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Entrevista: Green Violinist

Nascidos da mente do belga Vincente Defresne, os Green Violinist estreiam-se com More Thrill & Never Ending Blessings, um disco de sentimentos fortes construído sobre frágeis e poéticas guitarras acústicas. Numa altura em que a banda já tem gravado o seu segundo disco impunha-se ouvir a brilhante mente responsável por este orgânico projecto. Numa excelente entrevista o próprio Vincent Defresne fala das suas angústias, do nascimento dos Green Violinist e de muitas outras coisas.
 
Viva Vincent! Obrigado por aceitares responder a Via Nocturna. Antes de mais, podes apresentar este teu novo projeto, Green Violinist?
Olá! Antes de mais obrigado pelo teu interesse nos Green Violinist. A semente do projeto foi semeada há 10 anos, quando comecei a imaginar uma maneira de fazer a minha própria música, sem ter que lidar com outros músicos nem outras mentes. Muitas vezes senti-me frustrado com as dificuldades para comunicar, explicar e convencer os outros numa banda convencional. Eu sou obcecado com a música, penso em músicas e melodias durante tanto tempo, que não poderia ter terminado de forma diferente. Eu precisava fazer este álbum e agora tive essa oportunidade de o lançar e não irei parar. Ainda há grandes coisas por vir...
 
E quando sentiste necessidade de criar este projeto?
Como disse, sentia-me frustrado, cansado e muito triste com a música, a amizade e a falta de compromisso dos músicos que eu conhecia e com quem costumava lidar. Não consigo parar de pensar em música e com a minha ex-banda começamos a afastarmo-nos tanto musical como filosoficamente. Queria sentir-me totalmente livre para expressar os meus sentimentos de uma forma genuína e para deixar sair de forma livre a música que se foi armazenando na minha mente e que precisava ser expurgada. Sentia-me doente por dentro e isto foi a minha cura… e a única forma para eu fazer isso bem era fazendo-o sozinho!
 
Ainda assim contas com dois ex-membros dos Sioban, certo? E os restantes membros? Foi fácil encontra-los?
Como te disse, queria fazer algo totalmente sozinho. Queria sentir-me sozinho em todas as decisões e com toda a direção musical e fiz, mas estive sempre em contato com Rex P (baixista dos Sioban). Ele ajudou-me muito a criar meu próprio estúdio de gravação (Jedinakow Studios) e aí percebi que o baixo ainda não tinha sido gravado. Comecei a perceber que um homem sozinho é uma ideia bonita, mas claramente tem os seus próprios limites. Então decidimos terminar o trabalho juntos… e foi um grande alívio para mim. Precisava dele mais do que eu poderia imaginar. Sem ele não teria havido Green Violinist. Atualmente não há mais nenhum membro dos Sioban. Os outros músicos foram todos os presentes do céu… Emilie Laclais veio na hora certa para criar belos backing vocals e acho que encontrei meu irmão gémeo vocal… As nossas vozes fundem-se por completo. Gabriel Peeters é outra parte muito importante deste projeto. Realmente adoro as suas partes de bateria. Tenta concentrar-te nelas. Quero dizer especialmente em Do Worry Be Sad ou em Velvet Road. Não me canso delas. Depois há meus dois velhos companheiros Mathieu Vandermolen e Raph Bresler que fizeram um grande trabalho nas guitarras elétricas. Fizeram-me perceber que essa é a maneira que eu gosto de trabalhar: uma grande equipa, mercenários musicais e uma direção clara!
 
Quais são as principais influências de Green Violinist?
Posso dar-te alguns nomes - artistas e álbuns que mudaram tremendamente a minha maneira de ver a música: Paul Simon (o concerto no Parque + músicas do Capeman), Meat Loaf (Bat out of Hell II), Godspeed You! Black Emperor (Lift Your Skinny Fists Like Antennas), Roger Waters (Amused To Death), Porcupine Tree (In Absentia), Marillion (Clutching At Straws + Marbles), Alphaville (Prostitute + Stark Naked & Absolutely Live), Nick Drake (todos os três álbuns), Shadow Gallery (Tyranny), a banda Sonora de Conan, o Bárbaro (por Basil Poledouris). Se me queres conhecer... conhece estes álbuns!
 
O nome da banda tem alguma relação com a famosa pintura de Marc Chagall?
Sim, claro! Fui ao museu Guggenheim em Bilbau com o meu melhor amigo durante um dos melhores períodos da minha vida. Sentimo-nos livres e irresponsáveis. Na verdade, nem sequer entramos no museu… nem nos importamos com isso mas... os meus olhos ficaram atraídos e presos numa bela tela na loja do museu! Era isso! The Green Violinist! Comprei essa tela e, em seguida, o resto é história. E para mim a bela pintura de Chagall estará sempre vinculado com 13 Angels Standing Guard 'Round The Side Of Your Bed, a música mais poderosa que já ouvi, no primeiro álbum de Silver Mount Zion. Experimentem!
 
