quarta-feira, 3 de julho de 2013

Review: Digital Lies (Lord)

Digital Lies (Lord)
(2013, Dominus Records)
(4.5/6)
 
O know-how que os músicos que compõem os Lord, coletivo australiano nascido no deserto onde também surgiu Mad Max, é enorme e isso fica plenamente demonstrado no sétimo trabalho (se contarmos com dois EP’s e um disco ao vivo) da banda intitulado Digital Lies. Aliás, não esqueçamos que estes Lord tiveram origem nos lendários Dungeon, banda que lançou a nível internacional nove álbuns e um DVD. Feita esta introdução, entremos na análise de Digital Lies, um álbum longo e cheio de diversidade. E este é o aspeto mais relevante deste trabalho. Os Lord de hoje são uma banda que não tem medo de arriscar entrar pelos mais variados campos, mostrando-se claramente à vontade em cada um deles. Depois de uma curta introdução, Betrayal Blind traz-nos cavalgadas épicas que logo nos relembram os grandes nomes do metal clássico, com Iron Maiden à cabeça. E desde logo ficamos avisados para o enorme trabalho ao nível da guitarra – riffs e solos! O tema título é atípico. Muito mais dark, muito mais agressivo, acaba, no entanto, por ter um dos refrães mais catchy de todo o disco. Os solos e riffs… continuam monumentais! Mas o catálogo de apresentação ainda não está completo: Point Of View é um tema claramente power metal com tudo no seu respetivo lugar mas que se prolonga por demasiado tempo, tornando-se repetitivo. Aqui começa, também, o principal problema de Digital Lies. Existem temas muito longos que se prolongam de forma repetitiva sem nada acrescentarem ao que já vinha de trás. Não sabemos se havia a obrigatoriedade de fazerem um álbum com duração superior a uma hora, mas a opção tomada acaba por comprometer a fluidez de um disco que até tem muita qualidade. Bom, mas falemos das coisas boas (e que, na realidade, até são em maior número que as menos boas). Em questões melódicas, o tema melhor conseguido é Walk Away, ainda que construído sobre uma base bastante dura mas altamente técnica e cheia de ritmo. O thrash metal surge em The Chalkboard Prophet, numa faixa que ainda vai aos extremos: um refrão melódico e uma secção devastadora a tocar o death metal. Antes ainda tiveram os Lord tempo para mostrar como se faz uma grande malha de speed/power metal em Final Seconds, revisitar, de novo, os clássicos em 2D Person In A 3D World e The Last Encore e apresentar um instrumental híper speedado com um solo sensacional em Because We Can. Depois, ainda há tempo para uma faixa épica e cinematográfica (Battle Of Venarium) antes dos temas bónus que fecham Digital Lies como começa: em formato ironmaideniano. Como se percebe, este é um disco de grande qualidade que acaba por perder algum do seu fulgor por algum exagero no tempo de alguns dos temas. No entanto, Digital Lies é um disco claramente recomendável a quem gosta de heavy metal musculado e técnico e procura uma banda com capacidade para se transfigurar sem perder atributos.
 
Tracklist:
1. Incipio
2. Betrayal Blind
3. Digital Lies
4. Point Of View
5. Walk Away
6. 2D Person In A 3D World
7. Final Seconds
8. The Last Encore
9. Because We Can
10. The Chalkboard Prophet
11. Battle Of Venarium
12. Footsteps In The Sand
13. The Richest Man
 
Line-up:
LT – vocais, guitarras e teclados
Andy Dowling – baixo
Mark Furtner – guitarras
Damian Costas – bateria
 
Vocalistas convidados:
Jack Fairweather – como Evil Doctor (Incipio, Digital Lies)
Luke Reeves – como Narrator (Battle Of Venarium)
Amylea Griffin – como Victorian Stage-hand (The Last Encore)
 
Internet:
 
Edição: Dominus Records

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