domingo, 21 de julho de 2013

Entrevista: Tim Morse

Escritor, músico, estudioso do mundo do rock progressivo e incondicional fan dos Yes. Eis Tim Morse. Faithscience é o seu segundo trabalho e o motivo para esta entrevista. Que naturalmente percorre os Parallels, os seus dois livros, os projetos anteriores e futuros quer no campo da música quer da literatura.

Olá Tim! É um prazer conversar contigo e obrigado por aceitares responder a Via Nocturna. O novo álbum já pronto há algum tempo. O que, nesta altura, se proporciona dizer a seu respeito? Em que difere da tua estreia, Transformation?
Olá, obrigado pelo teu interesse na minha música. Faithscience foi uma grande aventura musical que demorou dois anos para ser concluída. Um dos aspetos em que é diferente da minha estreia é que foi produzido por mim mesmo. Assim, não tive que filtrar as minhas ideias através de outra pessoa e portanto torna-se mais verdadeiro da minha visão musical. Eu diria que Transformation foi, no geral, mais pesado e com Faithscience queria aliviar um pouco e mostrar uma maior variedade de tons. Além disso, neste álbum fiz a maioria dos vocais e toquei muito mais guitarra, bem como um pouco de baixo e percussão. Estou muito orgulhoso do álbum acabado e espero que tu e os teus leitores possam verificá-lo quando tiverem oportunidade.

Todo o processo de escrita foi feito apenas por ti?
Não, partilhei um pouco da escrita com o cantor/compositor Bret Bingham. Bret é uma grande caixa de ressonância para mim - quando eu fico um pouco preso no processo ele lança rapidamente algumas ideias que me levam de volta à pista. Para além disso, uma canção foi escrita por Mark Dean (o produtor de Transformation). Ele tinha essa peça que pensou que seria ótimo para mim e eu concordei, por isso nessa música, Found It só escrevi a letra, não a música.

Existe algum conceito por trás de Faithscience?
Faithscience começou como um álbum conceitual baseado na vida de Charles Lindbergh. Li um livro sobre ele e fiquei fascinado pela sua vida. Ele não foi apenas o piloto que conseguiu fazer a primeira travessia a solo do Atlântico. Poderia ter escrito sobre outras coisas usando isso como modelo. No entanto, à medida que ia trabalhando no projeto, apercebi-me que me estava a afastar da visão inicial, mas o ouvinte poderá, certamente, encontrar os fios dessa história se o pretender. A canção Voyager é a única que ainda é definitivamente sobre Lindbergh e a sua viagem. O álbum acabou por ser uma afirmação menos específica, refletindo alguém que estava enraizado na ciência, mas que ao longo de sua vida e após uma série de eventos se transforma num buscador espiritual.

Acreditas mais na fé ou na ciência ou consideras que ambos são necessários?
Essa é uma excelente pergunta! Acredito que ambos são necessários, mas já que perguntas acho que a fé é o mais importante dos dois. Considero-me uma pessoa espiritual embora não necessariamente religiosa - e esse aspeto da minha vida é extremamente importante para mim. No entanto, sou fascinado pela ciência e acho que ambos são essenciais para a compreensão do universo.

A respeito dos músicos que estão envolvidos neste álbum, como foi a sua escolha?
Muitos dos músicos que tocam no álbum já tinha tocado com eles no passado ou foram recomendados para mim. Jim Diaz, que toca baixo - é um amigo que eu sabia que seria grande no álbum, mas nunca tinha tocado na banda - esta foi a nossa primeira experiência musical juntos. Além disso, queria um violinista de calibre para executar a solo no final de Rome e não conhecia ninguém cá que pudesse fazê-lo. Aconteceu ter visto os Kansas naquele momento e pensei que David Ragsdale seria perfeito para essa música. No dia seguinte, enviei-lhe um email, concordamos um preço, gravou a faixa no seu estúdio caseiro e enviou-me o seu desempenho fantástico.

Além dos dois disco em teu nome próprio, tens tido colaborações com outros artistas. Podes contar-nos um pouco desse teu trajeto?
Ao longo dos anos toquei e gravei com vários artistas locais. Apareci em algumas gravações do guitarrista de blues Corky Newman e tenho sido membro da banda de Jerry Jennings. A música de Jerry é um pouco como Jeff Beck como Steely Dan (mas sem os vocais de Fagan). Eu ainda não gravei com Jerry, mas o seu mais recente álbum, Shortcut To The Center dar-te-á uma ideia da sua direção musical. Há um par de anos atrás fiz algum trabalho com o vocalista/compositor dos Yes, Jon Anderson. Era um dos muitos colaboradores on-line de Jon. O corpo principal do trabalho que fizemos foi para a música Open. Foi uma experiência emocionante, mas Jon decidiu que precisava de alguém que vivesse perto dele, para que pudessem estar na mesma sala a realizar os trabalhos. Ele descobriu um colaborador (Stefan Podell) e fizeram um grande trabalho naquela canção.

