quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Entrevista: Radioactive/Tommy Denander

A propósito da edição da box intitulada Legacy com os três álbuns dos Radioactive, numa edição luxuosa da Escape Music, fomos falar com o mago sueco Tommy Denander, mente criativa por trás deste que é um projeto iniciado por ele próprio. Entre outras coisas ficamos a saber que os Radioactive têm um 4º trabalho quase pronto e que o próprio Denander se prepara para lançar outro trabalho em nome individual, o primeiro em 15 anos.

Viva Tommy! É um prazer e uma honra poder fazer esta entrevista! E obrigado pelo teu tempo gasto com Via Nocturna. Com um passado como o teu seguramente que estaríamos aqui horas... Mas se concordares, vamos concentrar-nos no projeto Radioactive e a compilação Legacy. Pode ser? Para começar, Radioactive é um de muitos projetos teus. Quando o criaste o que tinhas em mente?
Olá, o prazer é meu! Acho que nós estaríamos aqui muitas horas, portanto vamo-nos focar nos Radioactive (risos). Depois de ficar cansado de estar durante muitos anos em bandas decidi, em 1991, que queria fazer um álbum solo. Já era amigo dos elementos dos Toto e perguntei-lhes se queriam ser minha banda de apoio para o álbum e surpreendentemente eles disseram que sim! Então, assinei contrato com a Sony e fui para Los Angeles, em outubro de 1991 para produzir o meu primeiro álbum a solo que foi uma experiência incrível, é claro. Eu tinha 23 anos e estava a produzir Jeff, Mike e Steve Porcaro, mais David Paich com a minha própria música! No entanto, tive muitos problemas com a Sony pelo que comprei as fitas e decidi criar a minha Ultimate Dreams Records. Isto foi antes de quaisquer outras pessoas fazerem álbuns AOR com muitos convidados, como se vê muitas vezes hoje em dia. Naquela altura gastei muito dinheiro e tempo em viagens para os convidados e a gravar em grandes estúdios. Hoje em dia toda a gente tem um estúdio em casa, além de internet, por isso é muito mais fácil. Por isso, demorei 10 anos inteiros para terminar o primeiro álbum, mas consegui lendas como todos os membros dos Toto, incluindo David Hungate, Bobby Kimball, Fergie Frederiksen, Joseph Williams e David Foster, Greg Phillinganes, Abe Laboriel, Bruce Gaitsch, Randy Goodrum, Neil Stubenhaus, Michael Thompson, Fee Waybill, Jason Scheff, Alex Ligertwood, Vince DiCola e muitos mais. Quando chegou perto do seu lançamento, senti que não deveria chamá-lo “Tommy Denander". Portanto surgiu o nome Radioactive por duas razões: primeiro devido a uma antiga banda de David Foster, os Airplay, o que significa que esteve muito on air (na rádio), e pensei que seria ativo na rádio (risos) e depois porque sou um fã dos Kiss e de Gene Simmons e a música de abertura em seu primeiro álbum solo chama-se Radioactive!

Nessa altura, como fizeste a seleção dos músicos que tocam e viriam a tocar contigo também nos outros dois álbuns?
Nunca pensei que iria fazer mais do que um álbum, já que demorei 10 anos e tive tantos nomes grandes, mas quando o álbum se tornou um sucesso tão grande em todo o mundo a editora disse que eu seria estúpido se não construísse nada sobre o nome e estavam certos. Assim, para o segundo álbum Yeah tinha amadurecido muito como compositor e músico, e senti que queria fazer um álbum mais rock. Voltei a usar uma combinação de grandes artistas e músicos que são meus amigos e pessoas que eu realmente respeito. Muitas vezes ao longo dos anos toquei ou escrevi para artistas que gosto e, em vez de ser pago pedia-lhes para cantar ou tocar no meu álbum, portanto foi sempre muito natural.

Os três álbuns são uma trilogia? Quero dizer, existe alguma ligação nos conceitos entre os três?
Nada e o quarto está quase pronto. Realmente pensei que só faria um, mas depois do segundo estar pronto sabia que iria continuar a faze-los para o resto da minha vida!

Então iremos ter um novo álbum de Radioactive em breve?
Sim, o quarto está quase concluído. Ele está quase feito há já algum tempo, mas tenho estado super-ocupado com outros trabalhos no estúdio e em tournées com o meu projeto Legends Voices Of Rock. Mas agora estou em estúdio a ultimar as coisas.

Agora os três têm uma nova reedição pela Escape Music num digipack muito bonito! Como e quando surgiu esta ideia de fazer esta box?
Dado que eles são um pouco difíceis de encontrar, já tinha esta ideia há algum tempo, e como faço muito trabalho para a Escape, perguntei ao Khalil se ele estava interessado em fazer esta box e ele disse imediatamente que sim. A Escape sempre foi uma editora muito boa para se trabalhar em todos os sentidos por isso foi uma escolha óbvia perguntar-lhes. Além disso, eles preocupam-se sempre com a apresentação dos seus produtos tal como eu e acho que esta caixa saiu muito boa!

Esta reedição traz seis temas como bónus. Três deles são totalmente novos, não é verdade?
Sim, adicionei as 3 faixas bónus das versões japonesas, mas também decidi gravar três novas músicas, uma para cada álbum, de forma que se encaixassem no álbum.

