sexta-feira, 28 de junho de 2013

Review: Rock Savage (Lawless)

Rock Savage (Lawless)
(2013, Escape Music)
(5/6)
 
No fim de 2012 dois elementos dos Demon (Paul Hume e Neil Ogden) sentiram a necessidade de criar uma nova entidade onde pudessem explorar as sonoridades atuais do hard rock/heavy metal. Acompanhados por Howie G, dos Persian Risk e Josh Williams dos HeadrusH nasceram os Lawless. A primeira proposta aparece com a chancela de qualidade da britânica Escape Music e denomina-se Rock Savage. O álbum abre forte em mid-tempo com o hino Heavy Metal Heaven, com riffs eletrizantes, e melodias diretas e cativantes. Sem dúvida seguindo as regras estabelecidas por os maiores clássicos do género. Black Widow Ladies mostra-se algo diferente. Mais calma, melódica e compassada apresenta uma sensualidade diferente. F.O.A.D. é mais outro hino metálico com o nome de Judas Priest a surgir como referência. Curiosamente o quarto tema volta a aproximar-se do segundo num registo mais lento e compassado. Ou seja, até aqui verifica-se um perfeito equilíbrio entre o poder e a sensualidade do metal. Ao quinto tema, SOS, surge um dos melhores temas de Rock Savage, pela melodia, pela velocidade, pelo poder da secção rítmica, pelos riffs. Outro ponto muito alto deste disco é atingido com o tema final, Metal Time, como se depreende, um outro hino de metal puro destinado aos verdadeiros e incondicionais fãs. Mas, como já se provou, um dos sinais de maturidade dos Lawless é a forma como não se prendem a um único género e são capazes de introduzir variabilidade. E isso verifica-se, para além dos temas já referidos, por exemplo em Step In, com ares de AOR ou em Where Heroes Fall, caraterizada pelo seu forte groove. Por tudo isso, pela energia posta em cada tema, pelas cativantes linhas melódicas, pela coesão das estruturas instrumentais, pelas grande canções e enormes hinos, Rock Savage é um disco que merece ser ouvido e apreciado.
 
Tracklist:
1- Heavy Metal Heaven
2- Black Widow Ladies
3- F.O.A.D
4- Misery
5- SOS
6- Rock n Roll City
7- Step In
8- Scream
9- Pretender
10- Where Heroes Fall
11- Metal Time
 
Line-up:
Paul Hume – vocais, guitarras
Neil Ogden - bateria
Howie G – guitarra solo
Josh (Tabbie) Williams - baixo
 
Internet:
 
Edição: Escape Music

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Entrevista: Gloryful

Nome capaz de manter e elevar o legado do heavy metal tradicional germânico, os Gloryful estreiam-se com The Warrior’s Code, um festim para os adeptos dos grandes nomes do passado como Manowar, Iron Maiden ou Judas Priest. O guitarrista Jens Basten, também membro dos Night In Gales, disponibilizou-se para contar tudo a Via Nocturna.
 
Olá Jens, antes de mais obrigado por nos concederes esta entrevista. Os Gloryful são uma nova banda. Podes contar-nos um pouco do vosso percurso até agora?
Johnny la Bomba e eu começámos os Gloryful no verão de 2010 como um projeto inicialmente apenas de dois elementos. Nessa altura não tinha objetivos profissionais em mente. O mais importante era prestar homenagem às bandas de Heavy Metal clássicas que consideramos as mais importantes para as nossas vidas, da mesma forma que são as bandas mais importantes para um milhão de metal maniacs pelo mundo fora. Refiro-me a deuses como Iron Maiden, Judas Priest e Manowar. Fizemos o Sedna`s Revenge demo EP como um lançamento em formato DIY. Foram as nossas três primeiras músicas. O feedback foi suficientemente bom para alargar o line-up e levar os Gloryful para palco. A formação atual é Johnny la Bomba (vocais), Vittorio Papotto (guitarra), Oliver Karasch (baixo), Hartmut Stoof (Bateria) e finalmente eu na outra guitarra. Produzimos o nosso primeiro álbum e pedimos a diversas editoras para o lançar. Assinámos um acordo com a Massacre Records no início de 2013. O nosso álbum de estreia chama-se The Warrior’s Code e foi lançado a 24 de maio. Estamos muito orgulhosos deste pedaço de metal e estamos a tentar promovê-lo o máximo que pudermos!
 
