terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Review: A Billion Years Of Solitude (Sky Architect)

A Billion Years Of Solitude (Sky Architect)
(2013, Gonzo Multimedia/Galileo Records)
(5.2/6)

Sem dúvida que este ano de 2013 nos apresentou bons (alguns até excelentes) álbuns de prog rock. Faltava ainda o regresso dos holandeses Sky Architect que, dois anos após o ambicioso A Dying Man’s Hymn apresentam A Billion Years Of Solitude, um disco fortemente influenciado pela ficção científica do século passado. Com essa temática em mente, a banda partiu para construção de um conjunto de sete temas (três deles acima dos 10 minutos) de um prog rock cruzado com sonoridades atmosféricas e espaciais com a boa particularidade de manter sempre o perfeito equilíbrio entre os dois mundos. O quinteto de Roterdão explora da melhor forma poliritmos e polifonias, crescendos e diminuendos de intensidade, passagens atmosféricas e intensas, sempre com a noção de musicalidade muito presente, fazendo sobressair o coletivo e a canção em detrimento da exposição da sua enorme bagagem técnica. Para isso existe um tema, Jim´s Ride To Hell, curto instrumental, onde a banda aproveita para explorar esses devaneios técnicos individuais. No resto, quem manda é a canção, o sentimento, a emoção e a musicalidade, sendo que toda a complexidade e virtuosismo técnico são colocados ao serviço daqueles. E o melhor elogio que se pode fazer a este nível é que mesmo nos temas longos (10, 12 e 18 minutos) não se dá conta do tempo passar. Em suma, um belíssimo álbum de prog rock claramente aconselhado para fãs de The Flower Kings e afins.

Tracklist:
1.      The Curious One
2.      Wormholes (The Inevitable Collapse Of The Large Hadron Collider)
3.      Tides
4.      Elegy Of A Solitary Giant
5.      Jim’s Ride To Hell
6.      Revolutions
7.      Traveller’s Last Candle

Line-up:
Tom Luchies – vocais, guitarras
Rik van Honk – piano, mellotron, Hammond, sintetizadore
Wabe Wieringa – guitarras
Guus van Mierlo – baixo
Christiaan Bruin – bateria

Internet:

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Entrevista: Senhora Dona Morte

2013 termina com mais um marco importante no panorama spoken word nacional. O projeto Senhora Dona Morte que revisita o impressionante legado daquela que provavelmente será a maior poetisa nacional de todos os tempos: Florbela Espanca. A importância histórico-literária deste projeto levou Via Nocturna a contactar Alexandra S. a mente criativa responsável pela Senhora Dona Morte.

Antes de mais obrigado pela tua disponibilidade. Em que consiste o projeto Senhora Dona Morte?
Olá! Senhora Dona Morte pretende dar voz, forma e musicalidade a palavras do passado. Explorar a vasta obra poética em língua portuguesa para voltar a falar nos sentimentos que nela se encerram. No fundo, uma voz para ouvir só.

E quem são os elementos que integram este projeto?
Gosto de pensar que existem várias pessoas, pois tenho muitas ajudas, das fotografias às músicas. Neste «Florbela», por exemplo contei com a essencial ajuda do Aires Ferreira para dar forma às minhas ideias musicais.

Como surgiu a ideia de criar um projeto em torno da obra de Florbela Espanca?
Recordo-me que Florbela terá sido das primeiras poetisas que li, ainda em pequena. Sou, até hoje, uma fã acérrima da sua obra. Sempre pensei, em miúda, como seria bom ter Florbela Espanca para ouvir no autocarro a caminho da escola, nas noites sozinha, enfim! Ter alguém que me lesse Florbela. A ideia ficou por muitos anos, e finalmente ganhou forma com Senhora Dona Morte.

E porque a escolha de Florbela Espanca e não outro poeta nacional ou mesmo internacional?
Tinha de começar por Florbela!...  É aliás, um poema da mesma, que dá nome a este projeto. Este primeiro trabalho foi uma homenagem que espero ter contribuído para avivar o seu mito, ainda mais. Ela merece. Entretanto já fiz e farei outros autores como Cecília Meireles ou Jorge de Sena para o canal da Serpente no youtube. Visitem! Há por lá muito e bom conteúdo!

