quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Review: Limbo (Derdian)

Limbo (Derdian)
(2013, Independente)
(6.0/6)
Agora que os Rhapsody (com ou sem Of Fire) baixaram definitivamente as espadas já há quem se apresente com todas as credencias para lhes tomar o lugar. Curiosamente também são italianos e depois de várias experiências com editoras (Steelheart e Magna Carta) estão de regresso em formato independente. Falamos dos milaneses Derdian e do seu quarto trabalho Limbo. Deixando para trás os trabalhos conceptuais (como havia acontecido na trilogia New Era) e estreando um novo vocalista, Ivan Giannini, Limbo é um trabalho a todos os níveis portentoso. Claramente situado no power metal de origem sinfónica eleva-se ao patamar dos melhores momentos dos seus compatriotas Rhapsody (Of Fire), principalmente da época Symphony Of The Enchanted Lands/Dawn Of Victory/Power Of The Dragonflame e ultrapassa-os mesmo quando comparados com a parte final da carreira da banda de Luca Turilli. Sendo que a comparação é ambiciosa, não é menos verdade que os Derdian produziram, com Limbo, um trabalho quase perfeito, na sua forma de cruzar velocidade estonteante, melodias memoráveis, hinos épicos, ritmos devastadores e elementos progressivos e neoclássicos. A curta abertura, Carpe Diem situa perfeitamente o ouvinte ao introduzir um coral majestoso, elementos sinfónicos, power metal melódico e velocidade. Abertas as hostilidades, os transalpinos partem para mais de uma hora de uma cabal demonstração de como fazer power metal de inegável classe sem ter necessariamente de parecer ultrapassado. Há em Limbo melodias e hinos verdadeiramente deliciosos, daqueles que se pegam ao ouvido e nos obrigam a cantar durante o resto do dia; há em Limbo, poderosos riffs de guitarra com uma força e energia assombrosa; há em Limbo, uma secção rítmica por vezes devastadora, outras vezes mais compassada e plena de groove. E como se isso não bastasse, a banda injeta elementos progressivos e até étnicos, aqui e acolá e ainda consegue ser estranhamente agressiva com vocais death metal. Uma forma de fazer da audição de Limbo uma viagem alucinante pelo mundo da velocidade e da melodia sem qualquer tipo de saturação.
Tracklist:
1.      Carpe Diem
2.      Dragon Life
3.      Forever In The Dark
4.      Heal My Soul
5.      Light Of Hate
6.      Terror
7.      Limbo
8.      Kingdom Of Your Heart
9.      Strange Journey
10.  Hymn Of Liberty
11.  Silent Hope
Line-Up:
Ivan Giannini: vocais
Marco Garau: teclados
Enrico Pistolese: guitarra ritmo
Dario Radaelli: guitarra solo
Salvatore Giordano: bateria
Luciano Severgnini: baixo
Internet:

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Entrevista: N. O. W.

Três anos após o brilhante Force Of Nature, Alec Mendonça está de regresso com mais um álbum sensacional, Bohemian Kingdom e com algumas mudanças a marcarem de forma indelével este novo registo. O próprio baixista, mentor da banda, levantou o véu sobre este disco que tem edição marcada para 22 de março.
 
Olá Alec! Tudo bem contigo? Como é o sentimento geral agora que tens o teu segundo trabalho pronto a ser editado?
Tudo ótimo, Pedro. Sensação de realização por ter conseguido lançar um trabalho exatamente como estava na minha mente, coisa que não aconteceu no primeiro disco.
 
Desde o ano passado que o tema Strong Enough já podia ser ouvido pelo facto de ter estado disponível no site da Melodic Rock Magazine. Face a esse tempo de exposição, que expetativas tens para este álbum?
As expetativas são muito boas, porque agora poderei ser reconhecido por aquilo que eu gosto acima de tudo, que é compor com o coração e a alma, e neste trabalho pressinto quer as pessoas poderão sentir isso. Strong Enough vem com uma produção mais pesada e um arranjo ligeiramente diferente agora, então será também uma surpresa.
 