Os clássicos são, então, as vossas principais influências?
Como poderão facilmente ouvir as nossas principais influências são os grandes clássicos dos anos 80. Bandas de heavy metal como Judas Priest, Helloween, Manowar, Iron Maiden, Accept ou Running Wild. Podes adicionar um pouco de Thin Lizzy e de Rainbpw nas guitarras. Mas nunca tivemos essas bandas em mente para soar exactamente como elas. Apenas escrevemos algumas músicas de heavy metal e saíram assim.
 
Como já referiste, o vosso primeiro EP granjeou-vos uma grande reputação. Sentiram mais pressão para este álbum devido a isso?
Nem por isso (risos). Sabes que esse foi uma produção e lançamento completamente DIY. E não foi distribuído profissionalmente, por isso não teve muitas reviews. Além disso, foi gravado apenas com dois elementos. Sabíamos que, se produzíssemos o nosso álbum de estreia como uma banda completa com uma produção de qualidade, artwork profissional e tudo isso, ele iria facilmente superar esse demo-EP.
 
Dan Swanö referiu que com os Gloryful, o legado do metal alemão está intacto. É uma honra. Como sentiram sente estas palavras?
Dan cresceu com as clássicas bandas de metal dos anos 80, mesmo com as bandas importantes da cena alemã, portanto sabe do que fala. E, como referes, isso significa uma grande honra para nós. Nós crescemos com o genial primeiro trabalho dos Edge of Sanity. Unorthodox ainda é um dos meus discos favoritos de Death Metal de todos os tempos. Dan é muito mais do que um simples músico de prog ou death. Com o seu projeto dos anos 90 de metal verdadeiro chamado Steel, provou todo o seu conhecimento sobre o verdadeiro som Heavy Metal. E todos nos lembramos da grande capa de Blood of Enemies do Manowar em The Spectral Sorrows.
 
Falando em Dan ele misturou e masterizou o álbum. Como se processou o contacto com ele?
Tudo aconteceu no início de 2011. Nessa altura entrei em contacto com ele para misturar e masterizar o álbum de regresso dos Night In Gales, Five Scars. Ele mostrou-se uma pessoa muito fixe e muito terra-a-terra com pura diversão no trabalho, e o resultado que obteve com aquele disco dos Night In Gales foi simplesmente brilhante. Como ele, entretanto, se mudou para a Alemanha para uma cidade perto da nossa base, conhecemo-nos pessoalmente e mantivemos o contacto. Por isso, pedimos-lhe para misturar o The Warrior’s Code no Verão de 2012 e gostou de fazer este trabalho de puro metal. Sabes que para nós não se trata de escolher um grande nome como Kris Verwimp (que fez o artwork) ou ele. É exatamente porque precisamos contar com alguém a 100%. No negócio da música é melhor aproveitar as oportunidades (risos). Sabes que cada banda só tem um álbum de estreia…
 
Nas tuas palavras, como descreverias The Warrior’s Code?
The Warrior’s Code é um clássico álbum de Heavy Metal que traz a magia dos lançamentos clássicos dos anos 80 sem tentar soar como um disco anos 80. Podes perceber-te que nós não tentamos esconder as nossas principais influências como os primeiros Manowar, Iron Maiden e Judas Priest. Não temos que esconder isso porque temos um som único por causa da voz original de Johnny e com as nossas músicas que mostram um sentido Gloryful especial. The Warrior’s Code não é um típico disco de power metal europeu com altos vocais agudos e um monte de altos teclados na mistura. A voz de Johnny é muito mais rasgada e a música mais heavy metal. O nosso conceito é o de manter as estruturas simples e integrar alguns ritmos cativantes e coros nas nossas músicas. Gloryful não é um desses projectos de tendência retro muito em voga atualmente. Não usamos roupas glam, nem temos um som extra-grave para expressar a nossa “autenticidade”.
 