Houve algum critério a presidir à escola dos poemas? Não deve ter sido fácil essa escolha atendendo a toda a criação e à excelência da mesma criação de Espanca?
As escolhas nunca são fáceis.... Mas não houve propriamente um critério. Alguns, já eram meus preferidos outros foram trazidos pelo destino das mais diversas formas. Ou o livro abria naquela página, ou o Aires já sabia a que poema pertencia a música que acabara de compor.

Depois houve o processo de musicar esses poemas. Como se processou essa fase? Que cuidados tiveram?
Sou um pouco louca e fui com regularidade à casa onde Florbela morou, em Matosinhos. No regresso ouvia a música que trago no carro e doze horas de trabalho depois, estava um esboço feito! Os cuidados foram poucos. A ideia sempre foi fazer algo orgânico o suficiente para que o disco pareça algo genuíno e não mais uma produção hollywoodesca. Tratei do que consegui no piano e tudo o resto foi feito em conclui com o Aires e ainda tive a muito especial participação de um dos meus guitarristas preferidos de sempre, Nelson de Sousa, no tema A Doida. É, claro, um disco humilde na produção, mas é o que é possível a artistas independentes fazer por cá em 2013. Eu cá estou orgulhosa.

Para já edição apenas digital. Quem quiser ouvir e/ou adquirir o que deve fazer?
É verdade. Basta aceder a Serpente.net (para os interessados em comprar) ou procurar no youtube por Senhora Dona Morte.

E há previsões para uma edição física ou não?
Há sim. Aliás, quem já comprou a versão digital terá o valor na íntegra devolvido a quando da compra da edição física. Esta, caso a edição digital a consiga suportar em termos de custos, terá lançamento num oito de Dezembro de um ano não muito distante.

E projetos para levar estes poemas, por exemplo, para palco? Ou já está a ser realizado?
Já se falou nisso e até já fui convidada para fazê-lo, mas na verdade tenho sido um pouco avassalada por toda a boa atenção que o disco está a receber e acaba por ser esse o principal objetivo: divulgar o disco. Até para que se justifiquem então uma ou duas datas ao vivo. Que o futuro o decida!

E outros projetos para o novo ano que se avizinha?
Basicamente continuar a fazer outros autores e porque não Florbela, no canal da Serpente no Youtube.

Obrigado. Queres acrescentar mais alguma coisa que não tenha sido abordado nesta entrevista?
Obrigada eu pela gentil entrevista e divulgação! Espero que ouçam, sem preconceitos, e talvez descubram uma Florbela diferente da que imaginam. Grata!

domingo, 29 de dezembro de 2013

Review: Amor e Outras Maleitas (A Cepa Torta)

Amor e Outras Maleitas (A Cepa Torta)
(2013, Cogwheel Records)
(5.4/6)

Numa altura em que o canal público recupera, em série, o nascimento do rock português, apraz-nos registar que trinta anos depois ainda surjam nomes nacionais capazes de verdadeiramente surpreender apostando na nossa língua. E, curiosamente, é o insuspeito distrito da Guarda que aparece na vanguarda desse movimento (se calhar não é um movimento no sentido da palavra, mas é algo de relevante!). Depois dos Join The Vulture de Vilar Formoso, é a vez dos A Cepa Torta da Meda. Dois coletivos que fazem das palavras e do rock a sua força; dois coletivos oriundos de pequenas localidades do (cada vez mais) esquecido interior; dois coletivos editados pela conimbricense Cogwheel Records. Muitas coincidências embora na música haja menos. Amor e Outra Maleitas é um disco sensacional. Complexo e cheio de poliritmos e de um enorme dinamismo rítmico. Com brilhantes poemas e uma complexidade métrica e poética que só lembra Jorge Palma ou Sérgio Godinho. Querem um rótulo? Simplesmente rock! Do melhor que se faz em Portugal e com um vocalista que se assume como um dos melhores do atual cenário nacional. Mas seria injusto para os restantes dois elementos só referir Carlos Fial. A bateria de André Branco e o baixo de Bernardo Esteves também têm desempenhos de nível elevado. Tudo junto resulta num trabalho de 9 temas de poderoso rock, brilhantes desempenhos individuais, grandes melodias e monstruosas guitarradas. Obrigatório descobrir!