Entre Force Of Nature e este Bohemian Kingdom, houve um intervalo de tempo de três anos. Acredito que este tenha sido um trabalho pensado e criado de forma calma e sem pressões, apesar das exigências após um primeiro trabalho bem recebido. Foi isso que aconteceu?
Exatamente, sem pressão alguma, até porque os nossos trabalhos diários não permitem que dediquemos todo o nosso tempo à música, como era nos anos 60, 70 e 80, onde as maiores e melhores pérolas da música foram feitas. Mas como eu tive 3 anos para pensar e estruturar as canções, elas acabaram por sair melhor ainda do que eu imaginava. Agora não tenho mais aquela sensação de que falta algo, está tudo lá, as cores e os tons de cinza.
 
Porque Bohemian Kingdom?
Desde criança que a segunda guerra mundial exerce certo fascínio para mim e Bohemian Kingdom é como era chamado todo o território Astro Húngaro no século XIX, e como sabemos, Hitler era Austríaco. Com isso eu quis contar um pouco da história do Nazismo e como ele afetou um de seus altos oficiais, Hessler. Os nazis acabam por tomar todo aquele território que um dia foi o Bohemian Kingdom antes de se renderem aos aliados. Também estive em Berlin e vi raízes do antigo Nazismo, sem contar com os neonazis que hoje em dia assombram algumas partes da Alemanha com todo aquele fanatismo cego que só prejudica os povos. Eu senti-me compelido a falar sobre isso, tanto é que no começo da música o que vocês escutam é o Hitler declarando guerra aos aliados. Não é uma apologia, é um aviso, um lembrete para que nada assim aconteça jamais, seja de origem nazis, muçulmana ou oriental.
 
Para este trabalho voltas a contar com a presença do Philip. Impunha-se a sua manutenção na tua opinião?....
Sim, pois eu entrei em contacto com o Philip e perguntei-lhe se ele gravaria novamente comigo, pois eu já estava a fazer as músicas a contar com a voz dele. E convenhamos, nenhuma voz encaixaria aqui como a de Philip, bem, a de Lou Gramm talvez…
 
Mas ao contrário do vocalista, tens algumas caras nova a trabalhar contigo. Queres apresentá-las?
Sim, Juno Moraes, um verdadeiro monstro das guitarras, produtor musical de songtracks no Brasil, ele é um músico profissional há mais de 25 anos e um guitarrista que tem uma pegada que me lembra demais o Randy Rhoads e o Kee Marcello (Europe). Sem dúvida, ele encheu o disco de melodia e energia, fico mais do que feliz de ter trabalhado e ensaiado com ele. Matti Alfonzetti também fez alguns backing vocals e que vocalista fantástico. Falamo-nos pelo telefone, ele é muito simpático e extremamente profissional. Lars Chriss... ah Lars...... ele foi como um irmão mais novo para mim, não houve intromissões, houve muitas trocas de ideias com ele, chegamos a trocar quase 20 e-mails por dia para discutir sobre uma música e levamos mais de 2 meses para finalizar a mistura, produção e masterização do álbum para que atingisse o nosso nível de perfeição, pois Lars é tão perfeccionista quanto eu e ele é responsável pelo disco estar com toda essa energia.
 
Realmente, desta vez a mistura e masterização estiveram a cargo de Lars Chriss. Como se proporcionou essa escolha?
Khalil apresentou-me ao Lars e ele fez toda a diferença. Ele deu vida às minhas músicas. Se não fosse ele, o disco não teria sido nem metade do que é, fico feliz em como eu e Lars trabalhamos tão bem juntos. Demo-nos muito bem, e o estilo mais pesado dele combinou perfeitamente com o meu estilo mais soft.
 
E este é um álbum cheio de surpresas. Como surgiu a ideia de incluir saxofone, por exemplo? Tens mais alguns convidados a participar em Bohemian Kingdom?
Bem, fui criado ao som do Supertramp, Foreigner, Boston, Pink Floyd, Alan Parsons e na minha opinião o segundo instrumento mais rockeiro que há é o sax alto. Zé Canuto, que já participou de várias edições do Free Jazz Festival é o mago do sax no disco, mas as melodias são todas minhas. Também tem uma pequena orquestra que toca no final de Bohemian Kingdom.
 
