RIP - Malcolm Young (AC/DC) - We Salute You!

Entrevista: Dante

Não deve ser fácil perder um elemento dias antes do lançamento de um disco onde tanto se trabalhou e investiu. Isso aconteceu aos germânicos Dante que viram o seu colega Markus Berger falecer alguns dias antes da edição do seu terceiro álbum November Red. Num ambiente de consternação o outro Markus, Maichel, falou a Via Nocturna.
 
Olá Markus, obrigado por despenderes algum tempo com Via Nocturna. Antes de mais, as nossas mais sinceras condolências pela morte de Markus. Suponho que estejam a viver um momento estranho: um de vocês não viu o lançamento de um álbum onde ele trabalhou tanto. Mas... the show must go on, certo?
Obrigado, meu! Esta é realmente uma situação muito estranha para nós. Na verdade, tem sido muito estranha e difícil desde o ano passado, isto é, passamos tanto tempo no ano passado, a terminar o álbum, e sempre sem o Markus que estava ausente a lutar contra essa terrível doença. Ele queria muito este álbum e nunca ficaram dúvidas que ele queria terminá-lo não importando de que forma. Foi muito triste ver que ele não estava com a gente durante os trabalhos de finalização do álbum, e é realmente um toque trágico que ele tenha morrido alguns dias antes do lançamento.
 
Já têm um substituto?
Vamos ter audições para baixista no final de março, onde teremos alguns músicos a tocar connosco. Há também um convite aberto para quem se quiser juntar à audição. Quem quiser fazer o teste pode fazê-lo. Basta contactar-nos! Nós quisemos procurar um baixista substituto durante ano passado. Mas teria sido muito embaraçoso para todos nós, por isso apenas começamos a procurar há algumas semanas atrás. Os baixistas têm agora algum tempo para aprender as músicas que vão ter de tocar enquanto fazemos alguns concertos em março. Depois veremos o que acontece.
 
Mas o Markus já estava doente há algum tempo. Isso afetou o processo de escrita?
Na verdade, não afetou a composição de todo. Markus esteve completamente envolvido em todo o processo de composição. Terminamos no final de 2011 e começamos a gravar em dezembro de 2011 com Markus ainda a bordo. Ele ainda conseguiu gravar todas as suas partes. Nós tínhamos planeado começar a mistura e produção do álbum no início de 2012 com ele, mas, infelizmente, ele teve que ir para cirurgia em janeiro, pelo que não estava connosco quando começamos a mistura. Sempre pensamos que ele se iria juntar de novo mais tarde. Como se viu, nunca mais voltou.
 
Este é o vosso terceiro álbum, agora na compatriota Massacre após um segundo álbum pela ProgRock. A que se deveu esta mudança?
Bem, nós andávamos a pensar muito sobre o que fazer com o nosso álbum. Quero dizer, basicamente, não precisávamos de uma editora apenas para lançar o álbum. Podíamos fazer isso por conta própria. Por isso, foi apenas uma questão de qual seria a melhor opção, encontrando alguém que pudesse fornecer o que não podemos fazer por nós mesmos, para colocá-lo nas melhores mãos disponíveis. E queríamos uma editora que não ficasse no estrangeiro. Este facto só por si custou-nos muito dinheiro, dinheiro que foi gasto em transportes e tudo o mais. E se não és mundialmente famoso, essa questão não interessa. No final, encontramo-nos com a equipa da Massacre e realmente sentimos que eles têm uma grande compreensão pela nossa música e que iriam fornecer o suporte necessário. Estamos muito felizes por fazer parte da família Massacre. Repara, muitas bandas que admiramos são ou foram assinados com eles e agora estamos lá também! Isso é realmente incrível!
 
Tem sido dito que este álbum é mais pesado e às vezes um pouco menos progressivo. Concordas? Era essa a vossa intenção?
Concordo que ele é mais pesado do que os outros álbuns. Na verdade, a nossa música tem-se tornado mais pesada a cada álbum, mas esta não foi uma decisão que tenhamos tomado, apenas aconteceu de uma forma muito natural para nós. Quanto à "progressividade" que está em causa, eu não diria que November Red é menos progressivo. Na realidade, se olhares para os parâmetros e estruturas das músicas diria mesmo que pode ser considerado como o álbum mais complexo que fizemos até agora. No entanto, concordo que apesar de tudo não se sente essa progressividade como em The Inner Circle. A progressividade é menos óbvia, por assim dizer. Uma música como Shores Of Time parece que é rockeira em linha reta, mas, na verdade, olhando para os compassos, não é. É 10/8 na maior parte do tempo, alguns 7/8s, 5/8s, e nem mesmo a parte do piano é uma linha reta 4/4. Mas sim, nós tentamos dar ao álbum um bom fluxo do início ao fim e penso que o fizemos muito bem!
 
Depois do sucesso com Saturnine, sentiram algum tipo de pressão quando começaram a escrever esta obra nova?
Não! Quero dizer que até começámos com as primeiras músicas muito antes de termos qualquer reação a Saturnine. Trata-se do tempo entre escrever um álbum e o seu lançamento real. De certa forma, quando as pessoas lá fora, obtêm um álbum "novo", já estamos noutro lugar, já no meio da gravação do próximo álbum. Mesmo November Red não é novo para a gente. Foi escrito há mais de um ano e já estamos ocupados a escrever novo material. Só começámos com November Red depois de termos escrito Saturnine (e já durante a produção do mesmo) e deixamos que a música nos levasse onde nos queria levar, por isso não sentimos mais pressão do que antes. Além disso, somos muito exigentes quando se trata de escrever e a avaliar a nossa música. A maioria das músicas que escrevemos, a maioria das ideias, nunca fazem um álbum, porque não estamos completamente satisfeitos. E é claro que não somos propriamente uma banda mainstream, por isso não há uma pressão tão grande para escrever o próximo e único hit. Por isso, na verdade, a única pressão real que sentimos, por vezes, foi a pressão que se estabeleceu na nossa tentativa de criar algo que valesse a pena para ter direito a ser considerado um álbum de Dante.
 
Eu recebi apenas uma cópia digital, mas a edição física tem um incrível booklet de 20 páginas. Sentem que é importante, hoje em dia, dar um pouco mais do que apenas música para os fãs?
Sim, claro! Primeiro de tudo, queremos sempre oferecer o pacote total, por assim dizer, para entregar música de qualidade, com boas letras e um booklet agradável e bonito! Somos todos fãs desses álbuns tradicionais com as grandes obras de arte, portanto, realmente queremos lançar os nossos álbuns dessa maneira. Mas é claro que isso também é algo para os fãs, uma vez que a maioria deles se sente exatamente como nós. Ainda querem ter um CD físico nas mãos e um agradável booklet onde podem ler as letras enquanto ouvem as músicas. Por isso, fazemos questão em oferecer algo extra a quem compra a versão em CD e não a quem o baixa. Definitivamente acho que é importante oferecer algo especial.
 
E o artwork é realmente incrível. Quem foi o criador?
Transmitirei esse elogio ao nosso vocalista Alex! Ele é, na verdade, o responsável por todo o artwork e, aliás, foi em todos os nossos álbuns. Ele fez um trabalho incrível novamente com November Red captando o sentimento da música e das letras. Como mencionei anteriormente, somos uns sortudos porque temos todos os talentos na banda para lançar um álbum com tudo o que é preciso. Alex faz toda a parte visual e gráfica, Chris é o maior no que diz respeito a material de programação e website e eu com o Markus somos capazes de fazer a parte de engenharia de som.
 
O título do álbum suscitou-me alguma curiosidade. October Red é uma expressão muito usada em diferentes áreas. November Red tem alguma ligação?
Bem, nós queríamos um título de álbum que refletisse o conteúdo do álbum. Inicialmente pensamos em escrever um álbum conceitual real. Ele não saiu assim, mas ainda há muitos ecos disso na música e nas letras. É claro que não é por acaso que escolhemos o mês de novembro. Ele marca uma forte transição, a transição entre o outono e o inverno, um período que não é muito bem definido, um tempo de mudança: uma coisa termina, mas já existe o começo de algo novo. Se isso vai ser o começo de algo bom não sei, mas tens que te comprometer com isso, para vivê-lo completamente. E há sempre mais coisas para além do óbvio. Este momento de mudança, esta insegurança, a dor da perda e a esperança de algo maravilhoso que aconteça - é o que queria descrever com o título November Red. Ao decidir sobre o título do álbum, é claro, não sabíamos que teríamos que lidar com um final muito triste e trágico em breve, como banda e como amigos do Markus.
 
Já estão prontos para ir para palco? Já há alguma coisa planeada?
Claro! Na verdade, iremos fazer em alguns espetáculos em março e estamos muito ocupados a planear os concertos de verão e outono para promover November Red. Estes serão os primeiros concertos centrados em torno das canções de November Red e estamos muito animados para tocar o novo álbum ao vivo - este vai ser ótimo! Acho que as pessoas vão realmente gostar! Sabes, realmente sinto que as novas músicas funcionam muito bem num ambiente ao vivo. Por estranho que pareça, simplesmente não sabes sobre como uma música se vai comportar quando é levada para palco. Há aquelas músicas que se sentem muito boas no álbum e ao vivo, simplesmente não funcionam e depois há aquelas que se tornam muito mais intensas. Tanto quanto eu posso dizer a partir dos ensaios e das poucas vezes que tocamos estas músicas novas nos últimos concertos, November Red será impressionante ao vivo!
 
Obrigado por este momento, e deixo-te a oportunidade de acrescentares o que entenderes para os nossos leitores e para os vossos fãs em Portugal.
Realmente apreciamos a paixão e o apoio dos nossos fãs e queremos agradecer a todos eles! E é devido a ti ao teu apoio que bandas como nós podem existir e criar a música! Obrigado! Seria ótimo se pudéssemos ir a Portugal um dia, é um país tão agradável! Eu estive aí algumas vezes, Lisboa, Porto e noutros lugares mais pequenos no Noroeste e realmente gostei muito! Esperamos por vocês aí fora e divirtam-se tanto a ouvir November Red como nós a escrevê-lo!

Comentários