Quais os vossos planos para os próximos tempos?
Acabamos de lançar o nosso primeiro vídeoclip oficial de The Warrior’s Code no nosso canal do youtube. A próxima ação será o lançamento em vinil do álbum numa edição limitada a 300 cópias em finais de julho. Além disso, vamos completar o processo de composição para o nosso segundo álbum em breve. 70% das faixas para o segundo álbum já estão escritas. Temos que terminar todo o conceito lírico e tratar dos solos de guitarra e coisas assim. As sessões de gravação estão previstas para agosto/setembro.
 
Alguns de vocês ainda são membros dos Night In Gales. Há alguma novidade a seu respeito?
Bem, actualmente só estou na banda, mas como estamos a cumprir uma pequena pausa, isso não toma muito do meu tempo agora. Talvez a gente continue em 2014 com um novo álbum, mas não posso acrescentar muito mais neste momento.
 
E estão envolvidos em mais algum projeto?
Para todos nós, Gloryful é a principal atividade no momento. No entanto, Vito toca guitarra numa banda com vocalista feminina chamada Exotoxis, o baterista Hartmut está a fazer um estranho álbum de metal progressivo com seu projeto chamado Ikebana Warlords e o nosso baixista Oliver toca numa banda de jazz. Eu trabalho numa colaboração de black metal com um grande amigo meu. O nome da banda é The Wake. O álbum de estreia será lançado em algum momento no futuro.
 
Como será a agenda para levar The Warrior’s Code para palco?
Na verdade, tocamos quase todos os segundos fins-de-semana, pois há muitas ofertas a chegar e estamos a trabalhar com uma booking agency para conseguir espetáculos com bandas maiores. Até agora fizemos grandes concertos com bandas como Grand Magus, High Spirits, Vicious Rumors, Powerwolf, Helstar ou poderoso Paul di Anno. Estão previstos alguns espetáculos grandes e fixes, por exemplo com Axxis. Atualmente estamos em negociações para uma tour europeia. Espero que se tornem realidade.
 
A terminar, queres acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores?
Obrigado por comprarem o nosso disco! Para quem não ouviu até agora, por favor, vá e confira em www.gloryful.net. Lá podem ouvir todas as faixas. Também podem encontrar weblinks para material promocional e merchandising relativo a The Warrior’s Code. Entrem em contacto se querem ajudar a levar os Gloryful a atuar (talvez com a vossa banda?) no vosso país! Mantenham-se fiéis ao metal.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Review: On The Guest List (The Vibrators)

On The Guest List (The Vibrators)
(2013, Cleopatra Records)
(5/6)
 
Como o próprio nome deixa transparecer, On The Guest List é um disco onde os veteranos The Vibrators, banda de culto do punk britânico trabalham em conjunto com uma série de convidados. São 19 personagens que emprestam os seus dotes aos 16 temas do álbum. Entre os nomes mais sonantes encontram-se Brian James dos The Damned, Hugh Cornwell dos The Stranglers, Nicky Garrat dos U. K. Subs, Ross The Boss dos The Dictators ou Campino dos Die Toten Hosen. Essencialmente, a participação destes convidados centra-se no trabalho de guitarra, mas também há algumas participações ao nível dos vocais, uma no baixo e, eventualmente, a mais relevante de todas (pelo menos por ser mais inesperada) a de Mickey Finn (Cold Blue Rebels) na harmónica no brilhante tema de encerramento do disco, Voodoo Eye. Musicalmente, On The Guest List é um disco de punk rock. Ponto! A simplicidade e energia do género estão aqui bem representadas num disco que, ainda tem tempo, para apresentar um par de canções com excelentes linhas melódicas, algumas vezes até algo pop. Dentro da linha mais melódica citaríamos principalmente Baby Baby, Birdland Is Closed e Rock’n Roll Clown (com travo country), embora Every Dog, Prisoner In The Mirror (a tocar o rockabilly) e One More, também sejam bastante apelativas a esse nível. Do lado oposto, The Ohio e Long Beach Police são, dentro da vertente mais punk rock, os temas mais fortes, duros e crus. Os convidados emprestam os seus atributos a todos os temas, enriquecendo-os. Para além de Voodoo Eye e da sua estonteante harmónica, destaque ainda para os solos de Wayne Kramer (MC5) em Prisoner In The Mirror a criar, em quase a totalidade da música, uma segunda linha melódica. Este é um formato que se repete, com mais ou menos tempo de exposição, em View From My Cadillac, 2nd Skin e Automatic Lover. E que é um dos aspetos mais interessantes de On The Guest List. E que também ajuda, juntamente com os outros aspetos antes referidos, a que este trabalho do quarto britânico seja um disco muito apetecível, principalmente para aqueles que se revem no punk rock.
 