Podes também falar um pouco dos Parallels? Ainda existe este projeto? Se sim, quais serão os próximos passos?
Parallels foi uma banda tributo aos Yes em que fui membro durante uma série de anos. Devo dizer que foi uma incrível oportunidade de trabalhar com músicos com espírito para executar canções como Gates Of Delirium, Awaken e Future Times/Rejoice perante plateias entusiasmadas. Eu não diria que a banda está "morta", mas talvez adormecida ou a dormir confortavelmente neste momento. Quem sabe, talvez renasça no futuro?

Também és conhecido por teres escrito dois livros relacionados com o movimento prog. Um deles é sobre a tua banda favorita, os Yes. Foi uma tarefa fácil escrever esse livro?
Não sei se foi uma tarefa fácil, mas foi uma experiência alegre. Especialmente tendo a oportunidade de conhecer e entrevistar alguns dos meus heróis musicais, foram tempos excitantes. Fiquei muito satisfeito com a forma como o livro acabou e estou contente de ver o quão ele foi bem recebido pelos fãs dos Yes (alguns ainda o usam como referência – ainda hoje vi uma citação online ao meu livro).

Em que é o teu livro mais completo que o de  Dan Hedge Yes – The Authorized Biography?
Eu recomendo esse excelente livro de Dan Hedge. No entanto, ele só aborda a banda na altura de Drama por isso faltam muitos anos. Sempre achei que Hedges, algum dia, iria atualizar o seu livro. De qualquer forma, a última edição de Yesstories vai desde Keys até Ascension I e II e é mais abrangente do que Yes: The Authorized Biography. Desde Yesstories que já foram publicados outros livros a respeito dos Yes, e definitivamente gosto do livro de Chris Welch.

O teu outro é sobre histórias clássicas do rock. Quais mais precisamente?
O foco do livro são os clássicos artistas do rock dos anos 60 e 70. Na realidade, é sobre o processo de composição que criou a banda sonora da geração Baby Boomer. Este livro também foi bem recebido e vendeu mais cópias que Yesstories. Foi destaque no programa de rádio de Howard Stern no ano passado.

Para quem estiver interessado, onde pode encontrar os teus livros?
Classic Rock Histories ainda é publicado e pode ser encontrado ou encomendado através de qualquer grande vendedor de livros. Infelizmente Yesstories já não terá mais impressões. Disseram-me que se podem encomendar cópias usadas em bom estado em lugares como o Ebay. É suposto poder haver edições E-book de ambos os livros, vou atualizar essa informação em www.timmorse.com logo que elas se tornem disponíveis.

E estás a ponderar escrever mais algum livro em breve? Qual o tema, podemos saber?
Eu tenho alguns projetos de livros à espera de serem concluídos, mas também tenho vários projetos musicais que serão lançados em primeiro lugar! Um deles seria uma biografia musical de um músico importante, mas não quero dar muitos detalhes sobre cada projeto até que estejam mais perto de ser publicados.

Quando começou este teu forte interesse pela música rock progressiva?
Quando criança gostava dos hits que eram tocadas nas rádios e também da coleção de discos dos pais que incluiu títulos clássicos e um pouco de jazz. A primeira banda por quem me apaixonei foi com os The Beatles (suponho que, de alguma forma, podem ser considerados a "primeira banda de rock progressivo") e, em seguida, outras bandas importantes da era do rock clássico, como Led Zeppelin, Pink Floyd e assim por diante, tornaram-se favoritos. No entanto, quando tinha cerca de 14 anos de idade, ouvi o álbum Aqua-Lung de Jethro Tull, que abriu o caminho para Yes, Genesis, ELP e outras grandes bandas de rock progressivo. A atração de música progressiva foi muito abrangente, parecia ter tudo. Havia uma complexidade na música que era inebriante e parecia que havia algo novo para ouvir cada vez que se ouvia. Da mesma forma, havia uma poética, uma profundidade lírica que eu desconhecia da música popular - adorei o fato de que não haver limites na música progressiva.

Agradeço-te este tempo com Via Nocturna e dava-te a oportunidade de dizer algo mais aos nossos leitores ...
Espero que todos os leitores oiçam Faithscience quando tiverem a oportunidade. Poderão ouvir amostras em www.timmorse.com e ver vídeos no meu canal do youtube (e Faithscience está disponível para compra no iTunes, Amazon.com e CDBaby). Além disso, estou a criar uma banda com Bret Bingham para executar música original. Esse projeto deve ser lançado ainda este ano e estou muito empolgado com a direção da música.

Muito obrigado!!

Obrigado pelo teu interesse, foi um prazer. Tudo de bom para ti e para os teus leitores.

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