segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Entrevista: Steve Hunter

Steve Hunter dispensa apresentações. As suas participações com Peter Gabriel, Lou Reed, David Lee Roth e, principalmente, com Alice Cooper são elucidativas do seu eclectismo e superior técnica. Em 2011, ainda em tournée com Alice Cooper, decidiu que estava na altura de criar um álbum em seu nome próprio que homenageasse as suas duas grandes paixões: o blues e a cidade de Nova Iorque. A ideia amadureceu e o surpreende resultado é The Manhattan Blues Project. Agora o guitarrista natural do Illinois relembra algum do seu passado e explica o sentimento deste seu trabalho.

Olá Steve, muito prazer em falar contigo e obrigado pelo teu tempo! Sei que começaste a tocar guitarra muito novo, certo? O que te motivou para a guitarra?
Sim, tinha 8 anos quando comecei a ter aulas de lap steel guitar. O meu pai costumava tocar guitarra apenas como hobby e o seu som sempre me intrigou mesmo quando eu ainda era muito novo. Havia qualquer coisa naquele som que sempre me atraiu para ele.

Quem são os teus guitarristas favoritos?
Há muitos guitarristas incríveis por aí, mas alguns dos meus favoritos são: na lap steel ninguém toca melhor que o falecido Jerry Byrd. Ele tinha o toque mais extraordinário em lap steel. Outros guitarristas incluem Chet Atkins, Lenny Breau, Jimi Hendrix, BB King, Albert King, Michael Bloomfield, David Gilmour, Jeff Beck, Eric Clapton especialmente durante os seus dias com os Cream.

É verdade que quando foste para o exército levaste a tua guitarra contigo?
Bem, não exatamente. Fui convocado e não fomos autorizados a levar coisas como essas. Mas quando finalmente cheguei a um posto de serviço permanente em Okinawa, comprei duas... uma acústica clássica e uma elétrica.

Trabalhaste com Alice Cooper, Lou Reed, Peter Gabriel e muitos outros... Que tipo de trabalho fazias com eles? Músico de sessão ou algo mais?
Sim, fiz sessões de gravação com eles e fiz tournées com a maioria deles.

Por exemplo, com Alice Cooper andaste em tournée até 2011. Porque paraste?
Na verdade, parei com Alice em 1979. Era hora de seguir em frente. Mas voltei a estar com ele em tournée novamente em 2011, o que foi muito divertido. Saí depois de 2011, basicamente para me concentrar no meu novo CD The Manhattan Blues Project.

Com quem era mais divertido de se trabalhar? E mais difícil?
Não posso dizer que houvesse alguém em particular que eu considerasse difícil. Toda a gente é diferente e funciona de forma diferente. Mas tenho que dizer que Alice foi o mais divertido. Alice tem um grande sentido de humor e também tivemos grandes momentos fazendo shows com ele.

E sobre o teu trabalho com David Lee Roth? Louco, não?
Não, de todo. Quando David está em estúdio é muito sério e eu aprecio isso. Muitas vezes saíamos um pouco à noite depois de gravar o dia todo se não estivéssemos muito cansados​.

Falando agora de The Manhattan Blues Project, quando decidiste fazer um álbum como este?
Antes de ir em tournée com Alice em 2011 já tinha começado a escrever novas músicas que eventualmente se tornaram o novo CD. Pensei muito sobre isso, enquanto estava na estrada.

E esta é uma prova do teu amor e paixão pelo blues e por Nova Iorque?
Sim, exatamente. É uma expressão do meu amor pelos Blues e por essa incrível cidade de Nova Iorque.

Trata-se, assim, de um álbum muito pessoal?
Sim, é um álbum pessoal. Mas não tenho certeza se existe uma maneira de fazer um álbum que não seja pessoal. Irás sempre colocar muito de ti próprio e a tua paixão em qualquer música que escrevas. Pelo menos é assim que sinto.

E tens duas covers: Solsbury Hill de Peter Gabril e What’s Going On de Marvin Gaye. Porque estas escolhas?
Quando eu fiz primeira tournée com Peter Gabriel a solo, ensaiamos em Manhattan. E desde essa altura em que toquei guitarra no tema original que sinto que Solsbury Hill me fez lembrar os ensaios com Peter em Manhattan. Quanto a Marvin Gaye e What’s Going On, essa música sempre me fez lembrar Nova Iorque. Não sei exactamente porque, mas soa-me a Nova Iorque.

Quanto aos convidados, Joe Satriani e Marty Friedman, por exemplo, trazem um feeling heavy metal ao álbum. Foi essa a tua intenção?
Sim, a ideia era ter este contraste entre a forma como eu toco e a forma como os outros tocam. Adorei esse contraste. Penso que torna a música e a adição mais interessante.

Bem, obrigado por este momento. Queres acrescentar mais alguma coisa, que não tenha sido abordado nesta entrevista?

Muito obrigado pela entrevista. Está tudo bem.

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