Tracklist:
1.      View From My Cadillac
2.      2nd Skin
3.      Automatic Lover
4.      Every Dog
5.      Prisoner In The Mirror
6.      Turn Up The Heat
7.      Rain To Town
8.      Baby Baby
9.      Birdland Is Closed
10.  One More
11.  My Stalker
12.  Rock ‘n’ Roll Clown
13.  The Ohio
14.  Whisps And Furs
15.  Long Beach Police
16.  Voodoo Eye
 
Line-up:
Knox – guitarras e vocais
Eddie – bateria
Pete – baixo e vocais
Nigel Bennett – guitarras
 
Com:
Eddie Spaghetti (Supersuckers)
Dan “Thunder” Bolton (Supersuckers)
Wayne Kramer (MC 5)
Brian James (The Damned)
Hugh Cornwell (The Stranglers)
Nicky Garratt (U. K. Subs)
Leonard Graves Phillips (The Dickies)
Stan Lee (The Dickies)
Ross The Boss (The Dictators)
Chris Spedding
Walter Lure (The Heartbreakers)
Bill Davis (Dash Rip Rock)
Tomomi Nabana (Detroitseven)
James Donovan (The Dead Tricks)
Lorne Behrman (The Dead Tricks)
Tony Lovato (Mest)
Mickey Finn (Cold Blue Rebels)
Campino (Die Toten Hosen)
Ty Segall
 
Internet:
 

domingo, 23 de junho de 2013

Review: After Sound Comes Silence (Under The Pipe)

After Sound Comes Silence (Under The Pipe)
(2013, Ethereal Sound Works)
(3.9/6)
 
Valério Paula tem seguido um interessante trajeto em nome individual e sob a designação de Under The Pipe. Com de um EP e de um álbum, ambos editados apenas em formato digital com boa recetividade, eis que surge o primeiro trabalho físico do guitarrista numa edição da cada vez mais eclética Ethereal Sound Works. Acompanhado por Igor Pedroso e João Modesto, After Sound Comes Silence volta a mostrar-nos um Paula a explorar sonoridades post-rock instrumentais. E acreditamos que o facto de não existirem vocais, a concentração nas linhas instrumentais poderá ser mais evidente. E aqui o que parece ser mais evidente será um acentuar da musicalidade, das harmonias e das melodias. Os dois primeiros temas são bons exemplos disso mesmo, conseguindo agarrar o ouvinte pelo equilíbrio e pela melodia. Aliás, na nossa opinião The Sun Born Again (juntamente com Long Way To Die!) são as melhores peças desta rodela. No Need Words, a terceira faixa é também bastante harmoniosa mas Everything Is Sound já é diferente. Mais forte e densa, toca o noisy e tem uma ambiência mais crua e fria a realçar a produção também ela muito crua. Depois volta a acentuar-se a componente melódica até ao fecho em jeito marcial de Minutes, Hours, Days To Rest. After Sound Comes Silence é um disco curto e que faz da sua aparente simplicidade o seu ponto forte. As emoções são criadas apenas por essa simplicidade que três instrumentos conseguem criar. Aqui não há produções fictícias. O que se ouve é o que os músicos tocam. Sem truques de maquiagem. Verdadeiro, sentido, humano, orgânico.
 