Tracklist:
1.      C. R. I. S. E. (Coisas Redundantes Inseridas em Sistemático Egocentrismo)
2.     
3.      Maleita
4.      E Assim Jaime Foi Correr o Cão
5.      Febre
6.      Dias de Raiva
7.      Embuste
8.      Em Quanto
9.      Um Pouco Mais

Line-up:
André Branco – bateria e voz
Bernardo Esteves – baixo e voz
Carlos Fial – voz, guitarra e harmónica

Internet:

Edição: Cogwheel Records 

Notícias da semana

Quatro anos após o lançamento do primeiro álbum, homónimo, por uma editora britânica, e que originou ótimas críticas em imprensa escrita nacional e internacional de referência no rock, como Kerrang!, Metal Hammer, Loud!, Ípsilon, os Tryangle estão de baterias recarregadas e voltam com Blue. Não é apenas um single, tem vídeo e é a nova proposta da banda.

Os espanhóis Kilmara terminaram as gravações do seu próximo álbum intitulado Love Songs And Other Nightmares. Aquele que é já o terceiro trabalho da banda foi gravado nos Grapow Studios com Roland Grapow. O álbum tem data de edição prevista para o início de 2014.




Um vídeo teaser de Tattooed Woman do álbum de estreia dos Miracle Master com o tema Miracle Masters pode ser visualizado aqui.


Um novo tema dos prog metallers Assignment, The Betrayal já está disponível para audição aqui. Este tema conta com a participação de Michael Bormann (Silent Force, Redrum, ex-Jaded Heart, Bonfire) e Carsten Kaiser (ex-Angel Dust) nos vocais e faz parte do álbum Inside The Machine com o selo Mausoleum Records.

Os Vertigo Steps partilharam o tema novo que irá fazer parte da compilação Disappear Here In The Reel World:: A VS Coda com lançamento em janeiro de 2014 via Ethereal Sound Works. O tema chama-se Sunflowers/Remission e pode ser visto (em HD) aqui.



Os russos Welicoruss encontram-se em fase de mistura e masterização do seu novo álbum Az esm’ mas entretanto disponibilizaram o vídeo do tema Sons Of The North.  

sábado, 28 de dezembro de 2013

Review: Enlighten (Sleeping Romance)

Enlighten (Sleeping Romance)
(2013, Ulterium Records)
(5.1/6)

Estreia dos italianos de Modena Sleeping Romance através do selo Ulterium Records com o trabalho Enlighten, um disco de moderno metal sinfónico e melódico com voz feminina. Um disco que segue na perfeição os cânones estabelecidos para o género por nomes como Arven, Xandria e claro, Nightwish. Desde logo se vê que originalidade não será o forte deste coletivo que mistura o poder das guitarras com orquestrações sinfónicas e adiciona apontamentos de cordas e até alguns elementos eletrónicos. Ainda assim, os vocais são agradáveis, na sua dualidade rockeiro/operático, as melodias e as orquestrações são bem conseguidas o que faz com que a audição de Enlighten transporte algum prazer. E com uma curiosidade: o interesse vai aumentando com o avançar do disco devido ao facto de a banda saber dosear bem os elementos diferenciadores que vai introduzindo. Assim, consegue ir mantendo os níveis de expetativa e de interesse em alta. Em resumo, sendo certo que o mercado há muito está inundado de bandas de metal sinfónico com vocalista femininas e sendo certo que mesmo estes Sleeping Romance irão ter algumas dificuldades em se impor, mesmo assim, os adeptos do género deverão considerar esta proposta. Não se arrependerão!