E as outras três? Já tinham aparecido noutras edições…
Jeff Paris é um dos meus amigos e vocalistas favoritos e ajudou-me de muitas maneiras a refazer estes álbuns, portanto perguntei-lhe em primeiro lugar e escrevemos juntos o grande tema que é Juliet e eu adoro essa música! Vic Heart é um novo e incrível artista com quem tenho trabalhado há quatro anos e as coisas que estamos a fazer para ele não é, de todo, AOR, mas o seu primeiro single Jimmy Dean vai muito bem nas rádios por toda a Europa. É mais Bruno Mars cruzado com Maroon 5, mas ele tem uma grande voz ao estilo de Richard Marx e tinha escrito Feel My Heart Again e não consegui pensar em ninguém melhor que ele para a cantar. Khalil é um bom amigo do grande Robert Hart e eu tinha essa música que eu sentia que era perfeita como bónus para Ceremony Of Innocene. Então mandei-a para o Robert, ele realmente adorou e escreveu a melodia e a letra além de, claro, a ter cantado de uma forma ótima!

Ceremony Of Innocence e Taken foram reformuladas e remisturadas com a adição de alguns novos artistas?
Sim, nunca fiquei totalmente feliz com algumas misturas, cantores e outros arranjos portanto agora tive a oportunidade de corrigir isso da maneira que eu sempre quis e estou muito feliz com isso! Jeff Paris eliminou totalmente a merda de várias das músicas com os seus novos vocais. As versões antigas não eram más, mas o meu coração sentia que estava algo em falta nalgumas músicas. Hank Erix dos Houston veio até ao meu estúdio e refizemos um monte de backing vocals no primeiro álbum e finalmente estou contente com eles. E o meu querido amigo Steve Augeri trouxe nova vida à minha canção favorita da minha carreira, Grace. Eu e Ricky Delin escrevemos a canção com Richard Page em mente e Richard adorava a música, mas queria muito dinheiro para a cantar. Ele merecia totalmente a quantia que estava a pedir, assim como os outros cantores, mas não podíamos pagar muito para esta nova versão... Mas o Steve fez isso melhor do que eu poderia ter sonhado!

Se eu te perguntar qual consideras o melhor dos álbuns de Radiactive, o que dirias?
Realmente é como perguntar a um pai para escolher o seu filho favorito de três (risos). O primeiro é o álbum mais especial de toda a minha vida e sempre será aquele que acho que tem algumas músicas incríveis, o segundo álbum é com o qual estou mais satisfeito e por isso não toquei em nada nele, grandes canções, produção e performances. O terceiro é o meu menos favorito, embora tenha algumas grandes canções e performances, mas não gosto muito da produção, e não têm o mesmo tipo de foco sobre ele devido a outras coisas que acontecem na vida.

E a respeito dos teus outros projetos?
Estou sempre muito ocupado e gosto disso. Tenho o meu estúdio dentro do maior e mais lendário estúdio na Suécia chamado X-Level, que foi construído há 52 anos pela EMI como sendo o seu segundo Abbey Road e todos, desde os Beatles, Abba, Roxette até Lady Gaga, One Direction, Britney Spears e Jennifer Lopez trabalharam nele. Estou muito envolvido com todo o estúdio e a editora e estou a escrever e a produzir uma grande quantidade de novos artistas e, claro, a fazer toneladas de sessões de guitarra para IDOL, Eurovision, Pop, Rock, AOR e até mesmo country. Uma das minhas maiores emoções de sempre é o primeiro single de uma nova e impressionante artista dos EUA. Rachele Royale é o nome dela e Shush é o single que foi produzido pelo maior produtor de sempre, Mutt Lange! Eu fiz praticamente todas as guitarras do seu álbum e poder conhecer e trabalhar com Mutt foi verdadeiramente irreal!

Sei que estás a trabalhar num novo álbum em teu nome. O que podem os fãs esperar?
Sim, estou a fazer um novo álbum a solo também, mas quando faço álbuns "Tommy Denander" são na sua maioria álbuns de guitarra instrumentais e o mesmo acontecerá com este onde tenho um par de canções com os vocais de Bill Champlin e Vic Heart. Eu tenho uma guitarra assinada pela VGS que se tornou um enorme sucesso em todo o mundo por isso estou em destaque na maioria das grandes revistas de guitarra como Guitar Player, Fuzz, Player, Gitarre & Bass etc. Assim, senti-me bem a fazer um novo álbum de guitarra, o que já não acontecia há 14-15 anos.

Já trabalhaste com muitos artistas ao longo da tua carreira. Posso perguntar-te qual o álbum que te deu mais prazer gravar, com quem mais gostaste de trabalhar e com quem gostaria ainda de trabalhar um dia?
O primeiro Radioactive é muito especial porque tinha Jeff Porcaro e David Foster, entre todos os outros nomes grandes. Os Kiss são a razão pela qual eu comecei a tocar por isso participar no último álbum a solo de Paul Stanley Live To Win foi incrível. Sendo um fã de Alice Cooper desde 1975 tornou-se super-fantástico ter tocado no seu último álbum a solo Welcome 2 My Nightmare com Bob Ezrin na produção e, claro, fazer o álbum de Rachele Royale com Mutt Lange. Ainda há muitos artistas com quem eu adoraria trabalhar. Nomes como Peter Gabriel, Elton John, Sting e assim por diante.

Por fim, mais uma vez obrigado e dava-te a oportunidade para acrescentar mais alguma coisa que não tenha sido abordado nesta entrevista...
Apenas que foi um prazer e muito obrigado pelo apoio!

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