domingo, 28 de abril de 2013

Entrevista: Molllust

Em menos de meio ano é o segundo trabalho dos germânicos Molllust e a segunda vez que temos motivos para ir conversar com Janika Groβ. Desta vez o motivo é a edição do EP Bach Con Fuoco, trabalho que reúne os quatro temas que permitiram aos Molllust vencerem o Bachspiele 2012.
 
Olá, de novo Janika! Depois do enorme sucesso com Schuld, quando e porque decidiram lançar este EP?
Hallo! Na realidade, decidimos gravar o EP quando ganhamos o BachSpiele e as pessoas nos perguntavam se as músicas estavam disponíveis em CD. Na verdade, estivemos em estúdio um pouco antes do lançamento de Schuld, mas, claro, levamos algum tempo para produzir o digipack.
 
Então foi com estas 4 faixas que venceram o BachSpiele?
Sim, exatamente.
 
Explica-me como decorreu todo o processo. Em primeiro lugar, a seleção das músicas. Porque estas e não outras?
Houve várias razões para a esta nossa escolha. Escolhemos peças com as quais eu já tinha alguma ligação. Quanto ao prelúdio toquei-o, ainda jovem, num concurso, por isso era-me muito familiar e quase instantaneamente surgiram as ideias de como trabalhar a peça. Quando cantei num coro universitário tive contato com a Paixão Segundo São Mateus. Olhei de novo para os meus registos e tive algumas ideias. A Paixão tem um grande potencial para o poder e sonoridade dark que a nossa fração de metal traz para a música. Escolhi Ave como a última peça porque é muito popular e é algo que uma soprano clássico tem que cantar pelo menos uma vez na vida – portanto, pensei que este seria o momento ideal para o fazer.
 
Em segundo lugar, como é que foi colocar os arranjos metal nestas peças clássicas?
Isso é muito difícil de descrever. Olhei para o placar e as ideias surgiram na minha mente. Foi mais ser guiada pelos sentimentos que as músicas transportam e como poderia eu mostrar as emoções dos textos. De um ponto de vista técnico, usei métodos diferentes. Às vezes segui o que sempre lá esteve; outras vezes alterei a métrica ou adicionei algo completamente novo. E, nalgumas passagens a secção metal apenas serve como acompanhamento do que os instrumentos clássicos estão a tocar.
 
Uma vez que tens formação clássica, foi mais fácil colocar este projeto em andamento?
Tenho certeza que a minha experiência ajudou muito a compreender a obra de Bach e, portanto, a trabalhar com ele. Mas, para mim, não foi mais fácil do que escrever novas músicas. Pelo contrário: com composições próprias tens mais liberdade.
 
Suponho que a vossa intenção não era apenas fazer uma versão metal das composições de Bach mas também fazer sobressair a eternidade da música de Bach para novos fãs…
A nossa banda sempre tentou unir o público do clássico e do metal. Com Bach é o mesmo. Queremos incentivar as pessoas a estarem abertas aos diferentes estilos e às suas enormes potencialidades. E ouvir música que talvez ainda tenham que descobrir. E isto funciona em ambas as direções. Quantas vezes tens a oportunidade de ouvir riffs de metal num festival clássico? Sem essa relação, não teríamos a oportunidade de aplicar a tais eventos.
 
Um trabalho brilhante de manutenção do legado de Bach, na minha opinião. Naturalmente concordas?
Sim, acho que é importante proporcionar um acesso atual às composições antigas. Caso contrário, é difícil para as pessoas que não tem um background clássico poder descobrir estas joias musicais. Estou muito orgulhosa dos meus companheiros de banda e do nosso produtor. Todos eles fizeram um ótimo trabalho em Bach Con Fuoco.
 
E a respeito de reações da imprensa, vossos fãs e até dos fãs do clássico? Têm algum feedback?
Até gora, temos tido um feedback muito positivo. As pessoas incentivam-nos a continuar o nosso trabalho e estamos muito gratos pelo apoio dos nossos fãs. Tenho a impressão de que este nosso novo amplia o nosso público. Estamos não só alcançar a nossa geração, mas a geração dos nossos pais e até mesmo dos avós. Estamos ansiosos para o Bachfest, onde apresentaremos as nossas peças no palco principal. Estou realmente animada para ver a reação do público.
 
Bem, é tudo por agora. Obrigado mais uma vez. Queres deixar algumas palavras para os nossos leitores?
Muito obrigado pela entrevista! Estamos muito felizes que a nossa música seja apreciada em todo o mundo e esperamos encontrarmo-nos um dia num qualquer concerto!

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