Tracklist:
01. Hybrid Overture
02. Enlighten
03. The Promise Inside
04. Soul Reborn
05. Free Me
06. December Flower
07. Finding My Way
08. Passion Lost
09. Devil's Cave
10. Aeternum

Line-up:
Federica Lanna - vocais
Federico Truzzi – guitarras e orquestrações
Francesco Zanarelli - bateria
Lorenzo Costi - baixo
Nicholas Bonavoglia - guitarras

Internet:

Edição: Ulterium Records 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Entrevista: Kingdragon

Hard rock melódico com elementos de heavy metal clássico é o que os gregos Kingdragon nos propõem de uma forma muito agradável no seu trabalho de estreia Hide The Sun, uma edição da norte-americana Retrospect Records. Via Nocturna quis saber um pouco mais sobre este coletivo helénico e contactamos o vocalista e teclista George Aspiotis. Aqui fica o registo.

Viva! Antes de mais, obrigado pelo vosso tempo com Via Nocturna. Podem apresentar os Kingdragon para os rockers portugueses?
Saudações a todos os rockeiros de Via Nocturna. Somos os Kingdragon, uma banda grega de hard ‘n’ heavy formada em 2006. Somos quatro músicos que se reuniram para tocar clássico e atmosférico Hard Rock com muitas influências de heavy.

Podes contar-nos um pouco da vossa história até agora?
A banda foi formada pelo teclista George Aspiotis (Spitfire, Nightfall, RawSilk). Em novembro de 2006, fizemos de banda suporte dos Gotthard no Gagarin Club. Dois anos depois, em outubro de 2008, lançamos o EP/CD Fire In The Sky com uma produção auto- financiado (edição limitada a 500 cópias). Imediatamente a seguir vieram os shows esgotados com os Firehouse com grande sucesso. Entre 2009 e 2012 a banda esteve em estúdio para as pré-gravações das canções que compõem Hide The Sun. Em novembro de 2009, suportamos os House Of Lords! Em junho de 2013, a banda assinou com a Retrospect Records - EUA para o lançamento mundial e distribuição do álbum de estreia Hide The Sun. Em julho do mesmo ano, foram lançados dois videoclips diferentes e o primeiro single Shout! Very Loud.

Quais são as vossas principais influências?
Há um conjunto de artistas que têm influenciado os Kingdragon à medida que o tempo tem passado. Não necessariamente apenas da cena Rock/Heavy. Porém, independentemente da referida cena mencionaremos Pretty Maids, Pink Floyd, Accept, House Of Lords, Winger, Whitesnake, Led Zeppelin, Gotthard... e muitos mais...

O vosso autofinanciado EP de 2008 EP Fire In The Sky recebeu boas críticas em todo o mundo. De que forma isso vos ajudou a assinar com o Retrospect Records?
Acho que foi o primeiro passo para levar a música dos Kingdragon para fora das fronteiras da Grécia. No caso da Retrospect Records, foi a primeira mistura do material de Hide The Sun que estabeleceu a ignição para a nossa colaboração.

No álbum Hide The Sun recuperam a faixa Man Of Yesterday. Mudaram alguma coisa na música?
Pois é, o Man Of Yesterday é uma das nossas músicas favoritas e quando decidimos incluí-la no nosso álbum de estreia quisemos mudar a intro (orquestral). Essa foi a razão porque chamamos o nosso amigo Maestro Kostas Kyriakidis (Spitfire, Rawsilk, Nostalgia For A Believe) para fazer uma orquestração especial. Além disso, algumas partes vocais estão um pouco diferentes agora e o final também mudou com os leads do nosso guitarrista, Anastasis F.

Como definirias Hide The Sun?
Para nós, Hide The Sun significa que o homem deve agir e determinar o seu próprio futuro, independentemente de todas as decisões tomadas por ele, sem o seu consentimento. É uma música que incentiva as pessoas a unir as suas forças contra qualquer estrutura de estado/poder que rege as sociedades de hoje...

