segunda-feira, 15 de julho de 2013

Review: A (Scorton Silver Arrow)

A (Scorton Silver Arrow)
(2013, Independente)
(4.3/6)
 
O post-rock é um movimento que, embora não muito intenso, tem vindo a granjear alguma projeção e, principalmente em Portugal, têm surgido alguns projetos minimamente interessantes dentro do seu espectro. Assim de repente, lembramo-nos de Riding Panico, The Allstar Project ou mesmo Under The Pipe, entre outros. Os Scorton Silver Arrow (SSA) são oriundos do Porto e são uma nova proposta dentro do género, sendo o simplesmente intitulado A, o seu primeiro trabalho. Naturalmente, A é totalmente instrumental. Também de forma natural, os SSA seguem as regras estabelecidas para o género. E, de uma maneira geral, essas regras, sejam nos SSA sejam em qualquer outro coletivo de qualquer parte do mundo, revelam-se algo limitativas à expansão da sonoridade. Ou seja, nesta altura, parece que todos os grupos de post-rock soam todos mais ou menos ao mesmo. Todos os temas começam de forma relaxada em que as guitarras aparecem limpas ou apenas com uma ligeira distorção e, a partir, daí desenvolvem-se em crescendo de intensidade e complexidade. É inegável: a parte vocal faz uma falta terrível neste movimento. Por ser, muitas vezes, essa parte vocal que faz a diferença. E neste aspeto, A também não foge a essas regras e por isso revela-se um trabalho algo limitado no seu aspeto criativo, desenvolvendo-se quase sempre numa zona de conforto. No entanto, uma audição um pouco mais atenta, leva-nos a perceber que, se calhar, A será um pouco mais que isso. Parece que os portuenses conhecedores das limitações do género procuraram adicionar um pouco mais de condimento. O (possível!) refrão de Huva é realmente pesado e distorcido e está muito mais próximo de um heavy rock do que qualquer outra coisa. A guitarra em Linea tem um trabalho excelente chegando a roçar o progressivo. A longa Primeira reflete diversos estados de espirito, sendo o mais destacável o caos que em determinada fase se instala. Por falar em caos, referência para Jamela, tema que o subtítulo sugere (e a audição confirma) ter nascido de um momento de pura loucura experimental de improvisação. Os amantes deste género certamente encontrarão em A motivos de interesse. Para os restantes, sempre concluiremos que é um trabalho que cumpre os requisitos mínimos, embora tenha momentos em que não se limita a ser “mais um disco de rock”. Tem, de facto, alguns momentos bastante mais “condimentados” que o normal dentro deste estilo. E, pelo menos, por isso vale a pena ser explorado.
 
Tracklist:
1.      Huva
2.      Linea
3.      Fósforo
4.      53
5.      Rampa
6.      Primeira
7.      Jamela (bonus jam)
 
Line-up:
Telmo Sá – guitarra
Manuel Boga – guitarra
Pedro Boga – bateria
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