Outra das surpresas é o tema final, um tema belíssimo embora ligeiramente diferente do que costumas fazer. Sei que é um tema que te toca muito e que tem uma história real como suporte. Queres comentar?
Bem, prefiro não me aprofundar, mas o meu amigo de infância, Adiel Ricci, (citado no primeiro disco), tinha uma filha chamada Maria Clara, um amor de menina, vi-a nascer, dei-lhe aulas numa escola de inglês e de repente, na flor da idade, quando ela já cursava a faculdade de medicina aos 17 anos foi-lhe diagnosticada leucemia e morreu em 14 dias. Foi uma verdadeira tragédia e eu estava no meio das composições do álbum e exteriorizei isso na música No One Can Feel I’ts Over, que para mim é a minha música preferida, é atemporal, é a minha Silent Lucidity, digamos assim... Nesta música Philip está possesso, parece que ele sente a música, a dor que eu senti, é realmente assombrosa a sensação de ouvir Philip cantar um dos trechos mais belos de poesia que eu já compus e também que eu já tenha escutado:
‘’When my grin is wide with laughter
And my throat is deep with song,
Don’t you think I’ve held my pain for so long?
But no one can feel it’s over’’
 
Em termos de produto final, quais são as principais diferenças que, na tua opinião, existem para Force Of Nature?
Todas! São imensas as diferenças, esse segundo disco soa como um mega lançamento, muito profissional, com tudo no lugar, com um punch que até em lançamentos mundiais é difícil de se encontrar, a qualidade final é indiscutivelmente superior aqui em termos de produção, mistura, masterização e arranjos.
 
A capa do álbum está fantástica. Como surgiu a ideia e quem foi o artista que a desenvolveu?
A ideia foi do Khalil. Ele apresentou-me o rascunho, no começo eu resisti, pois tinha outra conceção para a capa, mas depois analisando bem, vi que era um trabalho fantástico e que teria tudo a ver com o título Bohemian Kingdom. Quem a desenvolveu foi Carl de alguma companhia Sueca de artes.
 
Já está a ser preparada alguma tournée de apoio a este álbum? O que nos podes desde já adiantar?
Por enquanto é segredo, mas algum un-plugged pode aparecer...
 
A terminar, queres acrescentar algo mais ao que já foi abordado? Ou deixar uma mensagem para os teus fans e para os nossos leitores?
Quero agradecer todo o apoio e pedir que pensem na hora de baixar esse álbum ilegalmente. Pensem como foi demorado, custoso e trabalhoso produzir esse álbum. Paguem 10, 15 dólares por ele se gostarem das músicas, pois esse álbum merece e ficará com vocês para sempre. Pensem nisto: nós damos 15 dólares ou mais num lanche do McDonalds que custa menos de 5 dólares para ser produzido, é feito em minutos, acaba na hora e ainda nos faz mal, por ser Junk Food. Portanto, que tal dar 15 dólares por um álbum que demorou 3 anos para ser feito, onde milhares de dólares foram gastos e que será de vocês para sempre? Um grande abraço a todos vocês, fãs da boa música, e que ela seja eterna, assim como é a minha vontade de criá-la.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Review: Circus Of Lost Souls (Shannon)

Circus Of Lost Souls (Shannon)
(2013, Independente)
(5.9/6)
Circus Of Lost Souls marca o regresso dos gauleses Shannon com o seu terceiro trabalho, três após a edição de Angel In Disguise. E bem se pode dizer que a banda mantém a sua forma de criar hard rock/heavy metal de grande nível. Influenciado pelos grandes nomes do metal clássico e melódico dos Estados Unidos (com Wasp em plano de referência) e mesclada do tradicional metal europeu, nomeadamente da escola da NWOBHM, Circus Of Lost Souls é um portentoso disco dentro deste género. São 13 temas que tanto têm de poderosos como melódicos, com umbilicais ligações aos anos 80 e com forte enfoque em coros apelativos, linhas melódicas extramente catchy, guitarras bem puxadas e potentes e uma secção rítmica poderosa e cheia de groove. São, ainda, temas carregados de uma imensa e intrínseca energia e com imenso poder de fogo. Isto, meus senhores, é puro heavy metal. Daquele que, felizmente há cada vez mais bandas a recuperar e que parecia perdido na memória do tempo. E desde logo os Shannon marcam com Circus Of Lost Souls o primeiro terço de 2013 com um álbum que não tem receio de ser comparado a clássicos intemporais. Porque este é um disco cheio de fibra, de vontade, de garra e de uma enorme capacidade para simplesmente criar grandes canções de uma forma natural e orgânica, sendo que por nós destacaríamos Halfway To Heaven, Dust To Dust, Death On The Run, In Your Eyes ou Let’s Make Rock. Portanto, vamos rockar e deem espaço aos Shannon para invadir as vossas aparelhagens de som. Sempre com o volume no máximo! Estes temas merecem!
Tracklist:
1.                  Ride To Live
2.                  Forever Now
3.                  Halfway To Heaven
4.                  Can´t Stop The Rain
5.                  Don´t Get Me Wrong
6.                  Dust To Dust
7.                  Death On The Run
8.                  Let’s Make Rock
9.                  Kick It Down
10.              I Don´t Need You Anymore
11.              In Your Eyes
12.              Drive Me Crazy
13.              Smalltown Boy (Cover)
Line-Up:
Philippe Sassard – baixo
Thierry Dagnicourt - teclados
Olivier del Valle – vocais
Jean Marc Anzil – bateria
Patrice Louis – guitarra
Internet:

