segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Review: The Interpreter (My Soliloquy)

The Interpreter (My Soliloquy)
(2013, Sensory)
(5.1/6)
 
O cenário do metal progressivo tem sido muito profícuo nos últimos tempos, sendo que por vezes a procura de complexidade e supremacia técnica tem efeitos contraproducentes ao nível da criação de simples canções. Os My Soliloquy são um dos coletivos progressivos nascidos já no novo milénio e tem a sua base no multi-instrumentista Pete Morten, também elementos dos excelentes Threshold. Naturalmente que neste seu outro projeto não fazia sentido copiar o que faz no seu grupo principal e, de facto, Morten seguiu, e bem, por um caminho distinto. Um caminho que o levou a criar um sensacional disco de rock/metal progressivo, conseguindo ao mesmo tempo criar uma obra de elevada complexidade e de intricados arranjos com exemplares desempenhos técnicos de todos os instrumentos (fica a dúvida se, à semelhança da estreia de 2007, terá sido ou não Pete Morten a assinar todos os registos com exceção da bateria) sem perder o sentido da canção, da beleza, da melodia. De uma maneira geral The Interpreter é um disco composto por canções relativamente longas e onde, em cada uma delas, são criadas diversas nuances. Isto é, em cada canção, há tempo para masturbações técnicas individuais, há tempo para o coletivo brilhar, há tempo para se perceber quão complexo é cada arranjo e ainda sobra tempo para imprimir emotividade, sentimento, beleza e melodia. O que Pete Morten faz, e de forma sensacional, é cruzar de uma forma perfeitamente natural e espontânea a escola do rock progressivo britânico (o recurso a Rob Aubrey, conhecido pela sua ligação a Marillion, na mistura e masterização, não será de todo indiferente) com a escola do metal progressivo, nomeadamente na linha Queensryche (na fase inicial do disco verificam-se alguns pontos de contacto) ou Dream Theater. As estruturas rítmicas são muito trabalhadas e ricamente ornamentadas, sendo de destacar, ainda, toda a dinâmica imprimida pelo trabalho sempre diversificado, saltitante, diríamos, de guitarra, baixo e bateria. Finalmente, os My Soliloquy não têm medo de arriscar, de entrar por outros campos menos previsíveis. Isso fica provado, por exemplo, na abertura dance music de Corrosive De-Emphasis ou na forma como fecham o disco em inesperados tons de suavidade. Para os amantes do verdadeiro rock/metal progressivo, The Interpreter é, definitivamente, um must.
 
Tracklist:
1.      Ascension Pending
2.      Flash Point
3.      Corrosive De-Emphasis
4.      Fractured
5.      Six Seconds Grace
6.      Dream In Extremis
7.      Inner Circles
8.      Star
 
Line-Up:
Chris Sharp – baixo
Damon Roots – bateria
Mike Gilpin – guitarras
Andy Berry – teclados
Pete Morten – vocais e guitarras
 
Internet:
 
Edição: Sensory

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