Como foi o processo de gravação?
Foi ótimo! Tivemos muitos bons momentos durante as gravações. Acho que é refletido no resultado final.

Shout Very Loud foi a faixa escolhida para o vídeoclip. Porque essa escolha?
Sentimos, desde o início das sessões de gravação que havia alguma coisa com essa música. Esse "algo" parecia reconhecível tanto para os fãs de hard rock como os de heavy. Portanto, quisemos ver as reações de ambos.

Sei que tiveram alguns problemas de saúde na banda que afetaram alguns dos vossos espetáculos. Está tudo bem agora?
Inevitavelmente há um momento em que os problemas de saúde deixam todos os assuntos profissionais e artísticos por trás. Isso também acontece com os grandes nomes. Neste momento está tudo OK, obrigado pelo teu interesse!

Alguns de vocês têm outros projetos. Queres falar um pouco sobre isso?
Sim, já há algum tempo que toco teclas nos Spitfire, uma lendária banda grega formada em 1986.

A respeito de planos futuros, como tours, o que está agendado que possa ser divulgado?
Neste momento o management da banda está em contato com promotores bem como outros managers para a realização de alguns shows e provavelmente algum primeira tournée europeia, de mãos dadas com uma banda bem conhecida. Também é muito provável que dentro de um-dois meses o segundo videoclip de Hide The Sun esteja disponível.

A terminar, mais uma vez obrigado e concedia-te a oportunidade de acrescentar mais alguma coisa que não tenha sido abordada nesta entrevista...
A banda gostaria de agradecer a tua hospitalidade e teu esforço muito bom para manter o rock vivo! Outro enorme Obrigado mais uma vez para todos os reviewers pelas críticas a Hide The Sun recebidas até agora. Uma enorme saudação para todos os fãs de rock. Mantenham a chama acesa. Gostaríamos muito de ir tocar a Portugal!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Playlist 26 de dezembro de 2013

(Clicar na imagem para ampliar)

Review: The Sixxis (The Sixxis)

The Sixxis (The Sixxis)
(2013, WBA Records)
(5.6/6)

O facto de terem sido convidados para banda suporte na tournée europeia dos The Winery Dogs de Mike Portnoy (que passou em setembro pelo Paradise Garage, em Lisboa) é sintomático. Mas quem são estes The Sixxis? São de Atlanta, nasceram pelas ideias de Vladdy Iskhakov e o seu primeiro trabalho, homónimo, é sensacional! Dêm uma audição, ainda que breve, em The Sixxis e facilmente perceberão o que o Sr. Portnoy viu neles! Grandes canções, fantásticas linhas melódicas criadas, muito por ação do assombroso timbre vocal de Vladdy e capacidade para também introduzir músculo. Imaginem o melhor dos mundos dos Muse, System Of A Dawn, Rush ou Alice In Chains. Conseguem? Então estão perto dos The Sixxis. O disco é composto por 5 temas gravados em estúdio e mais três captados ao vivo que também fazem parte do DVD bónus. Um dos temas, Believe, aparece em duas versões, uma delas cantada em russo. O som dos The Sixxis é único e inesquecível e alguns dos temas apetece ficar a ouvir eternamente, tal a sua capacidade de seduzir. Experimentem, por exemplo, I Wanted More, Nowhere Close, Home Again ou Farwell To Everything. Ou até o refrão pegajoso de Believe (até em russo o irão cantarolar!). Verdadeiramente brutal… quem faz isto no primeiro trabalho, de que será capaz a seguir? Fiquem para assistir…

Tracklist:
1.      Believe
2.      Snake In The Grass
3.      I Wanted More
4.      She Only
5.      Believe (Russian)
6.      Nowhere Close (live)
7.      Home Again (live)
8.      Farwell To Everything (live)

Line-up:
J Bake Baker - bateria
Vladdy Iskhakov – vocais, guitarras, piano e violino
Mark Golden – baixo e sintetizadores
Cameron Allen – guitarras adicionais (ao vivo)

Internet:

Edição: WBA Records

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Entrevista: Blackbird Prophet

2014 promete! Pelo menos a atender pela primeira proposta que já nos chegou: Aetherea dos Gaienses Blackbird Prophet. Via Nocturna foi conhecer este jovem coletivo que nos falou do seu trabalho de estreia e dos projetos para o pós-Aetherea.

