Entrevista: Black Leather

Black Leather é um projeto de Phil Sick que veste a pele de um poeta onírico cuja angústia não lhe traz vontade de acordar. Com influências entre o post punk e o glamour dos anos 80, surgiu nos finais de 2009 a partir de um convite para participar na mostra de música FADE IN em Leiria. Considerados atualmente como uma das bandas revelação, surge em maio com o álbum de estreia, Homomensura, editado em formato vinil pela editora Sonic Beat. O próprio Phil Sick disponibilizou-se a falar a Via Nocturna sobre Homomensura.
 
Olá, obrigado por aceitares responder a esta pequena entrevista. Que expetativas para este vosso trabalho, o primeiro com edição física?
Olá! O prazer é nosso! As expetativas para te ser sincero serão sempre baixas mas admito que faz parte de um mecanismo de segurança. Na verdade é aquela velha história… Se as expetativas são baixas não há como correr mal…
 
Em relação ao S.T.R.A.I.G.H.T., desta vez optaram, também por uma edição física, se bem que em vinil. Porque tomaram essa opção?
Curiosamente pela mesma razão que optámos pelo formato digital gratuito de S.T.R.A.I.G.H.T.: fazendo os checks and balances de toda a situação de comercialização dos suportes musicais chega-se à conclusão que a opção a tomar só poderá ser feita em função do romantismo do conceito e não do conceito utilitarista do objeto - todos vendem mal, então faça-se o que gostamos mais. O capitalismo sempre serve para alguma coisa!
 
E quem teve a ideia? Vocês e por isso optaram pela Sonic Beat, editora especializada em edições em vinil, ou pelo contrário surgiu primeiro a editora? Ou foram os fãs?
A ideia inicial foi nossa. Na verdade fizemos posteriormente, uma espécie de quiz via plataformas na internet para saber algumas opiniões dos fans mas de certa forma a ideia já estava solidificada nas nossas cabeças. Depois surge a Sonic Beat e estabeleceu-se a colaboração.
 
E pelo que li, esta será uma edição limitada (a 300 cópias, suponho) e numerada. É verdade?
Sim.
 
E em termos sonoros/musicais, que diferenças e/ou semelhanças em relação ao EP podem apontar?
As diferenças serão talvez ao nível de universo explorado. HOMOMENSURA é mais denso e um pouco mais obscuro. A semelhança penso que seja a sinceridade e a despretensão com que abordamos e sempre abordámos as temáticas que trabalhamos.
 
A apresentação do álbum foi no passado dia 17 em Alcobaça. Como decorreu?
Sim a apresentação decorreu no passado dia 17 em Alcobaça e correu bastante bem. Ficámos bastante satisfeitos com a recetividade do público.
 
Podes explicar-nos o sentido do termo usado no título do álbum, bem como da capa?
Claro, o termo usado é um termo pré-socrático que tem a sua origem no filósofo Protágoras e cujo conceito alude à possibilidade/inevitabilidade da realidade enquanto fenómeno puramente subjetivo. O Homem é a medida da sua realidade.
 
Quem foi o responsável por todo o artwork?
Foi um grande amigo nosso: Jaime Raposo (Discordian Ink), altamente recomendável e acessível no facebook!
 
Quem são os músicos que te acompanham nesta aventura musical?
Nesta grande aventura ruidosa acompanham-me o Cristóvão Carvalho na guitarra solo, o Emanuel Severino na bateria e o André Frutuoso na guitarra ritmo.
 
Cubic foi o primeiro tema a ser disponibilizado no vosso Facebook. Algum motivo para esta escolha? E como têm sido as reações?
Nop. Na verdade foi uma escolha sem grande ponderação e de seleção algo instintiva. As reações têm sido positivas. Tal como disse quando as expetativas são baixas só pode correr bem.
 
Shoot Them e Sweet Lies são dois temas deste trabalho que são “repescados” do EP. Sofreram grandes alterações ou nem por isso?
Maioritariamente ao nível de masterização e produção. Para além disso a composição manteve-se.
 
Um nome como Black Leather remete-nos primeiro para os Sex Pistols, depois para os The Runaways, finalmente para os Guns ‘n’ Roses (entre outros naturalmente). Destes nomes, quem mais teve influência no nascimento e desenvolvimento da banda?
Honestamente eu diria que, directamente, nenhuma delas. Indirectamente, eu diria as três.
 
Já há alguma coisa definida em termos de apresentações ao vivo para o futuro próximo?
Sim, sim, já temos algumas datas agendadas que entretanto se podem confirmar na nossa página do facebook: iremos ao Porto no dia 31 deste mês no Plano B, temos 7,8 e 9 Coimbra, Viseu, Santo Tirso intercalados com algumas Fnac’s, depois viremos a Lisboa a 15 de junho, outras datas que estão também em vista e enfim, andaremos na estrada durante estes próximos meses.
 
A terminar, queres acrescentar algo mais para os nossos leitores?
Quero sim: Não levem esta cena demasiado a sério. Todos os modos de vida dão vontade de rir. Beijos e abraços.

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