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Entrevista: ValoR

Chamam-se ValoR e são, efetivamente valorosos. Valorosos na forma como praticam e defendem o heavy metal clássico de proporções épicas. Vêm da Grécia e estreiam-se para a Pitch Black Records com o sensacional The Yonder Answer, segundo longa-duração do coletivo a ser editado no próximo dia 5 de março. O sexteto reuniu-se para falar a Via Nocturna do passado, presente e futuro de uma das mais promissoras bandas helénicas.
 
Olá e obrigado por aceitarem responder a Via Nocturna. Os ValoR não são muito conhecidos em Portugal, por isso podem descrever um pouco o projeto?
Antes de mais, gostaríamos de te agradecer pelo teu interesse na nossa banda. Os ValoR oferecem música heavy metal melódica com um sentimento épico. Musicalmente é baseado em formas de metal dos anos 80, como muitas bandas de metal tradicional, mas também algumas influências do power metal dos anos 90.
 
Que nomes mais vos influenciaram?
Na verdade, a banda não tem qualquer influência em termos de composição. Nós acreditamos que as nossas influências são a música com que crescemos durante anos como fãs desse estilo de vida do heavy metal. Cada membro tem as suas bandas favoritas. Alguns membros da banda são principalmente fãs das bandas de metal do início dos anos 80; outros são de material mais recente. A linha de fundo é que todos nós, eventualmente, temos influências comuns como o heavy metal clássico e o power melódico. O nosso amor e paixão mantem-nos juntos para criar e compor algo em que acreditamos, que é a nossa música.
 
Estão prestes a lançar o vosso segundo álbum. Quais as expectativas para The Yonder Answer?
Queremos mostrar que os ValoR ainda estão a evoluir em termos de música, de produção, etc. e esperamos alcançar novos fãs que não estavam cientes do valor dos nossos lançamentos anteriores. Isto com a ajuda da nossa editora Pitch Black Records que tem feito um excelente trabalho para promover a nossa música em muitos meios de comunicação onde não poderíamos chegar com a nossa pequena editora independente.
 
Realmente vocês chegaram à Pitch Black Records depois de dois registos (um álbum e um EP) para a Eat Metal Records.4. Foi essa ambição que vos fez mudar?
Somos bons amigos do proprietário da Eat Metal Recods, por onde lançámos dois álbuns. A nossa opção de lançar The Yonder Answer pela Pitch Black foi porque sempre admiramos o profissionalismo e a boa distribuição que a editora consegue. Para além de músicos também somos fãs em primeiríssimo lugar e ouvimos várias bandas pertencentes à Pitch Black. É uma honra fazer parte de sua lista, e esperamos que todos os fãs de todo o mundo sejam, de alguma forma, capazes de ouvir o nosso CD, seja em versão física ou através de download digital.
 
A vossa última gravação foi em 2008. O que fizeram durante este longo hiato?
The Yonder Answer estava pronto para ser gravado e lançado em 2010. A principal causa para este atraso foi devido ao fato da banda ter feito muito investimento em termos de mistura e masterização final do produto. Isso levou-nos mais 2 anos! Em meados de 2012, o álbum estava pronto para procurar uma editora. Estamos otimistas de que nos próximos álbuns iremos recuperar todo esse tempo uma vez que a banda agora tem a experiência necessária para fazer as escolhas certas tendo em vista o melhor resultado.
 