Viva! Obrigado pela disponibilidade desta entrevista. Para começar, quem são os Blackbird Prophet?
Boas! Nós é que agradecemos pelo mesmo. Os Blackbird Prophet são uma banda de Vila Nova de Gaia e atualmente consistem no Bruno Costa na voz, guitarra e sintetizador, o Daniel Pereira na guitarra e nos sintetizadores e a Cristiana Jesus no baixo e nos backing vocals. No que toca à bateria andamos atualmente a tocar com um baterista temporário, o Paulo Pinto.


São uma banda ainda relativamente jovem. Podem contar-nos um pouco da vossa história até aqui?
Sim, por esta altura nem 20 anos temos em média, se bem que isso não significa muito. A banda começou como um projeto de estúdio em 2011 entre três amigos, o Bruno, o Daniel e o João Faria, no baixo, que saiu do projeto pouco tempo depois de ele ser formado, mas nunca houve efetivamente um estúdio, tudo o que era material composto até à altura era gravado no quarto do Bruno durante tardes e tardes seguidas, e algum desse material acabou por ir parar à internet. Passar de projeto para banda foi muito complicado por causa da falta de uma formação completa, e a demo que os Blackbird Prophet gravaram na época, Symbolic Introduction, nem chegou a sair na integra cá para fora. Só a partir da primavera de 2012 é que o projeto saltou para banda com a entrada do Arai no baixo e do João Poças na bateria, mas esta formação também durou pouco tempo, e finalmente no Outono desse mesmo ano, com a entrada da Cristiana e do João Abade para a banda, é que a formação ficou mais sólida e a atividade começou a aumentar, com concertos na área do Porto. E depois no verão de 2013 finalmente metemo-nos em estúdio, no Estúdio Entreparedes, onde ensaiamos regularmente, para gravar o Aetherea, com o qual estamos muito contentes. O João saiu bastante recentemente, durante o processo de finalização do artwork e booklet.


O que vos motivou para erguerem os Blackbird Prophet?
Muita insatisfação com os nossos projetos anteriores e o facto de não nos estarmos a encontrar musicalmente. Quando começamos os Blackbird Prophet a nossa reação imediata foi algo como "é mesmo isto!", nem 18 anos tínhamos, mas sentimos que tínhamos criado algo sólido para nós mesmos, com uma direção, e mesmo que as coisas fossem difíceis era aos Blackbird Prophet que nos íamos dedicar, para o melhor e para o pior.


Que experiência anteriores já tinham?
O Bruno e o Daniel tocaram sempre em bandas juntos, com mais gente, e foram sempre as cabeças por trás de tudo o que começavam e toda a música que era escrita. Chegaram a ter uma "high school band" quando ainda estavam mesmo a começar que passou por vários nomes como Blue Flames e The Symbols, mas não passava de ensaios, a tocar músicas estilo Classic Rock. O único concerto que deram com essa banda foi no colégio onde estudaram (Colégio Internato dos Carvalhos) e foi verdadeiramente desastroso: paragens a meio da música, instrumentos que nem se ouviam... Pior ainda é que estavam umas mil pessoas na audiência por ser a festa final do colégio. Never again!

Quais os movimentos e/ou nomes que mais vos influenciam?
As nossas influências no que toca a artistas mudam a cada meio ano e somos mais "influenciados" pela mentalidade transmitida pelas bandas do que propriamente pelo seu som, não tentamos aproximar o nosso som ao som de ninguém. Bandas como Pink Floyd, King Crimson, Tool, Porcupine Tree, Mastodon, Faith No More e The Dillinger Escape Plan transmitiram-nos a ideia que podíamos fazer o que bem nos desse na real gana com a nossa música. E é só mesmo isso que queremos.


