Entrevista: Corky Laing

O Prof. Matti Häyry e o Dr. Tuija Takala escreveram uma tese filosófica sobre a pesquisa bioética e os conflitos que envolvem a manipulação genética. Seguramente estariam longe de pensar que a sua obra viesse a servir de inspiração para um dos trabalhos mais criativos deste ano. Precisamente, Corky Laing, ex-Mountain, pegou no conceito e, trabalhando juntamente com um enorme naipe de músicos e com os autores da tesa, criaram uma opera onde o rock cruza os campos da biotecnologia. Obra fundamental que agora compreendemos melhor com a ajuda do próprio Corky Laing.

Viva Corky é um prazer conversar contigo e obrigado pelo teu tempo. A respeito da tua ópera rock Playing God, quando começaste a trabalhar nela?
Começamos a ópera em novembro de 2011, quando a 3 de nós nos encontramos numa Mountain Show em Helsínquia para uma bebida.

Quem foi o responsável por toda a criação da história, personagens e tudo o mais?
A génese da ópera veio de um livro filosófico do Prof Matti Häyry e Dr. Tuija Takala, Playing God a respeito da pesquisa bioética e sobre os diversos conflitos que envolvem a manipulação genética para criar a perfeição humana. Há várias personagens na cidade de Happyville que descobriram por engano um mal chamado Doctor Mr. C. Ele tem enganado as pessoas da cidade por mentira e ganância. As pessoas da cidade foram enganadas por ele. Eles pensavam que os seus segredos sobre as suas aspirações pessoais com perfeição seriam privados.

Playing God acaba por ser uma fantástica viagem musical. De onde veio toda a inspiração?
A inspiração veio quando eu percebi que esse era um assunto importante e ao mesmo tempo polémico e atual. Acabei por usar a minha coleção de temas criados ao longo dos anos e, felizmente, a música encaixou-se com o conteúdo lírico.

Sendo um álbum conceptual, podes descrever, de forma breve, o que acontece na história?
O conceito é simples. Todos nós queremos ser tão perfeitos quanto possível e esta história lida com a manipulação genética das pessoas da cidade a fim de alcançar este objetivo.

Já vimos que os percursores da história foram o Prof. Matti Häyry e o Dr. Tuija Takala. A sua contribuição ficou por aí?
Sim, foi deles o conceito original e desempenharam um papel vital na edição contribuindo com detalhes médicos específicos o que dá credibilidade à ópera. Eles estão no topo no campo da filosofia.

Afinal o que é a criança perfeita?
A criança perfeita só existe na imaginação. Para mim, perfeição é a imperfeição total. É o esforço para se obter o melhor em tudo que fazes.

Deve ter sido uma tarefa difícil gerir tantos músicos e vocalistas. Qual foi o método de trabalho?
Fui feliz em ter contratado Denny Colt e Bonny Parker, a minha seção rítmica original e, além disso, havia tremendos músicos disponíveis na área de Helsínquia. Escusado será dizer que foi a cereja no topo do bolo poder ter Eric Schenkman a contribuir com um brilhante trabalho de guitarra. Todo a gente foi muito criativa, profissional e cooperativa.

A tua abordagem vocal em Eyes In The Mirror está muito perto de Peter Gabriel…
Muito obrigado pelo elogio. Adoro Peter Gabriel…

E as reações estão a superar as tuas expetativas?
Estou totalmente espantado com a resposta maravilhosa da crítica e de colegas músicos que eu respeito. Podes ler as opiniões on-line e ver por ti próprio.

É possível falarmos um pouco sobre os Mountain? Tens falado com os outros membros?
Estive demasiado ocupado com esta ópera e não tenho contactado com os membros dos Mountain.

É curioso que os Mountain tenham participado no Woodstock mas depois a vossa prestação não foi incluída no filme nem na banda sonora. Como vivenciaram toda essa situação?
Foi uma época muito caótica e, francamente tenho boas vibrações sobre tudo. Recebi dois discos de ouro do álbum ao vivo. A omissão do filme foi um problema de negócio não musical.

E que tens feito ultimamente, depois da gravação desta opera rock?
Atualmente estou a promover este trabalho nos EUA e iremos fazer alguns espetáculos em Boston no próximo mês com os Perfct Child (Denny & Bonny).

Então haverá hipóteses de levares esta ópera rock para palco…
Nós estamos a tentar arranjar condições para executar a música de Playing God na Primavera, provavelmente a partir de Helsínquia, no final de março de 2014.

Quando podemos esperar um novo trabalho deste projeto ou de qualquer outro?
Estou sempre a trabalhar em novo material, por isso fiquem atentos a qualquer nova gravação.

A terminar, Corky, mais uma vez obrigado e dava-te a oportunidade para acrescentar mais qualquer coisa…

Quero só agradecer-te, Pedro pelo teu apoio e palavras amáveis. Esperamos ter a oportunidade de nos cruzar na estrada. Tudo de bom! A propósito, Tuija soletra propositadamente de forma errada a expressão Perfect Child porque não há a criança perfeita. Deve ser soletrado Perfct Child!

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