Tracklist:
1.      Why Do You Think In Sadness?
2.      The Sun Born Again
3.      No Need Words
4.      Everything Is Sound
5.      The Music In Our Ears
6.      Long Way To Die!
7.      Minutes, Hours, Days To Rest
 
Line-up:
Valério Paula – guitarras
Igor Pedroso – bateria
João Modesto - baixo
 
Internet:
 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Review: If It Ain't Broke... (Hogjaw)

If It Ain’t Broke (Hogjaw)
(2013, Swampjawbeamusic)
(5.6/6)
Sem margem para dúvidas… o rock’n roll está bem vivo! E o quarto álbum dos Hogjaw prova definitivamente isso. Em 10 temas o quarteto liderado por Jonboat Jones apresenta uma explosiva mistura de rock’n roll, rock sulista, hard rock e country elevando a sua música a patamares de classe e de intensidade nunca atingidos! E basta ouvir os primeiros acordes de One More Little One para se ficar completamente siderado. O que aqui está é, de facto, demasiado bom para ser olvidado. E apesar de tal nível de superior excelência só voltar a ser atingido no final com Beer Guzzlin’ Merican, existem, pelo meio diversos outros motivos de interesse e temas de grande qualidade. Como por exemplo Cold Dead Fingers, tema muito rápido, com monumentais riffs e uma bateria com uma dureza assinalável. Por falar em guitarras e bateria, refira-se que em If It Ain’t Broke… os respetivos executantes destes instrumentos têm um desempenho exemplar. Por exemplo, ouçam as duas partes de The Wolf onde as dinâmicas de bateria criadas são, efetivamente, deslumbrantes. Tudo o que está aqui presente é simplesmente rock’n roll, cheio de atitude, divertimento, alegria e extremamente orgânico. Como uma esfusiante viagem pelos desertos americanos com os ventos a rasgarem a pele. Sim, a sonoridade Hogjaw é claramente americana e nem o sotaque de Jones desmente isso. E isso é mais uma riqueza deste coletivo. A sua ligação à terra, ao mundo real, ao mundo dos Hogjaw. Musicalmente aconselha-se a audição de If It Ain’t Broke… bem alto, numa viagem longa por caminhos poeirentos e de descapotável. Mas se não for aí não importa. O que importa é que não deixem escapar este disco.
Tracklist:
1.      One More Little One
2.      Built My Prize
3.      Am I Wrong?
4.      Shiny Brass
5.      Cold Dead Fingers
6.      The Wolf Part I
7.      The Wolf Part II
8.      Devil’s Eyes
9.      ‘83
10.  Beer Guzzlin’ Merican
Line-up:
Jonboat Jones – vocais e guitarras
Kreg Self – guitarras
Elvis D – baixo
Kwall - bateria
Internet:
Edição: Swampjawbeamusic

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Entrevista: The Burning Crows

Uma banda que com apenas um EP consegue fazer uma tournée como cabeça de cartaz, recebe nomeações para prémios importantes e até é aclamada como o futuro do rock britânico não é uma situação muito usual. Mas aconteceu com os The Burning Crows com o seu EP de estreia Never Had It So Good. Agora, o primeiro longa duração Behind The Veil vem confirmar todos os predicados e mostrar que quem apostou no quarteto britânico não se enganou. Tal como o seu hard rock, também o vocalista e guitarrista Whippz, se mostrou alegre e descomprometido nesta entrevista a Via Nocturna.
 