Algum significado para Blackbird Prophet?
Digamos apenas que gostamos muito do Edgar Allan Poe, já é uma pista...

Aetherea é a vossa estreia em absoluto com edição a 4 de janeiro. De que forma analisam o vosso trabalho?
Estamos muito contentes com o Aetherea e achamos que é uma representação fiel de quem somos como músicos e como pessoas neste momento. Gostamos de meter tudo o que temos na escrita e execução das músicas, e se não sentirmos que estamos a evoluir com algum material descartamo-lo imediatamente, por isto o que surge neste trabalho representa muito para nós. Tem de estar tudo perfeito para os nossos critérios pessoais e o que ouvimos a sair dos amplificadores e das colunas tem de ser uma réplica exata do que ouvimos nas nossas cabeças. Isto pode-se tornar tortuoso em alguns momentos, mas é de longe a melhor maneira de trabalhar para nós. Já agora, o trabalho só sai dia 11 de janeiro, mas dia 4 disponibilizamo-lo para streaming na íntegra gratuito.

Quais são os principais objetivos com a edição deste trabalho?
Primeiramente e acima de tudo queremos satisfazer-nos a nós próprios, aliás, esse é o motivo pelo qual fazemos música, porque nos faz felizes. Este lançamento serve como cartão de apresentação do que são os Blackbird Prophet. Claro que queremos fazer com que o Aetherea chegue ao máximo de ouvidos possível e o real desafio nesse aspeto vai começar agora da maneira que mais gostamos: concertos. Adoramos tocar ao vivo tanto ou mais do que gravar.

Fizeram a captação deste registo nos Estúdios Entreparedes. Como decorreram as sessões de trabalho e a experiência?
Já conhecemos o Entreparedes há algum tempo e desde que lá entrámos pela primeira vez que nunca mais saímos. Aliás, o Paulo, que anda a tocar connosco agora, criou os estúdios com a Fernanda Roxo e coproduziu o Aetherea connosco. A captação foi feita muito rapidamente e sem um único minuto desperdiçado, porque a banda trabalha sempre com um orçamento muito limitado. Foi uma experiência muito saudável e fácil, honestamente.

Vocês são referenciados como um trio, embora em algumas fotos apareçam quatro elementos. Quem é esse quarto elemento?
Nas fotos mais recentes é o Paulo, antes tivemos o João Abade e deve haver uma ou outra foto mais antiga com o João Poças. Mudanças de alinhamento sempre foram uma praga para nós.

Sei que já têm uma festa de lançamento agendada. Querem falar disso?
Sim, o nosso release show vai ser na sala 2 do Hard Club, no Porto, no dia 11 de janeiro de 2014 às 21:00! Vamos tocar dois sets, sendo que o primeiro consiste no Aetherea tocado na íntegra sem interrupções, e o segundo no material restante da banda, incluindo músicas não gravadas, versões alteradas de material antigo e uma cover. Vamos ter os Pobres Afortunados e os Dust Bone como bandas de abertura, e existem dois bilhetes disponíveis, a entrada a 5 euros e a entrada mais o Aetherea por um preço mais amigável do que comprar o trabalho separadamente, a 7 euros. Estamos out of our minds com isto por ser um sítio tão mítico e porque já passaram por lá bandas muito importantes para nós, como os The Ocean, num caso atual. É de longe o concerto mais importante da banda até à data.

E depois, que projetos têm em mente desenvolver nos próximos tempos?
Dar o máximo de concertos possível, trabalhar arduamente e definitivamente escrever mais música, porque por esta altura já andamos a mudar outra vez e a querer adicionar ideias e conceitos novos. Não gostamos de nos repetir, por isso uma espécie de Aetherea II está fora de questão.

A terminar, há mais alguma coisa que queiram referir que não tenha sido abordado?
Em relação a nós não nos ocorre nada, queremos só aproveitar para agradecer de novo por todo o interesse e disponibilidade, significa muito para nós. Obrigado!