sábado, 12 de janeiro de 2013

Entrevista: Huldre

 
Huldre. Se são amantes do folk metal fixem este nome. São dinamarqueses e têm um álbum, Intet Menneskebarn, de inegável classe a circular por aí. Na nossa opinião, uma dos melhores coletivos da atualidade a cruzar os dois mundos. Para falar do disco e deste novo projeto, a banda reuniu-se para responder às questões de Via Nocturna.



Olá! Sendo Huldre uma nova entidade dinamarquesa podem apresentar a banda para os metalheads portugueses?
Bjarne: Se és um fã de Scandinavian folkmetal de uma banda cheia de pessoas que realmente tocam música folclórica escandinava (assim como o metal, obviamente), então Huldre é para ti. Esforçamo-nos para equilibrar as duas entradas uniformemente nas nossas composições.

 
Podem falar um pouco do background musical dos músicos dos Huldre. Tenho conhecimento que é muito diverso…
Laura: Bem, a minha formação é principalmente a música clássica e a música popular dinamarquesa e irlandesa, mas há já alguns anos que tenho tocado em musicais.
Jacob: Eu venho do metal, bem como da música popular tradicional e música medieval.
Bjarne: A minha formação vem principalmente do death e black metal e depois por ser um loooongo fan de folk metal. Sou o único na banda sem um background na música popular/tradicional. O Lasse tocou em algumas bandas de heavy metal oldschool, bem como música reggae e folk. Nanna está igualmente inserida na música popular tradicional. O Troels tem como principal formação a música popular bem como clássica.
Troels: Inicialmente a minha experiência era em música medieval e também tenho tocado bastante música folk escandinava (principalmente sueca e dinamarquesa). Atualmente estou a estudar música popular na academia de música de Southern Denmark. Portanto, passo a maior parte do meu tempo a tocar.

 




E o que vos motivou a juntar esforços neste novo projecto?

Bjarne: Temos uma ligação muito forte uns com os outros forjada ao longo dos anos e gostamos do que fazemos. Acho que não precisamos de muito mais motivação do que isso.
Jacob: E todos nós adoramos o folk metal!
Troels: Bem, para mim, foi o desejo de trabalhar com a nossa herança musical escandinava de uma maneira nova e criativa e tentar torná-la acessível e relevante para um público moderno. Em parte, é sobre a identidade cultural de um mundo que se está a tornar cada vez mais global.

 
A música dos Huldre tem uma influência muito forte da música popular. Mas ao contrário de outras bandas do mesmo estilo não se verifica uma inclusão muito forte de vocais agressivos. Acho que é uma marca positiva na vossa identidade. Uma diferente identidade, poderemos chamar-lhe?
Bjarne: Depende do que tu queres dizer com vocais agressivos. Acho que Nanna tem alguns no álbum, embora, definitivamente sejam mais claros ao vivo.
Jacob: Eu acho que seria uma vergonha tentar fazer vocais como os Arch Enemy além de que também se tornaria mais mainstream com vocais agressivos.
Troels: Sim, o vocal de Nanna está definitivamente enraizado na tradição popular, e, portanto, é um dos elementos que dá à nossa música um sabor mais folk-ish do que outras bandas folk metal. Mas acho que não tentamos deliberadamente distanciar o nosso estilo de outras bandas. Não temos uma "estratégia", da forma como o nosso estilo deve ser. O estilo e identidade, como lhe chamas, da nossa música é o resultado da combinação das personalidades e da criatividade que cada membro traz para a banda.

 
A recente adição de Troels Norgaard acentuou o sabor folk e celta. Como o descobriram?
Laura: Bem, alguns de nós já o conheciam porque já tinham estado a tocar música medieval com ele em alguns festivais.
Bjarne: Sim e nós já vínhamos a conversar há algum tempo sobre a possibilidade de adicionar outro músico para lidar com instrumentos “especiais”, por assim dizer. Para adicionar um pouco de tempero. Inicialmente a ideia era apenas encontrar um músico convidado ocasional, mas Troels rapidamente cresceu em nós e tornou-se um membro efetivo.
Troels: Yeah. Eu já tinha brincado com a ideia de criar uma banda de folk-rock de algum género, mas nunca cheguei muito longe. Por isso, fiquei muito excitado quando me convidaram para me juntar aos Huldre.

 



Ainda teve tempo para colocar a sua marca nas composições deste álbum?

