terça-feira, 7 de maio de 2013

Entrevista: Saffire

Uma verdadeira lufada de ar fresco no panorama atual do metal. Assim se pode definir este novo projeto nascido na zona de Gotemburo. Depois de três demos com boa aceitação, os Saffire estreiam-se para a Inner Wound recordings com From Ashes To Fire um disco de grande qualidade com a base no hard rock dos anos 70 e 80 com doses acentuadas de groove. Victor Olsson, guitarrista e membro fundador da banda apresentou-nos a banda e falou sobre este seu disco de estreia.
 
Olá Victor, obrigado por aceitares responder às questões de Via Nocturna. Sendo este um novo projeto, podes apresentá-lo aos metalheads portugueses?
Claro! Eu sou Victor, guitarrista e fundador da banda. Eu e nosso teclista Dino Zuzic começámos a montar a banda em 2005, quando ainda estávamos na escola e testamos um monte de pessoas diferentes antes de finalmente nos fixarmos com os homens viris que temos hoje. Magnus Carlsson, baixista, Anton Roos, baterista e Tobbe Jansson, vocalista. Todos nós vivemos na área de Gotemburgo, na Suécia e o nosso objetivo é criar kick-ass hard rock com melodias doces, muito groove e alguns elementos progressivos.
 
Um novo projeto com pessoas experientes, suponho. Podes falar um pouco da vossa experiência musical?
Para mim, basicamente, sempre foi Saffire. Antes disso, fui baterista numa banda de funk rock, mas senti que não podia ficar tanto como eu queria como compositor, sentado atrás de uma bateria. Então, peguei na guitarra e comecei a praticar e a tocar como louco. Dino é um pianista com formação clássica desde tenra idade, mas tal como eu está apenas comprometido com esta banda. Fomos colegas de classe numa escola de música ao iniciar a banda, portanto nós os dois temos alguma formação musical. Anton também foi para uma escola de música ainda adolescente e, na verdade, ganhou o campeonato sueco de solo de bateria, com apenas 17 anos de idade e foi assim que o encontramos. Magnus é mais parecido comigo, basicamente autodidata, já tocou em algumas constelações, mas nada de muito sério. Tobbe é o nosso globetrotter, com experiência de tudo entre o thrash metal, melodic metal, jazz rock e coverbands. Acho que é isso que nós apreciamos nos seus vocais. Qualquer tipo de música que eu escreva, ele encontra a forma adequada de cantar. Um sonho tornado realidade para um compositor!
 
Então já tocaste numa banda de funk rock. Quando ou por que sentiste a necessidade de criar e tocar um som mais pesado?
Bem, na altura descobri um monte de velhas bandas dos anos 70, como Black Sabbath e Deep Purple, com os seus riffs pesados e simplesmente adorei esse som pesado, groove sólido e queria misturá-lo com órgãos distorcidos e outras coisas. A música que fazia na tal banda de funk rock não permitia qualquer espaço para isso e eu e o Dino queríamos ir nessa direção. E, como mergulhei para tocar mais guitarra e menos bateria, tornou-se bastante óbvio que os meus instintos enquanto compositor disseram-me para o fazer. O Hard rock era o caminho a seguir!
 
Antes desta estreia lançaram três demos. Como foi a sua aceitação?
Foi muito boa e isso mostrou-nos que os fãs estavam interessados no que estávamos a fazer e isso encorajou-nos a continuar. Quando hoje ouço as demos consigo vislumbrar um natural desenvolvimento em termos de qualidade desde a primeira até à última. E estou contente por não termos decidido fazer um álbum completo até agora, porque não nos sentíamos preparados para isso naquela altura.
 
Em From Ashes To Fire, acabaram por usar algumas músicas dessas demos. Alteram muita coisa?
Não, só umas pequenas coisas. Uma ligeira mudança na melodia vocal aqui e ali e coisas assim. Mas as próprias canções permaneceram mais ou menos intactas.
 
O press release fala de Dio, Rainbow, Van Halen, mas acho que vocês também têm algo de thrash. Concordas?
Talvez, talvez. Afinal, o álbum teve algumas partes misturadas e gravadas nos Studio Fredman, o estúdio que criou o lendário Gothenburg Metal Sound. Quer eu quer os restantes elementos somos fãs de alguns grupos de thrash metal, como The Haunted e Pantera, que talvez nos tenham influenciado um pouco. Penso que, de certa forma, toda a música que te toca de uma maneira ou de outra torna-se uma influência para o que tu crias. Mas não digo que o thrash metal como género tenha sido uma influência consciente para nós.
 
Mas os anos 60 e 70 são, de facto, uma essa influência consciente para os Saffire?
Sim, de facto. Como disse, de onde veio toda a minha paixão pelo hard rock foi quando descobri as bandas clássicas como Deep Purple e Rainbow. Senti que essas bandas tinham uma identidade própria, uma musicalidade que era criativa e original, mas com o foco total em fazer o melhor de cada canção. Parece-me que o hard rock teve seu auge criativo algures entre 1972 e 1984 ou algo assim e isso é algo que estamos a tentar apanhar. Todos nós gostamos das bandas daquela época, Anton tem uma paixão pelos Iron Maiden, Magnus está obcecado com o rock progressivo dos anos 70 como Genesis e todos nós compartilhamos um amor comum com os primórdios de Rainbow, Kansas, Black Sabbath, Van Halen e esse tipo de som.
 
Grandes solos tanto de guitarra como de órgão. De onde vem tanta inspiração?
Muito obrigado! Tentamos colocar algum esforço na nossa musicalidade, assim como o fizeram as nossas referências, mas sempre no melhor interesse da canção. Se uma música se transforma num one-man show com um solo de 3 minutos, ninguém se importa de ouvir e, francamente, eu também não. Pessoalmente adoro guitarristas que combinam um senso melódico com um sentimento bluesy tal como Richie Blackmore, Gary Moore e Michael Schenker. Quanto ao Dino, sei que naturalmente, gosta muito de Jon Lord, embora também de Per Wiberg dos Spiritual Beggars e Opeth.
 
Para quem não conhece os Saffire, como descreverias a vossa música?
É sempre difícil colocar um rótulo sobre a nossa própria música, mas costumo descrevê-lo como hard rock melódico com um leve toque dos anos 70 e alguns elementos progressivos. As pessoas costumam dizer que somos muito variados e que há algo para todos na nossa música e realmente acho que é o caso do nosso álbum.
 
Já há alguma tournée planeada?
Não, nada planeado até agora. Estivemos muito ocupados a preparar o lançamento do álbum e outras coisas, mas espero que no futuro possamos ir para a estrada!
 
A terminar queres deixar alguma mensagem para os fãs portugueses e para os nossos leitores?
Mantenham o apoio à boa música e deem uma oportunidade aos Saffire. Não se arrependerão!

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