quarta-feira, 24 de julho de 2013

Entrevista: Marcus and the Music

Nascido no seio de uma família de músicos não estranha que Marcus Linon rapidamente enveredasse pelo mesmo caminho. Depois de algumas experiências em bandas, o talentoso músico parisiense aventurou-se no seu primeiro trabalho em nome próprio. Via Nocturna foi auscultar os sentimentos de Marcus Linon a respeito da edição de Catch 22.

Viva Marcus! Agradecido por este tempo com Via Nocturna. Quais são os teus sentimentos agora que o teu primeiro álbum, Catch 22, está cá fora?
Bem, antes de mais obrigado por olhares para a minha música e por me dares esta oportunidade de promovê-la! As minhas primeiras palavras a respeito de Catch22 provavelmente seriam: "Já não era sem tempo!" Comecei a trabalhar no álbum no final de 2009, e num primeiro momento era para serem demos. Gravei 5 músicas (We Are Life & Love, One Color One Sound, No Evil, Skyzophrenia e Song For Apologies). E como soava promissor, decidimos arriscar e fazer um álbum inteiro. Mas levou muito tempo para obter o desempenho que queria, especialmente com os vocais, porque era o exercício onde me sentia menos confortável, já que estava a aprender a cantar nessa altura. E também a programação do estúdio. Embora seja um estúdio do meu pai, tivemos que fazer malabarismos entre ensaios, outras gravações e misturas. E mesmo quando tudo da gravação, mistura e masterização tinha sido feito, o álbum ficou numa gaveta quase um ano antes de eu conhecer Aurore Vinot que surgiu com o conceito para as fotos. Gerald Nimal de Adlib tomou conta do resto do artwork e, finalmente estava pronto. Mas! Ainda tinha que encontrar uma banda para tocar ao vivo, por isso atrasou o lançamento por mais alguns meses... e aqui estamos nós, julho de 2013. Por isso estou aliviado: Catch22 finalmente saiu!

Neste álbum acabas por tocar a maioria dos instrumentos. Qual a razão que te levou a tomar essa decisão?
Já tive o meu quinhão de experiências em bandas, tocando bateria. Todas correram bem mas chegou a altura de querer tentar uma outra coisa. E já tinha feito uma cover de Magma para um tributo numa compilação de Christian Vander na qual, pela primeira vez, toquei todos os instrumentos e fiz os vocais. Portanto, disse a mim mesmo, “hey, por que não tentar e continuar essa via?”. Tive a oportunidade de experimentar, de praticar guitarra, baixo, teclas e voz. Isso deu-me muita experiência e hoje sou capaz de iniciar a partir de uma batida de tambor e gravar uma música inteira sozinho, mesmo considerando que quero voltar a interagir com outros músicos, tocando ao vivo e também gravando. Eu perdi ter estado numa banda.

Originalmente eras baterista. Foi esse facto que permitiu que tivesses criado um álbum como Catch 22 cheio de intensidade e ritmo?
Obviamente, tudo veio a partir da bateria, porque era o instrumento que domino melhor. E porque não podia planear tudo antes de ir para o estúdio, fui improvisando as partes de bateria quando as gravava sobre uma faixa de guitarra que estava ali apenas como uma referência para a estrutura da canção. Por isso, baseei quase todos os arranjos e orquestrações sobre as faixas de bateria. Isso dá-te uma ideia do processo de gravação para cada música. Mas também acho que algumas das minhas influências como Tool e Magma é claro, desempenharam um papel importante na forma de escrever. Canções pop/folk, mas com uma sensação diferente, algo especial, algo que não ouves noutros artistas/bandas mais comerciais. Fácil de ouvir, mas com profundidade, estruturas e surpresas.

Mas, sendo um baterista, foi fácil esse processo de escrita?
Eu toquei guitarra durante alguns anos, mas nunca tive a intenção de ser um cantor/compositor. Tocava e deixava que a música simplesmente fluísse. Tinha riffs, melodias e estruturas. Mas tive uma grande ajuda para as letras por parte da minha madrinha espiritual e incrível escritora, Mary-Noelle Dana. Ia ter com ela apenas com algumas palavras ou frases e às vezes apenas com as melodias e ela conseguiu sempre criar algo grandioso. Algo especial que combina perfeitamente com a música. Portanto, não foi a parte escrita a mais difícil, mas sim o “encontrar o meu som e identidade como artista", parte em que tive que lutar bastante.

Disseste que querias criar um álbum de fácil audição, mas, ao mesmo tempo, com complexidade. Consideras que conseguiste alcançar esse objetivo?
Acho que sim! Espero que sim. Parece que o álbum tem seduzido muita gente ligada ao prog (músicos e fans), bem como ouvintes mais fáceis. Espero, também dar um passo adiante nessa direção no próximo álbum.

Porquê Catch 22? Alguma razão em especial?
Escrevemos essa canção Catch22 com Mary-Noelle, queríamos gozar com as pessoas que querem ser famosas. Então, descobri as origens da expressão, o livro de Joseph Heller e como Catch 22 se tornou uma maneira de descrever uma situação paradoxal. Gostei!

E qual a razão de Marcus and the Music? Quem ou o que são os "The Music"?
A música é simplesmente a música. Parece bem, acho eu…

O facto de teres crescido no seio de uma família de músicos permitiu-te, de alguma forma, um maior desenvolvimento como músico, também?
Sem dúvida! Tive uma grande estrutura. Tive a sorte de crescer cercado por grandes músicos e ter sido capaz de aprender com eles foi uma bênção. Os meus pais guiaram-me e deram-me a oportunidade de aprender.

Foste o responsável pela série Magma Epok DVD. Em que consistiu?
Aconteceu estar no sítio certo à hora acerta. O diretor dos quatro primeiros Epok DVD simplesmente deu-me uma câmara para utilizar em algumas brincadeiras. E já que eu conhecia muito bem a música dos Magma, tentei eu próprio a edição e ele gostou. Mais uma vez, aprendi algo novo.

Estás pronto para tocar ao vivo essas músicas? Quem são os músicos que te acompanharão em palco?
Na verdade, estou. Finalmente consegui montar uma banda! Será o Antonin Violot na bateria/vocais, Adrien Estournel no baixo e Matthieu Vial-Collet na guitarra/vocais. Eu irei lidar com a guitarra, teclas e vocais.

A terminar, queres dizer algo mais aos nossos leitores que não tenha sido abordado nesta entrevista?

Sejam quem for, obrigado por lerem isso!! Fiquei muito feliz a responder a esta entrevista. Espero ver-vos nos espetáculos! Saudações!

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