É verdade que The Yonder Answer foi lançado em formato independente no vosso país no ano passado?
Não, The Yonder Answer nunca foi lançado antes da Pitch Black Records. Apenas tínhamos gravado e disponibilizado uma música, a The Answer’s Yonder para uma compilação da Rock Hard Magazine, embora a nova versão presente no álbum tenha um arranjo e produção muito diferentes.
 
Ultimamente têm surgido alguns nomes interessantes vindos da Grécia. Parece que a vossa crise financeira (similar com a Portuguesa - risos) não está a afetar a criatividade?
Na verdade, a crise não afeta a criatividade. Pelo contrário, parece que incentivou que muitas bandas se levantassem. Talvez, enquanto declina da sociedade, a arte floresça.
 
A respeito do título do álbum, existe algum significado específico para The Yonder Answer?
É um álbum conceptual que aborda a busca de um homem pelas respostas sobre religião, fé, confiança e amor. A história desenvolve-se em 10 faixas e cada faixa é um capítulo desta história. Para nós, o título do CD é uma inspiração. Mesmo para o mais difícil problema, há sempre uma resposta que está Yonder.
 
Há já alguma tournée planeada para promover The Yonder Answer?
Já está prevista uma festa de lançamento ao vivo em Atenas e planeamos mais alguns espetáculos em várias cidades gregas como Patra, Larissa, Ioannina, etc Estamos também abertos a quaisquer convites de países estrangeiros.
 
A terminar, querem acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores...
Obrigado mais uma vez pelo teu interesse e gostaríamos de convidar os teus leitores a seguir os ValoR nesta jornada épica.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Review: Bohemian Kingdom (N. O. W.)

Bohemian Kingdom (N. O. W.)
(2013, Escape Music)
(5.8/6)
Quando, há três anos Force Of Nature saiu, as fundações do AOR abalaram, tal a capacidade criativa, de execução, emocional e melódica demonstrada por Alec Mendonça e os seus NOW. Três anos volvidos, o músico brasileiro volta à carga, de novo com os vocais a serem entregues a esse portentoso vocalista que é Philip Bardwell e com um outro disco memorável e que promete ficar para a história. Bohemian Kingdom pega em todos os predicados do anterior trabalho e eleva-os a superiores patamares de intensidade e beleza. I’m Alive dá um mote de forma energética e com um soberbo refrão que se cola à nossa mente de forma permanente. E daí para a frente, sucedem-se os temas com grandes arranjos, execuções perfeitas de todos os instrumentos, melodias belíssimas e uma indescritível capacidade de criar emoções. Por momentos este Bohemian Kingdom parece mais rockeiro do que o seu antecessor, talvez porque o trabalho do novo guitarrista Juno Moraes se revele mais consistente, criativo e capaz de injetar muita alma ou porque houve um mais forte investimento ao nível da produção. I Feel Divine, é um dos momentos mais altos, um exemplo perfeito de como fazer boa música, com mudanças rítmicas (aliás, uma constante em todo o disco) e um refrão sensacional onde fica bem patente toda a capacidade vocal de Bardwell. Mas, o tema seguinte, Don´t Go Now, sobe ainda mais o nível, com uma base acústica que acalma para uma guitarra bluesy onde os subtis teclados jogam um papel fulcral na manutenção de texturas de rara beleza. Os mesmos teclados que logo a seguir, na power ballad Strong Enough voltam a criar os ambientes perfeitos. Ao quinto tema surge a primeira grande surpresa: a inclusão do saxofone revela-se verdadeiramente brutal. É um daqueles momentos que, seguramente se tornarão imortais! Saxofone que volta logo a seguir para uma calma e mais radio-friendly Tonight Is The Night. No tema título voltam os apontamentos acústicos num dos temas mais hard rock do disco onde o final volta a surpreender com a entrada por campos sinfónicos. Depois, não podia deixar de se referir o tema de encerramento, com mais de sete minutos. Um final perfeito para um disco memorável e intemporal, embora cortando completamente com a linha de orientação trazida até então. No One Can Feel It’s Over é um trecho calmo, triste até, muito sentido. Inesperado, é certo, transpira emoção e sofrimento em cada nota. E beleza. Não sendo muito habitual neste género, acaba por ser uma forma muito pessoal de Alec Mendonça transmitir algumas vivências pessoais e também de demonstrar que para o compositor brasileiro não existem limites, quando o que se pretende é construir canções e álbuns marcantes.
Tracklist:
1- I'm Alive
2- I Feel Divine
3- Don´t Go Now
4- Strong Enough
5- Mary-Ann
6- Tonight Is The Night
7- Bohemian Kingdom
8- Leon’s Going Soft
9- Cassie’s Dream
10- No One Can Feel It’s Over
Line-Up:
Philip Bardowell – vocais
Alec Mendonça – baixo e vocais
Jean Barros – teclados e pianos
Juno Moraes – guitarras e bandolim
Diogo Macedo – Drums
Convidados:
Mike Wallace, Matti Alfonzetti, Church Choir of Mission Viejo (California) – backing vocals
Zé Canuto – saxophone e flauta
Anders Loos - baixo
Lars Chriss - bateria
Internet:
Edição: Escape Music

