terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Entrevista: Mystery Blue

 
Com um fundo de catálogo com seis títulos, os Mystery Blue são uma das mais profíquas bandas gauleses dentro do espectro do heavy metal clássico, gravando regularmente desde 1984. Os tempos agora são outros, mas a banda continua a promover o genuíno heavy metal como facilmente se comprova através desta conversa com Frenzy Philippon, guitarrista e fundador da banda.

 
Viva! Obrigado por despenderes algum do teu tempo a responder a Via Nocturna. Suponho que se esteja a viver um bom momento no seio dos Mystery Blue com este novo álbum. Podes contar-nos um pouco de todo o processo de criação de Conquer The World?
Sim, vivemos um grande momento e estamos muito felizes por ter o álbum lançado, especialmente porque tivemos muitas dificuldades nesta altura dificil para colocar o nosso bebé cá fora (especialmente quando se vê o que acontece no mundo da música com muitas editoras a fechar!). O nosso processo de criação é muitas vezes baseado em riffs de guitarra em primeiro lugar. O baterista Vince e eu tentamos, então, ver que tipo de ritmos cabem melhor. Em seguida, entra a vocalista Nathalie, não só para as partes vocais, mas também é ela quem desenha a estrutura da música que finalmente discutimos/experimentamos/lutamos por vezes, até que tenhamos um resultado que corresponde à ideia que tínhamos da canção. Mas, às vezes, durante o processo essa ideia também pode mudar, evoluir para uma melhor. Às vezes temos grandes surpresas, é o que torna a composição tão excitante porque nada está definido desde o início. Quando a estrutura está pronta, o baixo e os arranjos (teclados e às vezes didgeridoo que a Nathalie também toca) concluem o processo.
 
Como descreves Conquer The World?
Conquer The World é um álbum de puro Heavy Metal, a música que está profundamente gravada nos nossos corações! Há 10 canções com diferentes atmosferas indo do Power Metal (Evil Spell, Cruel Obsession, Road Of Despair) até canções mais melódicas como a balada Keep On Dreaming (mais uma Bonus Track em francês) ou o épico Guardian Angel, e é claro músicas mais clássicas destinadas ao palco como a faixa título Conquer The World, a cativante Ticket To Hell ou Running With The Pack para a qual tive o prazer de ter a participação do vocalista dos Paragon Andreas Babuschkin partilhando alguns vocais vocais com Nathalie!
 
Sendo uma banda com muita experiência, como analisas este novo trabalho, quando comparado com os seus anteriores?
Como eu disse, o nosso processo de criação não muda através dos álbuns, mas é claro que a adição de músicos qualificados (como o nosso novo baixista Matt) traz muita coisa para o trabalho de estúdio e as novas técnicas disponíveis ajudaram-nos a obter um maior nível na produção.
 
É verdade, neste álbum vocês estreiam um novo baixista. Como foi a sua integração com a banda e em relação aos temas antigos?
Para um músico é sempre um desafio integrar uma nova banda, mas Matt é um baixista profissional e como ele gostava da música dos Mystery Blue, estava ansioso por tocar connosco, por isso, não demorou muito a encontrar o seu lugar na banda.
 



Chegou a desempenhar algum papel na construção dos novos temas?

Quando Matt se juntou a nós, o novo álbum já estava escrito, pelo que ele não teve essa oportunidade de participar na composição das músicas, mas concerteza trouxe algumas boas ideias para os arranjos adicionais que fizemos em estúdio.
 
Depois há um regresso à Road Show Prod. Como se proporcionou isso?
Após o encerramento da nossa última editora Bernett Recordes, que faliu, nós pensamos que seria uma boa ideia trabalhar com uma pequena etiqueta que seria mais dedicada à nossa banda e onde poderíamos fazer todas as escolhas que achássemos necessário e ter muito mais liberdade sobre a nossa música.
 
Como decorreu o processo de gravação e produção?
Conquer The World foi gravado nos Black Solaris Studios em Frankfurt - Alemanha pelo engenheiro de som Uwe Lulis (bem conhecido por seu envolvimento em bandas como Grave Digger e Rebellion). Para nós, foi uma nova experiência com uma nova colaboração, estávamos muito animados e estávamos certos, porque o resultado é o que nós esperávamos (eu, pessoalmente, sou louco pelo som da guitarra enorme que Uwe conseguiu para mim!)
 
Há algum tipo de conceito subjacente a Conquer The World?
O título é, claro, uma secreta esperança de que um dia Heavy Metal vá governar o mundo. A música em si descreve a paixão que une um músico ao seu instrumento (como eu e minha guitarra!) que juntos irão conquistar o mundo. A mensagem para todos os fãs de Metal é nunca desistir do modo de vida que amam, nem deixar que as dificuldades da vida os mudem. Tens de viver da maneira em que acreditas, mesmo que nem toda a gente concorde.
 
Como já referiste, este álbum tem uma faixa bónus cantada em francês. Qual a razão dessa escolha?
Na verdade, não foi planeado. Foi uma ideia de Uwe Lulis que é alemão, mas adora o som da língua francesa. Então, uma sexta feira à noite, depois de algumas bebidas para relaxar após o trabalho de estúdio disse a Nathalie "deverias cantar essa balada em francês, seria excelente!" No início, pensei que era uma brincadeira, mas depois perguntou se ela poderia escrever um texto em francês, durante o fim de semana. Foi o que ela fez e, em seguida, gravou a música novamente mas agora em francês. Finalmente, devo admitir que a ideia não era má, a música soa muito bem e todos os nossos fãs de França, que já nos seguem há muito tempo ficaram surpreendidos e muito satisfeito com esta versão!
 


Como vocês fizeram uma pausa devido a problemas internos, pergunto-te se está tudo bem agora nos Mystery Blue, isto é, se os problemas antigos estão definitivamente resolvidos?

Eu não diria que tivemos problemas internos, era mais uma visão diferente do futuro da banda e quão sério isso era para cada um de nós, porque nessa altura éramos todos muito jovens e alguns de nós só queriam estar na banda por diversão. Eu, pelo contrário, levei isto muito a sério, sempre com a certeza que esta banda seria uma parte importante da minha vida! Agora, esta formação é mais madura e partilhamos a maior parte das mesmas ideias, o que torna as coisas muito mais fáceis para o trabalho de estúdio, bem como para as tournées.
 
E por falar em tournées já há algo planeado para levar Conquer The World para a estrada?
Claro que queremos compartilhar o novo álbum no palco com tantos fãs quanto possível, em muitos lugares do mundo porque tocar ao vivo é realmente o que mais gostamos. Gostamos de ficar selvagens com todos os headbangers loucos! Já apresentámos as músicas para os nossos fãs franceses na festa de lançamento de Conquer The World e em mais alguns shows aqui na França, entre os quais um festival fixe em Paris chamado Satan´s Fest! Em seguida, vamos tocar no Burning Sea Festival em Zadar na Croácia e também estamos a planear uma tournée no Japão para o verão ou outono.
 
A terminar queres acrescentar algo mais para nossos leitores?
Apenas 3 palavras: Long Live Metaaaaaaal!

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