A respeito deste trabalho há algum significado para um título como More Thrill And Never Ending Blessings?
É claro que há! Não há nada que eu faça sem sentido... não há coincidências ainda menos quando se trata do título principal de um álbum. É uma espécie de chamada. Acho que a melhor maneira de te convenceres de que estás no caminho certo é a alegria! Se sentires alegria dentro de ti, expressa-a enquanto vives, assim podes sentir a emoção de vida… é provavelmente a melhor sensação. A sensação de sentir-se VIVO! Nesse sentido, o álbum é uma chamada de despertar, uma chamada para mais emoção nas nossas vidas. Eu e tu estamos doentes e cansados ​​sobre os nossos desejos e este mundo está a morrer apenas porque não se pode sentir a emoção nas nossas vidas. As pessoas ficam cada vez mais escuras, preocupadas com as dívidas, dúvidas e merdas chatas e acima de tudo com uma vida triste. Isso não deveria ser assim, há outra maneira… são aqueles caminhos que passam por uma vida mais emocionante e que originam a gratidão e Never Ending Blessings significa para mim a gratidão. É a minha maneira particular de dizer "obrigado" à vida.
 
Como decorreu o processo de gravação?
Ah, foi muito tempo. Eu sou um ser humano muito lento, mas eu não consigo fazê-lo de outra forma. Preciso de tempo, passo a passo, re-ouvir o trabalho que é feito de novo e de novo. Deixar que a intuição me leve mais e deixar-me ir. Eu duvido muito, mas sinto quando uma música pode ser considerada terminada... o meu principal problema é a paz de espírito... eu não consigo fazer nada de bom, sem uma verdadeira paz de espírito. O que no meu caso, infelizmente, é raro...
 
Acho que este é um álbum muito emocional. Sentes o mesmo? Era a tua intenção?
Não sei. Realmente não foi intencional, mas queria transmitir alguma coisa. Apenas quero ser honesto comigo mesmo. Há tantos álbuns que me curaram e é tão importante quando te sentes de repente tão próximo de um homem que não conheces, mas que te diz exatamente o que sempre soubeste mas já esqueceste... É por isso que eu amo música e é por isso que eu sempre quis fazer música que eu penso. Para se sentir perto de alguém, só por um tempo, para sentir que não estás sozinho; saber que não és o único que se sente desajustado.
 
Se estou correto, por esta altura já acabaste de gravar o teu segundo álbum. Já há data de lançamento prevista? O que podemos esperar deste novo passo de Green Violinist?
Para ser honesto, nem me lembro de como as coisas colidiram, mas sim, é verdade, estamos a terminar de gravar um segundo álbum. Para já, não há data de lançamento, mas posso dizer que será uma experiência muito emocionante. Não interessa como o álbum irá ser recebido, mas a abordagem permanece a mesma. Na verdade, as limitações parecem ter sido expulsas e toda a obra me parece mais consciente. Quer dizer, há uma vontade real de transmitir uma mensagem… uma mensagem universal.
 
Agora estás definitivamente fora dos Sioban? Há alguma hipótese de voltares?
Ainda te lembras dos Sioban? Se a resposta é sim, isso faz-me muito feliz. Havia muita esperança nessa banda… os elementos eram meus irmãos, vivíamos completamente na mesma casa (a chamada Sio-house) e queríamos ir mais longe, mas… talvez fossemos muito jovens, algo se partiu. Acho que quando tens um sonho realmente claro sobre o que queres ser, só tens que colocar toda a tua energia, toda a tua exaltação nele e foi por isso que falhou. E saí… Arrependi-me durante muito tempo, acima de tudo por causa da perda de amizade, mas como Neil Young disse: "Eu tenho a minha própria mão esquerda para a enxada". Portanto…
 
De momento existe já alguma tournée planeada?
Infelizmente não… esse é o principal problema. Eu mataria para tocar estas músicas numa tournée real. Haverá alguns shows aqui e ali durante os próximos meses. Mantenham-se em contacto em greenviolinist.com que será lançado nas próximas semanas. E sê paciente. Se queres tanto quanto nós queremos podemos encontrar-nos.
 
A terminar, queres dizer algo mais aos nossos leitores?
Sim, seja vocês próprios. Confiem, não tenha medo e abram os olhos Quero dizer, abram os olhos como fizeram antes. Este mundo está em mudança porque a massa crítica está a ser alcançada agora. E quanto a ti? Sê consciente, mantem a cabeça erguida e ama-te a ti próprio em primeiro lugar! Muito obrigado. Deus te abençoe.

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