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Entrevista: Slam & Howie And The Reserve Men

Estando perfeitamente à vontade quer num saloon quer num clube punk, os suiços Slam & Howie And The Reserve Men são uma das mais refrescantes e originais propostas saídas do velho continente. Com o seu quinto álbum, Sons Of Ancient Times, preparam-se para tomar de assalto, mais uma vez a Europa (também mais uma vez, Portugal não entra!) com o seu estilo único, inconfundível e altamente energético. O líder da banda Lt Slam falou a Via Nocturna da evolução do quinteto e do seu novo trabalho.
 
Viva Slam! Obrigado por perderes algum do teu tempo a responder a Via Nocturna. Para quem não conhecem a tua banda, podes apresentar os Slam & Howie and The Reserve Men?
Somos de Berna, Suíça e andamos em tournée pela Europa desde 2006. Primeiro, éramos apenas dois elementos (voz/guitarra, bateria), depois transformamo-nos num quarteto (mais guitarra e baixo) e, finalmente chegou o nosso amigo Ross The Red a bordo para nos tornarmos num quinteto (mais guitarra/banjo). Quem sabe, não seremos 10 pessoas em palco dentro de alguns anos. Defendemos a música honesta e artesanal, tocamos o que gostamos, portanto, a nossa música é uma mistura entre rock, country, bluegrass e rockabilly ou simplesmente chamado de rock 'n roll.
 
Vocês são conhecidos por energéticos espetáculos ao vivo. Desta vez, colocaram toda a vossa energia neste novo álbum, não concordas?
Sim, estás certo! A decisão de gravar um novo álbum foi muito espontânea. Demorou apenas seis meses desde o primeiro momento até a data de lançamento no início de fevereiro. Dentro deste período, colocamos toda a nossa energia neste processo de escrita de canções (e escrevemos mais de 40), desenvolvimento das músicas, escrever letras, selecionar temas e, finalmente entrar em estúdio com as 13 músicas que mais gostávamos. Além de que fizemos alguns espetáculos como compensação mental. Quando se trabalha duro não deves esquecer a festa de vez em quando.
 
É engraçado que sendo vocês da Suíça, a vossa sonoridade é muito americana. Há algum motivo?
Bem, quando se vive na Suíça têm-se duas possibilidades: ou se canta em suíço-alemão(a nossa língua-mãe) ou se canta em Inglês. A Suíça é um país muito pequeno e a parte de língua alemã é ainda menor (cerca de 4,5 milhões). O que tocamos não é muito pop mainstream e coisas do género e gostamos de fazer tournées (o que não é possível na pequena Suíça). Assim, devido a estes fatos foi claro desde o início que nós iríamos cantar em Inglês. Vemos isso como um elogio, se as pessoas pensam que somos dos EUA.
 
Sons Of Ancient Times é já o vosso quinto álbum. De que forma marca a vossa evolução enquanto banda?
Bem, isso não é uma pergunta fácil, talvez devas ser tu a responder. Para o primeiro disco nós não tínhamos nenhum plano… apenas tínhamos algumas canções, fomos para estúdio e gravámos o álbum inteiro em dois dias e meio. Desde 2006 até hoje fizemos quase 600 espetáculos o que significa que temos muitas impressões de toda a Europa, ouvimos toneladas de outras bandas, sendo que fomos influenciados por algumas delas e por último, mas não menos importante, envelhecemos. Com os últimos dois discos (Renegade, Sons Of Ancient Times), decidimos desistir de quaisquer fronteiras musicais e apenas escrever as melhores músicas possíveis. Essa é uma das razões pelas quais os nossos discos têm sido mais versáteis durante os últimos anos.
 