Viva Whippz!  Obrigado por concederes algum tempo a Via Nocturna. Os The Burning Crows nasceram em 2010. Pode falar um pouco da vossa carreira até agora?
2010... Foi tão rápido! Tivemos um par de anos incrível. Quando começamos, passamos muito tempo em estúdio a escrever e ensaiar antes de tocarmos  mais de uma centena de espetáculos e festivais em todo o país no primeiro ano. Depois disso, entramos nos mundialmente famosos Rockfield Studios no País de Gales (onde os Queen, Oasis, Sabbath gravaram alguns de seus maiores álbuns) para gravar o nosso primeiro EP Never Had It So Good, com o lendário produtor Nick Brine (The Darkness, Bruce Spingsteen, Seasick Steve), que levamos para a estrada logo a seguir com uma tournée de verão do Reino Unido e Irlanda e também como convidados especiais dos Quireboys na sua tournée de inverno. Depois de termos batido os 100% com a nossa campanha Pledgemusic voltamos para Rockfield para mais uma vez trabalhar com Nick e gravar nosso primeiro álbum Behind The Veil e aqui estamos nós em 2013 a lançá-lo!
 
Qual foi o vosso background musical antes de The Burning Crows?
Bem, todos nós já nos conhecemos há anos e tocamos em vários outros projetos juntos antes, portanto seria inevitável que iriamos acabar numa banda juntos. Basicamente tudo começou com algumas garrafas de vinho ao sol e tem sido festa desde então! É muito trabalho, mas há uma grande camaradagem, muitas risadas, muitos bons momentos (a maioria das quais não podemos falar) e acho que realmente tudo isso vem através da música e do que fazemos ao vivo.
 
Após o grande sucesso do vosso primeiro EP, sentiram algum tipo de pressão na altura de começarem a preparar este primeiro álbum?
Nem acreditávamos na resposta que tivemos ao EP - foi incrível! Por isso, sim, definitivamente havia muita pressão extra para realmente fazer algo verdadeiramente incrível que tanto nós como todos os fãs se pudessem orgulhar. Felizmente, quando estás num estúdio como Rockfield com um produtor como Nick, o álbum faz-se a si próprio. Esse lugar é como a Meca do rock n roll e Nick sabe-o, por isso muito rapidamente deixa de ser uma pressão enorme para se transformar num enorme prazer.
 
E o título de "futuro do rock britânico" não te assusta? Como reagem a isso sendo uma banda tão nova?
É incrível e é um elogio enorme! Os comentários e reviews que recebemos têm sido felizmente sempre muito positivos e é uma coisa maciçamente humilhante ver pessoas de todo o mundo a gostar das músicas que escreveste (acho que algumas pessoas conhecem as letras melhor do que eu - risos). Mas para nós, somos apenas nós. Nós não estamos a tentar ser alguém que não nós. Somos influenciados por algumas bandas incríveis e, apesar de que isso sempre vai existir na música, as músicas são todas reais e honestas e são sobre coisas que conhecemos... Beber e mulheres (risos)! Falando sério, é tudo muito orgânico, portanto continuamos com isto e, felizmente, as pessoas parecem realmente gostar sem ser forçado nem fingindo ser os próximos Mötley Crüe…
 
E também foram nomeados nas categorias de Melhor banda ao vivo e melhor Canção de Rock em 2010 e 2011 na Exposure Music Award! Tanto reconhecimento para uma banda com apenas um EP. Ficaram impressionados? De que forma isso ajudou a banda no seu processo de desenvolvimento e crescimento?
Absolutamente! Não conseguia acreditar nisso nem no facto de sermos cabeças de cartaz na tournée pelo Reino Unido e Irlanda com apenas um EP quase desconhecido. São situações como esta que ajudam a empurrar a banda mais para cima e a fazer melhor do que tinha sido feito. Eu penso que foi fundamental para o sucesso que tivemos até agora mas mais do que qualquer outra coisa, devemos isso a todos os fãs e amigos em todo o mundo por lhes darmos 110%, 366 dias por ano!
 
