terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Review: Ponder The Mystery (William Shatner)

Ponder The Mystery (William Shatner)
(2013, Cleopatra)
(4.7/6)

O célebre capitão da nave espacial USS Enterprise em Star Trek, James T. Kirk, representado por William Shatner afinal também se dedica à música! Bom não é novidade para ninguém, até porque o ator canadiano já se tinha iniciado nestas lides musicais em 1968 com o álbum The Transformed Man, havendo, ainda, a registar mais três álbuns de originais (o último dos quais em 2011, Seeking Major Tom), um ao vivo (que teve duas edições diferentes) e uma compilação. Em Ponder The Mystery, Shatner volta a cruzar o rock progressivo e sinfónico seguindo as boas regras estabelecidas por Pink Floyd, Yes e Barclay James Harvest com temáticas científicas e espaciais e com o spoken word. Em resumo, Billy Sherwood toca todos os instrumentos e faz os coros, William Shatner faz as narrações (spoken-word) e para cada tema há um convidado especial responsável pelos solos. Desde logo, temos aqui dois tipos de registos vocais (cantado e narrado) que muitas vezes não combinam bem. E se a parte vocal deixa algo a desejar, já a instrumental é bastante variável. De uma maneira geral os temas têm melodias agradáveis e dentro do seu género até se podem considerar apelativos. No entanto, o que realmente transporta alguns temas para outros patamares de qualidade são a excelência de alguns desempenhos individuais dos convidados. A começar logo pelo segundo tema (o primeiro é uma introdução) Where It’s Gone… I Don’t Know com Mick Jones a ser o escolhido para assumir a guitarra solo num soberbo trabalho. Mais à frente é a vez do mago Steve Vai brilhar em Ponder The Mystery. So I Am é um tema emblemático: em primeiro lugar pelo assombroso trabalho de Al DiMeola na sua guitarra e depois porque é um dos temas onde o spoken word melhor se encaixa com os backing vocals de Sherwood. Por tudo isso é também um dos melhores temas do disco. Daí para a frente, os maiores destaques acabam sempre por ir parar aos temas onde os convidados são guitarristas: Vince Gil (em Imagine Things), Edgar Froese (em Do You See?) e Robby Krieger (em Deep Down). Exceção aos guitarristas é o tema Change onde quem predomina é um teclista: Rick Wakeman. Embora nem sempre bem conseguido, Ponder The Mystery guarda para o final alguns dos melhores momentos, nomeadamente nos temas com dois dígitos. Seja como for, o senhor que já ganhou um Emmy e um Globo de Ouro pelo seu desempenho em Boston Legal e que tem o seu nome inscrito nos Hall of Fame de Hollywood e de Toronto esforçou-se por criar um disco soft, dentro da sua temática favorita (a ficção científica) e dentro das suas limitações. Não criou um disco memorável, embora se possa afirmar que também não desilude por completo.

Tracklist:
1.      Red Shift
2.      Where It’s Gone… I Don´t Know
3.      Manhunt
4.      Ponder The Mistery
5.      So I Am
6.      Change
7.      Sunset
8.      Twilight
9.      Rhythm Of The Night
10.  Imagine Things
11.  Do You See?
12.  Deep Down
13.  I’m Alright, I Think
14.  Where Does Time Go?
15.  Alive

Line-up:
Billy Sherwood – bateria, guitarras, baixo, teclados e backing vocals
William Shatner – narrações

Participações de:
Mick Jones, Steve Vai, Al DiMeola, Edgar Froese, Robby Krieger, Zoot Horn Rollo – guitarras
Simon House – violinos
Rick Wakeman, George Duke – teclados
Joel Vandroogenbroeck – flauta
Edgar Winter – saxofone e moog
Nik Turner – saxofone e flauta
Dave Koz - saxofone
Vince Gill – bandolim

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