Basicamente o álbum foi gravado ao vivo em estúdio, certo? Como foi a experiência?
Todos os nossos álbuns foram basicamente gravados ao vivo. Mas desta vez mudamos a forma de gravação. Desta vez foram registados primeiro todas as faixas básicas. Significa que toda a banda tocou as músicas e nós gravamos a bateria, baixo e as guitarras elétricas. Depois de todas as faixas básicas estarem feitas, eu fiz os vocais e as guitarras acústicas para cada faixa e assim por diante... Neste álbum, fizemos uma música por dia. Começamos pela manhã com as faixas básicas, tentei alguns arranjos, fiz os vocais, o resto da banda fez os backings vocals, adicionamos algumas slide guitar, guitarras elétricas e acústicas etc. Até que ao final do dia tínhamos uma música completa. Foi uma sensação boa, trabalhar o dia inteiro na mesma música, manter o foco, desenvolver ideias diferentes, ir bem fundo dentro da música. Acho que se pode ouvir isso no disco.
 
Então correu bem todo o processo de gravação?
Antes de irmos para estúdio fizemos nós próprios uma pré-produção na sala de ensaios. Por isso, toda a gente sabia mais ou menos o que fazer. Isso facilitou em estúdio e conseguimos colocar o foco nas músicas, no sentimento e até houve tempo e espaço para experimentar coisas novas. A atmosfera foi muito relaxante e passamos um tempo muito bom no estúdio. Dave, o produtor, puxou por nós de forma decente e conseguiu trazer para fora o melhor de nós.
 
O bandolim e o banjo desempenhar um papel muito importante na vossa música, na minha opinião. É fácil cruzar estes instrumentos com os instrumentos mais tradicionais do rock durante o processo de escrita?
Sim, estás certo. Somos três guitarristas na banda. Então, há alguns anos atrás eu falei com os outros dois guitarristas e incentivei-os um pouco com a ideia de aprender a tocar banjo e bandolim. São elementos com uma mente muito aberta e compraram um banjo e um bandolim e começaram a ensaiar! Depois de algumas semanas eles já tocavam algumas das músicas do seu novo instrumento. Foi de loucos! Mas nós os três crescemos a ouvir rock e hard rock, de maneira que está gravado nos nossos corações. Assim, sempre que escrevemos músicas com banjo e bandolim o nosso fundo rockeiro está presente e torna-se mais fácil para nós incluir esses instrumentos no processo de escrita.
 
A masterização foi feita por Ed Brooks, em Seattle. Deve ser uma honra para a banda, embora esta não seja a primeira vez que ele trabalha convosco…
Ed Brooks já tinha masterizado o nosso segundo álbum Guilty. Fez um trabalho perfeito e ele é uma pessoa boa e de trato fácil. Desde o início que pensamos nele para fazer a masterização de Sons Of Ancient Times.
 
Em breve estarão em tournée pela Europa. Quais são as vossas expectativas?
Antes de mais, estamos completamente a arder para ir em tournée por toda a Europa, porque é aí onde somos melhores. Espetáculos enérgicos, selvagens... Espero que sejamos capazes de alcançar novas pessoas e ainda satisfazer os nossos "velhos" fãs. Passar um bom bocado e saborear a deliciosa gastronomia local (risos).
 
Estará Portugal incluindo nessa tournée?
Até agora, infelizmente, Portugal não está em nosso cronograma da tournée. Mas nós tocaremos em Cangas, Espanha que não é longe da fronteira. Seria um grande prazer para nós receber alguns fãs de Portugal e beber uma cerveja Superbock juntos! (risos)
 
A terminar, dou-te a oportunidade de dizeres algo mais para os nossos leitores...
Muito obrigado a todos vocês pelo vosso apoio. É bom saber que existem pessoas aí que ainda amam a boa e velha música artesanal. Tudo de melhor e vemo-nos na estrada. Saúde