E a respeito de Behind The Veil, como descreverias, nas tuas próprias palavras, este álbum?
Para mim... É como uma orgia dos bons tempos, um carnaval de frivolidade, uma festa para os sentidos, o cocktail perfeito das mulheres com mais de uma pitada de vinho – puro sexo audível (mas mais uma vez eu sou preconceituoso...). Quero dizer, se as pessoas querem um álbum que se centra na política e em todos os problemas do mundo, então provavelmente deve ir comprar um disco dos Coldplay. Mas se procuras bons momentos rock n roll no estilo do AC/DC, Kiss e Rolling Stones em que podes beber, dançar e agarrares-te a uma amante - então este é o álbum indicado!
 
Voltam a ter a colaboração de Keith Weir. Como surgiu este envolvimento?
Nós já conhecemos Keith há algum tempo e ele começou a aparecer e a conversar em alguns shows e festivais. Quando fomos para estúdio para gravar, chegou e tivemos a sorte em tê-lo a tocar teclas em Time, que realmente acrescentaram algo à música e realmente me fizeram despertar. Keith é uma pessoa fantástica e ele compreendeu instintivamente o que era necessário. Adoro essa música!
 
Quais os planos para levar Behind The Veil para a estrada?
Estranhamente acabei de falar com o nosso agente e há muitos planos e ideias em desenvolvimento neste momento, mas não estamos autorizados a dizer exatamente quais são. No entanto, acho que se pode dizer que não é mais do que uma pequena oportunidade de que vamos estar lá para todos vocês, mais cedo do que pensam, portanto, mantenham-se atentos e… vemo-nos no bar!
 
Queres acrescentar algo mais para os nossos leitores?
Obrigado a todos vocês que estiveram connosco desde o início. São incríveis e adoramos-vos! Para quem está a tomar contacto connosco pela primeira vez, venham dizer uma olá no facebook ou qualquer outro site que usem e agarrem uma cópia do álbum a partir de 17 de junho através www.musicbuymail.eu. Felicidades a todos, e muito amor para todos vós.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Review: The Warrior's Code (Gloryful)

The Warrior’s Code (Gloryful)
(2013, Massacre Records)
(4.8/6)
 
Afinal o true metal da escola germânica ainda vive! E vive na forma dos Gloryful jovem coletivo que estreia para a Massacre com The Warrior’s Code, um trabalho misturado e masterizado por esse mago que é Dan Swanö. O disco abre com uma intro sinfónica que rapidamente dá sequência para todo um festim para os verdadeiros aficionados do verdadeiro heavy metal. Daquele puro, sem mestiçagens, forjado a fogo e aço. São verdadeiros hinos épicos, cheios de power e atitude e quase sempre up-tempo. Assim como se de uma versão revista, atualizada e modernizada dos Manowar dos bons velhos tempos se tratasse. Um dos grandes destaques deste trabalho são os grandes solos, quer em termos de rapidez e pura técnica quer no campo melódico (com a técniva vs sensualidade). O trabalho da guitarra solo é, definitivamente, uma mais-valia para The Warrior’s Code. Outra são os coros épicos e pedir muitas gargantas a gritar! Claro que não podia faltar o momento em que o guerreiro descansa. É a balada, Breaking Destiny, bela e sensual com registo acústico e com posterior natural reação. No entanto, The Warrior’s Code tem um problema: o final do disco é claramente menos apelativo. E isso talvez se fique a dever a alguma repetição de ideias que vão causando alguma exaustão. Independentemente disso, a música dos Gloryful é… simplesmente metal glorioso. Nada mais! E quem gosta, gosta assim… e deverá gostar bastante de The Warrior’s Code.
 
Tracklist:
01. The Riddle Of Steel
02. Gloryful’s  Tale
03. Heavy Metal - More Than Meets The Eye
04. The Warrior’s Code
05. Evil Oath
06. Chased In  Fate
07. Breaking Destiny
08. Far Beyond Time
09. Fist Of Steel
10. Sedna’s Revenge
11. Death Of The First Earth
 
Line-up:
Johnny La Bomba – vocais e guitarra acústica
Jens „Shredmaster JB“ Basten - guitarras
Vittorio Papotto - guitarras
Oliver Karasch - baixo
Hartmut Stoof - bateria
 
Internet:
 
Edição: Massacre Records