Laura: Definitivamente, especialmente as que compusemos depois que ele entrou para a banda. Nos Huldre cada músico é responsável pelo seu próprio instrumento. Por exemplo, tenho vindo a fazer todas as coisas de violino e Troels tem vindo a fazer tudo na flauta e sanfona, por isso todos nós colocámos a nossa marca em cada canção.
Bjarne: Foi obviamente um desafio maior para o meter nas músicas já existentes e acabadas, mas sentimos que tinha que ser feito para que ele não fosse "deixado de fora" por assim dizer. Atualmente é apenas "Havgus" que não toca nada.
Troels: Sim, houve alguns desafios, mas acho que o resultado final ficou muito bom.

 
Agora que já passou cerca de meio ano desde o lançamento do Intet Menneskebarn, como têm sido as reações?
Laura: Extremamente positivas.
Bjarne: Tem sido realmente muito bom. Recebemos comentários de todo o mundo e na maioria são excelentes. Acho que a média até agora é de cerca de 81% (a partir de 40 comentários aproximadamente). Também acabamos de ser premiados Metal Surprise Of The Year 2012 pela Heavymetal.dk site dinamarquês. Impressionante.
Jacob: Maravilhosas! Enormemente esmagadoras!
Troels: Tem sido grande e fantástico. Não poderia ser melhor.

 
Cantam sempre em dinamarquês? Será uma espécie de mistério uma vez que a maioria das pessoas não entende a vossa língua... Sentem isso? Irão manter esta tendência em lançamentos futuros?
Bjarne: Nós sentimos que, há alguns críticos a comentar isso. E parece que a maioria gosta, mas é claro que alguns odeiam. É a nossa língua, onde nos sentimos mais confortáveis e duvido que vás ouvir as músicas Huldre em Inglês a breve trecho.
Jacob: Acho que a música fica melhor com a língua materna. É claro que ajuda Nanna que, como é uma vocalista talentosoa, é capaz de adicionar outras nuances ao seu trabalho vocal. No black metal é quase habitual manter as letras na língua materna.

 
A propósito, qual é o significado do título do álbum?
Laura: Literalmente significa Nenhuma Criança Humana e é da nossa música Skovpolska.

 


Curioso que vocês tenham recuperado uma canção tradicional norueguesa. Por que não uma dinamarquesa?

Bjarne: Beirblakken foi tocada pelos Gny na altura em que Laura, Nanna e Lasse tocavam lá. Eles já haviam falado sobre como seria ótimo tentar a música numa versão mais pesada. Assim parecia o ajuste perfeito para experimentá-la com os Huldre. Ao vivo costumamos fazer jam sessions tocando versões pesadas de algumas músicas tradicionais dinamarquesas. Talvez por isso tentemos gravar uma num próximo álbum. Embora sem prometer.

 
Já foram várias vezes comparados aos Lumsk. Como reagem?
Bjarne: De facto, temos sido comparados a muitas bandas. Os Lumsk, especialmente pelo seu trabalho inicial, aparecem mais vezes. Pessoalmente sou bastante neutro a esse respeito. Lumsk é uma banda grande e há bandas muito piores para ser comparado. A parte engraçada é que alguns membros dos Huldre nunca ouviram Lumsk, até hoje.
Jacob: Eu até gosto de ser comparado com outras bandas. É um género pequeno por isso é difícil uma banda se destacar. Apenas tens que ter cuidado no modo como constróis a tua própria música e não apenas copiar outras bandas.
Troels: Eu concordo com Bjarne. Não me importo de sermos comparados com Lumsk. Gosto muito do que eles fazem. Contanto que não sejamos acusados de plágio…

 
Já gravaram algum videoclip para promover este álbum?
Laura: Não, realmente não, exceto as gravações ao vivo de qualidade variável, mas temos uma grande ideia para um vídeo que vamos tentar cumprir, logo que possível...
Troels: Precisamos encontrar o tempo e os recursos para o fazer.

 

E a respeito de apresentações ao vivo? Como está a vossa agenda para os próximos tempos?

Laura: Para já, temos alguns espetáculos na Dinamarca na primavera e um festival na Alemanha, em agosto, mas estamos a trabalhar duro para conseguir mais concertos. Provavelmente seremos capazes de anunciar em breve mais algumas datas.

 
A terminar querem acrescentar algo mais para os nossos leitores?
Laura: Obrigado pela tua atenção. Esperamos encontrar-te em algum momento no futuro.
Jacob: Estamos ansiosos para te ver na estrada.

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