista Henrik Hedman (Celestial Decay, Last Kingdom).

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Entrevista: Waylander

Ultrapassados que estão os problemas de line-up, os irlandeses Waylander, um dos mais emblemáticos e importantes nomes do movimento pagan metal estão de regresso, quatro anos após Honour Amongst Chaos, com Kindred Spirits, segundo trabalho com o selo da francesa Listenable. Ard Chieftain O’Hagan, vocalista do sexteto, respondeu de forma direta a algumas questões.

Novo álbum disponível… como se sentem?
Estamos aliviados por finalmente ver o álbum lançado e estamos satisfeitos com os comentários e reações que está a receber.

Porque razão estiveram quatro anos sem novas gravações?
Tivemos bastantes espetáculos após o último álbum e antes de começarmos a escrever este novo álbum. Depois, houve atrasos que estiveram fora de nosso controle e que significaram o adiamento do lançamento do álbum em cerca de um ano. 

Todos os problemas que tiveram no passado com o line up já estão resolvidos?
Afigura-se- me que sim e que assim possa continuar por muito tempo.

Estiveram na Century Media e agora estão na Listenable e este é o vosso segundo lançamento pelo selo francês. Foi benéfico para vocês esta mudança?
Passámos da Century Media para a Blackened/PHD no segundo álbum e então os problemas começaram na formação. Quando tínhamos o álbum pronto ficamos sem editora. Nessa altura fui pesquisar e considerei que trabalhar com a Listenable seria uma boa opção para nós.

O fato de serem da Irlanda do Norte teve qualquer influência nas vossas raízes celtic/folk?
Apesar de sermos oriundos do norte da ilha, ainda somos irlandeses e a música tradicional irlandesa bem como a mitologia irlandesa como um todo foram definitivamente uma influência sobre nós ajudando a tornar-nos quem somos. Temos muito orgulho em ser do norte da província de Ulster e isso também tem influência sobre a nossa mentalidade e os processos de pensamento na criação dos nossos conceitos musicais.

Em 2011, tocaram na Trolls Over Europe Tour. Que lembranças guardam dessa tournée?
Foi a nossa primeira vez num autocarro de tournée e o nosso maior tempo de estrada, portanto no início foi um bocado assustador. E demorou cerca de dois espetáculos até acertarmos o nosso passo e desde então fizemos grandes espetáculos e adoramos a experiência. Fizemos amizade com muitas pessoas. Foi uma sorte que nos demos bem com os nossos parceiros de tournée porque eu posso imaginar o quão difícil teria sido o contrário. Foi muito bom tocar em algumas cidades novas e, finalmente tocar na República Checa, atender a tantas pessoas e tantas amostras cervejas diferentes. Eu tenho um diário desta tournée no nosso site, se alguém estiver interessado.

De alguma forma essa tournée influenciou o processo de escrita para este novo álbum?
Nada, pois tínhamos o álbum quase terminado na altura em que fizemos essa tournée. Na verdade, até tocámos duas das músicas do álbum nesses espetáculos.

A respeito de Kindred Spirits quais são, na tua opinião, as principais semelhanças e diferenças para Honour Amongst Chaos?
A fórmula não é muito diferente do último álbum. Decidimos que queríamos que este álbum não serpenteasse tanto quanto o último, sendo importante que ficasse com músicas mais curtas e mais extremas.

Então, como descreverias Kindred Spirits?
Kindred Spirits é puro pagan metal, cheio de paixão, fúria e emoção com a dose certa de atmosferas.

Como foi o processo de gravação desta vez?
Depois da experiência de gravar nos estúdios Stone Circle pela última vez e com Dave na banda durante esse processo, sentimos que estávamos melhor preparados para obter uma melhor produção, desta vez, o que sem dúvida conseguimos. O processo foi diferente desta vez gravando as músicas à medida que as escrevíamos, em vez de tocar as músicas uma e outra vez na sala de prática. Foi uma experiência estranha para alguns de nós, mas devido às circunstâncias foi a única maneira de podermos trabalhar neste álbum.

Que expetativas têm para este lançamento?
Esperávamos uma reação positiva para este novo álbum e temo-la recebido. Esperamos que ele nos traga a oportunidade de fazer alguns espetáculos mais e de visitar alguns lugares novos.

Nesse particular já há alguma coisa prevista ou planeada?
Estamos a trabalhar na obtenção de alguns shows, mas apenas algumas datas irlandeses estão confirmados até agora. Se houver algum promotor que estejam a ler esta entrevista, podem entrar em contacto através do nosso website www.clanwayalnder.com

Finalmente existe mais alguma coisa que que queiras acrescentar para os nossos leitores?
Para aqueles que já nos conhecem, gostaria de exortá-los a comprar o álbum que não se irão dececionar e para os que ainda não nos conhecem, ouçam-nos e venham ver-nos ao vivo para que vos possamos converter! Muito obrigado pela entrevista.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Review: Behind The Veil Of Oblivion (Colobar)

Behind The Veil Of Oblivion (Colobar)
(2012, Spectastral Records)

Behind The Veil of Oblivion é um projeto inteiramente produzido pelo virtuoso músico búlgaro Angel Angelov que aqui surge acompanhado por mais alguns virtuosos da cena búlgara, nomeadamente o guitarrista Konstantin Jambazov e os teclistas/pianistas Kiril Kirilov e Radoslav Todorov. Para os vocais foi chamado Carl Sentance que emprestou a sua voz ao álbum Persian Risk dos Krokus e mais tarde ao trabalho de Don Airey. Apresentados os artistas passemos à apresentação deste trabalho, a estreia do coletivo, que consiste em sete temas essencialmente de prog metal, numa linha que se aproxima muitas vezes dos Symphony X (nomeadamente da fase V – The Mytholy Suite) com temas complexos mas superiormente estruturados, sem nunca perder a noção melódica da canção. No entanto, o que torna Behind The Veil of Oblivion verdadeiramente apetecível nem é a superior capacidade do coletivo criar grandes malhas progressivas. Elas realmente estão lá, são sete temas de composição brilhante, do que melhor se tem feito neste campo nos últimos anos. Mas o que é verdadeiramente transcendente é a ponte sistematicamente feita do prog metal para o prog rock setentista com a inteligente inclusão de sons analógicos bem como a inclusão de subtis mas soberbos elementos quer etno quer jazz. E é desta combinação que nasce um trabalho de fino recorte técnico que, parafraseando o press release, apresenta aos ouvintes uma experiência musical única.

Tracklist:
1.      A Change Of The Ages
2.      Behind The Veil Of Oblivion
3.      Timeline
4.      Listen
5.      Secrets
6.      The Way Out
7.      Can´t Feel
 
Line-up:
Carl Sentence - vocais
Angel Angelov – guitarra solo, bateria
Konstantin Jambazov – baixo
Emil Kosturcov – bateria
Kiril Kirilov – piano e teclados
Radoslav Todorov – piano

Internet: