quarta-feira, 6 de março de 2013

Entrevista: Derdian

Muita coisa mudou recentemente no mundo dos Derdian. Abandonaram os álbuns conceptuais, mandaram às urtigas as editoras, trocaram de baixista e de vocalista e preparam-se para apresentar o seu quarto trabalho, o simplesmente genial Limbo. O guitarrista Enrico Pistolese esclareceu a Via Nocturna todos os pormenores relacionados com esta evolução da banda transalpina.
 
Viva Enrico tudo bem? Obrigado por concederes esta entrevista a Via Nocturna. Antes de mais, parabéns pelo vosso excelente álbum. É já o quarto trabalho da banda e está quase a sair. Como é o sentimento dentro da banda e quais as vossas expetativas para Limbo?
Estamos muito felizes e está quase na altura de ver a reação das pessoas! Mal pudemos esperar e portanto podes encontrar as primeiras na internet sobre o nosso teaser oficial e elas são fantásticas! Acredito firmemente que será um grande sucesso em todo o mundo.
 
Para este álbum, verificam-se mudanças. A mais notória será a mudança de vocalista. O que aconteceu para se separarem do histórico vocalista Joe Caggianelli?
Apenas pensamos que era a altura de agitar a nossa música com uma mudança substancial. As nossas novas músicas não se adaptavam aos vocais do Joe... Como se verificou em estúdio, tendo percebido que precisávamos de uma voz mais aguda para cantar as novas músicas. Ao mesmo tempo, também sabíamos que não poderíamos adaptar as novas músicas à voz de Joe por causa das suas particularidades. Os novos temas eram totalmente diferentes dos que ele tinha cantado nos primeiros álbuns. Assim, mesmo tendo sido realmente uma decisão difícil tínhamos que virar a página.
 
E como foi o processo de adaptação do Ivan Giannini à banda e aos temas mais antigos?
Se queres saber como o Ivan é capaz de cantar um antigo tema de Derdian, asseguro-te pessoalmente: ótimo! Ele é capaz de mudar a sua voz a qualquer momento durante a mesma canção, ele dá uma interpretação pessoal do que as letras querem dizer… E consegues ver isso no rosto de Ivan também! Ele é um grande ator! Por esse motivo o escolhemos.
 
Ele teve algum contributo para o novo material de Limbo ou o álbum já estava escrito quando a mudança ocorreu?
O álbum já estava escrito e enviamos-lhe as linhas vocais de tudo, mas ele deu uma interpretação pessoal de todo o material que havia sido escrito. Às vezes parecia que ele já tinha escutado aquelas canções numa vida passada! Fantástico! Deveria funcionar sempre desta maneira quando se colabora com um músico novo! E ainda fez uma revisão de algumas letras como Terror, Dragon Life entre outras. Ele fez um grande trabalho!
 
Além disso, também mudaram de baixista. É já o terceiro em quatro álbuns. Têm alguma coisa contra os baixistas (Risos)?
Nada (risos), acredita. Marco Banfi foi muito bom, mas num determinado momento da sua vida, ele enfrentou alguns problemas pessoais e já não tinha tempo para os Derdian. No entanto, infelizmente, o nosso tipo de música exige um baixista particular, não tão invasivo (porque já existem todos os outros instrumentos que tocam muitas notas e fazem a harmonização) mas capaz de imprimir groove. Isto com a finalidade de tornar possível a união entre meus riffs de guitarra e a bateria. Na nossa música a secção rítmica tem que ser dura e coesa! Lucio é capaz de dar aos Derdian estas características.
 
Pelo que pude perceber pela audição do fenomenal Limbo, essas alterações não afectaram o processo de criação...
Muito obrigado, estamos muito orgulhosos deste resultado. Mesmo considerando que foi escrito ao longo de 3 anos, acho que fizemos um bom trabalho. De alguma forma, temos sido capazes de separar os nossos problemas do processo de criação. Não sei como, mas foi muito difícil.
 
Outra novidade: abandonaram os álbuns conceptuais. Porque decidiram seguir essa via após a bem sucedida trilogia New Era?
Pensamos que depois de 3 álbuns conceptuais, estava na altura de abalar a nossa música sob este ponto de vista também. Temos absoluta certeza de que os nossos fãs iriam ficar entediados com outro álbum conceptual. Era a hora de um corte... Novas letras com temas atuais sobre a vida quotidiana de todos.
 
E que temas são esses?
O tema principal é "a nossa vida é como um limbo" e olhando para nós (elementos dos Derdian) significa que a música não é um trabalho... é um hobby. Todos temos um trabalho diário. Infelizmente, a música não é o suficiente para sobreviver no mundo atual e especialmente na Itália. Portanto, isso significa que a nossa vida está suspensa no meio de uma lâmina entre nossa vida real com os nossos trabalhos e a vida de rockstar.
 
Finalmente, e pela primeira vez trabalharam sem o apoio de qualquer editora. Acaba por ser um pouco estranho, porque já estiveram na Steelheart e Carta Magna. O que aconteceu? Foi escolha vossa trabalhar assim? Porquê?
Sim, claro, foi uma escolha nossa. Desta vez, não quisemos dividir o nosso sucesso com ninguém. Pensamos que atualmente o trabalho de uma editora é quase inútil devido à internet. A banda hoje é capaz de anunciar-se apenas pelo Facebook e outras redes sociais e é capaz de atingir diretamente os fãs de todo o mundo. Portanto, porque dar o dinheiro a uma editora?
 
Então não há a possibilidade de nenhuma editora pegar em Limbo e lançá-lo?
Se uma editora quiser comprar a licença, não há problema. Podem fazer a sua oferta e nós vamos considerá-la, se não, não importa, porque a música não nos dá o pão na nossa mesa (risos)! Que se lixe! De qualquer forma agora todos os direitos são dos Derdian porque todas as canções são dos Derdian e ninguém pode negar isso!
 
Em termos musicais, há diferenças substanciais para os vossos álbuns anteriores?
Sim, é claro. Limbo é bem diferente. É mais variado do que os outros, tem mais partes diferentes, existem mais mudanças estilísticas e as músicas têm arranjos mais elaborados. Por detrás existe um grande trabalho de todos durante estes últimos três anos. Mas a diferença substancial é que nós gravamos em casa, portanto, fomos nós próprios os engenheiros de som. Apenas a mistura e masterização foram feitas em estúdio por Danilo Di Lorenzo, o nosso histórico e grande especialista!
 
Já há algo planeado a respeito de uma tournée?
Até agora temos apenas dois shows: o primeiro com a grande banda Secret Sphere em 22 de março no Fillmore em Piacenza e outro aqui em Milão no Blue Rose Saloon em junho, de resto mais nada por agora. Vamos ver os próximo tempos mas temos esperança de conseguir planear algo.
 
A terminar, dava-te a oportunidade para acrescentares mais alguma coisa para os nossos leitores?
Primeiro, gostaria de agradecer as tuas perguntas. Muito boas perguntas, que me permitiram clarificar os pontos mais importantes deste último álbum: a filosofia por trás dele e a forma como nos relacionamos na nossa vida. Portanto, muito obrigado aos teus leitores porque tiveram a paciência de chegar até ao final. Stay metal!

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